quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A MINHA RUA ERA GRANDE, DAÍ CHAMAR-SE RUA GRANDE

            A.   Andrés, em casa dos pais
Era larga e comprida , cheia de gente, sempre a passar, de rodinhas de crianças, de laços na cabeça, e de meias brancas de renda, feitas à luz do amor das avós, de mãos de pele enrugada, em olhares de meiguice e ternura, letra de poema, esquecido no tempo dos outros,de bibes de todas as cores, alegrando os ares com as nossas vozes infantis, ingénuas, felizes, na música  dos dias de sol a espreitar pelas folhas das árvores, frondosas, encantadas do pipilar dos passarinhos, deslizantes no milagre e na sedução da melodia,… ao fundo, em frente à igreja, de pauzinhos de cerejas, em flores vermelhas, brancas, carnudas e sumarentas de sabores e formas,  redondas, macias, escorregadias, em sonhos engalanadas,  cinco coroas vendidas, âncora de todas as minhas lembranças,    de  contos, sagrados,  ditos em tom de magia, ouvidos,  sentidos! saboreados nos olhos abertos, sedentos de mistério e de maravilha, ao sol de inverno, na varanda, à espera, ou nas escaleiras, velhas e atrapalhadas, aos tropeções com as vidas,em laços de borbotos, de teias enxertadas, em falas de poesia de teares abandonados
Tininha
A.   Andrés


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18 comentários:

  1. Olá a todos!
    nestas escadas, velhinhas, minha bisavó Teresa, me contava,
    "era uma vez...
    Obrigada a todos! bom fim de semana!
    TININHA DE URROS

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  2. E nestas escadas, escaleiras, melhor dito, minha bisavó velhinha contava assim:
    _Era uma vez...
    Tininha, de Urros

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  3. Olá,Tininha!
    De novo o regresso à infância.Lindo!
    Bom fim-de-semana também para si.

    Uma moncorvense

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  4. Para esta moncorvense, tão simpática, sensível, generosa, e que deve ser, ela, também, como as suas palavras, linda!, eu desejo um excelente e bem revigorante fim de semana.Para ela e para tudo o que a ela pertence, ou que preza, claro.
    Com muita amizade,
    Tininha

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  5. Olá, Tininha :

    Estas memórias ( e eu não sou passadista) estão presas a nós como uma segunda pele, ou antes, habitam dentro de nós e, de vez em quando, entreabem a porta e zás, aí estão elas, numa breve escapadela.

    O Lelo está muito cansado e um pouco em baixo de forma. Esperemos que recupere em breve , para fazer o Blog andar com alma e vida.
    É que Os "Farrapos de Mamória" tornaram-se já um marco moncorvense e não só.

    Am abração para a Tininha
    Júlia

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  6. Olá, minha amiga:
    ESTES FARRAPOS é que se me entranharam de tal modo, que me estão a fazer muita falta! o Lelo, tem que se pôr bom, e muito rapidamente, por ele, e por todos nós!
    beijinhos para todos, com muita amizade, da Tininha

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  7. ...há sempre uma criança dentro de nós, ainda bem.

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  8. maria fernanda lamego15 de junho de 2011 às 20:26

    Os farrapos da memória! muito me agradam, é sinal que nos sentimos vivos! e quando faço uma pausa para pensar; a minha meninice,de uma familia numerosa, muito feliz eu fui! recordar é viver, por esse motivo aqui estou a dar o meu testemunho. obrigada

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    1. a minha rua era a rua da fragua! que saudades eu tenho!

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  9. Boa noite minha querida Tininha!
    Só agora vim ver os "nossos" Farrapos e fiquei encantada mas,sabes,queria mais,porque tudo o que escreves e de tanto gostar,sabe-me sempre a pouco...A tua Rua Grande onde jogava a macaca,ao lado a Travassa da Botica.Muito obrigada por tão belas e doces recordações,as mais belas e felizes que quero guardar na Memória.
    Com um beijo de saudade da tua sempre amiga
    Ireninha

    Nota:a fotografia é uma ternura que espelha bem o carinho e o amor com que tu e eu fomos criadas e educadas.

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  10. Cá estou eu de novo e sabes porquê?
    Porque não consegui resistir à franginha,aos sapatos ,aos soquetes feitos à mão pelas nossas avós ,às escaleiras de xisto à nossa querida terra que e embora todos estes anos trago sempre no coração.
    Mais uma vez obrigada!
    Um beijo da Travessa da Botica ,mas do tamanho da tua Rua Grande...
    Da tua amiga
    Ireninha

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  11. Olá meus amigos:
    Depois deste peguilho, qualquer alimento nos cai bem.
    Rua da Frágua, Rua da Botica, Rua Grande, Fonte Nova, toda uma vida cheia de gratas recordações.
    Obrigada.
    Saudades.BBeijinhos
    Tininha

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  12. Olá Tininha.
    Ainda bem que escreves.
    A tua escrita provoca viagens no tempo e a custo muito económico.
    Tempo vivido em lugares interessantes, como uma velha escada da minha Rua, sim da minha Rua eu nasci na rua Grande, como sabes naquele tempo o nascimento acontecia, era uma coisa natural nascer, hoje é um acontecimento, não só na nossa Rua como em qualquer outro lugar da nossa terra e não só, mas vou ficar por aqui.
    A velha escada que está cheia de recordações das crianças que nela se sentavam para brincar, dos adultos cansados que chegavam e nela se sentavam para descansar antes de subir, depois de um dia de trabalho em que o frio ou calor apertavam e o corpo suava de tanta canseira, as escadas serviam para tantas coisas, não só para subir e descer, mas das recordações das escadas nada poço escrever, nas suas memórias não posso entrar, assim apenas a minha memória das velhas escadas posso recordar, sim porque tudo serve para recordar, porque em qualquer lugar vemos o Céu, vemos a Lua lembramos rostos e olhares com a mesma ternura,recuamos, pensamos e vivemos, os sentimentos regressam com a mesma intensidade, que o diga a menina da fotografia, é verdade os anos passaram, mas a menina continua com as suas memórias.
    Quando lemos e olhamos a fotografia, a menina em pose fica na nossa memória e perguntamos, por magia esta menina, é a Senhora que contou esta estória.
    O amigo e vizinho
    Manuel Sengo

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  13. OLÁ MEUS AMIGOS!
    Quantas saudades os vossos comentários me trazem!...
    ....!
    Meu Deus! Dai-me a serenidade que eu preciso, para aceitar a chuva, o sol e a tempestade; e pensar que a vida é uma coisa maravilhosa; e que todos os dias recomecemos, com mais esperança, com mais fé, mais coragem.
    COM MUITAS SAUDADES,
    Tininha

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  14. olá Manel!
    Tens razão sim senhor!As escadas ou "escaleiras"de pedra onde tantas vezes nos sentámos ao entardecer depois de mais um dia de brincadeira,ao contrário dos nossos pais e avós que faziam nelas uma pequena pausa de tanto trabalho ao longo de dias gelados de Inverno ou acalorados de Verões" tórridos e impiedosos.As "escoleiras" onde tantas vezes ouvi "estórias" que me deixavam "amarelinha" de medo e que nunca mais esqueci...
    Beijinhos da vossa amiga e vizinha
    Ireninha

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  15. Mais uma vez recordámos a nossa infância com carinho e saudade, não há muito a dizer porque os nossos queridos vizinhos e amigos já disseram o que vai na alma de todos os que valorizam o passado e o sabem tornar "presente".

    OBRIGADA Tininha e bjis a todos.

    Letinha

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  16. Olá minha gente!
    Obrigada pela vossa atenção e pelo vosso carinho.
    Para a Letinha, Ireninha e Manel, beijinhos

    Saudades e abraços para todos.
    Tininha

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