sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Vilar de Perdizes relança o debate à volta do misticismo

O Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, Montalegre, relança o debate à volta do misticismo, juntando entre amanhã e domingo curandeiros, videntes, vendedores de chás aos investigadores e soltando “as bruxas” para uma caminhada nocturna.
O Congresso de Medicina Popular foi lançado em 1983 pelo padre António Fontes, um evento pioneiro no país que atraiu os olhares do país para o concelho de Montalegre, no distrito de Vila Real.
O evento continua a girar em torno da figura do padre Fontes, mas a organização está agora a cargo da Associação de Defesa do Património de Vilar de Perdizes, e conta com o apoio da Câmara Municipal.
Deolinda Silva, presidente desta organização, disse à agência Lusa que a edição de 2015 tem um dia a menos e que a grande aposta vai também para a animação.
Por isso mesmo, um dos destaques é a caminhada do contrabando, que decorre na noite de sexta-feira, que vai “soltar as bruxas” para assustarem os contrabandistas e os guardas que andarão no seu encalço.

A responsável referiu que Vilar de Perdizes era uma terra de contrabandistas, em que muitos dos seus habitantes atravessavam as serras pela calada da noite para irem a Espanha buscar produtos.
Com esta caminhada revive-se a história e junta-se o misticismo do barroso.
Depois, no centro da vila realiza-se a feira do oculto. Em Vilar de Perdizes, as portas estão abertas para todos: desde curandeiros, bruxos, videntes e cartomantes e ainda há quem ofereça massagens, fotografias da aura e ervas para os males do corpo e da alma.
Além disso, decorre também uma feira de produtos locais, desde o artesanato aos produtos agrícolas, compotas ou as mais diversas ervas.
Deolinda Silva referiu que vai realizar-se ainda um 'workshop' de urtigas, no qual se falará sobre as potencialidades desta erva daninha, nomeadamente na gastronomia, e em destaque vai estar ainda uma exposição de plantas aromáticas e medicinais, que quem quiser poderá levar para casa em pequenos vasos que estarão à venda no recinto.
Depois, na casa do povo, um misto de investigadores e especialistas de medicinas alternativas vão debater temas como ‘As artes e curar: saberes científicos e populares’, ‘Haloterapia’, ‘Saúde e religiosidade popular’, ‘O esotérico e o oculto’, ‘Os segredos das plantas’ ou ‘A função do pão na saúde’.
O congresso termina precisamente com um lanche convívio que terá como prato principal o pão que vai ser cozido no forno do povo, que será reactivado depois de anos sem ser utilizado.
Para o presidente da Câmara de Montalegre, Orlando Alves, o congresso tem uma “importância fundamental” para o concelho. “É um evento que concita a atenção geral do país e que provoca dinâmicas económicas, sobretudo no sector da hotelaria e da restauração, isto para além da visibilidade que o território tem nestes três dias”, frisou.
O autarca referiu que o município investe cerca de 20 mil no congresso, o que considerou ser um “reconhecimento da importância que dá ao evento e às gentes de vilar de Perdizes que têm sabido agarrar a iniciativa com muito entusiasmo”.
“Há muitos anos este congresso foi um golpe de provocação dado pelo país abaixo pelo padre Fontes que conseguiu suscitar a atenção dos ‘media’ nacionais, originando, desde então, fluxos importantíssimos para Vilar de Perdizes e toda a região”, afirmou.

Fonte: http://www.correiodominho.com/noticias.php?id=89001

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