sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Régua - Viticultores colam cartazes na Casa do Douro em protesto contra "assalto"

Dirigentes da Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro (Avidouro) colaram hoje cartazes de protesto na sede da Casa do Douro, na Régua, numa ação simbólica contra a tomada de posse do edifício pela nova gestão privada.
"Assaltantes da Casa do Douro para a rua", "O património da Casa do Douro é dos viticultores", ou "Governo para a rua", eram algumas das frases que se podiam ler nos cartazes que foram colocados no edifício localizado na cidade de Peso da Régua, distrito de Vila Real.
A dirigente da Avidouro, Berta Santos, referiu que este foi um "protesto simbólico" para marcar o dia depois da Federação Renovação do Douro (FRD) "ter forçado" a entrada na sede da Casa do Douro, que foi extinta enquanto associação pública em dezembro do ano passado.
A FRD ganhou o concurso público para a gestão privada da instituição em maio e garante ter legitimidade para entrar na sede, invocando, para o justificar, os decretos-lei do Governo e a escritura pública feita há quatro meses.

"Hoje quisemos chamar a atenção para este assalto à Casa do Douro, ao património de todos os viticultores", frisou Berta Santos.
A ação, que juntou cerca de duas dezenas de dirigentes da Avidouro, foi decidida depois de uma reunião de urgência convocada pela associação e onde ficou decidido avançar também com uma campanha de informação pelo Douro, chamando a atenção dos produtores para o "que se está a passar".
A Avidouro quer organizar ainda uma "grande manifestação de protesto" em frente à sede e garantiu que vai falar com os partidos de esquerda porque acredita que a "privatização da Casa do Douro ainda é um processo reversível".
Berta Santos lembrou que o PS em campanha assumiu que alteraria a decisão do Governo PSD/CDS-PP sobre a instituição.
Manuel António Santos, presidente da direção cessante da Casa do Douro, esteve presente em frente ao edifício e afirmou à agência Lusa que na segunda-feira avançaram para a "via judicial", esperando agora que o tribunal se pronuncie o mais rapidamente sobre o que classificou também como um "assalto".
"Ontem (segunda-feira) mesmo tomamos medidas que seguem a via legal, que terão uma decisão rápida. Nós temos que recuperar o edifício", salientou.
Referiu ainda que, segundo o decreto-lei governamental, o que passa para a associação privada é apenas o edifício e não o que está lá dentro, o recheio, que ainda permanece dentro da sede.
Manuel António Santos criticou ainda a posição da administradora liquidatária nomeada pelo Governo, que considerou ser "altamente conivente com a FRD".
No Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela estão em trânsito dois processos, um relacionado com a idoneidade do concurso que deu a gestão da CD à federação e outro que visa travar a nomeação da administradora Célia Custódio, que terá que proceder à liquidação das contas da antiga CD.
Criada em 1932 e com sede no Peso da Régua, a CD viveu durante anos asfixiada em problemas financeiros e possui uma dívida ao Estado na ordem dos 160 milhões de euros.

PLI // MSP

Lusa

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