domingo, 28 de abril de 2013

ESCAPARATE - (LVIII) - OS RETORNADOS ESTÃO A MUDAR PORTUGAL


Os Retornados estão a mudar portugal

Paginação: Luís Teixeira

4 comentários:

  1. FERNANDO DACOSTA:
    Vida e obraNasceu no Caxito, a 100 km de Luanda, na Fazenda Tentativa[1] pertencente à Companhia do Açúcar de Angola, onde o pai trabalhava. Quando tinha três anos de idade, devido à saúde frágil da sua mãe, a família (anti-salazarista)[2] mudou-se para Folgosa do Douro, na margem sul do Douro. Aí passou a infância (teve uma experiência de quase-morte, ao tomar banho num rio)[1] e a juventude, tendo estudado no Liceu de Lamego. Passou pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, acabando por se fixar em Lisboa, onde se licenciou em Filologia Românica.

    Em 1967, iniciou a sua carreira jornalística a convite de Carlos Mendes Leal, director da delegação da agência noticiosa Europa Presse (ligada à Opus Dei) em Lisboa. Dacosta foi destacado como repórter na Assembleia Nacional e no Palácio de S. Bento. Foi nessa altura que conheceu pessoalmente Salazar, encontro que muito o impressionou e o motivaria no futuro a dedicar particular interesse literário à figura do estadista.

    Trabalhou em vários jornais e revistas como Filme, Europa-Press, Flama, Notícia, Comércio do Funchal, Vida Mundial, Diário de Lisboa, Diário de Notícias, A Luta, JL, O Jornal, Público, Visão. Colaborou em vários programas de rádio, de que se destaca Café Concerto de Maria José Mauperrin, na Rádio Comercial, nos anos 80. Na RTP, em 1991/2, apresentou uma rubrica sobre literatura. Dirigiu os "Cadernos de Reportagem" e foi co-editor das edições Relógio de Água.

    A sua obra reparte-se por vários géneros: reportagem, teatro, romance, narrativa e conto. Homem de esquerda, teve o privilégio de conviver intimamente com algumas das maiores figuras da cultura e da política portuguesa do século XX, da Oposição bem assim como do Estado Novo, que de certo modo se lhe confidenciaram, incentivados pela sua personalidade discreta e cativante. Foi muito próximo de Agostinho da Silva e de Natália Correia.

    A temática da sua obra, de cunho histórico e sociológico, sem contudo deixar de ser marcadamente intimista e mística, centra-se no fim do Império Português e na preservação da memória do período pré- 25 de Abril de 1974, reflectida em escritos como O Viúvo, Máscaras de Salazar ou Os Mal-Amados.[3] Ao longo da sua carreira, a sua obra tem sido frequentemente premiada.

    [editar] Obras[editar] NarrativaOs Retornados Estão a Mudar Portugal, 1984
    Moçambique, Todo o Sofrimento do Mundo, 1991
    Paixão de Marrocos, 1992
    A Clínica das Inovações, 1995
    A Ilha da Sabedoria, 1996
    O Príncipe dos Açores, 1996
    Máscaras de Salazar, 1997; 2006
    Nascido no Estado Novo, 2001 (reedição: Os Mal-Amados, 2008)
    A Escrita do Mar, 2001
    Os Mineiros, 2001
    [editar] RomanceOs Infiéis, 1992
    O Viúvo, 1988
    [editar] TeatroUm Jipe em Segunda Mão, 1983
    A Súplica, 1983
    Sequestraram o Senhor Presidente, 1984
    A Nave Adormecida, 1988
    A Frigideira, 2007 (inédito)
    [editar] ContoOnde o Mar Acaba, 1991
    Imaginários Portugueses, 1992
    Um Olhar Português, 1992
    Os Sete Pecados Capitais, 1998
    [editar] FotobiografiaSalazar, Fotobiografia, 2000
    Fotobiografia de José de Castro, 2005

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  2. Em “Mais um dia de vida”,Ryszard Kapuscinski,escritor polaco candidato ao Nobel e considerado o maior repórter do seu tempo,escreveu sobre a partida dos portugueses de Angola,após o fim do colonialismo português.

    Da editora CAMPO DAS LETRAS :

    Angola 1975

    Setembro de 1975: Luanda, a capital de Angola, está cercada. Gigantescos caixotes de madeira, cheios com todos os bens móveis imagináveis, amontoam-se nas docas. Os portugueses e os seus haveres estão de partida, abandonando a cidade de Luanda a filas e filas de carros muito bem estacionados, a matilhas de cães de luxo tornados vadios - a um vazio e desolação crescentes.

    Ryszard Kapuscinski visitou Angola para fazer a cobertura da última fase da luta que pôs fim a quatrocentos anos de domínio colonial português. Viajando pelo campo, deparou-se com uma guerra bizarra e mortífera dentro da guerra pela independência nacional. Três exércitos de guerrilha maltrapilhos estão envolvidos numa batalha sangrenta para decidir quem governará o país libertado ? um jogo brutal, em que os jogadores mal se distinguem uns dos outros.

    «Guerrilheiros, refugiados, espiões e o repórter solitário a quem se acabara o dinheiro para a comida semanas antes, ligado ao mundo exterior por uma linha de telex vulnerável. Kapuscinski está no meio dos acontecimentos. Vai à linha da frente, desloca-se de avião a guarnições isoladas, atravessa de camião centenas de quilómetros de mato hostil - consegue captar o anedótico, o gesto, a frase, o universal, expresso através o particular.»

    SUNDAY TIMES

    «O livro parece mais enformado pelo olhar do romancista do que do jornalista. Poderia ser de um Graham Greene ou de um V. S. Naipaul - fragmentário, anedótico e impressionista. Este olhar idiossincrático e a forma lacónica e cândida como regista as suas observações são o que torna "Mais um Dia de Vida tão memorável".»

    NEW YORK TIMES BOOK REVIEW


    Uma moncorvense

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  3. Como é que eu guardo estas 64 páginas, todas de uma vez? Já experimentei as modalidades que aprendi e nada... É só pág. a pág.? Só nos favoritos? Mas eu queria guardar numa pasta específica. Lelo, dê uma ajudinha, por favor.

    Júlia

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  4. Documento importante numa época que os retornados se tornaram moda.

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