quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Torre de Moncorvo e Ervedosa podem retomar a exploração de Minério

Empresa de capitais portugueses tem dois projectos de reactivação de minas na região: em Moncorvo e Ervedosa
Apesar do fiasco que foi a promessa retumbante do então Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, sobre a reactivação das minas do ferro de Moncorvo, em que a multinacional Rio Tinto teria um papel preponderante, o retomar da exploração mineira na região poderá estar para breve.
As jazidas de Moncorvo que, segundo o consultor para o ambiente da M.T.I. (Minning Investement Technology), Ferro de Moncorvo SA, Carlos Guerra, constituem o segundo maior jazigo de ferro da Europa, poderão começar a ser exploradas num prazo relativamente curto, depois de terminada a fase de discussão pública, que está em curso desde o 7 de Agosto, a que se seguirá a declaração oficial de impacto ambiental e a aprovação do estudo de pré-viabilidade que será entregue à Direcção-Geral de Energia e Geologia no princípio de Setembro.

A empresa M.T.I. garante que as jazidas atingem as 570 milhões de toneladas de minério do ferro, que pode representa perto de 270 milhões de toneladas de concentrados, perspectivando um período de exploração de 60 anos. “Faz desta jazida a segunda maior da Europa e que revela a importância que este projecto tem no contexto local, regional e nacional”, refere Carlos Guerra.
A viabilidade do investimento estará garantida, tendo em conta a exiguidade da extracção de ferro na Europa, que não vai além dos 20 milhões de toneladas/ano, pelo que se vê obrigada a importar de outras partes do mundo 136 milhões de toneladas anualmente.
Esta situação, segundo o consultor da M.T.I encarece substancialmente o minério, na ordem de mais 25 dólares por tonelada, no caso do ferro que vem do Brasil.
Por outro lado, o maior jazido da Europa, localizado na Suécia, implica exploração a profundidades da ordem dos 1200 metros, enquanto em Moncorvo a exploração se fará mais perto da superfície. Mais uma razão para garantir a viabilidade da exploração.
A própria qualidade do minério também oferece condições melhores do que em vários outros sítios do mundo, visto que, em Moncorvo, se atingem proporçõpes de 47% de ferro, com baixos níveis de fósforo (0,2%), e sem a presença de enxofre, o que reduziria a qualidade do metal.
Assim, a M.T.I. considera que há boas condições para a concretização do projecto, que se poderá traduzir em 540 postos de trabalho, quando o empreendimento atingir a velocidade de cruzeiro, ao oitavo ano de laboração. No início, a empresa tenciona criar 110 postos de trabalho.
O investimento, nos primeiros 5 anos, deverá atingir os 100 milhões de euros, ascendendo no percurso da exploração aos 560 milhões.
No entanto, o representante da empresa chama à atenção para a eventualidade de não ver garantida a viabilidade do empreendimento, se as políticas da União Europeia voltarem a criar dificuldades ou mesmo a inviabilizar a indústria siderúrgica, como aconteceu em 1982.
De facto, foi na sequência de decisões da UE que a Ferrominas, então empresa estatal, que chegou a ter cerca de um milhar de trabalhadores, se viu na contingência da desactivação.
Depois de ter encerrado a generalidade das siderúrgias na maior parte dos países da União, hoje só a Holanda e a Turquia mantêm sistemas que podem processar o ferro de Moncorvo, com as vantagens do preço ser mais atractivo do que o do minério oriundo de outros continentes.
A exploração mineira de Moncorvo, na realidade, não tem passado de um projecto promissor que, desde 1899, se perfila no horizonte da região. Os problemas que então se colocavam eram resultado do surto migratório e das incompatibilidades da bitola nas linhas férreas. A linha do Sabor era de via estreita e, por isso, o minério tinha que ser objecto de trasfega no Pocinho, que era feita à pá, dos vagões de via estreita para os de via larga.
Depois do 25 de Abril o projecto de exploração mineira foi entendido como vital para a região e para o país. A navegabilidade do Douro, então iniciada, aparecia relacionada também com o transporte do minério. Os responsáveis políticos, nomeadamente Pinto Balsemão e Mário Soares, valorizaram as potencialidades da mineração. No entanto, as políticas económicas na União Europeia viriam a adiar o projecto.

Fonte:http://www.jornalnordeste.com/noticia.asp?idEdicao=702&id=21350&idSeccao=6525&Action=noticia#.VdRLyLJViko

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