quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

TORRE DE MONCORVO - EFEMÉRIDES ( 21/01)

21 Jan 1711 – Acta da reunião da câmara municipal:
- (…) Por verem que na ocasião que o inimigo veio a esta vila se tomou a muita gente pão e vinho e cevada para dar ao inimigo, pois com isto se sossegou e atalhou a que não quinhasse esta terra e totalmente a destruísse e que era justo se pagasse a estas pessoas, vieram a esta câmara muitas petições…
Este episódio vem na sequência da chamada Guerra do Mirandum em que as tropas castelhanas, depois da destruição e tomada da praça de Miranda do Douro, no início de Julho de 1710, vieram por ali abaixo, saqueando e queimando sem que ninguém as enfrentasse. Receando que em Torre de Moncorvo fizessem o mesmo, logo à entrada dos primeiros homens de cavalaria, os camaristas e a gente da governança decidiram entregar-lhe a terra e oferecer-lhe mantimentos e um resgate em dinheiro. Para além dos documentos oficiais sobre o assunto, ficou uma descrição muito interessante feita pelo padre Pascoal Ferreira, do Peredo dos Castelhanos. Vejam a saborosa prosa:
felgar -2010
- … O inimigo castelhano tomou a praça de Miranda do Douro e logo, por nossos pecados, veio à Torre de Moncorvo, queimou o barco e lançou fogo à barca do Douro. Acudiu gente da parte de Vila Nova e com as balas fez retirar o inimigo da lavagem do Douro, e acudiram alguns homens de Vila Nova passando o rio a nado e apagaram o fogo da barca com água e, com um pedaço de pau queimado da mesma barca a passaram para a parte de Vila Nova. Mataram três castelhanos: um lgo ali ficou morto e dois foram morrer a caminho da Torre, onde ficaram enterrados no convento de São Francisco. A Câmara se lhe entregou. Muita gente da Torre se retirou aos montes com algum fato, e os que ficaram, porque não lhe lançassem fogo, lhe prometeram, como dizem, mil e oitocentas moedas de ouro, vinte mil cruzados e ficaram de lhos mandar até sexta-feira da mesma semana, sendo fiadores o licenciado António Camelo e Francisco Botelho e Manuel Correia da Lapa. Roubaram o que acharam de móveis e levaram toda a prata da igreja, ficando só as custódias, que lhas esconderam. Levaram 6 arrobas de prata: a cruz grande, 12 lâmpadas de prata, 6 varas de palio e 4 castiçais de Nª Sª do Rosário e os turíbulos. Finalmente, tudo o que acharam de prata levaram, só deixaram a Nª Sª do Rosário a coroa que tinha na cabeça. Além de tudo isto, levaram muitas moedas de ouro que lhe deram muitas pessoas particulares, e fizeram muito mal em todas as casas da vila. Como lhe faltaram com os 20 mil cruzados, estão tremendo que lhe venham lançar fogo, como fizeram no lugar de Carviçais, na retirada, que todo ele ardeu…
Será muito difícil aos historiadores dizer se neste quadro predominam as cores que revelam falta de patriotismo e coragem militar ou o pragmatismo político e a astúcia militar por parte das gentes de Torre de Moncorvo. E a câmara de Moncorvo devia agradecer aos de Fozcôa o facto de terem salvo a barca do Douro que era uma das suas principais fontes de receita.
21 Jan 1857Criação da Escola de Instrução Primária para o sexo masculino, em Felgar.
António Júlio Andrade

2 comentários:

  1. Não há uma fotografia da escola do Felgar?E das várias escolas que ao longo do tempo existirem e encerraram...

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  2. Em que igreja,solar nobre ou antiquário espanhol estarão estas peças que nos roubaram?

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