quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Torre de Moncorvo - NASCER, MORRER

A minha tentação é coleccionar aqui todos os dados disponíveis sobre a terra onde, mal ou bem, tentei penetrar para lá da capa de ignorância (minha também) e do desinteresse. Logo no início, porque sempre me tocam muito de perto estes números, tratei de saber como se nascia por aqui. Apurei o seguinte, relativo a 1971 (estatísticas da saúde): no distrito de Bragança, e para esses doze meses, tinha havido 3079 partos e nada menos de 1852 sem assistência. No concelho de Moncorvo, com um pouco mais de pormenor: 179 partos (175 simples); 54 em estabelecimentos de saúde com internamento (deles um feto morto); 124 no domicílio (com 3 fetos-mortos); 1 noutro local. Destes 124 no domicílio, 6 foram com médico, 2 com enfermeira ou parteira, 116 sem assistência.
  Fui depois saber como e de que se morria. Moncorvo, 1971, elementos oficiais: 164 óbitos. Quase todos devido a estados mórbidos, pois só se haviam registado 7 acidentes e 1 óbito por «suicídio e lesões auto-infligidas». Quanto às doenças, espantei-me um tanto ao ler que 36 óbitos se deviam a «sintomas e estados mórbidos, mal definidos». Fiquei a pensar que naquelas aldeias, naqueles lugares tão desacompanhados de tanta coisa, quando se morre já pouco interessa saber de quê…

In TORRE DE MONCORVO , Março de 1974 a 2009. De Fernando Assis Pacheco ,Leonel Brito, Rogério Rodrigues. Edição da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo
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2 comentários:

  1. Os números são tremendos. Fazem-nos reflectir e muito.
    Seria interessante saber o que se passa hoje (Nascer / Morrer em Moncorvo) para ver como a situação evoluiu.

    Abraço
    Júlia

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    1. Amiga Júlia. Estou de acordo. Seria interessanta apresentar números de hoje (43 anos depois) para ver como a situação evoluiu.... Igualmente interessante seria comparar com os números de 43 anos atrás para ver como a situação evoluiu. Certamente ambos nos recordamos que na nossa meninice raro era o dia em que não havia "anjinhos" para enterrar... E se comparados os números com os dos outros 11 concelhos do Nordesta Trasmontano, desconfio que a situação do nosso era a melhor de todos. Bem, mas estas coisas são estudadas em sociologia e há mestres e teses apresentadas sobre o assunto. Um abraço e parabéns ao Leonel por alimentar o blog, quemuito interesse tem e influência no concelho e fora dele. Abraço. J. Andrade

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