segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Sulcos no Cabeço (em Mós, Moncorvo),por Carlos Sambade

Grandes rodas de madeira recobertas com grossos aros de ferro fizeram pressão continuada, dias e dias, anos e anos, sobre o xisto. É provável que tenha havido uma sugestão prévia, a braço de homem. Tudo isso se deu, principiou há séculos. Adveio o abandono, a erosão instalou-se pelo todo.
 Cargas de lenha, mais raramente madeira, produtos dos prédios hoje simplesmente ditos rurais, pedra para obras, telha fabricada, algum aço grosseiro, quem sabe o quê. Estrume, por certo que mais na descida. O gado ia por seu pé, muito raramente ao colo. E as pessoas a pé ou a cavalo.
 Agora há que ver também o entre-eixo, a giesta / gesta que permanece. Ressequida, é certo, mas ainda não consumida. Não que seja inconsútil mas, como se agarrou a um pouco de fresco, ali resolveu estacar. Foi poupada. Miragem, qual negativo de pequeno oásis, na fraga, ter-lhe-á sido dado esse prémio. Ficas aqui para te verem. Pelo menos até  à chegada das chuvas e ao premente efeito da ventania. De maneira que não dês pena, tu que nasceste para o lume.
Foto e texto de Carlos Sambade

1 comentário:

  1. Belo texto .Assim se faz a história de Mós.
    Leitor

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