quinta-feira, 27 de agosto de 2015

SERENATA AO LUAR ,por Irene Massa

A menina Ireninha
Quando era pequena e sempre que chegavam as férias, nomeadamente as do Natal e, não fosse a bonomia do Menino Jesus, que lá me ia colocando umas prendinhas no sapatinho, andava triste como uma noite sem luar...Dias curtos ,que mal davam para um jogo à macaca no passeio da Rua Grande, sem falar na “matança” do porco, à qual nunca assisti e que me obrigava a esconder, com os dedos nos ouvidos, no lugar mais recôndito da minha casa e,como se isso já não me bastasse logo a seguir à ceia:
“Menina…”Eu já sabia…Dava um beijo à minha mãe, atirava um adeus enviesado ao meu pai (causador de todo aquele meu sacrifício), descia as escadas uma a uma, deixava a porta no trinco e iniciava a caminhada. Curta, mas que eu fazia por alongar…Um passo à frente, um atrás, dois à frente, um atrás, três à frente, dois atrás e, decorridos alguns minutos (poucos), subia as escadas…
Antão já chegaste?”
Era a minha avó…Sempre vestida de luto, nunca lhe conhecera outra cor, nem ela o aliviou até à hora da morte.
Ensaiava um sorriso, solicitava-lhe a bênção (Deus te abençoe e proteja minha neta), acompanhava-a até à cozinha, sentava-me no escano, a mesa ainda estava posta onde havia sempre um mimo para me adoçar a noite (já sabia que ia ser longa …) Um rebuçado de mentol para me aliviar a tosse mesmo que a não tivesse, um “cibo” de marmelada (pouco, porque me fazia mal às “bichas…”), dois dedos de conversa sempre igual e repetida:
Antão que ceaste?”
E eu, “moita -carrasco”…
“Agasalhava” o borralho e…”São as nove, vamos à deita”.Nunca lhe vi relógio no pulso nem nas paredes da casa e, se havia algum no campanário da igreja, eu devia de andar “mouca” para nunca lhe ouvir uma única badalada…

Manda quem pode…obedece quem deve…Aconchegava-me a roupa, com receio que apanhasse alguma “maleita,” pois sempre fui dada a febres altas, e iniciávamos aquilo que a minha mãe, com ironia, denominava …Serenata ao Luar.
Eram as rezas ,como eu na minha inocência de criança lhe chamava.
A primazia era dada aos que já tinham partido e, em família, eu era rica…! Pelo meu avô, seu marido, a quem tratava por” Luneta”, isto porque o pobre do homem, quando lhe chegou a velhice, teve que usar umas lunetas, que ela guardava como recordação, numa caixinha de lata, na gaveta da cómoda do quarto onde dormíamos. Seguiam-se os vivos, e aí incluía os amigos que eu sabia serem poucos, rezava também pelos inimigos, muitos, disso eu não duvidava, mas, ao pronunciar os nomes dos filhos, eram lágrimas contadas como pingas que caiem duma fonte em dias quentes de estio.
E pensava: Que miúda afortunada sou…! Tive um avô que era uma pessoa importante como o Eça ou o Camilo, que esses usavam lunetas e eram gente famosa, um tio que estava algures em Espanha numa Guerra Civil que parecia não ter fim e tinha um nome esquisito (Ausente), uma tia que dava aulas na Universidade e que também partira para o Brasil (isso sim, era segredo que eu não podia saber …) E cogitava só para mim:Será que este feitio amargo da minha avó não será revolta, dor e mágoa contra a vida que na realidade tão impiedosa tem sido com ela?!
Seguia-se a Santidade...Ao Senhor da Boa Sorte, para que nos desse pouco mal e boa morte,ao Divino Senhor dos Passos, meu padrinho de baptismo, que sempre fez o favor de acompanhar as passadas que dei ao longo da minha vida e, finalmente, era não um mas três terços... a Nossa Sra. de Fátima e, no primeiro mistério, o cotovelo da minha avó a tocar-me de mansinho:
Antão, minha neta, já dormes?!”
Acordava estremunhada e, entre uma glória e um pai-nosso, lá lhe apanhava o compasso.
À Sra. da Conceição, a quem ainda hoje recorro em momentos de aflição.
Por fim, e para terminar (a noite já ia longa), era o tercinho ao Menino Jesus…Pequenino como Ele (às crianças e aos pobres basta-lhes muito pouco para serem felizes…)
Era ela quem dava o mote:
“Ó meu Menino Jasus aqui estemos”.
“No céu nos encontraremos”, respondia-lhe.
Se porventura o leitor está a imaginar que a história termina aqui, desengane-se, pois a parte que se segue é deveras interessante…
Andava na terceira classe e aprendi a conjugação dos verbos, e ,não é que ao chegar ao ESTAMOS, eu emperrava no ESTEMOS...Verdade!
A mestra, a inchar de tanta exaltação e a murmurar de maneira a que eu ouvisse :”Palavreado da abelha mestra da avó, aquela velha ignorante e analfabeta”. A canalha a caçoar de mim à socapa, duas reguadas bem assentes em cada mão, uma lágrima a soltar-se e a cair-me na página da minha cópia e a provocar tamanho borrão, que não consegui disfarçar com o “chupa”, e a minha cabecinha a engendrar de imediato a vingança daquele tremendo vexame.
 Com o aproximar da Páscoa, andava feliz e contente, a rejubilar de alegria, porque eu sabia que as férias estavam à porta, e lá vinham, como era hábito, as noites de Serenata…
Nesse final de tarde, e logo a seguir à ceia, dei um beijo à minha mãe e outro bem assobiado ao meu pai, que ficou estupefacto com tanta delicadeza, desci as escadas num ápice e decorridos uns breves minutos …
“Antão hoje vieste muito cedo!”
Acompanhei-a até à cozinha, e ela, desconfiada:
“Queres uma súplica?” Aceitei.
“E não queres um económico?”
“Antão que ceaste?”
Resposta ensinada:
“Línguas de perguntador, minha avó”.
“Olha a pernóstica…é a impestora da mãe…anda aquela senhora a educar os filhos da outra gente e não sabe dar a educação à filha que tem em casa…”Amuada, e num golpe de teatro, fingia que estava a morrer de sono…espreguiçava-me, abria a boca, esfregava os olhos, e ela, coitada, a olhar-me, incrédula ,e a perguntar-me.
“Vamos à deita?”
Mal me apanhei na cama, atirei de rompante:
“Hoje sou eu quem começa a rezar e, minha avó, vamos começar pelo tercinho ao Menino Jesus, está a ouvir?”
A pobre senhora, intrigada e cansada daquele meu despropósito:
“Ai o benairo do raparigo o que está hoje de lampeira!”
E sem delongas, muito alto, disparei:
“Ó meu Menino Jesus ,aqui es-ta-mos (e repeti es-ta-mos).
A  velhota deitou a mão de fora da cama, puxou a torcida do candeeiro a petróleo, mirou-me as “ventas” com ar de raposa sabida, afagou-me os cabelos e, num sorriso que não passou de um esgar, respondeu-me:
“Antão, minha neta, e a rima…?Tu não vês que tem que rimar…”
Irene Garcia Massa (Ireninha) Urros

Nota: No dia seguinte, contei com os olhos marejados de lágrimas o sucedido na escola, e a minha avó, como todas as avós, deu-me um beijo carinhoso que nunca mais esqueci.
Devo acrescentar que a partir desse dia as”rezas” foram drasticamente reduzidas a uma simples oração ao Menino Jesus que, e passados todos estes anos, ainda conservo ao deitar.
Obrigada, Bom Jesus/Pelo Vosso nascimento/Dai-me pureza na alma/E também no pensamento.

Reedição de posts desde o início do blogue

26 comentários:

  1. Voltou a Ireninha,com mais uma das suas recordações da infância num texto bem escrito,divertido,mas em que se percebe a dor da criança dividida entre dois mundos familiares opostos.

    Uma moncorvense

    ResponderEliminar
  2. Brilhante!
    E já a minha avó dizia...verso que não rima, não é verso...
    È prosa.
    Beijinho da
    Branca

    ResponderEliminar
  3. Olá, Ireninha:

    Belo texto ! E, como é bom de ver, para um encontro no céu era necessária a rima.
    As nossas avós tinham a sua sabedoria e a sua poesia .
    Mais: poeta rima com profeta.

    Beijinho
    Júlia

    ResponderEliminar
  4. Minha linda e simpática senhora, obrigada por este belo e divertido texto! Muito bem! Parabéns pela sua boa disposição e...gostaria, já agora, de saber como resolveu o problema da rima, pois a sua rica avó nunca o teve!

    Beijinhos

    Marília

    ResponderEliminar
  5. Olá Iréninha.
    A nossa formação precisa de dois pilares, responsabilidade e liberdade. O primeiro é evidente que sempre te acompanhou, o segundo demorou mais tempo a alcançar, é uma força do crescimento e de maturidade.
    A liberdade só é plena, quando a libertamos das nossas paixões e egoismo, nesse momento de libertação da liberdade, aceitamos a vida e as nossas escolhas, com gratidão pela liberdade que nos deram.
    Um texto fantástico, só conseguido por quem na sua máxima maturidade assumiu a liberdade e os desígnios do Menino Jesus, graças a tantas orações partilhadas com a tua Avó, que um dia vais certamente encontrar no Céu ao lado dos teus pais.
    Manuel Sengo
    Olha, já escrevi muito e

    ResponderEliminar
  6. Olá Ireninha!
    Obrigada por mais um bonito e divertido texto.
    Eu já conhecia a história do sr. estêmos;mesmo assim gostei de lê-la para sentir, mais uma vez aquele ambiente da nossa aldeia, que tu retra tas tão bem. Beijinhos,
    Tininha

    ResponderEliminar
  7. Ireninha!
    Muito obrigada pelas fotos! Era mesmo assim que nos "enfarpelavam"
    Era tão giro! Etudo isso me traz recordações...!
    As sandálias, as saias, os laçarotes, etc, etc.Tantas saudades!
    Beijinhos para todos,
    Tininh
    Também podes postar aqui as nossas fotos, para recordar, põe lá!

    ResponderEliminar
  8. Olá Manuel!´
    Era também um lugar de encontros da juventude!
    Também tínhamos tão pouco e com tão pouco nos contentavamos; gosto muito de te ver por aqui, continua!
    Saudades pra todos,
    Tininha

    ResponderEliminar
  9. Olá amiga!
    Gostei muito.
    Tudo tão marcado na sua memória, foram as reguadas à conta do "estemos" não? Gostei da pressa com que iniciou mais um tercinho ao Menino Jesus.
    Mas realmente era preciso rimar...Mas quem enganava tal sabedoria....
    Não tenho palavras.
    SIMPLESMENTE LINDO!!!

    beijinho

    ResponderEliminar
  10. Minha querida sra.de Moncorvo!

    Diga.me:
    Será que algum dia vou ter o prazer de a conhecer?Muito obrigada!
    Beijinhos da IReNE

    ResponderEliminar
  11. Olá Branquinha!

    "moreninha" rima com... "Branquinha"

    "afectuosa" com..."formosa"e..."Beijinho" com "abracinho" da Ireninha

    ResponderEliminar
  12. Olá Julinha!

    Que alegria ao saber que já está melhor!Obrigada por ler e comentar as minhas historiazecas.
    Beijinhos da sua amiga
    Ireninha

    ResponderEliminar
  13. Querida SRA.Professora!

    Engano seu e sabe porquê?Porque a minha avó sabia mas,tinha que rimar...

    Beijinhos e muito obrigada.

    Irene

    ResponderEliminar
  14. Meu querido amigo Manel!
    Não tenho palavras para te agradecer.
    Envio-te um beijo de gratidão e carinho extensivo à tua graciosa esposa.
    Ireninha

    ResponderEliminar
  15. Olá Tininha!

    Já vi que gostas-te da "fatiota"!Com que então a menina quer uma fotografia nossa no blog!Espere e vai ver...
    Beijinhos
    Ireninha

    ResponderEliminar
  16. SR. Lelo de Moncorvo!
    Tenho estado "práqui" a escrever mas a máquina "inté" parece que está "duoda"e, olhe,"inté" já me estão a doer as vistas...Tem lá chegado algum recado?
    Agradeço uma resposta na volta do correio.
    Um abraço da sua amiga:
    Irene

    ResponderEliminar
  17. Olá Tininha!

    Peço desculpa pelo erro ortográfico.Por lapso escrevi"gostaste" com hífen.

    Nem quero pensar no que a minha mãe diria ao ler semelhante "palavrão"...

    Beijinhos da tua amiga Ireninha

    ResponderEliminar
  18. Olá, Ireninha, volta novamente a presentear-nos com mais uma recordação da sua infância.Já numa publicação anterior sobre o Natal, comoveu-me imenso. Sabe o que sinto ao ler estes momentos tão ternos? Que teve uma infância com muito Carinho, Amor e Respeito, que as boas recordações da sua vida estão lá atrás.O texto está muito bem elaborado aquilo que escreve é muito sentido , porque ao lermos, estamos a imaginar o que a Ireninha viveu e faz-nos reviver os nossos tempos de criança.
    Gostei muito de ler as palavras que o seu amigo Manuel Sengo lhe dedicou. Beijos de Coimbra

    ResponderEliminar
  19. Minha muito querida amiga de Coimbra!

    Tive, de facto, uma infância de carinho ,amor e respeito.A menina que tão bem me conhece sabe que essas vivências da minha infância é que têm sido o grande suporte da minha vida.
    Com um beijo de amizade da tua amiga:Ireninha

    ResponderEliminar
  20. Olá Belinha!

    Nessa noite estava mesmo zangada e ansiosa por rezar o tercinho ao Menino Jesus...
    Beijinhos da:

    Ireninha

    ResponderEliminar
  21. Maria de Fátima Sarmento/amiga do café sírius15 de fevereiro de 2012 às 21:29

    Este conto, que é ao mesmo tempo realista e simbólico, carregado de situações e atmosferas, de costumes e de estados de alma, impressiona com a precisão cronométrica, onde os seus "dados", que recriam a ocasião, após tantos anos passados, são descritos mês por mês, dia por dia, quase hora por hora.A autora, confronta-nos com realidades culturais muito distantes no espaço e no tempo, contudo muito próximas para quem sabe realizar aquele "salto" da imaginação, não perdendo, mesmo assim, a rigorosa fidelidade a um determinado número de termos e circunstâncias muito amplas, que, apesar, de "devorados" pelo tempo, continuam a fazer-nos vibrar. A autora "usa" as palavras como formas simbólicas de representar a realidade, como instrumentos de expressão e de comunicação, e, reveste-las de múltiplas funções.Há que vê-las, por isso mesmo,à luz dos vários fins a que se destinam, na atmosfera das circunstâncias em que se empregam, na diversidade dos lugares onde fulguram. A linguagem/palavras, ascendem, com efeito, ao plano da literatura quando , justamente, ao "sentido" que lhe é habitual, se acrescenta por obra da criadora/autora, uma carga emocional que as, transfigura e eterniza. Literatura é linguagem, linguagem são palavras carregadas de sentido, como a autora nos brinda neste conto. O sentido que a autora dá às palavras parece simples, e não o é. À primeira vista o que parece trivial, está impregnado de simbolismo, a ponto de as julgarmos mascaradas, até as mais familiares. Neste conto, o espírito é que "lavra" as palavras, palavras com riqueza cultural e emocional, onde a autora estabelece o contraste entre a linguagem literária e a linguagem quotidiana, com dignidade, respeito e arte. É com estas palavras, que a autora relata o íntimo da sua vida, onde se expressa em tom de confidência, traçando o mais imparcial e o mais objectivo retrato da sua vida e dos seus familiares,sem ocultar nem os defeitos, nem as vírtudes do seu modelo e núcleo familiar. Neste conto, a avó paterna é a grande protagonista. Como é tocante essa ascendência, carinhosa, que a avó paterna exerce sobre a autora, que apesar das suas diferenças culturais e temporais, "enfeitiça" a neta/autora, e, nos dá uma lição de simplicidade, que não é sinónimo de incultura, mas sim de MESTRIA e experiência de vida. Parabéns Irene, por relembrar que os idosos são SÁBIOS e merecem todo o respeito.

    ResponderEliminar
  22. Minha querida amiga Maria de Fátima!
    Peço desculpa por ainda não lhe ter respondido ao seu eloquente comentário outra coisa não era de esperar...Sabe, minha amiga,não obstante o feitio algo amargo da minha avó,eu era a única neta que a vida lhe deu, e ela,a única avó que a vida permitiu que eu conhecesse...
    Com um beijo de sincera amizade da sua amiga:
    Irene

    ResponderEliminar
  23. Fantástico este texto!Retrata com simplicidade e sabedoria os episódios vividos sobre a supervisão da avó aterna que tão bem conheci!..Muito pertinente a observação do nosso amigo Manel,quando diz que a nossa formação assenta em dois pilares: responsabilidade e liberdade...nesse tempo tinhamos que "saber ser" e "saber estar"...penso que ainda hoje fazemos por isso, mas, não ousavamos dececionar os mais velhos,quantos terços rezamos, era obrigação diária!Pela liberdade lutavamos sempre, mas os condicionalismos eram muitos! Parabéns !bjis
    Letinha

    ResponderEliminar
  24. Senhora Dona Irene:
    Pelos motivos que oportunamente lhe referi, só hoje pude ler este belíssimo texto. Como sempre, admiro a fluidez de pensamento, o realismo e precisão na narração dos factos, a riqueza de linguagem, em que o erudito se cruza e casa tão bem com os regionalismos e a linguagem popular das nossas gentes transmontanas formando como que um ramo de flores raras na sua beleza e tonalidades. Em suma, um texto pleno de beleza e puerilidade enlaçado com a sabedoria magistral da avó que, não obstante as agruras e vicissitudes da vida, nunca permitiu que estas sepultassem a sua Fé, Esperança e espírito de humor.Belíssimo texto, quer na sua concepção, quer nos ensinamentos que nos transmite. Obrigada, senhora Dona Irene por partilhar connosco estas maravilhas que tanto aprecio. Só lamento uma coisa, é que aquelas nos sejam transmitidas a esmo, a gotejar.Continuo com a esperança de um dia as ver compiladas num livro para as podermos degustar melhor.Um beijinho de amizade da M.ª do Sacramento

    ResponderEliminar
  25. Minha querida e doce Létinha!

    Muito obrigada pelos comentários que tem feito aos meus simples textos.
    Bonita sempre fui aos olhos de quem me quis e quer bem como a menina!Alegre já não sou tanto porque o rir da juventude se foi perdendo no tempo...simpática faço por continuar a ser.Já agora para conhecer o meu nétinho vá aos "farrapos"e leia a história de Natal por Luís Henrique..Tenho a certeza que vai gostar não só da história como do miúdo que é,sem dúvida,o
    menino mais lindo que conheço.
    Beijinhos da sua amiga de

    Ireninha

    ResponderEliminar
  26. Eu também rezei muito com a minha avo... Eram longas as orações e eu acabava sempre por me dormir sem ver o fim a meada.. Mais tarde, mãe de duas meninas vou dar aulas para uma aldeia meia perdida no concelho de vinhais.. As noites de inverno naquele tempo eram longas( e que a casa onde vivíamos nao tinha luz eléctrica) e para que nao rendessem tanto, cantávamos , chorávamos e rezávamos.. Numa dessas rezas, havia uma passagem que dizia: menino Jesus da saúde ao pai, .........acaba com as guerras e da pão aos meninos que têm fome. Então a mais pequenina com dois anos começava a dizer: e arroz pra mim,., e arroz pra mim.. E assim se fazem historias, contos e poemas.. Mas esta passagem e verdadeira , e ate um pouco dolorosa. Nao era fácil há 30 anos andar por essas terras isoladas sem estradas,.. Sem nada!

    ResponderEliminar