terça-feira, 25 de abril de 2017

MONCORVO - Retrato a sépia

Todas as minhas memórias de infância começam em Moncorvo.
Há uma ligação irreprimível com a serra do Roboredo , que eu via das janelas de minha casa e povoava de fantásticas aventuras , no meio dos seus caminhos pedregosos e do arvoredo de cheiro penetrante. Dela eu conseguia olhar a vila como um casario distante à volta da igreja e esse efeito era como que um horizonte de liberdade. Contavam-me histórias do meu avô Adelino a atravessar a serra muitas vezes de noite para ir de Urros a Moncorvo, a cavalo, desafiando lobos e outros perigos. Histórias também da riqueza imensa que a serra guardava , com o seu ventre cheio de minério de ferro.
Da vila para a serra eu passava pela estação de caminho de ferro, com o seu depósito de água e a linha férrea cintilante ao sol, deitada sobre as travessas de madeira, com um cheiro de alcatrão que nunca esqueci. A estação e perto dela a fonte de Sto. António , com o tanque de água fresquíssima mesmo no Verão e o musgo das paredes, eram a fronteira entre o meu mundo conhecido e a aventura .
Na vila , a igreja dominava a paisagem. O adro e, dentro dela, a majestática nave , com uma luz coada e os seus recônditos onde as vozes se perdiam em ecos abafados . Igreja de dominante presença, com o granito acastanhado das suas paredes , os seus sinos que marcavam o tempo da terra , um tempo que no Verão abrasador se alongava pelas ruas e no Inverno se acolhia nas lareiras .
Pelas festas a igreja recebia o pregador , de voz troante e que vinha de fora para falar aos fiéis. A sua voz reberverava nas arcadas ogivais como a de um bíblico mensageiro .
E a praça - a praça ,defronte ao castelo, era uma imensa sala de visitas, com coreto e bancos em torno. Mas dela eu fugia para outras aventuras, na Corredoura e no campo da bola , que eram o meu poiso de eleição.
Festas, feiras, foguetório, bandas de música, procissões, tudo passava ali pela praça, debaixo dos meus olhos maravilhados.
Depois havia ainda o cine-teatro, as Aveleiras, a rua do Cabo, a casa da guarda, as quintas . E a casa dos meus Pais - o trabalho da oficina de alfaiataria, o sobe e desce da minha Mãe, a minha Avó Amélia , o escano do quintal onde nas noites de Verão se podia dormir, o fumeiro, os cântaros de água fresca.
E as pessoas e casas da vila, o sóto, o café do Sr. Basílio , a farmácia da D. Carmen.
Imagens que no passado reencontro quando preciso de me reencontrar no presente.

Parque Arqueológico do Vale do Côa e o Museu do Côa.

O ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, anunciou esta terça-feira que a nova administração da Fundação do Côa deverá tomar posse até ao final do mês.
Durante a cerimónia de entrega do Prémio de Arquitetura do Douro, realizada em São João de Tarouca, o ministro lembrou a decisão do Governo de "fazer reviver a Fundação do Côa", que foi criada em 2011 para gerir o Parque Arqueológico do Vale do Côa e o Museu do Côa."A Fundação do Côa tem novos estatutos e terá uma nova administração", disse aos jornalistas no final da cerimónia.

Fonte: http://www.dn.pt/artes/interior/nova-administracao-da-fundacao-do-coa-devera-tomar-posse-este-mes-6227710.html

“Guiné Crónicas de Guerra e Amor”

NOTA DE IMPRENSA
Comemoração do 25 de Abril em Torre de Moncorvo
A Câmara Municipal de Torre de Moncorvo celebra o Dia da Liberdade, no próximo dia 25 de Abril, pelas 15h00, na Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo.
Do programa faz parte a apresentação do livro “Guiné Crónicas de Guerra e Amor” de Paulo Salgado, que aborda as experiências vividas pelo autor no período da guerra colonial e durante a sua permanência, como cooperante, na Guiné-Bissau.
“Paulo Cordeiro Salgado nasceu em Torre de Moncorvo em 1946. Aqui completou o ensino liceal até ao 5.º ano no Colégio Campos Monteiro de que seu Pai foi fundador em 1936 e seu diretor de 1936-1972. Foi alferes miliciano na Guiné em 1970-1972. É licenciado em Direito e Mestre em Administração de Unidades de Saúde. Trabalhou em diversos hospitais portugueses como administrador hospitalar. Foi cooperante em projetos promovidos pelo Banco Africano de Desenvolvimento e Banco Mundial na Guiné-Bissau de 1990- 1992 e de 1997-2006 no Ministério da Saúde, e em Angola durante cerca de sete anos em Instituições de Saúde.”
De seguida será inaugurada, no átrio da Biblioteca Municipal, a exposição documental “De Moncorvo a Coimbra, de Lisboa a Paris e Londres: Percursos e Memórias do Visconde Vila Maior” da responsabilidade da Sociedade Broteriana – Universidade de Coimbra que com o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian procedeu ao tratamento do arquivo pessoal e familiar de Júlio Máximo de Oliveira Pimentel, 2º Visconde de Vila Maior (1809-1884), insigne personalidade do Liberalismo português e ilustre figura da história de Moncorvo.

Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, 18 de Abril de 2017

Luciana Raimundo

Comboio de Alta Velocidade “chega” a Bragança no Natal de 2018

O AVE, o Comboio de Alta Velocidade espanhol, chega a Otero de Sanabria, uma pequeníssima aldeia espanhola, com apenas duas dúzias de habitantes, no final do próximo ano.A garantia foi dada pelo ministro do Fomento espanhol, que anunciou o desbloqueio de 17 obras na linha de alta velocidade entre Madrid e a Galiza, um troço que sofreu "problemas técnicos" mas que agora está com uma "alta taxa de execução", afiançou Inigo de la Serna.
 De visita às obras desta linha na zona de Sanabria, o ministro espanhol reiterou que este é um "investimento prioritário" para o governo chefiado por Mariano Rajoy, referindo que o orçamento do Estado central tem reservados 589 milhões de euros para o AVE Madrid-Galiza.

Centro de Alto Rendimento do Pocinho

O Ministro da Cultura entregou na passada terça-feira o Prémio Arquitetura do Douro ao Centro de Alto Rendimento do Pocinho, uma obra do arquiteto Álvaro Andrade e propriedade do Município de Foz Côa.
Foram distinguidas com menções honrosas a Adega Alves de Sousa, do arquiteto Belém Lima, e o Espaço Miguel Torga, do arquiteto Eduardo Souto de Moura. "A nossa Cultura é cosmopolita e também vive no interior do país", referiu Luís Filipe Castro Mendes, Ministro da Cultura, na cerimónia de entrega do galardão, que se realizou no Centro Interpretativo de São João de Tarouca

Fonte:http://www.mdb.pt/noticia/centro-de-alto-rendimento-do-pocinho-vence-premio-de-arquitetura-do-douro-6357

Câmara Municipal de Torre de Moncorvo atribui Prémio Literário Campos Monteiro

NOTA DE IMPRENSA

O Prémio Literário Campos Monteiro 2016 foi atribuído à obra “Noticiário da Vida de José dos Passos” de Ricardo Manuel Ferreira de Almeida, residente em Vila Real.
A entrega do prémio ao vencedor ocorrerá em cerimónia pública, a decorrer no dia 25 de Abril, pelas 15h00, na Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo.
O Prémio Literário Campos Monteiro é uma iniciativa organizada pelo Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo e destina-se a incentivar a produção literária, em homenagem ao insigne escritor moncorvense que dá o nome a este prémio.
O valor do prémio a atribuir é de 3.500,00€, sendo que a Câmara Municipal de Torre de Moncorvo patrocinará a edição da obra vencedora.

Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, 20 de Abril de 2017

Luciana Raimundo

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Douro e Trás-os-Montes nas bocas do mundo

Douro e Trás-os-Montes nas bocas do mundo, à boleia do Navio Escola Sagres

19 abr, 2017 - 20:02 • Olímpia Mairos
Vinhos, compotas, enchidos e outros sabores do Douro e de Trás-os-Montes estão a bordo do Navio Escola Sagres e têm como destino a América do Sul e a França.
O Navio Escola Sagres (NRP Sagres) já navega nas águas do mar e, até Setembro, vai passar por portos e cidades de África, América do Sul e Europa, locais onde serão promovidos produtos do norte interior de Portugal, com destaque para a cultura, os vinhos, o agroalimentar e, fundamentalmente, o turismo.
“Em todos os pontos da viagem os produtos do Douro e de Trás-os-Montes vão ser integrados nas ementas do Navio Escola, nas recepções e nas ofertas. Por exemplo, quando o navio chega a um porto, convida as entidades locais e oferece degustações e presentes. Desta vez, esses momentos serão feitos com os produtos de Trás-os-Montes e Douro, promovendo a região”, avança Alberto Tapada, membro da Associação dos Empresários Turísticos do Douro e Trás-os-Montes (AETUR).

O 25 de Abril em Moncorvo

Caros amigos,

O 25 de Abril em Moncorvo será comemorado com o programa expresso no convite que segue em anexo.
A obra Guiné: crónicas de Guerra Amor, de Paulo Salgado, é o resultado das vivências do autor durante a Guerra Colonial e durante a sua actividade profissional, como cooperante, na Guiné Bissau.
Apareçam e divulguem!

Atentamente,
Lema d'Origem - Editora, Ldª
NIPC: 509 059 473
E/ editora@lemadorigem.pt
URL/ http://lemadorigem.pt

Virgínia do Carmo - Convite


A propósito do 25 de Abril e de José Mário Branco.



A canção de José Mário Branco é o retrato poético e violento de uma geografia agreste, da terra e do homem, da luta do camponês até aos construtores de um império, entre o suor e o saque. Da servidão da Vilariça até às casas, com brasão, da Vila, num percurso de sofrimento.
Moncorvo terra e gente
pobre-rica, rica-pobre
nobre serva, serva nobre
entre passado e presente
entre presente e ausente
Foi das pedras
foi das pedras e das águas
do calor, do rosmaninho,
foi da torga, foi das fráguas
que nasceu
este império pequenino
Foi do sol
foi do sul e foi do gelo
foi do sonho e da roda
do Picôto e do Covêlo
que nasceu 
este império à nossa moda


Moncorvo torre e gente
pobre-rica, rica-pobre
nobre serva serva nobre
entre passado e presente
entre presente e ausente
Foi do calo
foi da pedra descoberta
da terra desempedrada
que nasceu
esta mina já deserta
Foi do roxo
foi do arrojo e do Douro
do tesouro de caliça
foi do velho e do vindouro
que nasceu
o sangue da Vilariça.

domingo, 23 de abril de 2017

CONSELHOS RAIANOS

Domus Municipalis de Bragança, 29 de abril Sessão dos Conselhos Raianos

Varge, 10 de abril de 2017

          Caros Amigos

          Pedimos encarecidamente a todos os que anseiam por ver os territórios raianos de novo repovoados de gente feliz e com futuro, que se juntem a nós no próximo dia 29 de abril a partir das 14.00 na Domus Municipalis em Bragança, para debater sem entraves de qualquer ordem os problemas da acessibilidade e da coesão territorial, que vão da reposição das vias férreas às rodovias, das vias fluviais às ligações aéreas e da cobertura das redes móveis à conexão à internet. Em anexo remetemos os documentos.
          Era na mítica Domus Municipalis que os homens bons nossos antepassados se reuniam para debater os problemas com que se defrontavam e conseguir o repovoamento e a construção de todo o património que nos legaram e que temos obrigação de respeitar e de amar.
          É urgente combater o estafado argumento de que não há gente para rentabilizar os investimentos, porque foi graças aos investimentos feitos pelos nossos antepassados que estes territórios puderam sobreviver com gente até aos nossos dias.
          Sabemos que a resolução dos problemas só se consegue através do envolvimento da sociedade civil, da participação cívica e da construção de uma opinião pública capaz de se impor junto dos poderes decisórios. Por estas razões não desperdicem tomadas de decisão que só a cada um de nós pertencem e apareçam.
          Lembramos ainda que temos já agendadas outras sessões dos Conselhos Raianos, na Puebla de Sanabria no Convento de San Francisco, 17 de junho; em Torre de Moncorvo no Cineteatro, 22 de julho; em Alcañices no Salón de Actos do Ayto, 14 de outubro; em Alfândega na Casa da Cultura, 4 de novembro, e em Vila Flor no Centro Cultural, 25 de novembro.
                    Sem mais por hoje, em nome da RIONOR somos a enviar saudações raianas.


(Francisco Manuel R. Alves) 
Visitar a pré-história no Museu do Côa
Em 1997, Portugal classificava a arte do Vale do Côa como Monumento Nacional. No ano seguinte, foi a Unesco a considerar o achado Património Mundial. Para trás ficava o projeto de construção de uma barragem no Baixo Côa, que se tivesse avançado deixava debaixo de água um dos maiores testemunhos dos nossos antepassados.
Há dez anos, arrancava a construção do Museu do Côa.  Abriu portas três anos depois e hoje é uma referência internacional, com mais de 40 mil visitantes por ano, em média.
A ideia dos arquitetos era fazer um miradouro. Um palco que permitisse ver uma paisagem classificada duas vezes: o Alto Douro Vinhateiro e o Parque Arqueológico do Vale do Côa.  A obra,  em betão com a cor e a textura do xisto, não desilude!
Logo à chegada, é a paisagem que prende o olhar e suspende a respiração;  o Vale do Côa, com o rio que segue sereno e uma traquilidade pouco habitual a quem chega da cidade.
Imaginamos os nossos antepassados a caçar nas margens e a fazer aquilo que nos traz ao museu: verdadeiras obras de arte, cravadas no xisto há mais de 20 mil anos! "Não sei se conseguem 'encaixar' o que é que são 20 mil anos. Quando nós dizemos que as pirâmides do Egito são muito antigas e têm 5 mil anos, nós estamos muito mais perto das pirâmides do que as pirâmides estão destas gravuras", faz questão de sublinhar António Jerónimo, um dos guias do museu. 

Álbum de memórias - 1º comício politico em Moncorvo (1974)

Foto:N.M.F.D.S.
                            Primeiro comício de um partido ( PS) em 74. Foi no largo General Claudino. 

MANQUINHO DA AÇOREIRA , por Rogério Rodrigues


Depois de abrir a imagem clique no endereço que se encontra no canto inferior esquerdo para a ampliar.
Os versos de autoria do Manquinho e a foto das três irmãs foram enviados por Paulo Patuleia .
Postado em 15/09/11

A.M. Pires Cabral. Ainda se pode brincar com coisas sérias ou já não?

literatura não tem que seguir os ditames daquilo que a sociedade convencionou chamar bom gosto”. Quem o diz é César Gaspar, poeta de um único livro, saído dos prelos manhosos de uma dessas editoras de que todos já ouvimos falar, e protagonista de um dos oito contos de que se compõe esta recolha de A. M. Pires Cabral, recentemente publicada pela Cotovia.
“Singularidades” é o seu título e veste bem quer à editora, agora a redefinir o seu perfil sóbrio mas aventuroso, quer ao autor, que com notável discrição tem vindo a construir uma obra de pessoalíssima voz que varia de género como quem muda de camisa: poesia, romance, conto, teatro, crónica, literatura de viagens e o mais que o talento versátil permite.

sábado, 22 de abril de 2017

A moura encantada de Adeganha

A moura encantada de Adeganha

No antigo castelo de Adeganha [concelho de Moncorvo] existia uma passagem subterrânea que depois foi tapada. Lá dentro, ficou uma jovem moira que os cristãos haviam raptado e ali encerraram. Era tecedeira e tecia fios de ouro. Pelo tempo fora, a moura ali ficou encantada.
    Um dia, um pastor andava por ali, guardando as cabras. Subiu ao cimo das ruínas do castelo e espreitou por um buraco. Viu umas escadas e desceu por elas. Começou a ver ouro, muito ouro. De repente, assustou-se e voltou a subir, cheio de medo. Ouviu então uma voz dizendo:
    — Ah, ladrão, que me dobraste o encanto! 
 Era a voz da moura, lamentosa, que ali continuaria, encantada, pelos tempos fora, O encanto só podia ser quebrado por alguém que ali fosse à meia-noite do dia de S. João. 
E foi o que aconteceu. Um outro pastor, que guardava ovelhas, deixou perder uma delas que entretanto parira. Foi procurá-la de noite. Subiu ao castelo para ver se escutava os balidos da ovelha e da cria. De repente, espreitou pelo buraco. E lá dentro, viu uma toalha branca, de linho, cheia de figos secos. E que apetitosos!... 
Desceu, e foi encher os bolsos. Depois foi à procura da ovelha. Encontrou-a junto ao castelo, presa em umas silvas e acariciando o cordeirinho. Então meteu um figo à boca, mas era de ouro. Os figos eram todos de ouro fino Ouviu então um barulho leve, como de avezinha, e uma palavra cheia de ternura e felicidade: 
—Obrigada! 
Era a moura que voava, livre, para junto dos seus. O encantamento havia sido quebrado. Ficou da história uma quadra que o povo de Adeganha continua a cantar: 

“Aqui está Adeganha,
Toda ela engalanada!
Ao cimo tem o castelo
Com sua moira encantada!” 



Fonte BiblioPARAFITA, Alexandre A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos, Serpentes, Tesouros Vila Nova de Gaia, Gailivro, 2006 , p.323
Ano1721

Municípios querem unir o Douro Internacional com o Douro Vinhateiro através de uma ecopista

A Associação de Municípios do Douro Superior (AMDS) defende a recuperação do património da antiga linha do Sabor, de forma a criar um canal de ligação entre o Douro Internacional e Douro Vinhateiro através de uma ecopista.
Nesta primeira fase do projeto “a futura ecopista intermunicipal” foi dotada com cerca de 350 mil euros provenientes de fundos do quadro comunitário “ Portugal 2020” para a limpeza e desobstrução de parte do canal ferroviário nos concelhos de Torre de Moncorvo e Miranda do Douro.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Odebrecht - o construtor das barragens do Baixo Sabor

Magistrados de onze países latinos, incluindo Portugal, estão reunidos em Brasília até esta sexta-feira para acertarem estratégias na investigação do escândalo de subornos envolvendo a empresa
Os procuradores-gerais de 11 países comprometeram-se na quinta-feira a criar equipas de trabalho comuns para coordenar as suas investigações sobre o escândalo de corrupção da empresa brasileira Odebrecht que abalou a América Latina.
Comprometem-se a "promover a formação de equipas comuns de inquérito, bilaterais ou multilaterais, que permitam investigar de maneira coordenada o caso Odebrecht", segundo um comunicado assinado pelo Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Panamá, Portugal, Peru, República Dominicana e Venezuela.
O encontro entre os magistrados de mais de uma dezena de países, previsto para quinta-feira e hoje, visa "responder a todos os pedidos de informação, num assunto que é coberto pelo segredo de instrução", disse à AFP uma pessoa envolvida na organização da reunião, fechada à imprensa.
Segundo documentos publicados a 21 de dezembro pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Odebrecht terá alegadamente pagado subornos relativamente a mais de uma centena de projetos em 12 países da América Latina e África, de aproximadamente 788 milhões de dólares norte-americanos.

domingo, 16 de abril de 2017

AMÊNDOA COBERTA DE MONCORVO


amêndoa  coberta foi, de certo, uma das primeiras indústrias artesanais da vila. Destinava-se ao consumo, não só local e regional, mas também nacional e, nos começos do séc.XX, tornou-se um produto de exportação, principalmente para o Brasil, a fim de matar saudades da terra aos muitos milhares de transmontanos que para essas paragens emigravam. Mais tarde, a amêndoa coberta de Moncorvo acompanhou outras rotas de emigração: a França, a Alemanha, a Suiça, o Luxemburgo...

Mas falar de amêndoa coberta é também falar da cobrideira de amêndoa ,  da matéria prima utilizada na sua indústria caseira e do cenário da acção, o que implica falar ainda da maquinaria”  necessária ao seu labor.
1. Os ingredientes são : amêndoa , açúcar e água.
2. São seus instrumentos de trabalho:
2.1.  a bacia de cobre (tão limpa que até espelha), com ceca de 70 a 80   centrímetros de diâmetro;
2.2.     o “caco, grande recipiente em barro grosso, com as medidas da bacia e que se enche de cinza até mais ou menos ¾ . Esta cinza é coberta por duas ou três pazadas de brasas, três ou quatro vezes ao dia. Depende das estações do ano.
2.3.     uma trempe em ferro, grande e bem forte;
2.4.     uma boa caldeira de cobre onde vai ferver a água e o açúcar para cada “baciada” : 10, 12 ou 15 quilos de açúcar, até atingir o ponto exacto;
2.5.     uma colher de sopa, uma concha e um caneco;
2.6.     oito dedais;
2.7.     um banco pequeno.


Os Reis da Banda de Música de Moncorvo

Tinha acabado de entrar o Ano Novo, talvez   1958, 1959?.  Sinceramente não sei precisar.  Era eu  um garoto, tinha sete, oito anos.
Na altura quando a banda de música de Moncorvo regressava de uma actuação, brindava os da terra na Praça Francisco Meireles com algum do seu reportório. As notas tinham certamente soado bem em terra alheia. E que outra música havia em Moncorvo, para além daquela que sazonalmente saía dos altifalantes (grandes cornetas) dos circos Flecha Monteiro e Mérito que acampavam na Corredora, onde  vivi pouco tempo, tinha eu 5 anos,  junto á capela de S. Sebastião. Era vizinho do Sr. César Carmachinho, caçador afamado de bigode  e  nariz esguio. Quando regressava a casa ainda a tarde era jovem,  o peso das   perdizes e coelhos obrigavam-no a  um andar descompassado.
Nas traseiras da capela morava o  Sr. Tódu.  Este devia  ser rico pois já tinha  carro , e não havia muitos em  Moncorvo. Penso que era um Ford de jantes com raios e  de má memória para mim. E porquê? Na altura depois do almoço o Sr. Tódu costumava dar duas de conversa no café do Sr. Moreira na Praça Francisco Meireles. Eu já a tinha fisgada apesar da tenra idade. E uma tarde mal o vi entrar  no carro e dar  à chave (nesse dia  sem recurso á manivela),   sentei-me  na traseira, uma espécie de grade junto  á roda suplente. Ele arrancou e passados poucos metros, Corredoura acima, quando vi que a máquina já levantava muito pó, e, antes que fosse tarde, atirei-me para o chão. Não fiquei lá muito bem tratado. Ele não se apercebeu, seguiu viagem.
Mas voltando á banda. O gosto pela música era de tal ordem que a garotada na altura “inventou” uma banda.  Era um grupo de rapazolas que residia nos locais que davam acesso á Estação de Caminhos de Ferro”-Ruas de Santo António, da Cal e Rua do Cabo onde vivi dois ou três anos. Aqui tinha como vizinho, o brincalhão tio João Poiares que era sapateiro e que me trouxe iludido meses a fio, com um sorriso de criança, por causa de uns pirilampos que dizia ter em casa e que mil e uma vezes me prometeu.  De promessa não passou.

Linha do Douro: interrogações sobre um estudo

Foto do arquivo do blog
OPINIÃO
Linha do Douro: interrogações sobre um estudo
Em Maio vão ser retomadas na cidade de Vila Real as cimeiras ibéricas, cuja agenda contempla "importantes projetos transfronteiriços". Estaremos perante mais uma oportunidade desperdiçada para a Linha do Douro?
16 de Abril de 2017, 11:08
Na sua edição de 06/02/2017, o PÚBLICO noticiou as conclusões de um estudo centrado na Linha do Douro, eixo ferroviário internacional de 269 Km, repartidos entre Estados ibéricos, cabendo 191 Km (Ermesinde-Barca de Alva) ao território nacional, constituindo o mais curto caminho terrestre existente entre Madrid, a Área Metropolitana do Porto e o Oceano Atlântico. Intitulando-se Estudo de Desenvolvimento da Linha do Douro, o trabalho, sob a égide das Infraestruturas de Portugal, apresenta a Linha do Douro como o itinerário ferroviário lógico, de integração funcional da Área Metropolitana do Porto, e de toda região Norte, com a restante Península Ibérica e Europa além-Pirinéus, validando-o como a "melhor opção", nas dimensões técnico-operacionais, económicas e estratégicas. Adicionalmente, o estudo projeta a linha como vetor incontornável para um novo modelo de desenvolvimento territorial transfronteiriço, volvidas mais de três décadas após a suspensão de todos os serviços internacionais, na sequência da qual têm permanecido ao abandono 106 Km de via, entre Pocinho, Barca de Alva/Fregeneda (fronteira) e Fuente de San Esteban (entroncamento a 56 Km de Salamanca). Este estudo vem lançar uma série de desafios e interrogações.

sábado, 15 de abril de 2017

CONFRARIA DA AMÊNDOA - Capítulo da Primavera


Ao abrir o link tem acesso a 46 fotos 
https://meocloud.pt/link/2e2420d9-51bf-40f3-8817-3746618dc537/Amendoa/

Carviçais Rock

O rock está de volta à aldeia nos dias 11 e 12 de Agosto com muitas novidades! 


Carviçais a aldeia do rock!
A Junta de Freguesia de Carviçais em parceria com a Câmara Municipal de Torre de Moncorvo e com o Clube Académico de Carviçais, vai realizar pelo 4º ano consecutivo mais uma edição do Festival Carviçais Rock.

O Carviçais Rock realiza-se em Carviçais - Torre de Moncorvo, aldeia transmontana que lhe dá o nome, no sul do distrito de Bragança, situada no Douro Superior, entre os parques natural do Douro Internacional, Arqueológico do Vale do Côa e Douro Vinhateiro.
 O ano de 2017 marca a 15ª edição do Carviçais Rock, um dos mais antigos Festivais de Verão do nordeste transmontano, que tem datas marcadas para os dias 11 e 12 de Agosto, com um cartaz totalmente nacional e com elevado destaque para o género musical rock/alternativo.
 A apresentação das bandas/artistas que irão fazer parte do cartaz do Carviçais Rock está dividida em duas fases, sendo que a data da primeira fase está marcada para muito em breve.
 Fiquem ligados à aldeia do rock!

Secretariado das Comunicações Sociais da Diocese de Bragança-Miranda - Formação

Bragança, 11 abr 2017 (Ecclesia) – A União das Instituições Particulares de Solidariedade Social do Distrito de Bragança (UIPSSDB) vai promover uma formação para cuidadores e familiares de doentes em cuidados paliativos, a 20 de abril, na Fundação Betânia.
Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, o Secretariado das Comunicações Sociais da Diocese de Bragança-Miranda informa que na formação vão ser abordados temas como os princípios básicos dos paliativos e o controlo dos sintomas.
Médicos, enfermeiros, assistentes sociais, clero, e psicólogos, na formação para cuidadores e familiares de doentes em cuidados paliativos vão também falar das necessidades espirituais em fim de vida e o luto, entre outras abordagens específicas no tratamento ao paciente.

MONTALEGRE, 7 | MONCORVO, 0

Jogo sem história, o resultado diz tudo.


Futebol Campeonato Prio
O Montalegre foi superior ao seu adversário em todos os capítulos do jogo, marcou sete, podiam ter sido menos ou mais golos, o triunfo barrosão nunca esteve em causa diante de um adversário que denota muitas fragilidades. Logo aos quatro minutos, o avançado Senegalês Baba lança o primeiro aviso à baliza do Moncorvo. E aos 6’, Aliu abre o marcador depois de assistência perfeita de Zack. Os barrosões procuram o segundo tento, porém Baba atira ao lado… No vendaval ofensivo barrosão, Michel atira ao poste, o segundo golo barrosão chega mesmo aos 25 minutos, nova assistência de Zack para Baba fazer um golo de belo efeito. A equipa do Moncorvo tem uma grande situação para marcar, mas o livre de Serginho esbarra no poste da baliza de Márcio. Mas era a equipa da casa que tinha o controlo do jogo e Edson tem logo a seguir mais uma boa ocasião de golo. Depois é Aliu Ronaldo que volta a estar perto do objetivo. Mas Aliu marca mesmo, ainda antes do intervalo, aumentando o resultado para 3-0. Para a etapa complementar, o conjunto barrosão levanta um pouco o pé do acelerador, mesmo assim Baba faz o 4-0 num cabeceamento indefensável, foi logo aos 4 minutos da segunda etapa. Aos 67’, quase surge o autogolo de Filipe, defesa central da equipa do Moncorvo. Continuava o Montalegre a dominar, o Torre de Moncorvo não tinha quaisquer argumentos e Dhida quase marca depois de ultrapassar dois adversários. Aos 71’, é Nené a ameaçar a baliza a contrária, todavia o açoreano marca mesmo no minuto seguinte, depois de excelente assistência de Álvaro Branco. O capitão do Montalegre, Zack, faz o 6-0, num remate acrobático. Pelé ainda obriga Márcio a defesa apertada, mas é Nené que fecha as contas do jogo com um golo de calcanhar, a passe de Tiago Gomes. Vitória com nota artística do Montalegre diante de um adversário que deseja o final do campeonato.

Até 2080 a região Norte perderá 42 por cento da população

Cada vez há mais aldeias sem crianças ou apenas com uma ou duas. A situação é transversal ao interior e nem as  localidades mais próximas das cidades escapam à tendência. Meixedo e Oleirinhos,  aldeias integradas na União das Freguesias de Sé, Santa Maria, a meia dúzia de quilómetros da cidade de Bragança, tem cada uma sua criança. Com menos de seis, já contando os alunos em idade pré-escolar, está Parada, concelho de Alfândega da Fé, a cerca de 100 km da capital de distrito. Em Souto da Velha, concelho de Torre de Moncorvo, há três com menos de 15 anos. Estes são apenas alguns exemplos da realidade da região, que se agrava todos os anos.
Segundo os dados da Pordata, em 2015 eram apenas 18 os alunos de Freixo de Espada à Cinta matriculados no Ensino Secundário, onde  a escola não dispõe deste nível de ensino. Em Torre de Moncorvo havia, em 2009, 255 alunos matriculados no secundário mas em 2015 só já eram 178. Em Alfândega da Fé eram 89 e na cidade de Bragança 1675. Em Vinhais apenas 152.
Izeda, uma vila do concelho de Bragança, perdeu na última década um terço da população, passando de 1800 habitantes para cerca de 600. O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, que passou por lá no passado sábado, deu conta da criação da Unidade de Missão para valorizar o interior. “Nós temos que ser os atores  que não podem só dizer que isto está mau, temos é que pegar no valor que temos e transformá-lo em valor económico, para a criação de emprego, inovação e investimento”. E prosseguiu: “Não podemos ficar todos a chorar porque as pessoas se vão embora”, acrescentou.
Secretário de Estado acredita na unidade de Missão para o Interior
Os centros urbanos exercem grande poder de atração sobre os jovens, mas Jorge Gomes admite que, muitas vezes, encontra por lá gente oriunda da região que não vive bem. “Têm emprego precário e vivem em condições quase sub-humanas, mas preferem viver assim. É preciso mais apoios, mas não à natalidade”, referiu. No seu entender a culpa do despovoamento também “decorre da mentalidade dos jovens que preferem estar em grandes centros urbanos do que ter qualidade de vida”. Por outro lado, a crise dos últimos anos agravou tudo. “Pusemos jovens de 35 anos a depender dos pais ou a ter de emigrar”, lamentou.
 http://www.mdb.pt/noticia/ate-2080-regiao-norte-perdera-42-por-cento-da-populacao-6338

Bragança-Miranda: «Não basta entender a cruz, é preciso partilhá-la» - D. José Cordeiro

Bragança, 14 abr 2017 (Ecclesia) – O bispo de Bragança-Miranda disse hoje que a fé na Cruz é a “arte de servir na esperança com o amor que até é mais forte que a morte”, na Adoração da Cruz e Procissão do ‘Enterro do Senhor’.
“Não basta entender a cruz, é preciso partilhá-la. Também não é necessária outra cruz, mas a mesma cruz de Jesus”, afirmou D. José Cordeiro, destacando que a Igreja, ao longo dos séculos, “soube adaptar esta cruz e continua a fazê-lo, servir Jesus nas pessoas, amando-os”.
Na homilia proferida esta tarde em Bragança e enviada à Agência ECCLESIA, citou o padre Américo, fundador da Obra da Rua: “Jesus Crucificado é outra vez escândalo para uns, vergonha para outros; e para muito poucos, vida.»
Neste contexto, o bispo de Bragança-Miranda alertou para os casos de violência doméstica na cidade de Bragança e na diocese, para os “maus tratos a crianças e a idosos” ou os jovens à procura de emprego e de felicidade.
“Quanta pobreza envergonhada! Quantos insultos e intrigas! Quantos especialistas da maledicência! Quanta necessidade material e espiritual! Quantas pessoas e famílias feridas! Quantos lutos mal vividos! Quantos perdas de relação e amizade malcuradas! Quanta angústia sentida”, desenvolveu D. José Cordeiro.
Segundo o prelado, no atual mundo “tão complexo” em que se vive “o enorme desafio” continua a ser o serviço para o qual cada é chamado “sob pena de não servir para nada”.
O bispo diocesano explicou que sozinhos não se é capaz “de muito”, por isso, é preciso união e organização dando como exemplo as Santas Casas da Misericórdia e outras instituições da “caridade inteligente e organizada”, como as Cáritas diocesanas e paroquiais; fundações canónicas, centros sociais paroquiais.
“Modos de servir com arte e com alma a cidadania e a dignidade inviolável da pessoa humana”, observou acrescentando que a Santa Casa da Misericórdia de Bragança tem 499 anos de “serviço do Bem Comum e de com(paixão) à pessoa humana”, inspirada “na medicina nas Obras de Misericórdia cristã, celebrando a Semana Santa como seu ideário penta secular”.
Na cerimónia da Adoração da Cruz e Procissão do ‘Enterro do Senhor’, D. José Cordeiro explicou que a cruz “é o sinal máximo da Misericórdia” e praticá-la “é construir a paz”.
“É o próprio Senhor Crucificado e Ressuscitado que nos diz da capacidade de fazer misericórdia. Cada um faça o que pode fazer para o bem de todos e de cada pessoa que mais precisa”, apelou.
O bispo da Diocese de Bragança-Miranda assinalou que num “exame de consciência” diário cada pessoa pode interrogar-se “sobre o futuro” que fez nesse dia.
CB

OFICINAS de PATRIMÓNIO CULTURAL


SEMANA SANTA


segunda-feira, 27 de março de 2017

MONCORVO - GRANDE FEIRA MEDIEVAL




Sacerdote moncorvense que trouxe os Padres Vicentinos para Portugal homenageado em Moncorvo

Uma vida plena em várias dimensões. Foi assim que o bispo diocesano, D. José Cordeiro, descreveu o percurso do Pe. José Gomes da Costa, nascido fez domingo 350 anos em Torre de Moncorvo mas que um acaso encaminharia para a vida da Igreja, tendo-se afirmado como uma das maiores personalidades no seu tempo.

Ao despedir-se de uns amigos que partiam de barco para Itália não conseguiu livrar-se da ressaca a tempo e acordou já a caminho de Nápoles. Acabaria por ser ordenado padre em Áquila, tornando-se no responsável pela introdução dos Missionários Vicentinos em Portugal.

O Pe. José Gomes da Costa foi homenageado pela diocese e pelo município moncorvense durante a eucaristia de domingo, onde foi apresentado um seu retrato recuperado. “Vai ser exibido no museu de Arte Sacra de Moncorvo”, garantiu o autarca Nuno Gonçalves. Também foi apresentada o projeto de recuperação de uma praça à qual será dado o nome deste ilustre moncorvense. “Esta praça enquadra-se como elemento de ligação à rua Martins Janeira, que se tornará num espaço de convívio entre dois bairros”, sublinhou o autarca


D. José Cordeiro assinalou a data na sua homilia. “Pode ler-se na Nota Pastoral da CEP sobre os quatro séculos de evangelização e três de presença em Portugal da Congregação da Missão: «Os filhos de S. Vicente de Paulo entraram em Portugal em começos do século XVIII. Foi apoiado num breve de Clemente XI que autorizava a erigir a Congregação da Missão no reino de Portugal que o padre José Gomes da Costa (1667-1725), natural de Torre de Moncorvo, e superior da casa de Monte Célio, em Roma, onde tinha ingressado na congregação vicentina, chegou a Lisboa, em novembro de 1716, para dar início à fundação”, disse, recordando outras duas figuras daquela região, até agora esquecidas na história, dois bispos nascidos em Torre de Moncorvo.