quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Torre de Moncorvo - Minas de ferro reactivadas no início do próximo ano

Declaração de Impacte ambiental favorável é o primeiro passo para o arranque dos trabalhos, que deverão criar 110 postos de trabalho no primeiro ano de exploração, e chegar aos 540 passados cinco anos.
O processo de reactivação das Minas de Ferro de Moncorvo, uma exploração a céu aberto de quatro depósitos minerais de ferro para produção de concentrados de ferro e de inertes densos, recebeu um parecer favorável por parte da Comissão de Avaliação do Estudo de Impacte Ambiental.
A proposta de Declaração de Impacto Ambiental Favorável (DIA) Condicionada já foi entregue ao promotor – a empresa MTI, Minas de Ferro de Moncorvo - cujo representante  indicou ao PÚBLICO ir informar a tutela de não pretender usar o período legal para contestar a decisão: “Ficámos muito satisfeitos . Os condicionamentos que nos foram impostos são os mesmos que nós já tínhamos elencado entre as medidas de minimização de impactos”, esclareceu Carlos Guerra, representante da MTI.

Os passos seguintes, explica Carlos Guerra, são entregar o estudo de pré-viabilidade económica e o estudo de impacto social da mina na Direcção Geral de Energia e Geologia, para poder ser assinado o respectivo contrato de exploração. A expectativa é que a preparação do terreno e o início da extracção a céu aberto nos depósitos do Eluvial da Mua, da Carvalhosa, de Pedrada e de Reboredo-Apriscos, possa arrancar até ao final do primeiro trimestre de 2016.
No primeiro ano do arranque da exploração a expectativa é criar 110 postos de trabalho, que vão começar a laborar na chamada “cascalharia” em Mua. A velocidade cruzeiro só se atingirá aos cinco anos de exploração, altura em que se perspectiva a existência de mais de meio milhar de trabalhadores na empresa – o estudo de impacto social aponta para 540 trabalhadores. Até lá será preciso dar formação aos trabalhadores e testar equipamentos, pelo que a extracção mineira será ainda “muito primária”. 
A empresa MTI já tinha admitido pretender investir 600 milhões de euros nesta extracção ao longo da exploração da concessão, que tem um prazo de 60 anos.
A expectativa entre a população local com o arranque desta Mina é enorme, e é reconhecido o impacto em termos sócio-económicos que trará, sobretudo no emprego. O presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, Nuno Gonçalves, está na linha da frente dos que defendem a reactivação da indústria, que já foi tão importante no concelho, tendo chegado a empregar mais de 1500 pessoas. Foi, sempre, e por isso, com ironia que o autarca criticava as imposições do Instituto de Conservação da Natureza, que chegou a parar os trabalhos de prospecção, para se poder perceber se a comunidade de morcegos encontrada no local era das que hibernava ou invernava.
Agora, e citado pela Lusa, o autarca de Moncorvo sublinha que este projecto conseguiu demonstrar ao Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) que "a exploração de minério de ferro em Torre de Moncorvo é compatível com as boas práticas ambientais". A MTI - Ferro de Moncorvo, SA, garantiu que não vai fazer qualquer tipo de trabalho nas proximidades das galarias onde habitam as colónias de morcegos que são protegidas por lei. 
O projecto sofreu muitas alterações, desde que foi apresentado ainda em parceria com a multinacional Rio Tinto - "foi reduzido a um terço", disse, na altura, ao PÚBLICO, Carlos Guerra. A flutuação da cotação do minério – que chegou a duplicar depois da crise de 2008, mas que actualmente voltou a cair para metade – é um dos principais problemas que enfrentam os promotores.
Foi essa flutuação, e as dificuldades logísticas em levar o minério até às metalurgias da Europa (Portugal não tem nenhuma) que afastou da jazida de Moncorvo as grandes multinacionais. A revisão em baixa do projecto teve a ver, apenas, com a capacidade de recepção e transporte do minério a partir do porto de Leixões. Segundo Carlos Guerra, os modos de transporte previsto são exclusivamente rodoviários e ferroviários aproveitando a linha do Pocinho, até Leixões, tendo o promotor deixado cair a opção de transporte fluvial/marítimo.
Fonte: http://www.publico.pt/economia/noticia/minas-de-ferro-de-moncorvo-reactivadas-no-inicio-do-proximo-ano-1714675

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