sexta-feira, 4 de setembro de 2015

"Moncorvo, Zona Quente na Terra Fria" (1974) IV

O SONHO DAS MINAS A FUNCIONAR PASSA POR OUTRAS REALIDADES


«Se um dia as minas funcionarem a sério… se um dia Moncorvo for a terra do ferro…» Este sonho foi-me posto com tal veemência que não posso deixar de o registar no derradeiro texto sobre a vila e o concelho. As minas são as de hematite, no Carvalhal, mais ou menos a caminho do Felgar (num desvio). E o que há sobre elas está, por agora, num plano de hipotética concretização.
Socorro-me de textos oficiais para fazer ponto à situação do ferro (hematite) de Moncorvo. Assim, as Estatísticas Industriais de 1972, vol. I, «Indústrias Extractivas», a pp. 12/13, diziam no capítulo da «Extracção de Minérios de Ferro» que a produção continental de ferro no ano anterior montara a 42826 toneladas, sendo 42140 de ferro-manganês, do Cercal do Alentejo, supõe-se, e escassas 686 (valendo 137 contos) de hematite, estas do Carvalhal. O distrito da Bragança tinha, em 31-12-1971, qualquer coisa como 33 estabelecimentos registados e 508 coutos mineiros de ferro.
Vejamos o Relatório Anual de 1972 da Direcção-Geral de Minas e Serviços Geológicos, publicado em Lisboa no ano seguinte. Lê-se aí, no capítulo 2.3, «Minérios Metálicos, Minérios de Ferro», isto:
«Baixou para menos de metade a produção de minérios em relação a 1971, como consequência do encerramento das minas de magnetite da Orada. Apenas houve produção de minério de ferro-manganês das minas do Cercal do Alentejo, com destino ao consumo nos altos fornos do Seixal. A produção no seu conjunto tem sido insignificante, e só começará a ter peso económico quando se conseguir arrancar com a exploração industrial em larga escala do vasto jazigo de hematite de Moncorvo, pertença de dois concessionários, «um estrangeiro de predominância alemã» (Minacorvo) «e outro actualmente do domínio da Siderurgia Nacional» (Ferrominas). Estudos vários de profundidade têm sido realizados, quer no domínio do conhecimento geológico-mineiro do jazigo, quer no domínio do apuramento das técnicas de enriquecimento dos concentrados finais, parecendo que estes problemas têm solução técnico-económica à vista. Os transportes, porém, é que parece constituírem campo de dúvida, visto que, tanto quanto sabemos, não está ainda apontada a solução que deverá ser adoptada. Parece ser este o grande problema que condiciona a exploração deste grandioso depósito de minério de ferro. A importação continua a ser a base do abastecimento à SN, a qual, como minério de ferro nacional, se limitou ao minério de ferro-manganês do Cercal e às cinzas de pirites tratadas. (…) continuou a assistência técnica a ferrominas, no estudo do jazigo da Moncorvo.»
Um terceiro dado é o que consta do Relatório de Propostas para o IV Plano de Fomento (da Comissão de Planeamento da Região Norte). Data de Outubro de 1972 e anunciava então, para um futuro próximo, «a exploração do ferro de Moncorvo».
Quarto dado, o do Relatório de Propostas para o mesmo plano, este elaborado pela Câmara Municipal de Bragança:
«Os valores da exploração das hematites para o período de 1959 a 1970 foi de 910 mil toneladas, no valor de 117 mil contos. Prevista uma exploração inicial de 1.000.000 toneladas/ano, fácil se torna calcular o enorme interesse que advirá de tal iniciativa para a economia do distrito. Mas será realmente verdade estar para breve o desencadeamento desta moura encantada?»
Um ano e meio depois a pergunta mantêm-se.
"Moncorvo, Zona Quente na Terra Fria", de Fernando Assis Pacheco, in  “República”, Março de 1974 ."TORRE DE MONCORVO , Março de 1974 a 2009", de Fernando Assis Pacheco ,Leonel Brito, Rogério Rodrigues, edição da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo.

Ver: http://www.youtube.com/watch?v=eHzu_fhrXUE&context=C3414853ADOEgsToPDskLGy0EKz8rfCUcyoiKIVEQx

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