segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Torre de Moncorvo 1955 - Um olhar de Orlando Ribeiro

Portugal - Luz e Sombra

O País depois de Orlando Ribeiro
Edição Círculo de Leitores/Temas e Debates

«Orlando Ribeiro fotografou exaustivamente o território português a partir de 1937. Durante quase cinco décadas fixou, pela imagem, o solo e as construções que nos rodeiam. Em 1985, quando arruma a sua câmara fotográfica, Portugal já entrara num processo de mudança que se tornava cada vez mais célere. Em 2011 voltámos a uma grande viagem que fora iniciada em Portugal – O Sabor da Terra e continuada em Portugal Património. Selecionámos um conjunto de fotografias do grande mestre da Geografia e regressámos aos mesmos exatos locais das suas tomadas de vista.

O que encontrámos não foram apenas alterações, mais ou menos significativas, de aspetos das paisagens e das arquitecturas, mas um tempo civilizacional diferente. Estas fotografias dão-nos conta, com fascínio e inquietação, do poder avassalador do tempo e das imparáveis construções humanas, na modelação da identidade de um povo.»



«Um dos principais acessos a Torre de Moncorvo foi, no passado, a via ferroviária, a Linha do Sabor, que partia do Pocinho e aqui encontrava a sua primeira estação, ao fim de uma subida contínua de 12 quilómetros, para vencer um desnível de 280 metros. Era a maior rampa de todo o sistema ferroviário português. A chegada a Moncorvo era feita por este local de onde Orlando Ribeiro fez a fotografia. Depois a linha ferroviária continuava a subir até Felgar, para depois encontrar uma região planáltica. Um dos principais motivos que originaram a construção desta linha ferroviária foram as minas que existem na região, particularmente aquelas que se situam na serra do Reboredo, entre Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta. (pp.144-145)»


«Quando se evoca a fisionomia de Trás-os-Montes, com culturas de subsistência e grandes aldeias coesas, raramente de grandes dimensões, vilas distantes, algumas enobrecidas por grandes igrejas e solares, ela contrasta fortemente com o Douro, embora contíguo e até há pouco sua principal via de acesso. Mas o rio constitui menos um efeito de barreira que uma cómoda linha de demarcação, com as margens simétricas e poderosamente unidas por inúmeros passos do rio, homogéneas na aparência física, no povoamento que combina lugares, mais do que aglomerados, constrangidos, com a grande disseminação das quintas vinhateiras, e na mesma economia dominante de um produto de qualidade, raro e caro, sujeito muito mais às oscilações da conjuntura internacional do que às do seu insuficiente mercado interno num país de baixo nível de consumo.» (Orlando Ribeiro. Apontamentos sobre Trás-os-Montes, 1970. Opúsculos Geográficos. VI. Estudos Regionais, 1995)

O Livro


Ficha técnica


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2 comentários:

  1. Gostava de comprar este livro mas não está á venda em Moncorvo.Onde se pode pedir?Bom trabalho de Luis Branquinho Pinto.Venham mais livros sobre a nossa região.
    Leitor

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  2. “Quando pela primeira vez entrei naquela casa em Vale de Lobos, num encontro marcado com Suzanne Daveau, sentira um grande fascínio. As leituras da obra de Orlando Ribeiro, a expressividade dos seus registos sobre a terra e uma escrita abrangente, fluída e literária, acompanhavam-me desde os primeiros tempos da faculdade, desde as primeiras viagens por um Portugal que começava a descobrir. Tinha recentemente passado cerca de dois anos a percorrer este território em recolhas fotográficas para o projecto Portugal — o Sabor da Terra, que desenvolvi com José Mattoso e Suzanne Daveau. Era agora assaltado por um sentimento de estranha ambiguidade. Parecia que, de um relance, ali encontrava Portugal inteiro, todos os seu s lugares além de outros espaços longínquos. Questionava-me sobre o sentido de dois anos de canseiras por um território que quanto mais percorria, menos parecia conhecer e que encontrava agora ali, num espaço contido, na espessura de todos aqueles materiais, uma tão próxima dimensão deste país sem fim. Mas que paisagem era esta com que agora me deparava? [...] Os lugares têm um carácter, uma alma; ali, num espaço interior, encontrava também esse ambiente de não-neutralidade de uma energia misteriosa, tensa e poderosa, tranquila. (Excerto de texto que integra a edição).
    http://www.duartebelo.com/

    Cidade Infinita é um blog de fotografias e texto, sobre o desenvolvimento do trabalho espelhado nestas páginas. Aborda temáticas diversificadas que, de alguma forma, têm relação com o processo criativo e discursivo aqui apresentado
    http://cidadeinfinita.blogspot.com/

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