domingo, 27 de maio de 2012

Associação Terras Quentes - OFICINA DE CONSERVAÇÃO E RESTAURO

                       Laboratório de Conservação e Restauro
                      Associação Terras Quentes
 
A instalação de um Laboratório de Conservação e Restauro na região de Macedo de Cavaleiros tornou-se uma realidade impreterível!!
Através de um olhar atento ao concelho de Macedo de Cavaleiros (que se insere num contexto do Nordeste Transmontano) e ao seu património, trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelos colaboradores da Associação, revelou um vasto espólio, riquíssimo e diversificado, abrangendo um amplo leque cronológico. Mas também evidenciou uma realidade de abandono e negligência.
Esta região oferece-nos desde, artefactos arqueológicos - líticos, ossos, cerâmicas, metais, entre outros (recolhidos pela Associação Terras Quentes na sua actividade sistemática de prospecção e escavação nos mais diversos locais arqueológicos), a arquitectura civil e religiosa, escultura e pintura, que são um elemento vivo, um testemunho histórico para as gerações futuras de uma cultura e tradições seculares, mas que permanecem muitas vezes colocadas à margem, no esquecimento.

A observação do desaparecimento eminente do nosso património, quer seja pelas vicissitudes do tempo, fruto de uma degradação natural, quer por negligência, vandalismo, furto, ou por ter sido colocado nas mãos de pessoas não qualificadas para uma correcta intervenção, tornou urgente a criação de um laboratório de conservação e restauro, que possa servir esta região. Macedo de Cavaleiros por ser uma zona central de toda esta região do nordeste transmontano, tornou-se assim o local ideal para a localização deste laboratório de conservação e restauro.
É urgente recuperar o tempo perdido, não esquecer que é nosso dever salvaguardar com integridade o nosso património. Recorrer à opinião de um profissional na área com aptidões para lidar com as obras ou peças é imprescindível, uma vez que uma má intervenção é por vezes mais lesiva do que a ausência desta, podendo mesmo provocar danos irreversíveis.
  Nesta primeira fase o laboratório de conservação e restauro da Associação Terras Quentes tem como principal objectivo a conservação e restauro do espólio arqueológico existente, proveniente das várias escavações arqueológicas que têm vindo a ser realizadas pela Associação. Contando também com uma importante acção de preservação deste mesmo espólio, no sentido de criar as melhores condições de acondicionamento, armazenamento e de condições climáticas, dentro das limitações existentes.
As intervenções que têm vindo a ser executadas nos bens arqueológicos (na área de metais e cerâmica) seja de conservação, seja de restauro, regem-se por princípios éticos e deontológicos. Não estando perante um código rígido, uma vez que cada obra tem características próprias inalienáveis, podem-se considerar três princípios básicos que se aplicam a qualquer intervenção: princípio da reversibilidade (aplicação de materiais reversíveis que não irão danificar o original), embora neste ponto existam limitações práticas incontornáveis; compatibilidade dos materiais aplicados com os originais e o princípio de intervenção mínima.
O procedimento de intervenção também será influenciado consoante a “finalidade” da peça, se esta for uma peça museológica que será exposta ao público (museu) ou que será devidamente acondicionada e armazenada em depósito, terá diferentes formas de tratamento.
A elaboração de um projecto de conservação e restauro implica uma série de decisões técnicas e científicas, escolhas essas que vão influenciar permanentemente a peça, assim sendo deve-se privilegiar o diálogo e cooperação interdisciplinar, para que a intervenção se possa processar com o maior respeito pela história, estética e integridade física da peça.



Anverso de uma moeda romana em bronze do Baixo-Império. Antes da intervenção.
Reverso de uma moeda romana em bronze do Baixo-Império. Antes da intervenção.
Anverso de uma moeda romana em bronze do baixo-império. Após a intervenção.

Reverso de uma moeda romana em bronze do Baixo-Império. Após a intervenção.
http://www.terrasquentes.com.pt/content.aspx?id=43
Nota : a primeira fotografia foi extraída da revista da Associação.

4 comentários:

  1. Elvira Tavares escreveu:Muito bem, trabalho meritório, convém mesmo divulgar e ampliar o leque de espólio a conservar e restaurar. Parabéns á Associação.

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  2. Helena Ferreira escreveu: extraordinário !

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  3. Fernanda Branquinho escreveu: notavél....

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  4. Quando li este texto percebi a diferença que hoje há entre Torre de Moncorvo e Macedo de Cavaleiros.
    O nosso GDM joga contra o Morais,clube de uma aldeia do concelho de Macedo.
    o PARM publicou uma revista no outro milénio.
    M.C.

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