terça-feira, 1 de março de 2016

MAÇORES - Episódios burlescos (I)

Casa Grande
Episódios burlescos ocorridos em Maçores no terceiro quartel do século XX (In "Maçores Minha Terra Minha Gente" de Ilda Fernandes)
Antigamente, como é sabido, as populações das aldeias do concelho de Torre de Moncorvo em redor de Maçores tinham características próprias que as distinguia umas das outras, principalmente no sotaque.
Os da Açoreira e Maçores eram pessoas de grande credulidade; os de Felgueiras, rudes, comparavam tudo à terra, à natureza; os de Urros, mais desordeiros, andavam muitas vezes à pancada, os do Peredo sempre serenos e educados.
Na fala cada uma tinha o seu sotaque difícil de deixar mesmo que fossem estudar ou emigrassem para outras terras.
Vamos aqui recordar algumas vivências da nossa infância e juventude ligadas a algumas destas aldeias que retractam bem algumas formas de vida da época. Parte foi-nos contada pelo nosso compadre e amigo de infância Dr. Ramiro Guerra.

Felgueiras
O chicheiro da aldeia era o ti Alberto Chanorro, de Felgueiras, que vendia carne de cabrito, borrego e às vezes marrã. O açougue localizava-se nos fundos da casa do ti António Canastra na Pracinha.
A sua melhor cliente era a Casa Grande onde se dirigia sempre a saber ordens. Este casou e deixou de aparecer durante algum tempo. Quando veio pela primeira vez após a boda a Srª D. Teresinha da Casa Grande perguntou-lhe:

- Então Alberto estás contente com o casamento?
Resposta pronta:
- Ó minha senhora, maldita a hora em que dei semelhante ponto em semelhante albarda!
Felgueiras é um núcleo de antigas tradições de fabrico de mel e cera. O Ti Alberto Alegre oriundo desta aldeia vinha muitas vezes a Maçores vender velas, necessárias à iluminação da época em que não havia luz eléctrica e que colocavam em castiçais.
Era um assíduo frequentador da Casa Grande. Um dia saiu-se com esta:
- Sabe minha senhora eu sou muito amigo da minha mulher. Outro dia fui ao Porto e trouxe-lhe de lá uns sapatos de calcanhar ratado (abertos atrás).

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5 comentários:

  1. Mais histórias de Maçores.Não é por acaso que a festa do S.Martinho é lá.Temos que fazer uma recolha destas histórias e espalhar por todos os foruns e blogs do concelho.Vamos atacar a crise com umas saudáveis gargalhadas.Doutora Júlia,tem muito que contar e conta bem(conta melhor que um marrano)Onde se pode comprar este livro?Parabéns, doutora Ilda.
    LAG

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  2. Olá, Amiga Ilda:
    Um gosto ir lendo as suas estorinhas. Muito bem caçadas. Parabéns.

    Agora vou fazer a vontade ao LAG e contar-lhe uma do casamento de um pastor do Montenegro. O homem já não era rapaz novo e a governanta do Montenegro arranjou-lhe o casamento com uma rapariga fortalhaça, retchontchuda, e um bocado "alevantada", fosse o que fosse que isso queria dizer.
    Deram-lhes 3 dias de folga, mas o pastor estava no trabalho à mesma hora de sempre, Sábados, Domingos e dias santos e também no dia a seguir ao casamento.
    A governanta soube, mandou-o chamar e perguntou-lhe : " Ora então, Zé, diz-me lá: o casamento correu bem? " "Sim, senhora, lá isso correu". "E a tua mulher agrada-te?" "Agradar, agrada". "E a noite foi boa?" "Isso é que foi o pior." "Nem me digas tal coisa...Então que se passou?" . "Tive de ir dormir p'ro palheiro". "Credo, homem! Santa Cruz de Cristo! Porquê?" "Sabe, Senhorana, a minha cama é estreita, a Rosa é gorda. A cabrona deitou-se em cima de mim e eu 'taba a ber q'abafaba".
    Durante muitos anos, na Corredoura, quando uma noiva era assim p'ro gordinho, havia sempre alguém que lhe dizia : "Bê lá, não abafes o teu homem".
    A Corredoura era fértil em estórias picarescas.
    Então, LAG, deu uma boa gargalhada?

    Júlia

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  3. A Rosa gorda nunca fez footing na ecopista.
    A Rosa matava o bitcho cum uma malga de grabanços, talos de coubes, toicinho ... fritava a torrada com unto do reco e rematava com outra malga de café cevada ,pão centeio, sardinhas e alcaparras. Cântaro na cabeça e ala prá fonte carbalho…

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  4. Tenho de vesitar o bloge todos os dias, porque há sempre com que enterter . uma risada tambem faz bem não é doutoras Ilda e Júlia ? Parece que o Lelo fez bem em as ajuntar.

    Felgueirense

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  5. O que o Lelo fez bem, muito bem, foi este blogue. Continue a dar-nos notícias da Vila e das aldeias e suas gentes, de gente da diáspora, belas fotos antigas e modernas, estórias e História, poemas e boas páginas de literatura.

    Adicto destes *FARRAPOS*

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