quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Freixo de Espada à Cinta - Sucesso escolar poderá passar pela definição clara de prioridades por parte de cada escola

Decorreu no dia 7 de Setembro a Conferência “Desafios dos Professores no séc. XXI: Gestão de Conflitos e Indisciplina na Escola” no auditório Municipal de Freixo de Espada à Cinta. A iniciativa, inserida no Ciclo de Conferências “A Escola e o Meio Social: Promotores do Sucesso Escolar”, foi promovida pelo Centro de Formação de Associação de Escolas do Tua e Douro Superior, representado na pessoa de Fernanda Fonseca, Diretora do Centro, e contou com a participação de dois investigadores da Universidade Católica do Porto, Joaquim Azevedo e Cristina Palmeirão.
Com uma presença significativa de docentes e depois do discurso de abertura feito pela Presidente da Câmara de Freixo de Espada à Cinta, a sessão iniciou-se com a leitura de algumas quadras relacionadas com o tema por parte de duas alunas do agrupamento vertical de escolas de Freixo de Espada à Cinta e seguiu com a intervenção de Joaquim Azevedo, investigador e estudioso das problemáticas relacionadas com o ensino escolar.
No seu discurso ficou claro que é necessário que o papel dos professores seja trazido para a discussão relacionada com os problemas no ensino em Portugal e que estes deixem de ser exclusivamente relacionados com as questões socioculturais: “É preciso colocar o holofote sobre os professores”, disse Joaquim Azevedo defendendo que a qualidade do ensino depende da qualidade de quem trabalha nas escolas.


Relativamente à organização interna nas escolas o investigador sublinhou que é preciso os docentes saberem de facto quais as prioridades importantes para o ano lectivo e definirem “o que correu bem, o que correu mal e sobretudo em quem é que se pode melhorar” e deixarem de se esconder atrás de “álibis” e explicações repetidas para o insucesso escolar. 
Apesar de o ensino estar substancialmente melhor, no sentido de ser acessível a um maior leque de pessoas, Joaquim Azevedo referiu que existem debilidades que continuam por resolver e algumas são hoje muito mais “gritantes”: “Existem problemas em escolas que passados 34 anos ainda não foram resolvidos. E a explicação está em não se ter conseguido ainda que os professores refletissem sobre o seu próprio trabalho. Por isso é que é importante a organização do trabalho escolar para que cada escola produza melhores resultados”.

O investigador dirigiu-se durante a sua intervenção essencialmente aos profissionais de ensino alertando-os que não esperem que alguém lhes diga para onde devem ir, referindo-se ao Ministério da Educação, mas que se organizem internamente e definam o que é que pode resultar para que a escola funcione melhor e por outro lado se distinga de outras. 
Se o segredo está em fazer diferente Joaquim Azevedo alerta para que haja entre escolas uma maior cooperação e um maior trabalho reflexivo, tudo em prol de um ensino de melhor qualidade que seja alargado a todos os alunos, independentemente de fatores socioculturais externos: “Temos que fazer o melhor possível com os alunos que temos”, referiu. 
Os muitos objetivos que no início de cada ano letivo as escolas tratam de delinear poderá ser outro problema na opinião do investigador: “Não queiramos fazer tudo, o objetivo deverá ser fazer pouco, pequeno e possível”, sob pena de querendo fazer tudo ao mesmo tempo acabar por não se fazer coisa nenhuma. 

Naturalmente que a opinião dominante é de que hoje é muito mais difícil ensinar, no entanto, Joaquim Azevedo reitera que não existem alunos “não educáveis” e como tal está essencialmente nas mãos dos professores perceberem que escola querem e que ensinamentos querem que seus alunos levem para o futuro. 
Relativamente ao tema da indisciplina nas escolas, Cristina Palmeirão, investigadora na Universidade Católica no Porto, seguiu a mesma linha de pensamento do seu colega e focou a sua intervenção na gestão e organização da sala de aula dirigindo de igual forma as suas palavras aos profissionais do ensino. Abordando o projeto educativo, que, nas suas palavras, deverá centrar-se nos valores que os docentes querem transmitir aos seus alunos, deverá ter-se presente a organização dos papéis nas escolas, ou seja definir quem faz as regras e a partir de que valores elas estão construídas.
Com o foco nos problemas da indisciplina Cristina Palmeirão referiu que o importante é ter presente quais foram os fatores que desencadearam determinado tipo de mau-comportamento, dizendo que “os docentes devem apostar num modelo de prevenção e não apenas de correção”. 
A investigadora referiu-se ainda à importância da dinâmica das relações entre professores e alunos explicando que é relevante “saber gerar o desejo de aprender”. 
Terminadas as apresentações dos convidados houve ainda espaço para um pequeno debate com os presentes e numa das questões colocadas a Joaquim Azevedo em que “desafiavam” o investigador a traçar três prioridades para uma escola no tempo presente, este respondeu que não seria ele a dizer como deveriam fazem, seguindo a linha de pensamento da sua intervenção inicial, mas o que faria de imediato era “pôr os professores a pensar sobre o seu trabalho”.
Pondo de lado a excessiva burocracia que existe na maioria das escolas o investigador explanou nas suas respostas aos presentes que é preciso “menos folclore e mais foco no trabalho interno que se faz nas escolas” para evitar que se faça e invista em projetos que não resultam, como, na sua opinião, tem vindo a acontecer.
Para finalizar a sua intervenção, Joaquim Azevedo referiu-se ainda à importância da redignificação da profissão de docente: “aquela questão de colocarmos professores com as piores médias nos cursos de formação de docentes está errada” e é urgente refletir sobre essas alterações que devem ser feitas na lei.
Seguindo a mesma orientação ideológica sobre as questões dos desafios que os professores atravessam no tempo presente, Cristina Palmeirão referiu mais uma vez nas respostas às perguntas que lhe foram colocadas que “é importante existir um ambiente positivo para a aprendizagem”, e que para isso é “urgente que os professores construam formas de chegar aos alunos”. Assim, referiu a investigadora que poderá está perto a resolução para alguns dos problemas de indisciplina dentro das escolas.
A problemática da indisciplina, um dos graves problemas que afetam o ensino em Portugal poderá ver melhores dias se existir uma cuidada gestão e organização interna nas escolas e que, nas palavras de Cristina Palmeirão a melhor receita para esse aspecto é cada uma das escolas “criar a sua própria receita”, abarcando naturalmente todos os agentes, professores, auxiliares e família, na resolução dos problemas da delinquência nos estabelecimentos de ensino.
O encerramento dos trabalhos ficou a cargo da Diretora do Agrupamento de Escolas de Freixo de Espada à Cinta, Albertina Parra, que se referiu à importância da discussão destes temas que a todos os cidadãos interessa.


Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta
Joana Vargas

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