terça-feira, 29 de setembro de 2015

Rebuçados da Régua

Este é um produto que faz parte das minhas memórias salivares desde que me reconheço. Sempre que se realizavam viagens até ao Peso da Régua, ou na passagem por Vila Real para deslocações ao Porto, havia sempre uma encomenda com rebuçados da Régua. Depois a lembrança da paragem do comboio na Régua onde vendedeiras apregoavam os rebuçados. Também me lembra de em Bragança haver uma senhora (que vivia no Calejo das Pedras junto à casa da Maria do Loreto), que veio da Régua, e que preparava e vendia rebuçados, na rua, sempre vestida de bata branca.
Pedi a receita ao meu amigo António Monteiro, enciclopédia viva das tradições transmontanas, que me enviou de pronto e transcrevo:“Leve o açúcar a ponto de rebuçado com duas cascas de limão e o sabor de uma ou duas ervas aromáticas (é o segredo das rebuçadeiras). Vaze-o numa pedra de mármore ou de lousa, previamente untada com manteiga ou margarina (antigamente, com banha ou azeite), e, enquanto estiver quente, vá cortando os rebuçados um a um, para depois os embrulhar em forma de laçarotes.Nota: os aromas podem variar muito; vão do mel ao tomilho, da canela à infusão de flor de laranjeira... As temperaturas de aquecimento do açúcar também têm influência na coloração dos rebuçados, mais ou menos escuros, assim como a utilização do tipo de açúcar (branco ou amarelo)...” O papel de embrulho é o vegetal, lembrando os famosos doces embrulhados saídos de conventos.
 Aqui fica o registo. Gostaria de que se vendessem no resto da País, agora que parece haver legiões a defender o que é nosso.
 © Virgílio Nogueiro Gomes.
Fotos A.F.M.
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13 comentários:

  1. Virgílio Gomes é um gastrónomo com formação superior e carreira firmada em hotelaria, tendo-se dedicado desde sempre à investigação e estudo da alimentação ao longo dos tempos.
    Conselheiro da Comissão Nacional de Gastronomia e consultor da AHRESP, entre muitas outras ligações, é presença assídua na grande maioria dos eventos nacionais realizados nesta área, autor de textos (publica com regularidade em duas revistas e um jornal) e dinamizador do site gastronómico – www.virgiliogomes.com
    Virgílio Gomes é ainda formador no mestrado em Ciências Gastronómicas do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

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  2. Além dos rebuçados,as vendedeiras também apregoavam água fresquinha no verão :"Água e bilha,quinze tostões!"Lembram-se?

    Uma moncorvense

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  3. Carlos Almendra escreveu: "aqueles deliciosos rebuçados faziam as delicias de quem ia no pouca terra do douro,maravilha."

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  4. Os rebuçados da RÉGUA! Quem não se lembra?!E que saudades!
    Água e bilha, quinze tostões! A água era mais fresca e saborosa!
    Tininha

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  5. A água e bilha era na Ermida...
    Ainda tenho pendurada na cave uma bilha da água da Ermida. Bem estimada!

    E as regueifas !?

    E o cego de Godim !? "Obrigado meu benfeitor, obrigado meu benfeitor!" dizia enquanto estendia a mão à caridade oscilando-a entre os bancos da carruagem - (de pau liso e polido na 2ª classe e de tecido com protecção em algodão branco no apoio da cabeça,na lª classe) - depois de cantar a última tragédia regional, normalmente um crime passional relacionado com o delírio de ciúme de um qualquer alcoólico. E quem queria comprava as líricas das canções, impressas em papel de seda que transportava ao ombro num pau cilíndrico - do tipo dos gravateiros - onde as folhas de papel se suspendiam pelo meio, sem vincar.
    Andava sempre atrás dele para o ver passar de uma carruagem para outra, naqueles passadiços metálicos e oscilantes, com as travessas e carris por baixo e a correr ao contrário do comboio . . . e nunca falhava!
    Eu até duvidava que era cego!
    Do que eu (ainda) me lembro.

    Arre gaita que já sou bem velho . . .

    F. Garcia
    Mirandela

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  6. Contava a minha mãe que a minha avó paterna - doceira e cobrideira de amêndoa - Palmira Cabeças era a sua marca registada - um dia deixou queimar o rebuçado da Régua para ser vendido ou na festa de Castelo Melhor ou de Santo Amaro ou de Almendra - não sei ao certo. Não desanimou. Embrulhou-os, queimados como tições e com o paladar acre do caramelo esturrado, no arraial apregoava: "Rebuçados de avenca, rebuçados de avenca, olh'ó rebuçado de avenca".

    Foi uma correria aos rebuçados de avenca e despachou tudo e mais que houvesse!

    Hoje teria um qualquer prémio no âmbito do espírito inventivo e de inovação.
    Naquele tempo teve a satisfação de um negócio bem feito.
    F. Garcia
    Mirandela

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  7. Magalhaes Silva Antonio Josédisse: sou um Moncorvense orgulhoso e transmotano de raça pois nasci no Pêso da Régua,sou de boa casta!...

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  8. Olá amigos!
    Levem rebuçados meninas...Cada saco um euro,um saquinho cinco euros e ofereço-lhe mais um...São as "rebuçadeiras" da Régua,Ex-Libris a cidade,
    homenageadas em 2011 no DIA INTERNACIONAL DA MULHER pela Câmara Municipal pelo SR.Presidente Eng.Nuno Gonçalves.
    Em tempos passados havia outros "pregões":
    Água e bilha,Água e bilha a quinze tostões srs...
    As bilhas eram vendidas na Ermida ,mas também na Estação da Régua e havia-as de vários tamanhos.Também me falaram que nas viagens de comboio
    se vendia água a granel(ao copo)para os menos abonados de dinheiro.
    Quem não se lembra da canção da Filomena,aquela pobre infeliz,que morreu de tuberculose ao ver o se amor preso acusado de ladrão pelo filho do patrão e que acabou por enlouquecer na prisão?Eram os "folhetos" do SR. Agostinho "céguinho",que vivia no Salgueiral em Godim...
    Para o viajante levar havia também as "regueifas" mais conhecidas por "roscas",que se enfiavam no braço,sendo ainda hoje importadas de Penafiel e vendidas às quartas-feiras no Mercado Municipal.
    A Sra. da fotografia é a sra.Maria Saraiva.Vive lá em cima no Peso.
    Cá em baixo é a Régua...Junta-se o Peso à Régua e diz-se:Peso da Régua.
    Para terminar lá vai bem à moda das "rebuçadeiras" da Régua:
    Psst,Psst,ó menina leve os rebuçadinhos da Régua..
    Com o sabor doce dos rebuçados da Régua.
    Ireninha

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  9. Olá DR. Garcia:
    Não conheci a sua avó,mas ela tinha razão.Sabia que um dos segredos dos rebuçados da Régua são a avenca e o limão?Pois fique a saber que é mesmo verdade...foi o que hoje acabaram de me dizer.
    Com estima de alguém que não o conhece,mas que conheceu bem o seu pai.
    Ireninha

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  10. Sr.Lelo de Moncorvo1
    Parabéns pela nova imagem que têm os Farrapos de Memória!
    Quando tiver tempo venha à Régua e venha ver como se fazem os rebuçados
    da Régua na casa da Sra. Albertina uma das "rebuçadeiras" mais famosas
    e antigas da cidade...e,olhe que não vai de mãos a "abanar",porque amiga
    como é do meu marido e minha, vai-lhe oferecer com muito gosto uns saquinhos de rebuçados.
    Com amizade da
    Irene

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  11. A Régua ,para mim ,é:Os rebuçados, as cheias,as dívidas da Casa do Douro,a ruína da Real Companhia,a rua dos Camilos a afunilar para baixo e a marginal a entrar no rio à espera das cheias ,a estação ,as regueifas e meu Deus os REBUÇADOS! Açúcar ,açúcar,açúcar e mais açúcar.Resistem as modas das dietas e valha-nos a Senhora do Peso, ainda não chegou a moda light.Já imaginaram o que seria um rebuçado da Régua sem açúcar?Já há vinho sem álcool e igrejas sem padres.
    O Alvarinho (não é o vinho ,é o ministro )quer vender pasteis de nata para todo mundo.E os REBUÇADOS DA RÉGUA,PÁ?Bô tchupar um antes que acabem.Melhor que os rebuçados só as amêndoas cobertas da minha terra.E tenho dito.
    Noitibó

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  12. Rebuçados da Régua
    “Olha o rebuçado da Régua, levem rebuçados da Régua!” Quem chega à Régua de comboio é saudado desta forma pelas Rebuçadeiras que de bata e lenço brancos vão vendendo rebuçados no largo e na estação da CP. Na década de 40, quatro moças de bata verde vendiam água em bilha, a 15 tostões; água em cantarinha, cada copo, a 2 tostões; bolachas e fruta e os já famosos Rebuçados da Régua, três pacotes, 5$00.
    Os Rebuçados da Régua começaram por ser vendidos nas festas locais e das redondezas. Nessa altura, destacavam-se dois vendedores: o “Prosa” e o “Cândido Rebuçadeiro”. Actualmente, os Rebuçados fazem parte da identidade de Peso da Régua, elementos de uma tradição que se tem mantido viva ao longo das gerações. Cada Rebuçadeira confecciona os rebuçados de um modo muito próprio.
    No entanto, para quem quiser aprender, aqui fica a sugestão: depois de o açúcar em ponto, com duas cascas de limão, ter passado para a pedra mármore, untada com margarina e daí para o plástico esticado da mesa, ainda a ferver, as mãos vão cortando os rebuçados um a um, rápida e habilmente, para depois os embrulhar em forma de laçarotes.

    http://www.cm-pesoregua.pt/index.asp?idedicao=51&idSeccao=933&Action=seccao

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  13. Rebuçadeiras da Régua foram homenageadas.
    As 12 mulheres que confeccionam e vendem os rebuçados da Régua foram homenageadas pela autarquia local, por preservarem esta doce tradição que leva o nome da cidade duriense a todo o país. Isto numa altura em que se prepara o registo da marca.
    A Câmara Municipal de Peso da Régua está a desenvolver o processo de registo da marca «Rebuçados da Régua». Neste âmbito, e também a propósito das comemorações do Dia Internacional da Mulher (8 de Março), o município homenageou as 12 mulheres que ainda confeccionam e vendem os rebuçados.
    «Olha o rebuçado da Régua. Levem rebuçados da Régua», apregoa Maria José Leitão, 63 anos e que há mais de 20 vende os doces tradicionais junto à estação de caminho de ferro. Primeiro no comboio, por onde muitos chegavam e partiam, agora também junto aos barcos, que a partir da primavera trazem milhares de turistas ao Douro. É por aqui que estas mulheres se espalham, carregando no braço os cestos de vime onde trazem os sacos de nove rebuçados que vendem a um euro. Estes doces começaram por ser vendidos nas festas e romarias. Não se sabe ao certo qual foi a sua origem ou há quanto tempo surgiram os rebuçados. «Isto já é muito antigo», garantiu Maria José Leitão.
    Sabe-se que se evidenciaram a partir da década de 30 do século XX e sabe-se também que muitas mulheres criaram os seus filhos a vender estes doces.
    «Mas se fosse agora não os criava. O negócio está muito fraco e depois tem esta coisa de dizer que é a crise, depois também não querem engordar, depois são os diabetes, depois é isto e é aquilo, mas não é, é apenas uma desculpa», salientou a vendedora.
    Maria diz que, às vezes, passa dia a carregar um cabaz de rebuçados que «não se vendem».
    Sónia Tavares, 32 anos, aprendeu a fazer os rebuçados com a mãe e começou a vender há 16 anos. Foi a necessidade que a obrigou a ir «para a estação» mas hoje não se arrepende. «Conseguir trabalhar e sustentar o meu filho é o que me interessa», sublinhou.
    Esta vendedora também se queixa que o negócio «já não dá como dava antigamente», mas que «lá vai dando para os gastos». Os clientes são na sua maioria portugueses, muitos turistas que chegam ao Douro Património da Humanidade. «Uns compram para provar, outros para levar de oferta», referiu.
    E é assim que o nome da Régua segue viagem um pouco para todo o país.
    Durante o dia estas mulheres calcorreiam a Régua. À noite confeccionam os doces. A receita é simples: basta açúcar, mel, limão e manteiga. Mas o segredo que lhes dá o «verdadeiro sabor» é algo que recusam partilhar.
    O presidente da Câmara da Régua, Nuno Gonçalves, disse que os rebuçados são «um produto que faz parte da cidade, das suas tradições e que a identifica».
    «Este ano quisemos homenagear as rebuçadeiras e, através delas, os rebuçados da Régua, que são um produto que queremos valorizar, proteger e divulgar», salientou.
    Para que os doces «não sejam roubados» à Régua, a autarquia está a registar a marcar e pretende, depois, até certificar este produto.
    Nuno Gonçalves admite que as actuais exigências poderão obrigar a alguma alteração do ponto de vista da produção dos rebuçados, mas espera que o seu sabor original «não seja abalroado pela legislação».
    Café Portugal | sexta-feira, 4 de Março de 2011
    http://escritosdodouro.blogspot.pt/2011/03/rebucados-da-regua-uma-doce-tradicao.html

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