quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Livro "Margarida Guerra Junqueiro - O mundo começa em Freixo de Espada à Cinta"



Mãe de Três Filhos

Meados de Janeiro, chegam os Pais com os habituais bens alimentares, mas também com enxoval, dúzias de fraldas, envoltas e mantas de lã para a criança que vai nascer e para ela lindíssimas camisas de noite com liseuses a condizerem. A pedido do genro, trazem uma caixa de lata com terra da horta de Maritávora – em vez de terra do Chão do Calvo como ele tinha pedido. D. Júlia, que quer o parto em casa, depara-se com a firmeza do genro e, contrariada, tem que ceder. E o bebé nasce na maternidade pública Dr. Alfredo da Costa, às 22h e 10m do dia 6 de Fevereiro de 1937, sábado de Carnaval. Margarida, já no quarto, repousada e feliz, com a sua menina ao lado, recebe os beijos emocionados do marido e dos pais que experimentam pela primeira vez aquela emoção, ele da paternidade e eles de serem avós. Logo na manhã seguinte, o Manuel agarra na caixa de lata, entra no quarto particular onde está a mulher e, sozinho com ela, agradece-lhe aquela dádiva. Depois destapa a caixa, tira a criança do berço e enterra-lhe os pezinhos na terra. Sabem ambos naquele momento que a vida deles e dos filhos que tiverem terá a marca do amor à terra. Sem hesitação, chamam-lhe Isabel, como a avó paterna, e acaba o luto que ele ainda sentia.

In “Margarida Guerra Junqueiro, O mundo começa em Freixo de Espada à Cinta” de Isabel Gomes Mota, pág. 61

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