quinta-feira, 30 de junho de 2016

Entrevista a D. José Cordeiro

"Sinto uma felicidade grata" 

Por ocasião da celebração dos 25 anos de ordenação sacerdotal, D. José Cordeiro, bispo da Diocese de Bragança-Miranda concedeu uma entrevista ao Mensageiro, na qual recorda momentos marcantes enquanto jovem presbítero.

Mensageiro de Bragança: Quando foi ordenado, há 25 anos, alguma vez pensou que viria a ser escolhido para bispo da Diocese de Bragança-Miranda?

D. José Cordeiro: Não. Esse dia, 16 de junho de 1991, que recordo com uma memória tão grata, é para mim um sinal da misericórdia de Deus, porque ele fez em mim misericórdia. Celebrá-lo neste ambiente tão familiar, feito aqui no âmbito da Diocese, promovido pela mesma, é, ao mesmo tempo, uma lição de humildade e de Eclesiologia desta igreja local que queremos seja cada vez mais uma família de famílias e nas famílias as datas assinaláveis festejam-se, por isso aceite que esta festa fosse mais alargada, com a família, com os bispos, o presbitério, os amigos e o povo de Deus.

MB:  De algum modo revive esse momento?

D. José: Não é apenas recordar o passado, mas é apontar o futuro para lhe dar uma memória. Como escreveu o professor Adriano Moreira, no seu último livro: “Um futuro com memória”. É para isso que todos construímos e colaboramos, para que o futuro tenha memória. Estas marcas são importantes porque celebram a vida, os valores fundamentais da relação com Deus, da amizade, fraternidade e do encontro. 


MB: Nestes 25 anos, o que destaca como ponto alto do seu sacerdócio?

D. José: O mais importante foi a ordenação há 25 anos. Para mim é esse o ponto mais alto. A ordenação de presbítero. Tudo decorre daí. É essa a fonte, que nasceu sobre a imposição das mãos, como que a derramar as graças do alto, para as construir aqui na terra e poder elevar de novo para o alto.

MB: Celebrar as bodas de prata na catedral de Bragança, na mesma cidade onde foi ordenado, também é especial?

D. José: Celebrar os 25 anos aqui no mesmo lugar onde me ordenei, embora tenha sido na Igreja do Seminário de S. José, tem um significado especial. Desde essa altura, estive oito anos aqui em Bragança, 12 em Roma (Itália) e há cinco que estou de novo em Bragança. Tudo isso recolhe esta gratidão e esta alegria que me foi transmitida pela família e pela Igreja que agora sirvo com a mesma alegria.

MB: Esses anos que passou em Roma foram importantes para o seu crescimento enquanto sacerdote?

D. José: Sem dúvida. Eu fui enviado por um ano, acabaram por ser 12. Os caminhos de Deus são insondáveis e é nesta surpresa da vida que quero continuar a viver e pedir essa graça de me deixar surpreender todos os dias pela realidade e pelos acontecimentos da história. 

MB: Quando foi ordenado sacerdote, com 24 anos, era muito jovem, qual era a reação dos fiéis quando ia celebrar uma missa?

D. José: Era muito engraçado. A primeira reação não era muito feliz. Tenho inúmeras histórias sobre isso. Depois criava-se uma relação de respeito e confiança. Sempre vivi com bom humor e sentido desportivo essas situações um pouco confusas. Até brincava com isso. Também me ajudou a crescer nos vários serviços pedidos pela Diocese. Eu estive dois anos à espera da ordenação. Tenho belas recordações, ligam-me laços fortes e fecundos que ainda continuam. Às vezes confundiam-me, não era identificado como padre, mas até isso era uma oportunidade, muito feliz, para criar um diálogo e uma proximidade, porque nunca nos devemos refugir nos títulos, nem nas nossas funções ou até na missão.

MB: O que levou a escolher o sacerdócio?

D. José: A partir dos 16 anos tenho isso, mais ou menos, como momento marcante da minha vida. Foi nessa altura que perdi o meu pai. Já estava no seminário. A vida obrigou a dar uma cambalhota. Com a ajuda da minha mãe, dos meus familiares e dos formadores do seminário aconteceu o momento decisivo nessa história vocacional.

MB: Algumas vezes pensou desistir desse caminho?

D. José: Algumas vezes, mas a graça é maior do que o temor. Onde há amor não há temor.  

(Entrevista completa disponível para assinantes ou na edição impressa)


Fonte: http://www.mdb.pt/noticia/sinto-uma-felicidade-grata-5394

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