quarta-feira, 1 de julho de 2015

Freixo de Espada à Cinta - À Vista de Pássaro


Freixo - Voo de Pássaro from Leonel Brito on Vimeo.

O  voo da águia

A águia, invisível mas sempre presente, vigia, flutuante, os lugares sagrados, habitados há milénios por homens que hoje vão desaparecendo.
 A sua visão, aberta e atenta, feita também do prazer de um mensageiro dos deuses, cativa a água límpida do Douro entre fragas que os séculos lavraram e pousa o seu remanso olímpico na vinha verde e vibrante, nos laranjais com suco de ambrosia, nos olivais cujas folhas consagravam  e coroavam os melhores e o azeite alimentava as candeias dos sábios gregos.
 A águia percorre o concelho de  Freixo de Espada à  Cinta, no seu voo de rainha, na sagração da Primavera, identificando aldeias e caminhos, casas, praças e pracetas. E a Torre do Galo como um marco e canto secular, berço e sentinela do destino de um povo poético e missionário. É o farol de granito nas tormentas da História.
 Mas sempre o Rio e as suas margens. A identidade de Freixo começa e acaba no Rio.
A geografia da água é intemporal.
Tudo cresce, nasce, morre e renasce.
 E o Rio, sempre o Rio entre pedras e o xisto que refulge nas casas e na paisagem.
 Do suor do Rio, misturado com o suor dos homens, escorre o vinho e o azeite, descasca-se a laranja e parte-se a amêndoa.
 Deste espaço sagrado, com a vigilância permanente do águia, do Penedo Durão às arribas abruptas de Espanha, que poderão dizer os deuses, senão, perplexos e invejosos, reconhecerem: o Olimpo está em Freixo de Espada à Cinta.
 E a águia em voo rasante, poesia e voz autorizadas pelas águas do Douro, pela pedra e pelo xisto, pelos olivais, laranjais e amendoais, como se fora uma oração à luz e ao pão, responde-lhes:

Ó deuses, eu não vos disse?

Rogério Rodrigues

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