quarta-feira, 15 de julho de 2015

Carviçais - Convite - «A Linha do Vale do Sabor» - Um Caminho-de-Ferro Raiano de Pocinho a Zamora

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Difícil

A maioria das pessoas sempre tiveram a vida difícil.
Foram crianças difíceis, com um pai, uma tia (ai, as tias!) ou irmã difíceis (já o parto foi difícil e difícil a gravidez). Cresceram num meio difícil de circunstâncias difíceis; internaram-nos num colégio difícil com colegas difíceis. A época parecia difícil (apesar da nostalgia com que alguns a contemplam à distância), a idade difícil e cada momento desta via difícil mais difícil ainda.
Se até os rapazes ou as raparigas que pareciam fáceis, acabaram por se tornar difíceis!
Deixaram um namorado ou uma namorada difícil, que vinha de uma família difícil. O trabalho foi difícil (se é que o conseguiram), o chefe difícil, em circunstâncias laborais, económicas, políticas, familiares e pessoais que se tornaram progressivamente difíceis (agora ao difícil chamamos “complicado”, mas continua a ser difícil): os horários eram difíceis, pagar a hipoteca difícil, as crianças difíceis, o ex ou a ex muito difícil, toda a aventura difícil…
Converteram em difícil coisas que dantes eram fáceis, ou pelo menos não tão difíceis como agora.
Para os difíceis, até respirar foi e será perpetuamente difícil!
Outros, pelo contrário, tiveram uma vida sempre fácil. Tão fácil que inclusivamente, quando um dia desaparecem, será algo naturalmente fácil! Assim dá gosto.
O dinheiro, claro está, a influência e a boa conjuntura têm muito a ver com o fácil e com a sua ausência (o difícil). As patacas e outras capacidades tornam fácil o difícil.
O PAN não é fácil, precisamente pela sua simplicidade e pelo que vimos dizendo: o PAN é difícil. Fazer um bom PAN (pão) é muito, muito difícil.
Este PAN de 2015, rende homenagem aos difíceis, aos que sempre tiveram o vento contra si, a quem, bracejando no mar (ou no charco) do difícil, pretenderam com o seu empenho, eventualmente de maneira inútil e, claro, incompreendida, que nem tudo foi difícil; que pelo menos algum gesto (como abrir uma janela, dar um passeio à beira-mar, saborear um gelado no porto…) foi, por fim e de maneira definitiva (que ingenuidade a dos difíceis!), algo fácil.

Manuel Ambrosio Sánchez Sánchez


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