segunda-feira, 20 de junho de 2016

Conselhos Raianos de Bragança

Caros Amigos:

Como tínhamos informado, no passado dia 21 de maio decorreu no auditório Paulo Quintela em Bragança o encerramento dos Conselhos Raianos: Áreas Protegidas, Cidadania, Desenvolvimento e Cooperação Transfronteiriça,  evento que contou com cerca de oitenta participantes, oriundos de Trás-os-Montes, de Castela Leão e da Galiza, e representantes das autarquias, de serviços de conservação da natureza, peritos ambientais e residentes nas áreas protegidas.

Estamos muito satisfeitos por ter sentado à mesma mesa representantes de todos os setores implicados nesta problemática, e de ter dado início ao debate entre as populações e os serviços em geral, na medida em que uma das críticas mais consistentes, escutada em todas as jornadas, foi a da falta de diálogo por parte dos responsáveis pelos Parques Naturais, a imposição de projetos sem os discutir com as populações e o recurso reiterado às multas e à força.

Remetemos em anexo um ficheiro com o texto deste correio ilustrado com fotografias e uma proposta de criação do Conselho de Avaliação da Gestão dos Parques Naturais destinado a avaliar as queixas dos lesados dos parques, proposta que agradecemos que nos ajudem a divulgar junto de todos quantos se identifiquem com o seu conteúdo para que a possam subscrever.


Sem poder ainda fazer um balanço mais aprofundado, na medida em que são extensos e interessantes os depoimentos registados, torna-se-nos claro que o problema não passa pela extinção das Áreas Protegidas, mas antes por reformular a legislação à luz de novos paradigmas em que deve assentar a conservação da natureza, e que todas as políticas a desenvolver no terreno deverão ter em conta o diálogo permanente com as populações de forma a criar nestas o orgulho de habitar esses espaços. Como sublinharam alguns oradores, num mundo globalizado, são cada vez mais importantes as marcas, e as áreas protegidas podem ser uma excelente forma de promover as regiões. Por outro lado, e como outro orador lembrou, não possuíam os antigos camponeses motosserras e buldózeres com as quais é possível devastar toda uma montanha enquanto o diabo esfrega um olho.

Foram apontadas algumas causas do despovoamento e equacionados alguns problemas agrícolas que não se afiguram de solução fácil, tendo em conta a economia neoliberal e a sociedade globalizada em que estamos inseridos. No entanto, um facto indesmentível é o de que os espaços rurais estão a ficar sem gente, situação que se fica a dever essencialmente à inexistência de atividades económicas que garantam perspetivas de futuro, para além de muitas aldeias, pelo menos no Parque Natural de Montesinho, continuarem sem saneamento, o que diz bem do abandono a que as bem intencionadas políticas de conservação da natureza as têm condenado.

Com exceção honrosa para os media regionais, uma das notas mais negativas ficou a dever-se à não comparência da comunicação social nacional, desculpando-se os responsáveis da RTP com a falta de pessoal na região, contribuindo assim deste modo para o despovoamento e o abandono a que o interior parece estar condenado, pois as notícias fundadas na divulgação do ridículo e do incidental em que parecem assentar os seus critérios editoriais,  não promovem a autoestima e o orgulho de todos os que habitam estes territórios.

O Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural fez-se representar pelo Vice-Presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, Eng.º João Pinho, que escutou desde o início e com redobrada atenção todas as propostas e queixas apresentadas, e que se comprometeu a transmiti-las aos responsáveis governamentais, bem como  a estudá-las no âmbito das competências do ICNF que dirige.

A encerrar os Conselhos Raianos, os participantes confraternizaram à volta de uma mesa com petiscos regionais nos claustros da Biblioteca Municipal, oferta da Câmara de Bragança e que foi animado com a música dos Pedra D’Ara.

Com o encerramento dos Conselhos Raianos, termina também a missão dos espantalhos do Espantalharte Varge-2015, que não recusaram viajar nas camionetas das Câmaras de Vinhais, de Galende e de Bragança, com o intuito fisgado de dizer nos Conselhos Raianos o que pensam sobre as Áreas Protegidas, restando-lhe agora regressar aos braços dos seus criadores.

Ficam aqui os nossos sinceros agradecimentos a todos quantos tornaram possível estas jornadas.
Saudações raianas.


(Francisco Manuel R. Alves)

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