terça-feira, 1 de outubro de 2013

Rede de Judiarias conquista apoio de quatro milhões e meio

A Rede de Judiarias de Portugal conseguiu um financiamento superior a 4,5 milhões de euros para a concretização do projeto “Rotas de Sefarad”, o qual começará a ser executado a partir de outubro, disse o seu secretário-geral, Jorge Patrão.

Sinagoga de Moncorvo ?
A maior parte da verba (quatro milhões) será disponibilizada no âmbito do “EEA Grants 2009-2014”, um mecanismo financeiro do Espaço Económico Europeu (EEA) através do qual a Islândia, o Liechtenstein e a Noruega financiam, na qualidade de países doadores, diversas áreas prioritárias de ação junto dos Estados beneficiários do Fundo de Coesão da União Europeia.
“É um apoio que também obriga o Estado português a colocar mais 15% desse montante (600 mil euros), o que acontecerá até porque o acordo já está devidamente formalizado”, explicou Jorge Patrão.
De acordo com este responsável, a execução financeira começa já em outubro e prolonga-se até 2017.
Entre áreas programáticas como a da gestão integrada de águas interiores e marinhas, a das energias renováveis ou das iniciativas de saúde pública, o EEA Grants inclui a da conservação e revitalização do património natural e cultural com uma dotação total para Portugal de quatro milhões de euros, que foi inteiramente atribuída ao projeto “Rotas de Sefarad”.

O projeto, que será monitorizado pela Direção Regional de Cultura do Centro, tem como base o percurso geográfico e cultural dos vestígios sefarditas no território português.
A aposta recai na investigação e publicação de livros, intervenções de centros históricos, recuperação de sinagogas e outras iniciativas ou obras que se enquadrem no tema da valorização da entidade judaica portuguesa.
Entre as obras já aprovadas estão o Centro de Interpretação Judaica de Trancoso, o Centro sobre a História do Marranismo em Portugal (da autoria do arquiteto Souto Moura), em Bragança, a intervenção na Igreja de Santa Maria da Várzea em Alenquer (local onde em 1574 foi sepultado Damião de Góis), bem como a criação do Memorial das Vítimas da Inquisição ou a recriação de uma das primeiras tipografias portuguesas, entre outras.
Às entidades parceiras - cerca de 25 municípios e várias entidades de turismo - caberá apenas uma verba “muito menos significativa” de acordo com o valor de cada iniciativa.
Jorge Patrão recorda que deste “conjunto de ações deverá resultar uma rota patrimonial e identitária sobre a história de Portugal com enfoque na história do povo judeu”.
A Rede de Judiarias de Portugal (RJP) foi criada há dois anos em Belmonte, local onde se encontra a maior comunidade judaica no país, cerca de 36 famílias com 120 a 150 pessoas.
Na fundação contou com nove municípios, seis regiões de turismo e uma comunidade judaica, mas atualmente já integra com 27 municípios (Belmonte, Guarda, Freixo de Espada à Cinta, Tomar, Trancoso, Castelo de Vide, Lamego, Penamacor, Torres Vedras, Alenquer, Sabugal, Évora, Leiria, Vila Nova de Paiva, Bragança, Celorico da Beira, Castelo Branco, Óbidos, Fornos de Algodres, Almeida, Penedono, Vila Nova de Foz Côa, Meda, Lisboa, Elvas, Reguengos de Monsaraz e Porto) e duas comunidades judaicas.
A instituição tem como objetivo “desenvolver um plano que até 2020 mostre um país diferente, sempre com base na revitalização da história ligada ao judaísmo”, o que poderá ser concretizado, não só com base no apoio do EEA Grants, como ainda em fundos do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) aos quais deverá ser apresentada candidatura.
 Lusa

1 comentário:

  1. Espero que os autarcas Trasmontanos apresentem projectos e não fiquem de fora como tem acontecido desde há décadas. E espero que tomem iniciativas concretas em conjunto e não seja cada um a olhar para o seu próprio umbigo, como tem acontecido. Chegou a hora de unirem esforços para se traçar e implementar no terreno uma ROTA DOS JUDEUS que faça desenvolver o turismo cultural e seja suficientemente apelativa para cativar um nicho de turistas muito específico. Por mim, penso ter dado um grande contributo e bastará que em cada concelho do Nordeste Trasmontano leiam os textos publicados no jornal Terra Quente desde 1999 para verem um bocadinho da nossa riqueza cultural neste domínio. António Júlio Andrade

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