sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Guerra Junqueiro - Orações de Ligares

Poema retirado do livro: "Orações de Ligares - recolhidas por Guerra Junqueiro"


Quem lê dificilmente esquece. Pela acidez na palavra aquando das injustiças na sociedade ou pela sua serenidade quando as pinta com as lembranças da sua infância e das suas origens. Guerra Junqueiro haveria de ser sempre lembrado como as duas faces de um todo, que de tão grande conhecimento, apenas caberia num mundo inteiro.

Dos males do mundo exponha-lhes as entranhas mas sempre com o olhar de quem espera o fervilhar do povo para a mudança. Foi assim com quase todos os temas fraturantes da sociedade, incluindo a Igreja. Não tinha a certeza se era ateu mas sabia que nunca acreditaria em cultos ou dogmas, antes, considerava-os como “uma cinza vã” e  para si o maior imperativo era que no mundo existia  “uma só diocese, catedral, com um só bispo: Deus”.

De espada em punho contra as práticas da Igreja preferia ouvir Deus na boca do povo, nas palavras daqueles que o evocavam em impulso, sem amarras nem muros ornamentados.  Num dos seus muitos regressos à sua terra recolhe “As Orações de Ligares” que viriam a ser publicadas postumamente. Aqui tudo é limpo e claro. Está com o povo na aldeia, em comunhão. E deste mundo, que se conjuga como quase nenhum outro,  saem sempre as maiores verdades.



Texto: Joana Vargas
Fotografia e design gráfico: Filipe Calado

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