sexta-feira, 17 de abril de 2015

Ernesto Rodrigues na Casa de Trás-os-Montes

Ernesto Rodrigues em tertúlia, 15 de Abril, quarta-feira Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro

Relembrando o programa: 
18h00 – Abertura, pelo Presidente Nuno Aires
18h10 – Apresentação do Guião, por Jorge Golias
18h15 – Apresentação pelo próprio – Ernesto Rodrigues, incluindo o lançamento dos seus livros 'Passos Perdidos' e 'Lisboa em Baptista-Bastos' (Âncora Editora)
19h00 – Leitura de poemas por Ana Maria Calado, Elsa Bidarra, João Vicente. Interpretação do conto “Um dia”, por Eduardo Botelho, Carlos Cordeiro e Elsa Bidarra
19h30 – Momento musical, por João Rocha, que interpretará duas canções

19h45 – Debate/Conversa

Alfândega da Fé - Dia dos Monumentos e Sítios

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TORRE DE MONCORVO - EFEMÉRIDES (17/04)


Barca de Silhades
17.04.1673 – Em reunião de câmara foi adjudicado o serviço da Barca de Silhades ao concorrente Baltasar António, morador no Felgar que apresentou o preço mais elevado – mil réis.17.04.1945 – De um ofício enviado de Mirandela para o administrador do concelho, extractamos: - Há 3 anos que a praga do escaravelho da batateira apareceu nesta província e a rapidez com que se tem desenvolvido entre nós e avançado pelas outras províncias do país, visto já ter aparecido em focos isolados junto a Setúbal, são bem do inteiro conhecimento de Vª Exª, razão por que me abstenho de fazer salientar o facto. No entanto, verifico que poucas pessoas se apercebem do perigo a que estamos sujeitos e perante tanta indiferença afigura-se-me que, dentro de poucos anos, seremos obrigados por aquela terrível praga a deixar de cultivar a batata nesta província, o que constituirá um desastre sobremaneira esmagador para toda ela, mas destacadamente para as regiões de maior produção – as zonas frias…
António Júlio Andrade

Foz do Sabor e o rio também de nome Sabor

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A aldeia da Foz do Sabor, está bem ligada ao rio também de nome Sabor, inseparáveis, estando bem visível na imagem anterior, onde a aldeia se reflecte no rio cheio de esplendor.

Esta e outras imagens da Foz do Sabor em: Foz do Sabor no blogue "O Cantinho do Jorge"

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Rostos de Moncorvo


José Evaristo                       (clik nas imagens para aumentar)

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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Freixo de Espada à Cinta - A Vila Manuelina


Fotografia de Vítor Matos

Governo lança concurso público para ligação aérea Bragança/Portimão

O Governo lançou o concurso público para a adjudicação, em regime de concessão, da ligação aérea Bragança-Vila Real-Viseu-Cascais-Portimão, por um período de três anos, segundo o anúncio publicado em Diário da República (DR).
 Os interessados na concessão dos "Serviços Aéreos Regulares" da rota que ligará o interior norte ao sul do País têm de apresentar as propostas até 27 de Maio, quando passam os 47 dias obrigatórios após a publicação do aviso concursal, que ocorreu na sexta-feira.
 Em Dezembro de 2014, o Conselho de Ministros aprovou uma despesa máxima de 7,8 milhões de euros para a concessão da rota durante 36 meses após a celebração do contrato, a qual terá como primeiro critério de adjudicação a "proposta economicamente mais vantajosa".
 Em Janeiro deste ano, numa rectificação à resolução do Conselho de Ministros de 18 de Dezembro e publicada em DR, pode ler-se que o Estado apenas poderá pagar, em 2015, no máximo, 650 mil euros à transportadora aérea que vier a realizar a rota.
 O montante para 2016, a que acresce sempre o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), poderá ir até 2,6 milhões de euros, o mesmo valor indicado para 2017. Para 2018, o montante máximo consignado no diploma é de 1,95 milhões de euros.
 As quatro parcelas perfazem os 7,8 milhões de euros de despesa máxima prevista.
 Fonte do Ministério da Economia explicou à agência Lusa, em Dezembro, que este valor representa um subsídio a ser atribuído à empresa à qual vier a ser adjudicada a concessão da ligação aérea.
 Na ocasião, o Governo justificou a implementação desta rota com a necessidade de "garantir a prestação do serviço aéreo entre o nordeste transmontano e o sul do País", bem como "a salvaguarda do interesse público" na rota Bragança-Vila Real-Viseu-Cascais-Portimão.
"Subsistem dificuldades de acessibilidade no modo terrestre nas ligações de e para Bragança, Vila Real e Viseu, inexistindo uma alternativa de transporte" mais vantajosa do que o transporte aéreo, pelo que o Governo voltou a impor o serviço público para "garantir a diminuição do distanciamento geográfico e social", frisa o diploma publicado em Janeiro.
Esta ligação aérea surge depois de o Governo ter suspendido os voos entre Trás-os-Montes e Lisboa, em Novembro de 2012, com o argumento de que Bruxelas não autorizava mais o financiamento directo de 2,5 milhões de euros por ano à operadora.

Fonte: http://www.sabado.pt/portugal/politica/detalhe/governo_lanca_concurso_publico_para_ligacao_aerea_bragancaportimao.html

Carviçais Rock 2015 - Confirmada a presença dos Amor Electro

Resultado de imagem para carviçais rockO Carviçais Rock vai este ano realizar-se entre os dias 6 e 8 de agosto, nesta aldeia transmontana que lhe dá o nome, Carviçais, do concelho de Torre de Moncorvo, situada no Douro Superior.
Amor Electro é a primeira banda confirmada, sendo cabeça de cartaz do último dia do festival, 8 de agosto.
Desde a sua estreia em disco, em 2011, os Amor Electro não têm parado de crescer, sendo, hoje, um dos principais projetos da moderna música portuguesa.
Com ‘Cai o Carmo e a Trindade’, Tiago Pais Dias, Rui Rechena e Ricardo Vasconcelos proporcionam a Mariza Liz, reconhecidamente uma das mais marcantes vozes da atual música portuguesa, o ambiente ideal para exprimir todo o seu talento, graças a uma personalidade única, onde modernidade e tradição, raízes populares e eletrónica, colidem para darem origem a um som extremamente original, carregado de carisma, emoção e portugalidade.
Em cerca de dois anos e meio, os Amor Electro afirmam-se como uma força maior da cena musical portuguesa, chegam ao Disco de Platina, colecionam prémios e distinções e esgotam concertos, uns atrás dos outros, um pouco por todo o país.
Com ‘(R)EVOLUÇÃO’ não se acomodam à sombra de tudo o que conseguiram e, assumindo alguns riscos, exploram territórios onde ainda não se tinham aventurado, acrescentando a energia contrastante do rock mais progressivo à vincada personalidade da banda, sem que a sua intensidade singular deixe de estar constantemente presente.
São o primeiro nome do cartaz Carviçais Rock, que em 2015 contará com várias atuações de bandas em cada dia, vários DJ, animação itinerante, atividades diversas, entre outros.
Este festival irá ser realizado este ano pela décima terceira vez, numa parceria que envolve a Junta de Freguesia de Carviçais, Clube Académico de Carviçais e Câmara Municipal de Torre de Moncorvo.

Fonte: http://ptjornal.com/amor-electro-a-primeira-banda-confirmada-no-festival-carvicais-rock-2015-33427

TORRE DE MONCORVO - FLAVIANO DE SOUSA

Ficou a administração entregue a Flaviano de Sousa, um grande empreiteiro de obras públicas do tempo da monarquia, construtor do primeiro troço da linha de comboio do Pocinho para Moncorvo, proprietário do solar dos Pimentéis, junto à igreja matriz. ..


…Regressemos à crise alimentar do concelho e à situação social explosiva. Para manter a ordem e a autoridade, o administrador precisava tomar medidas urgentes e enérgicas. A primeira foi, de acordo com a câmara, destacar o fiscal Abel Augusto Roque para a estação do comboio para fiscalizar as remessas de centeio, trigo e batata que por ali transitassem, apreendendo todas as que não fossem acompanhadas de guia passada pelo administrador do concelho.
Registadas ficaram algumas das apreensões feitas por aquele fiscal, nomeadamente 2 sacos de batatas despachados para o Porto, 3 sacos de pão cozido e… em 25 de Outubro de 1916, foram….

Flaviano de Sousa era casado com Rosa Fortunata Meneses e, por isso, cunhado de Adelino Augusto Meneses. Os dois eram sócios numa empresa de construção civil, a maior da região. Separaram-se e cortaram relações em 1906, quando Adelino Meneses se considerou ultrapassado, julgando (com razão ou sem ela) que o outro se preparava para arrematar só para si a obra da linha do comboio, entre Pocinho e Torre de Moncorvo. Talvez por isso mesmo, também na política seguiram caminhos diversos depois do 5 de Outubro. Flaviano virou democrático e Adelino Meneses continuou monárquico.

Excerto do livro HISTÓRIA POLÍTICA DE TORRE DE MONCORVO 1890 – 1926 , de António Júlio Andrade

Âncora Editora ( com o apoio da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo)
Nota: à venda em Moncorvo e nas principais livrarias do país.

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TORRE DE MONCORVO - EFEMÉRIDES ( 16/04)

Fotografia de 1894
16.04.1834 – Extracto: - “Nesta vila de Moncorvo e paços do concelho da mesma vila, ali reunido o numeroso concurso do clero, nobreza e povo, por todos uniformemente foi acordado: - Que eles, de seu motu próprio e livre vontade, por efeito da convicção de suas consciências e sentimentos de adesão à Sua Augusta Pessoa, reconheciam e aclamavam por legítima rainha destes Reinos de Portugal, Algarves e seu domínios, a Senhora D. Maria II; e igualmente reconheciam e aclamavam Sua Majestade Imperial, o Senhor Duque de Bragança como Regente dos ditos Reinos, assim como reconheciam e aclamavam também como legítima a Carta Constitucional da Monarquia outorgada pelo Augusto regente durante a sua legítima sucessão no trono português, por falecimento de seu Augusto Pai, de gloriosa memória, Senhor D. João VI. Igualmente foi por todos acordado que declaravam por muito irrito e de nenhum efeito o Auto de Aclamação de Sua Alteza, o Sereníssimo Infante, Senhor D. Miguel como rei de Portugal, feito em 1828 nestes mesmos paços, assim como todos os mais que lhe sucederam até ao presente que por todo e qualquer modo tenham conexão com a dita que fica anulada”. O texto está assinado por mais de 50 cidadãos.
António Júlio Andrade

TORRE DE MONCORVO - ANOS 30












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 Casamento do senhor Adriano Pires e dona Carmen e pais de Adriano Pires
Fotografias enviadas por Paulo Patoleia.

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terça-feira, 14 de abril de 2015

Ernesto Rodrigues na Casa de Trás-os-Montes

Ernesto Rodrigues em tertúlia, 15 de Abril, quarta-feira Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro Campo Pequeno, 50-3.º Esq.
18h00 – Abertura, pelo Presidente Nuno Aires
18h10 – Apresentação do Guião, por Jorge Golias
18h15 – Apresentação pelo próprio – Ernesto Rodrigues, incluindo o lançamento dos seus livros 'Passos Perdidos' e 'Lisboa em Baptista-Bastos' (Âncora Editora)
19h00 – Leitura de poemas por Ana Maria Calado, Elsa Bidarra, João Vicente. Interpretação do conto “Um dia”, por Eduardo Botelho, Carlos Cordeiro e Elsa Bidarra
19h30 – Momento musical, por João Rocha, que interpretará duas canções
19h45 – Debate/Conversa

Torre de Moncorvo - Semana do Cinema

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DRCN apoia recuperação do património

DRCN apoia recuperação do patrimónioA Direção Regional de Cultura do Norte apoia a recuperação do património promovida por instituições públicas e privadas.
A Paróquia de Tabosa do Carregal, com o apoio da Câmara Municipal de Sernancelhe, tem levado a cabo, desde 2010, trabalhos na Igreja de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa. Estes trabalhos têm sido preparados e acompanhados pelos serviços da DRCN, quer na elaboração de estudos e projetos, quer no apoio técnico à execução das intervenções programadas.
Após a conclusão, em 2013, dos trabalhos de conservação e restauro do coro, nave e capela-mor da igreja, presentemente estão em conclusão trabalhos de remodelação da sacristia e equipamento.
A Igreja do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa - também conhecida como do Convento de São Bernardo - é imóvel classificado, propriedade da Igreja Católica, e integrava - em conjunto com a cerca, claustro e dependências conventuais (hoje propriedade particular) - o antigo convento feminino aqui fundado no século XVII, o último cisterciense fundado em Portugal.
A intervenção, nas duas fases, teve cofinanciamento do Programa Operacional ON.2, tendo os trabalhos sido executados pela empresa LUSOCOL, Lda.

Fonte: http://www.culturanorte.pt/destaques,0,1322.aspx

Terras de Miranda - Comemorações do Dia Internacional Dos Monumentos e Sítios

17 e 18 de Abril
Centro de Interpretação dos Pombais Tradicionais, aldeia de Uva
O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios foi criado em 1982 com o objectivo de sensibilizar os cidadãos para a diversidade e vulnerabilidade do património, bem como para o esforço envolvido na sua protecção e valorização. Tendo em conta o trabalho que a Palombar tem vindo a desenvolver no sentido de estudar, conservar e dar a conhecer o património rural do Nordeste Transmontano, não podíamos deixar de propor uma acção para comemorar esta data.

Assim, no dia 17 de Abril convidaremos a comunidade escolar local a visitar o Centro de Interpretação dos Pombais Tradicionais (CIPT), para com ela explorarmos o valor patrimonial não só dessas construções, mas também de muitas outras estruturas da arquitectura tradicional rural, como os muros de pedra.


No dia seguinte, 18 de Abril, o CIPT abrirá as suas portas a todos os curiosos, oferecendo uma visita orientada de sensibilização pela aldeia de Uva que levará os participantes a descobrir os seus recantos mais preciosos.


Participe!


Saiba mais em: http://www.palombar.pt/eventos/dia-internacional-dos-monumentos-e-sitios-1842794190/

Ernesto Rodrigues - Entrevista na Rádio Onda Livre




Para ouvir clique no video acima ou abra neste link

Nordeste Transmontano não seria o mesmo sem o abade de Baçal

Pode um dos maiores vultos da história e cultura do Nordeste Transmontano ser injustiçado pela defesa demasiado zelosa dos seus conterrâneos? É essa a questão que se levanta desde quinta-feira, dia do início das comemorações dos 150 anos do nascimento de uma figura tão importante quanto injustiçada para o Nordeste Transmontano.
Até ao final do ano decorrem várias iniciativas que pretendem recordar aquele que ajudou a formar a identidade cultural dos transmontanos, sobretudo do distrito de Bragança, mas o fervor com que é recordado e defendido na terra natal acaba por minimizar a importância nacional do seu legado - é essa injustiça que se pretende desfazer, recordando o vulto que foi etnólogo, etnógrafo, historiador e sacerdote.
“É uma data muito significativa para nós. É uma figura e um ícone da região, acarinhada por todos os transmontanos. Foi um construtor da nossa identidade”, recorda Ana Afonso, desde 2010 diretora do Museu ao qual o Abade empresta o nome, desde 1935.
O Museu do Abade de Baçal é apenas um dos marcos da presença de Francisco Manuel Alves na região. O filho de lavradores que, como já se disse, “via nascer o sol da quilha do arado”, é a fonte onde todos os investigadores sobre Trás-os-Montes vão beber. Estátuas, uma avenida e até um agrupamento de escolas recordam hoje o homem que amou a terra como poucos e à qual dedicou uma vida de estudo e sacerdócio.

Vila Real - preparada para receber avião que tarda em descolar

O presidente da Câmara de Vila Real garantiu esta segunda-feira que o aeródromo municipal está preparado para receber a ligação aérea que vai ligar Trás-os-Montes a Portimão e lamentou o tempo que está a demorar para o avião descolar.
Em novembro de 2012 o Governo suspendeu os voos entre Bragança/ Vila Real e Lisboa. Entretanto, na sexta-feira foi lançado o concurso público para a adjudicação, em regime de concessão, da ligação aérea que, agora, vai ligar Bragança-Vila Real-Viseu-Cascais-Portimão, por um período de três anos.
“Já vem tarde e a más horas mas vale mais tarde do que nunca”, afirmou o socialista Rui Santos à agência Lusa.
O autarca que sempre se opôs à suspensão da carreira aérea referiu que, em Vila Real, está tudo pronto para receber esta ligação, referindo que não foi necessário proceder a qualquer intervenção no aeródromo municipal, onde apenas se está a reforçar a formação para os bombeiros das duas corporações da cidade, que terão que marcar presença sempre que o avião aterre ou descole.

FELGAR - EXPLOSÃO (1937)


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segunda-feira, 13 de abril de 2015

A exaltação da língua mirandesa, com furor e mistério

Capa do livro
O apóstolo iluminado que andou anos a incendiar a opinião pública com a língua mirandesa foi Amadeu Ferreira, recentemente falecido. Quem quiser conhecer esta figura prodigiosa tem agora ao seu dispor "O Fio das Lembranças, Biografia de Amadeu Ferreira", por Teresa Martins Marques, Âncora Editora, 2015. Agora que o apóstolo partiu, a homenagem que se lhe pode fazer é divulgar o seu verbo incendiário, escreveu com encanto, fervor, tinha a vontade de um caminheiro indómito, conhecia os limites da peregrinação, como escreveu: "A semente cai à terra, nasce uma nova árvore, que dá flores e frutos, que um dia vai morrer e tornará a nascer. Hoje sou matéria viva, amanhã sou pó, terra, vento, que vai alimentar uma planta, que vai alimentar uma flor. Só a metamorfose é imortal. É essa a nossa forma de eternidade. Cada manhã em que acordo é um milagre da vida".
Recomendo a todos o seu manifesto
"Língua Mirandesa", também publicado pela Âncora Editora, um texto glorioso sobre a nossa fala madre, de que não devemos abdicar, há que a prezar com unhas e dentes, e ele adverte:
"Quando uma língua não se escreve, dizem que a história ainda não começou, porque não há como contar com essa história. Apenas pode ser contada pela língua dos outros. Uma língua sem história não pode durar para sempre.
Há palavras que, quando as dizemos, nos deixam com pele de galinha, mas apenas nós nos apercebemos; há sons que nos envolvem como uma onda de calor, mas apenas nós sentimos o gelo que por vezes trazemos dentro de nós a derreter; há trejeitos da língua dentro da boca, falando, que nos fazem cócegas que ninguém mais sente; há ditos que não têm outra maneira de se dizer e ninguém se apercebe quando não conseguimos traduzi-los; há coisas que, quando usamos outra língua para as dizer, soam como estranhas e, no fim, ficamos com a ideia de que não fomos capazes de as dizer.
Imagem do arquivo do blogue.
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Os mirandeses apenas podem gabar-se de uma coisa: a sua língua. Correi o mundo inteiro e não encontrareis nada igual.
Há mil anos, dizem, já se falava mirandês. Talvez fosse um pouco diferente, mas era mirandês. Uma língua que teimou a permanecer numa pequena ilha, cercada pelo mar que é o português e o castelhano. Se morrer, com ele morrerão de novo todas as pessoas que nestes mais de mil anos a falaram. Então, ficamos com um enorme problema: nem em toda a Terra de Miranda há espaço para enterrar tanta gente. Por isso, como almas penadas, ficaremos condenados a chocar constantemente com os esqueletos da língua que morreu.
No passado, há muitos anos, obrigaram-nos a falar português. Disseram-nos que o mirandês não era uma língua de gente ou, então, era uma língua de gente estúpida, atrasada. Os reis obrigavam as pessoas a fazer os documentos oficiais em português. Os enviados do rei vinham a Miranda e falavam português. O português era a língua dos ricos e do poder e, com o tempo, o mirandês foi-se identificando como fala dos pobres, como fala do campo.