terça-feira, 19 de maio de 2015

TORRE DE MONCORVO - ESCAPARATE (VII)

                                          Prefácio

À ILDA o meu muito obrigado e os meus parabéns. Obrigado por nos teres trazido à lembrança os tempos em que éramos crianças e os meus parabéns por o teres feito com inegável mestria e verdade. Sem fantasias. Era mesmo assim. É excepcional a forma, mas também a memória dos pequenos gestos e dos acontecimentos que fizeram e são identidade do povo Maçorano no último século (XX). É uma realidade que para os mais novos é longínqua, para alguns, talvez inacreditável mas para nós - os da tua geração - é o regresso: “... era neste ambiente simples, pacífico, de privações, imbuído de amor e verdadeira amizade onde as crianças cresciam felizes, desconhecendo por completo a inveja, ódio e rancor (Cap. 11.17)”.
Desconhecia e certamente tantos outros, que Maçores vinha de tão longe! Desde os tempos da nacionalidade, portanto mais de nove séculos, em que aquelas ruas, ou casas albergaram gerações que, face ao ambiente duro e austero as temperou, lhes deu coragem para viver e se projectarem, sem dúvida, por esse mundo fora. Apesar dos montes que nos envolvem, em todas as gerações, quisemos e fomos mais além. É este o herói desconhecido - o EMIGRANTE - (Cap. 13) que temos que homenagear por ser um vencedor, onde quer que fosse o seu posto de trabalho, o seu porto de abrigo e por nunca esquecer a sua terra que lhe marcou a identidade, lhe deu referências morais e éticas que o fizeram portador da história de uma pequena aldeia que o viu nascer e o criou. Essas “raízes”, para todos nós, foram importantes. Para mim foram-no, sem dúvida, e não esqueço a dívida de gratidão para toda uma aldeia em que toda a mulher era nossa mãe.

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Post de 12/02/2011

5 comentários:

  1. CONTINUAÇÃO:
    Ora bem, é este o testemunho que todos temos que passar mas que tu, Ilda, pelo teu saber, pelo teu jeito, pela vivência que tens tido tens mais arte e jeito para o fazer.
    O nosso século (XX) foi de dificuldades, não de miséria, alguma pobreza sem dúvida. Foi um século difícil: as guerras de África, após a Conferência de Berlim (1885), onde o nosso conterrâneo Sr. Pinto se notabilizou. Depois a miséria após a I Guerra Mundial, a crise de 1929 nos E.U.A., a II Guerra Mundial a que se seguiram, no nosso caso, as guerras em África de 1960 a 1974; os surtos de emigração para o Brasil, E.U.A. e depois Europa. Apesar das montanhas que nos envolviam não ficamos imunes a estes acontecimentos. Daí as dificuldades, em especial nos anos finais da II Guerra Mundial, em que as filas para o “naco de pão” na vila de Moncorvo eram enormes.
    Apesar de tudo a nossa rusticidade, capacidade de sacrifício, a pequena horta e a solidariedade levaram a que Maçores sobrevivesse e vivesse continuando a dar filhos que sempre tiveram a ânsia de uma vida melhor a que sabiam ter o direito de usufruir sem cuidar de canseiras e riscos.
    É esse ambiente que a ILDA soube transportar para este livro que deve ser de leitura obrigatória para cada um de nós. Com saudade, sem dúvida, mas com orgulho do que fomos e do que somos e para que sirva para reforçar “as raízes” dos jovens que o devem guardar como registo mas também como reforço de uma vontade de mais e melhor fazer sabendo que, devem respeito a si próprios, aos outros, mas também àqueles que fizeram com que Maçores não definhasse e se projectasse para além montanhas. A esses sugiro-lhes conte a história de Maçores, para que no relato oral, tal como as nossas avós faziam, fiquem vincadas linhas da nossa personalidade e para que no início deste século tragam Maçores para o nosso tempo e para um novo mundo de solidariedade e amizade.
    Há muito a fazer. A revolução é convosco.
    E preciso que aquela terra, o minifúndio, que a todos nos alimentou tenha novas formas de tratamento. Hoje é possível. O clima, a água, o ambiente em geral, podem fazer de Maçores um local onde será possível viver na modernidade do séc. XXI. Esse é o desafio que, certamente, a Ilda nos deixa dizendo o que fomos e o que somos. E o que queremos ser? Essa é a questão e espero que nos meados do séc. XXI alguém, à semelhança da Ilda, possa escrever novo livro que será mais um degrau (a subir) na história da pequeníssima aldeia de Maçores que todos nós amamos.
    O desafio aqui fica graças a este maravilhoso trabalho que esta maçorana, “dos quatro costados”, “trouxe” até nós.
    Aliás será justo lembrar outras obras literárias que a Ilda tem publicado designadamente “TORRE DE MONCORVO - MUNICÍPIO TRADICIONAL” (Out.2001). Leitura obrigatória e que se enquadra e enriquece o tema desta publicação agora em apreço.

    CONTINUA

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  2. CONTINUAÇÃO:
    Mas lembrar também que a Ilda para ser o que é teve que trabalhar, aguardar que a sua irmã Lourdes fizesse o curso (os pais não tinham capacidade financeira para manter as duas a estudar) e depois, para ganhar tempo, fazer num só ano aquilo que um estudante normal levava dois anos. Além de “maria-rapaz” nas nossas brincadeiras de garotos, a Ilda estava sempre disponível para dar uma bofetada no mais ladino e assim equilibrar as situações. De uma excepcional generosidade é mais uma das maçoranas que nos deve orgulhar pelo que é e pelo que tem feito.
    Os miúdos do teu tempo muito te estimam e sentem orgulho pela tua obra como o sentiria o ti João da Elisa, teu pai, e o nosso “camões”, teu irmão, que deixou marca não só no jogo do ferro, do confronto com os da Açoreira quando iam “roubar” a lenha para a fogueira do Natal, como da vez em que quis arrancar o marco da água à entrada de Felgueiras. Como vês ainda há histórias por contar... e sorrir.
    Bem hajas. Um abraço amigo de parabéns.
    Lisboa, 24 de Abril de 2003
    Alípio Tomé Pinto
    (General do Exército Português)

    NOTA: Não te posso levar a mal considerares o filho do ti Bernardo “pessoa importante” (Cap. 13). O homem é ele e aquilo que o envolve e foram esses que fizeram de mim o que sou e... Maçores também.

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  3. Livro Maçores Minha Terra Minha Gente

    Ficha Técnica

    Título: Maçores Minha Terra Minha Gente
    Autora: Ilda Fernandes
    Editor: Câmara Municipal de Torre de Moncorvo
    Impressão: Humbertipo/Porto
    Data: Novembro 2003
    Tiragem: 1000 exemplares
    Depósito Legal: 202791/03

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  4. Bibliografia de Ilda Fernandes

    Ilda Fernandes, filha de João José Fernandes e de Maria Joaquina de Andrade - proprietários agricultores, nasceu em Maçores - Moncorvo, em 3 de Julho de 1939.
    Em 1964 completou o Curso do Magistério Primário na Escola do Magistério Primário de Coimbra, em 1984 licenciou-se em Ciências Históricas na Universidade Livre do Porto, em 1993-1996 concluiu o Mestrado em História Ibero-Americana na Universidade Portucalense Infante D. Henrique do Porto, desde 2002 Doutora da em História na Universidade Portucalense Infante D. Henrique do Porto com a Dissertação, Mirandela Tradição e Modernidade.
    Em 1994, por solicitação do Ex.º Senhor Bispo da Diocese de Bragança, D. António Rafael, efectuou uma Sinopse Monográfica de Maçores - Moncorvo.
    Em 1996 defendeu Tese de Mestrado com o Trabalho de Dissertação, Aspectos Económico-Sociais de Torre de Moncorvo nos Finais do Século XIX.
    Executou entre outros, os trabalhos de maior destaque: Usos e Costumes da Minha Terra, Índios do Brasil e para Seminário de Licenciatura - Doações ao Mosteiro de S. Bento de Santo Tirso. Para Mestrado, além de outros, elaborou Escravatura no Brasil, Emigração para o Brasil (1850-1930).
    Colaborou no Jornal de Matosinhos, Revistas da Romaria da Senhora da Hora, conferenciou, escreveu em prosa e verso sobre as Origens da Vila da Senhora da Hora, As Romarias em Portugal, Presente Passado e Futuro da Romaria da Senhora da Hora, Raízes Cristãs da Senhora da Hora, O Valor da Leitura, A Liberdade, A Criança e o Professor, Origem e Tradições do Carnaval, Património Histórico-Cultural do Centro Histórico da Senhora da Hora, Tradições Carnavalescas do Concelho de Esposende.
    Como professora do Ensino Básico e Secundário, leccionou na Escola Industrial de Pombal, Escola Masculina de Sobrado - Valongo, Escola de S. Pedro do Avioso - Maia, Escola Mista das Areias - Carrazeda de Ansiães, Escola C+S de S. Martinho do Campo - Santo Tirso e Escola N.º 2 da Senhora da Hora.
    Livros Publicados:
    1996 - Senhora da Hora Subsídio para a Sua Monografia.
    2000 - Senhora da Hora Monografia.
    2001 - Frechas Tradição e Modernidade.
    2001 - Torre de Moncorvo Município Tradicional.
    Incluída no 2.º volume do Dicionário dos Mais Ilustres Transmontanos, é sócia e voluntária na Casa do Caminho da Senhora da Hora, membro e colaboradora da Associação Cultural da Senhora da Hora, Associação Cultural e Recreativa de Maçores - Moncorvo, Associação Cultural de Esposende e Lions Clube da Senhora da Hora.

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  5. Caríssima Dra. Ilda Fernandes:

    Ainda não tenho este seu livro, mas já me está prometido. Gostaria muito de me encontrar com a colega. Que diz ? Já conversei com o Leonel sobre o assunto. Deu-me o seu nº de telef. e vou entrar em contacto consigo, está bem?

    Um grande abraço.
    Júlia Ribeiro

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