terça-feira, 1 de setembro de 2015

Grupo de professores de Bragança contesta destacamentos por doença


Mais de meia centena de professores do Quadro de Zona Pedagógica 2 (que abarca os distritos de Bragança, Vila Real e a zona do Douro) manifestaram-se nesta segunda-feira, em Bragança, contra aquilo que dizem ser uma “injustiça” causada pelas alterações que o Ministério da Educação e Ciência promoveu este ano na mobilidade por condições específicas — nomeadamente por razões de saúde.


Em causa está o grande número de pedidos deferido no distrito de Bragança que, segundo reclamaram os manifestantes, retirou cerca de 70 horários ao distrito comparativamente com o concurso de há dois anos — em 2013 foram colocados a concurso 109 horários e, este ano, apenas 39. Lurdes Gonçalo, com 28 anos de serviço, explica: “Há dois anos fiquei colocada no Agrupamento Abade de Baçal, em Bragança, e agora fui para Vila Real porque não consegui vaga no meu distrito. Nos 28 anos de serviço que tenho trabalhei sempre no distrito de Bragança. Este ano, só apanhei vaga fora.” Acredita que isso tem a ver com “o elevado número de destacamentos”.


Tal como o PÚBLICO noticiou em Julho, este ano foram deferidos mais de 360 pedidos de destacamento por condições específicas no distrito de Bragança, 121 deles num único agrupamento, o Emídio Garcia. Estes destacamentos permitem, por exemplo, que um professor com problemas de saúde se aproxime da área onde recebe os tratamentos.

Foi precisamente à porta do agrupamento Emídio Garcia que os professores que se dizem prejudicados por este mecanismo se juntaram. “Acho que é estranho [haver tantos pedidos]. As pessoas estão longe e poderá ser uma forma de se aproximarem à residência”, nota, sublinhando que “as juntas médicas é que poderão avaliar” se os pedidos estão correctos. “Esses colegas poderiam estar cá, ocupar outras funções sem tirar lugares a outros professores, mais graduados”, concluiu.

De acordo com as listas de colocação divulgadas na sexta-feira, vários professores do distrito de Bragança, com cerca de 30 anos de serviço, viram-se colocados a centenas de quilómetros ou nem conseguiram mesmo colocação. “Nos últimos dois anos estava em Moncorvo e neste momento não tenho colocação”, disse outra professora, Julieta Ferreira.

Também Eliza Guimarães não escondia a sua indignação. Pela primeira vez em 28 anos de serviço não tem horário. “Com esta situação acabei por não ficar colocada. O meu receio é não haver mais vagas e eu ir para a mobilidade. É uma situação injusta”, refere.

Já o caso de Anunciação Afonso, com 27 anos de serviço, é diferente. “Estava em Moncorvo. Agora vou para Cinfães, a mais de cem quilómetros de casa, para um Agrupamento que nem sequer tem ensino secundário, pelo que não posso levar a minha filha. Tem de ir para outra escola, a 17 quilómetros de onde estou.”

Os professores em protesto pedem “um concurso justo” ao Ministério da Educação, solicitando que aos colegas que estão destacados ao abrigo da mobilidade por doença sejam atribuídas outras funções não lectivas, como apoio ao estudo. Denunciam mesmo situações de colegas destacados com indicações de problemas psicológicos que poderão ter componente lectiva.

Vários professores lamentaram também a ausência de representantes sindicais nesta manifestação.

Recorde-se que, este ano, os pedidos de mobilidade por doença foram deferidos mais cedo do que habitualmente acontecia e, em Julho, os professores destacados já estavam colocados nas escolas, com indicação do Ministério da Educação para lhes ser atribuída, sempre que possível, componente lectiva. Como as necessidades das escolas ainda não tinham ido a concurso para os professores de Quadro de Zona Pedagógica (QZP), muitos acabaram por não conseguir colocação ou foram colocados noutros pontos do seu QZP.



No caso do distrito de Bragança, depois da última reformulação, há dois anos, o AZP passou a integrar também o distrito de Vila Real e o norte de Viseu e da Guarda, abarcando concelhos tão distantes entre si como Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro ou Montalegre, Cinfães ou Lamego.

Fonte: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/protesto-de-professores-de-braganca-contra-epidemia-de-destacamentos-1706492

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