segunda-feira, 31 de outubro de 2016

OS RETORNADOS,FERNANDO DACOSTA E MONCORVO

FAZ TANTO FRIO
A utopia para eles não era (não é) a sociedade sem classes; é a vida sem carências, com segurança e estabilidade, com habitação,com emprego, com assistência, coisas cada vez mais inacessíveis.
«A abertura que nós instalámos foi grande, mas assustou as pessoas, que passaram a olhar-nos um bocado de lado.›› Sentados numa esplanada do jardim principal de Moncorvo,
Carlos Maia (natural de Luanda),]osé Fernandes .(de Camabatela) e Evaristo Teixeira (de Luanda), falaram-nos da sua vinda para Portugal, da sua curiosidade, dos seus traumas, do seu desânimo, da sua (in)adaptação à vida transmontana.«Se conhecêssemos como eram as coisas aqui não tínhamos vindo, tínhamos ficado. Ao menos lá não havia frio, e aqui faz tanto frio! Aqui amanhece e anoitece muito devagar, parece que o tempo pára, e nós não temos nada para fazer. Estamos desanimados, sentimo-nos inseguros.Temos medo, o que vai ser a nossa
vida, fechados neste planalto? Caímos numa passividade muito grande. Passamos o tempo no café, que é o local dos encontros e das intrigas. Estamos numa crise, os de cá também. Uma pessoa acaba, nestas circunstâncias, por se tornar extremamente individualista. As tentativas de criar projectos culturais falharam por falta de espaços, de receptividade.Talvez a nossa decepção se explique porque imaginávamos um Portugal diferente, ouvíamos os nossos pais contar tanta coisa! Em África, eles mitificaram isto... Cá, mitificam África!››
Excerto do livro.Os RETORNADOS MUDARAM PORTUGAL, de Fernando Dacosta
Fotografias de ANTT,Alfredo Cunha e Leonel Brito



4 comentários:

  1. Fernando Dacosta
    Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
    Fernando Dacosta
    Nascimento 12 de Dezembro de 1945 (67 anos)
    Caxito, Angola colonial
    Nacionalidade português
    Ocupação jornalista, escritor
    Fernando Dias Dacosta (Caxito, 12 de Dezembro de 1945), jornalista e escritor português.
    Índice [esconder]
    1 Vida e obra
    2 Obras
    2.1 Narrativa
    2.2 Romance
    2.3 Teatro
    2.4 Conto
    2.5 Fotobiografia
    3 Referências
    4 Ligações externas
    Vida e obra [editar]

    Nasceu no Caxito, a 100 km de Luanda, na Fazenda Tentativa1 pertencente à Companhia do Açúcar de Angola, onde o pai trabalhava. Quando tinha três anos de idade, devido à saúde frágil da sua mãe, a família (anti-salazarista)2 mudou-se para Folgosa do Douro, na margem sul do Douro. Aí passou a infância (teve uma experiência de quase-morte, ao tomar banho num rio)[1] e a juventude, tendo estudado no Liceu de Lamego. Passou pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, acabando por se fixar em Lisboa, onde se licenciou em Filologia Românica.
    Em 1967, iniciou a sua carreira jornalística a convite de Carlos Mendes Leal, director da delegação da agência noticiosa Europa Presse (ligada à Opus Dei) em Lisboa. Dacosta foi destacado como repórter na Assembleia Nacional e no Palácio de S. Bento. Foi nessa altura que conheceu pessoalmente Salazar, encontro que muito o impressionou e o motivaria no futuro a dedicar particular interesse literário à figura do estadista.
    Trabalhou em vários jornais e revistas como Filme, Europa-Press, Flama, Notícia, Comércio do Funchal, Vida Mundial, Diário de Lisboa, Diário de Notícias, A Luta, JL, O Jornal, Público, Visão. Colaborou em vários programas de rádio, de que se destaca Café Concerto de Maria José Mauperrin, na Rádio Comercial, nos anos 80. Na RTP, em 1991/2, apresentou uma rubrica sobre literatura. Dirigiu os "Cadernos de Reportagem" e foi co-editor das edições Relógio de Água.
    A sua obra reparte-se por vários géneros: reportagem, teatro, romance, narrativa e conto. Homem de esquerda, teve o privilégio de conviver intimamente com algumas das maiores figuras da cultura e da política portuguesa do século XX, da Oposição bem assim como do Estado Novo, que de certo modo se lhe confidenciaram, incentivados pela sua personalidade discreta e cativante. Foi muito próximo de Agostinho da Silva e de Natália Correia.
    A temática da sua obra, de cunho histórico e sociológico, sem contudo deixar de ser marcadamente intimista e mística, centra-se no fim do Império Português e na preservação da memória do período pré- 25 de Abril de 1974, reflectida em escritos como O Viúvo, Máscaras de Salazar ou Os Mal-Amados.3 Ao longo da sua carreira, a sua obra tem sido frequentemente premiada.
    Obras [editar]

    Narrativa [editar]
    Os Retornados Estão a Mudar Portugal, 1984
    Moçambique, Todo o Sofrimento do Mundo, 1991
    Paixão de Marrocos, 1992
    A Clínica das Inovações, 1995
    A Ilha da Sabedoria, 1996
    O Príncipe dos Açores, 1996
    Máscaras de Salazar, 1997; 2006
    Nascido no Estado Novo, 2001 (reedição: Os Mal-Amados, 2008)
    A Escrita do Mar, 2001
    Os Mineiros, 2001
    Romance [editar]
    Os Infiéis, 1992
    O Viúvo, 1988
    Teatro [editar]
    Um Jipe em Segunda Mão, 1983
    A Súplica, 1983
    Sequestraram o Senhor Presidente, 1984
    A Nave Adormecida, 1988
    A Frigideira, 2007 (inédito)
    Conto [editar]
    Onde o Mar Acaba, 1991
    Imaginários Portugueses, 1992
    Um Olhar Português, 1992
    Os Sete Pecados Capitais, 1998
    Fotobiografia [editar]
    Salazar, Fotobiografia, 2000
    Fotobiografia de José de Castro, 2005
    Referências

    ↑ Os Mal-Amados, pg. 245
    ↑ Um tio deportado no Tarrafal
    ↑ Publicado pela primeira vez em 2001 sob o título Nascido no Estado Novo.

    ResponderEliminar
  2. Os Retornados Mudaram Portugal

    Fernando Dacosta

    ​O LIVRO
    Os Retornados Mudaram Portugal é uma importante síntese dos reflexos causados na sociedade nacional pelo trágico regresso dos portugueses residentes em África nos anos de 1974 e 1975, naquele que constituiu um dos êxodos mais trágicos do Ocidente.
    Quase quatro décadas depois, muitas centenas de milhares de portugueses continuam a carregar esse sentimento de amputação, essa saída forçada de uma terra que consideravam sua. Como conseguiram vencer, integrar-se numa sociedade que os olhava com desconfiança e os recebeu com hostilidade? Continuam a trazer África no coração? Esta obra de Fernando Dacosta é porto de abrigo para essas e muitas outras inquietantes perguntas, uma voz dá voz às frustrações, aos anseios, às carências de milhares de outras vozes. Os Retornados Mudaram Portugal é uma obra de leitura obrigatória para se compreender a sociedade portuguesa actual.

    O AUTOR
    Romancista, dramaturgo, jornalista e conferencista, nasceu em Luanda, de onde foi, ainda criança, para o Alto Douro. Fixado em Lisboa, cursa Letras e inicia-se no jornalismo e na literatura. Foi director dos «Cadernos de Reportagem», onde publicou, em 1980, Os Retornados Estão a Mudar Portugal, prémio Clube Português da Imprensa.
    A sua vasta obra literária foi alvo de importantes galardões, de que se destacam os grandes prémios de Teatro RTP, Associação Portuguesa de Críticos, Casa da Imprensa, Gazeta, Fernando Pessoa ou o Grande Prémio de Literatura Círculo de Leitores – Ler. A narrativa Máscaras de Salazar entrou em 27ª edição. Em 1995, foi agraciado com a Ordem do Infante D. Henrique.
    http://www.parsifal.pt/

    ResponderEliminar
  3. Caro autor do blog,

    Mandei-lhe a última mensagem um pouco revoltado e peço desculpa. O "sinal" que fiz foi para a situação em Moncorvo e não para si.
    Mas o senhor deveria dar espaço não somente para reclamações relativas ao país mas também a reclamações referentes ao Concelho de Torre de Moncorvo.
    Isto, ┌∩┐(◣_◢)┌∩┐, é para a situação calamitosa que a vila está. Dentro em breve não estará cá mais ninguém, pois TUDO está a ir-se "de vela".
    Obrigado.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esta obra que ainda não li interessa-me. Dacosta é um autor que aprecio na sua forma de escrita e no seu arrojo. O tema Africa pareceu tornar-se nas últimas décadas numa espécie de tabu que admitia poucas excepções. Para os Portugueses em geral não parecia poder admitir-se senão o papel odioso de "mau da fita". Para os Retornados em particular era mais grave. O discurso oficial parecia fixar que ninguém, sendo Português em África, poeria ter sido pessoa de bém, ter qualidades ou ser útil. Numa investida sistemática, vários autores pareceram procurar fazer a história publicando versões variadas desta mesma ideia. Seria esta toda a verdade ? Em entrevista na televisão Dacosta pareceu desvendar parte de outra relidade. Tratava-se de gente habiuada a trabalhar, empreendedora perseverante e capaz de manter uma longa luta pela vida. Gente que foi útil a Porugal onde preencheu o espaço vago dos que por diversas razões haviam partido. Irei ler e pensar sobre as suas palavras. As que ouvi despertaram-me a curiosidade.

      Eliminar