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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

TORRE DE MONCORVO - PARTIDELA DA AMÊNDOA

OS VIZINHOS AJUDAM OS VIZINHOS A PARTIR A AMÊNDOA NO INVERNO


Na manhã em que o automóvel do meu companheiro Leonel (Lelo) Brito parou no Peredo, antes de eu ver qualquer coisa comecei foi a ouvir: era um som esquisito, inidentificável pelo homem de fora, metálico, monótono. «Que se passa?» – perguntei, fiado em que qualquer canalizador de Moncorvo montava na aldeia mais uma casa de banho para emigrante. «Ah, este barulho» – explicou-me o Lelo – «é a partirem amêndoa. Eu já te mostro.»

A amêndoa colhe-se em Setembro-Outubro para ser partida depois de Novembro, mas pode ficar em casca, conforme as conveniências do dono, às vezes um ano ou mais. Todavia, a «partidela» (designação popular da operação, sempre colectiva) faz-se habitualmente no Inverno, a estação das noites longas. E não ocupa só as noites, mas os dias e as tardes. O tal som metálico que eu ouvia era o da percussão (um, dois toques por amêndoa) da amêndoa sobre uma pedra, mediante pancadas dadas com um pedaço de cano de ferro.
No Peredo dos Castelhanos colhem-se 3000 arrobas de amêndoa em anos recentes. A arroba esteve no princípio do Inverno a 1200$00 (em miolo), para subir depois aos 1400$00 ou até 1500$00. A gente do Peredo considera estes preços «uma fortuna», se bem que receie uma baixa do valor do produto já na próxima colheita: é o que lhe ensina a experiência dos altos e baixos…
«Há colheiteiros de amêndoa que tiram duzentas e trezentas arrobas» – asseveraram-me no Peredo. (Os restantes, ou seja a maioria, andam na casa das dezenas, se tanto).
Quem «faz» amêndoa? Os proprietários dos amendoais, claro, frequentemente proprietários novos, pois «os ricos têm vendido aos pobres» (emigrantes). Além dos proprietários, também os rendeiros, quando os há – e há naturalmente muitos. Em tempo: quando a mão-de-obra não faltava como agora, praticava-se o sistema do «terceiro», isto é, quem cuidava da terra para um proprietário ficava com a terça parte da produção, números redondos. Faltaram os braços e… os «terceiros» transformaram-se regra geral em «meeiros». Enfim, há quem disponha de amêndoa por simples compra, sem possuir amendoais.
A «partidela» da amêndoa mobiliza as boas vontades de uma aldeia. O vizinho ajuda o vizinho, que por sua vez o ajudará. (E leia-se «vizinha» que está mais certo.) Um proprietário aflito recorre ao contrato de «partideiras» experimentadas, pagando-lhes em média 50$00 por dia útil e sobrecarregado.

In TORRE DE MONCORVO Março de 1974 a 2009

De Fernando Assis Pacheco ,Leonel Brito, Rogério Rodrigues
Edição da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo

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TORRE DE MONCORVO - ILUSTRES (V)

Alfredo José Durão nasceu em 27.8.1860, em Bragança, onde sua mãe e seu pai residiram temporariamente, acaso para este ganhar as habilitações de mestre-escola. Era tenente da 1ª brigada de montanha, aquando do 31 de Janeiro, sendo destacado para abafar a revolta. Terá sido então, pelo papel tido em tal acto, condecorado com a ordem da torre e espada e promovido a capitão, em 10.4.1891. Nessa ocasião concorreu para cônsul mas os políticos não o deixaram entrar na carreira diplomática, se bem que tenha sido um dos primeiros classificados. Estava já então colocado no quartel de Elvas, terra onde casou. Por essa altura as bicicletas eram novidade e o exército tratou de fazer experiências no sentido de apurar se tais máquinas podiam com vantagem substituir os cavalos em algumas deslocações. O capitão Alfredo aprontou-se e percorreu sozinho os 630 Km que separam aquela cidade alentejana de Valença, no Alto Minho, em 8 dias, deixando um minucioso e interessante relato desta autêntica epopeia, até porque, propositadamente, foi escolhido o percurso mais difícil: pela serra da Estrela. O Jornal de Lisboa de 28.8.1892, publicou o seu retrato. Com a implantação da república, foi eleito deputado à assembleia constituinte, pelo círculo de Moncorvo. Deixou um filho (Américo Durão, médico famoso, proprietário do também famoso veleiro Albatroz) e uma filha (Berta Nery Durão) que viveu em Urros, mãe do arquitecto Matos Ferreira.
Excerto do livro HISTÓRIA POLÍTICA DE TORRE DE MONCORVO 1890 – 1926 , de António Júlio Andrade
Âncora Editora ( com o apoio da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo)
O livro é apresentado no dia 4 de Dezembro na Casa de Trás os Montes, em Lisboa.

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

"A Mulher que Venceu Don Juan", de Teresa Martins Marques

António Monteiro.Foto de arquivo.
– Mas, então, se não é da Pampilhosa, de onde é ?
– De Vila Real.
– O quê? É transmontana? – Luís fez um sorriso de orelha a orelha.
– Sou, mas porquê? – pergunta ela, não percebendo a razão de tamanho júbilo.
– Porque eu também sou transmontano. De Torre de Moncorvo.
– Não me diga! Tenho lá um primo de meus pais.
– Quem?
– O António Monteiro.
– O Monteiro? O engenheiro agrónomo, presidente da Cegtad?
– Sim, é engenheiro, o resto é que já não sei…
– Ah, mas sei eu. É  um amigo de peito.
– E o que é isso da Cegtad?
– Confraria de Enófilos e Gastrónomos de Trás-os-Montes e Alto Douro.
– Nunca ouvi falar dela aos meus pais.
– Não é do tempo dos seus pais. Foi fundada há dezassete anos, em 1995.
− E tenho lá também um parente numa aldeia com um nome muito engraçado − Peredo dos Castelhanos. É um jornalista muito conhecido que vive em Lisboa.
−  Não me diga que é o Rogério Rodrigues!
− Esse mesmo.
− Um grande senhor do jornalismo, o Rogério.
− E também poeta e dos melhores.− Mas isto são muitas surpresas para um só dia! Havemos de ir jantar com o Rogério ao Solar dos Presuntos.
IN:
A Mulher que Venceu Don Juan
Autora: Teresa Martins Marques


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Recordando Carlos Girão

Do livro de poesias "Relógio de Bolso", de Carlos Girão
Publicado em 10/10/2010
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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

LIAMBA NA VILARIÇA

 





















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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

DOURO - VINDIMAS .FOZ DO SABOR (1854)

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Gravura de Emílio Pimentel,filho do Visconde de Vila Maior

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Idade Média no Distrito de Vila Real – Documentos desde o ano 569 ao não 1278 – Tomo I, de João Parente.

Resumo do livro: Esta obra monumental reúne, contextualiza, traduz e interpreta mais de mil documentos medievais do distrito de Vila Real, permitindo ao leitor uma descoberta das origens dos vila-realenses.Instrumento basilar para a historiografia medieval, apresenta, no primeiro de quatro volumes, um conjunto de 364 documentos foraleiros em latim concedidos às povoações de Vila Real desde o reino suevo até D. Afonso III.
 Prefácio:
 A história regional e local traz nova luz à história geral, pois consegue betumar os seus interstícios. Como sublinha Francisco Ribeiro da Silva, é na era da globalização que faz mais sentido estudar os pequenos lugares, as vilas, as regiões, porque sempre foi e continua a ser nesses espaços periféricos que vivem e interagem os homens e as mulheres em todos os lapsos históricos (Silva 2003: 3-4). Quanto melhor conhecermos os lugares, as vilas e as cidades de cada região, melhor conheceremos o país na sua totalidade.Há algumas décadas, A. H. de Oliveira Marques constatava que escasseavam, no âmbito da historiografia portuguesa, abordagens de conjunto sobre as origens e as evoluções históricas das regiões e dos distritos portugueses (Marques 1988: 64-66). Essa lacuna na investigação historiográfica portuguesa tem uma razão de ser. A escolha de um objecto de estudo centrado num vasto espaço geográfico (região ou distrito) exige uma preparação multidisciplinar, e só um investigador exímio é capaz de levar a cabo uma tarefa tão ciclópica. Este feito foi conseguido pelo Padre Dr. João Parente, na obra Idade Média no Distrito de Vila Real, que prefaciámos. O autor dominou na perfeição saberes tão díspares como: a edição de texto, o latim medieval, o português arcaico, a história de arte, a lexicografia, a informática, entre outros.Graças a várias pesquisas apuradas nos Arquivos Nacionais exumou toda a documentação medieval, exarada durante vários séculos para uma vasta zona geográfica que abrange actualmente o distrito de Vila Real. Recolheu, editou e traduziu, a documentação que está gravada em latim medieval, para que todos a pudéssemos ler e apreciar.O Padre Dr. João Parente oferece ao público em geral e aos transmontanos em especial uma obra capital para o conhecimento histórico, linguístico e artístico de uma zona geográfica importante de Trás-os-Montes, incluindo grande parte da região duriense. A sua obra, ao editar um extenso corpus foraleiro medieval, vem preencher uma lacuna na investigação fundamental sobre a região do Douro e outras zonas do distrito de Vila Real na Idade Média.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Moncorvo - Foral Manuelino (500 anos 1512/ 2012)

Depois do foral concedido a Torre de Moncorvo pelo Rei D. Dinis em 1285, a quatro de Maio de 1512 o Rei D. Manuel I concede novo foral à Vila de Torre de Moncorvo. Durante o ano de 2012 o Município de Torre de Moncorvo prepara inúmeras actividades para festejar os 500 anos do foral manuelino. No dia 5 de Maio, Sábado, pelas 15h00, no Centro de Memória de Torre de Moncorvo, iniciam-se as comemorações com a inauguração da exposição “D. Manuel I e o seu tempo…” e com a apresentação do livro “Torre de Moncorvo: Quadros da sua História” de Dr.ª Maria da Assunção Carqueja.
 A exposição é organizada pelo Município de Torre de Moncorvo, é essencialmente documental e visa o período de governação de D. Manuel I. O livro “Torre de Moncorvo: Quadros da sua História” é da autoria de Dr.ª Maria da Assunção Carqueja, natural do Felgar, e ilustrado pela Arq.ª Isabel Rodrigues Konrad e será apresentado pela Dr.ª Adília Fernandes.
 Maria da Assunção Carqueja é licenciada em Ciências Histórico Filosóficas e além de vários livros de poesia que já editou é autora de várias obras de investigação sobre o nosso concelho como “Subsídios para uma Monografia da Vila de Torre de Moncorvo” (1955), “Subsídios para o Estudo das Ferrarias do Reboredo” (1961), “Felgar” (2006), este escrito em parceria com Adriano Vasco Rodrigues e “Documentos Medievais de Torre de Moncorvo” (2007).
 Durante todo o ano haverá outros programas inseridos na comemoração do Foral Manuelino como teatro, conferências, música, oficinas e workshops no Arquivo Municipal, caças ao tesouro e a exposição “ O Último Quartel do Poder Local Democrático”.
 Juntamos em anexo convite para a sessão.
http://www.torredemoncorvo.pt/torre-de-moncorvo-comemora-500-anos-do-foral-manuelino
Ler mais:

http://lelodemoncorvo.blogspot.pt/2011/10/moncorvo-justa-homenagem.html

http://lelodemoncorvo.blogspot.pt/2011/01/torre-de-moncorvo-escaparate-i.html

http://lelodemoncorvo.blogspot.pt/2011/02/torre-de-moncorvo-revista-do-cepihs.html

Nota:
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terça-feira, 8 de março de 2016

OS MARRANOS EM TRÁS OS MONTES, de AMÍLCAR PAULO

A GUISA DE ABERTURA


O éxodo israelita e sua fixação na Ibéria iniciaram-se em recuados tempos, e os audaciosos imigrantes conseguiram coexistir com os diferentes povos que, sucessivamente, e no decurso de séculos, ocuparam o território peninsular, sem nunca se fundirem na amalgama de vencedores e oprimidos, mantendo intacta e sempre viva a antiga crença de Adonai.
Portentosa acção, reveladora de singulares qualidades, de argucia, tena­cidade, sacrificio, de inquebrantável poder de adaptação, com que oportuna­mente os dotara a adversidade, que desde o principio, em todos os tempos, os perseguira sem indulgencia.
Não causa estranheza que, com tais atributos, ao fundarse a nova nacio­nalidade lusitana, o importante elemento se evidenciasse na constituição do agregado populacional e os primeiros monarcas, seguindo sensata e tolerante politica, lhe concedessem certas garantias de estabilidade, privilegios e isenções.
Na região bragançana, naquela época de liberalidade religiosa, existiram judiarias em terras de alguma importância, como foram as de Bragança, Bemposta, Mogadouro e Moncorvo, chegando o Rabino da sinagoga desta última comuna a ter jurisdição sobre os sequazes residentes em toda a pro­vincia trasmontana, facto deveras significativo da sua densidade e influência, nesse período, no recôndito e afastado rincão.

TORRE DE MONCORVO - URROS E MAÇORES

Na vinda do Peredo o automóvel fez sucessivas paragens em Urros (400 e tal fogos) e Maçores (centena e meia).
Um homem dali, feitor de um grande proprietário, orgulhou-se ingenuamente da riqueza do patrão:
«É deste cabeço àquela encosta. Tudo, tudo nosso!»
E seria, pois ninguém refilou. E seria, pois o patrão do homem colheu este ano 600 arrobas de amêndoa em duas aldeias, e 300 almudes de azeite, e 80 pipas de vinho (quase todo do porto, o que deu 700 contos de «benefício»). Um latifúndio ancorado em região de minfúndio corrente, onde «não há ninguém, mais de metade dos homens foram-se embora» (voz do feitor).
Em Urros, terra com produções idênticas – amêndoa, azeite, vinho –, ainda se tece em teares manuais, como aliás no Felgar, aldeia natal do meu camarada de redacção Afonso Praça. Estava uma velhinha a fiar lã de ovelha e estava uma outra a tecer uma «cortcha» (colcha) de borboto. «O borboto, quando é trabalhado grande, dá uns dois contos por peça» – contou-me a tecedeira – «o ano passado estava a um conto e quinhentos.»
Gosta mais de «felpas» que enchem a vista, e a pedido é capaz de fazer mantas de «ourelos» (farrapos).
Tudo isto encarece de ano para ano, à medida que a arte vai morrendo. Só em Urros soubemos de uma tecedeira nova, o que é a excepção à regra. Comentário a propósito:
«Elas agora só querem estudar!»
E este, partido do mesmo grupo de mulheres:
«Só querem andar no ar!»
Urros também foi vítima da emigração, uma emigração que manda aldeões para a França e para a Alemanha como outrora os mandava para Lisboa.
«O senhor admira-se de haver muita gente de Urros em Lisboa?» – admirou-se uma vizinha da velha tecedeira. – «Pois em Lisboa, fique sabendo, há mais gente de Urros do que em Urros.»
Não resisto a fechar esta caminhada com uma história local. Se for cedência, é sem exemplo.
Em Urros existia um santo que às tantas desapareceu. «Está a ser restaurado» – disse pessoa culta. «Roubaram-no» – argumentou parte dos habitantes. E o santo de Urros iria provocar correrias discussões azedas, desconfianças, idas à vila, alguma punhada à mistura. Não houve outro jeito senão trazê-lo depressa.
Quando o santo voltou, uns reconheceram-no, outros levantaram a hipótese de ter sido perpetrada uma sinistra operação de troca. Digamos que em 1974 o santo de Urros já não desperta estes arrepios. Mesmo assim um aldeão mantinha-se ainda há pouco tempo na sua:
«O outro santo olhava para a gente, que eu bem no via, este não: é mais senudo!» (arsudo).

In TORRE DE MONCORVO

Março de 1974 a 2009
De Fernando Assis Pacheco ,Leonel Brito, Rogério Rodrigues
Edição da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo

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quinta-feira, 3 de março de 2016

PATRIMÓNIO IMATERIAL DO DOURO (2011)

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terça-feira, 1 de março de 2016

MAÇORES - Episódios burlescos (I)

Casa Grande
Episódios burlescos ocorridos em Maçores no terceiro quartel do século XX (In "Maçores Minha Terra Minha Gente" de Ilda Fernandes)
Antigamente, como é sabido, as populações das aldeias do concelho de Torre de Moncorvo em redor de Maçores tinham características próprias que as distinguia umas das outras, principalmente no sotaque.
Os da Açoreira e Maçores eram pessoas de grande credulidade; os de Felgueiras, rudes, comparavam tudo à terra, à natureza; os de Urros, mais desordeiros, andavam muitas vezes à pancada, os do Peredo sempre serenos e educados.
Na fala cada uma tinha o seu sotaque difícil de deixar mesmo que fossem estudar ou emigrassem para outras terras.
Vamos aqui recordar algumas vivências da nossa infância e juventude ligadas a algumas destas aldeias que retractam bem algumas formas de vida da época. Parte foi-nos contada pelo nosso compadre e amigo de infância Dr. Ramiro Guerra.

Felgueiras
O chicheiro da aldeia era o ti Alberto Chanorro, de Felgueiras, que vendia carne de cabrito, borrego e às vezes marrã. O açougue localizava-se nos fundos da casa do ti António Canastra na Pracinha.
A sua melhor cliente era a Casa Grande onde se dirigia sempre a saber ordens. Este casou e deixou de aparecer durante algum tempo. Quando veio pela primeira vez após a boda a Srª D. Teresinha da Casa Grande perguntou-lhe:

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

TORRE DE MONCORVO - A REVISTA DO CEPIHS

EDITORIAL

CEPIHS – Centro de Estudos e Promoção da Investigação Histórica e Social –, com sede em Torre de Moncorvo, recentemente fundado, pretende incidir a sua actuação nas regiões transmontana e alto-duriense. Este projecto convocou, desde logo, o interesse de conceituados especialistas de diferentes áreas do saber e de outros com responsabilidades culturais. Todos partilham da necessidade de desenvolver o conhecimento destas regiões à luz de uma análise conceptual e crítica do património cultural mas, também, dos processos e das potencialidades que se lhe associam.
Nesta acepção, o Centro de Estudos congrega recursos humanos e materiais, desenvolve parcerias locais e regionais, adopta práticas de trabalho colaborativo. Aos investigadores oferece uma grande variedade de campos temáticos, numa linha multi e interdisciplinar, e a fruição de um acervo acautelado pelos arquivos, museus e bibliotecas, públicos e particulares. O CEPIHS afirma-se, por isso, como um espaço privilegiado de pensar a cultura e os seus territórios, um espaço de referências e de diferenciação, um espaço gerador de dinâmicas e do equacionar de questões. O discurso crítico e argumentador, resultante dos vários e válidos contributos, traduzir-se-á, necessariamente, num amplo e rico leque de explicações e de representações.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

ROGÉRIO RODRIGUES - VISITA AO HORÁCIO ESPALHA

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In LIVRO DE VISITAS, de Rogério Rodrigues.
Edição de autor,1972
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

TORRE DE MONCORVO - A CASA DA PARREIRA I (URROS)

DR. ANTÓNIO MARCELINO DURÃO, JUÍZ DE 1ª VARA
O GRANDE PEDADOGO!
…….e quando um dia, lhe entra pela cozinha, de porta sempre aberta, ou semicerrada, de chave no buraquinho, franqueada a entrada ,ao ouvir-se , entre quem é, segundo as regras da boa vizinhança na aldeia, a pequena Isabel, desbocada de fome e de amor, correndo atrás do cheiro a protecção e amparo, bem apaladado na carne enxuta e saborosa de uma perdiz a ferver na panela do fogão, que por direito e devoção se destinava à boca apaziguadora das causas justas mas de gosto apurado do juiz, e se deleita no instinto de satisfazer um prazer raro, ainda que imediato, o de matar a fome, que no seu desespero não atende a regras nem a etiquetas e no gesto mais espontâneo, que não aceita códigos ou atitudes, ergue a ave já sem vida, para, sem qualquer indício de contenção, a despeito de desenvoltura exagerada, ouvindo, ameaçadoramente, ó laroteira, ladrona! fugiu o mais rápido que as pernas lho permitiam para se deliciar com tão apetecido manjar; e perante a crítica acusatória da criada, o juíz apazigua a sua ira do seguinte modo:” deixa lá a pequena! são crianças! Amanhã manda-a chamar, quero falar com ela. Olha! e dá-lhe de comer, a pobrezinha! Não, não lhe vais dizer nada. Primeiro, dá-lhe amor e carinho, enche-lhe a barriga, conforta-a! Berrar?! Então dás com uma e tiras com a outra? Dai amor às crianças e haverá amor e paz no mundo! lançai boas sementes, e teres boas sementeiras; ela nem sabe que é uma criança .. mas já sabe o que é a fome, a coitadinha!
Grande lição nos deixou o Dr. António Marcelino Durão!
e ainda hoje, em jeito de brincadeira saudável, se diz em situações semelhantes,
isto soube-me à perdiz da panela do juiz!
Tininha, de Urros.

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Era ali a minha casa , por Arinda (Tininha) Andrés

Era ali a minha casa, em frente à do meu tio, um homem alto e magro, que dançava muito bem, como um bailarino, diziam, que tinha passado a sua juventude no Porto, e que guardava muitos livros de Camilo e de Eça, dentro de uma arca, como se estivessem à espera que algo de novo acontecesse; era muito metido em si, gostava de ler e de comentar as notícias, provenientes do jornal, ou da rádio, com o meu pai e com outras pessoas, que o escutavam, sempre muito atentamente. Habitualmente, visitava, aos domingos, a casa do irmão, o meu avô, e com quem, muitas vezes, se punha a confidenciar, coisas que não eram para a minha idade, dizia a minha avó, porque eram coisas da vida; falavam como se estivessem a olhar para tempos muito distantes; e eu achava, sempre, ao vê-los fixar assim pontos vagos, indefinidos, que estariam a recordar o tempo de meninice; a casa tinha um curral, que ia até à rua do saco; algumas paredes davam a impressão de não estarem acabadas; não era uma casa de que eu gostasse muito, sombria, sempre, mesmo em dias de sol a jorrar pelas janelas; estava à espera de uma mudança, que , me parece, essa, nunca aconteceu.
Ao lado, vivia a minha tia, também irmã do meu avô, que andava, o dia todo, sem sair de casa, de um lado para o outro, frenética na obsessão de limpar, escrupulosamente, o que, inevitavelmente, estava sempre religiosamente limpo; nas tábuas do sobrado, anh, podia-se lá comer, diziam as demais pessoas; uma mulher magra e miudinha, com uns olhos muito perspicazes, destes que tudo vêem e adivinham, com uma varandinha em ferro, um pouco mais acima que o meu balcão; ainda não passou o carteiro?, perguntava-me, debruçando-se, ampliando assim a vista sobre a rua; estava sempre à espera de notícias do filho e das netas, de quem ela bebia as palavras, simples, normais e de acordo com a idade, mas que, para ela eram sempre, muito especiais.
Era ali a minha casa
Depois, lá passava o carteiro, metido numa farda, bonita, com botões prateados, a brilhar, na tarde, calma e suave, dos dias da aldeia; com um grande cinto apertado, e um chapéu enterrado na cabeça, trazia, dependurada da mão, uma enorme mala de couro, carregada de cartas, da América, do Brasil, de Lisboa, e de outros lados; algumas pessoas levavam as cartas ao meu avô ou ao meu pai, para que lhas lessem e que lhas escrevessem; começavam quase todas da mesma maneira, e toda a gente achava que assim é que devia ser, quando as coisas estavam bem.
Eu achava que nunca iria escrever assim as minhas cartas.
A. Andrés

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sábado, 13 de fevereiro de 2016

Fernando Assis Pacheco


O jovem Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco, avesso a tudo quanto cheirasse a cânones,  normas ou regras, não quis poesias de ninguém na folha do Livro de Curso que lhe era destinada. ( E tinha razão o poeta Fernando Assis : essas espécies de poesia, que faziam as nossas delícias, eram chochas de todo ). O Fernando era um dos espíritos mais livres que conheci. Aceitou uma caricatura de traços tão simples, que o amigo Lopes acaba por declarar : ”Certifico para os devidos efeitos que este é o Assis Pacheco”.  


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O belíssimo poema com que abriu a “plaquette” (pouco mais do que um folheto) do nosso carro na Queima de 1959,  é do Assis,  já então um poeta maior.  Após muito instado, escreveu as duas estrofes presentes que, nem por nada, quis assinar. Ainda me comovo quando hoje as leio .  Deve ter sido um dos seus primeiros, senão o primeiro poema do Fernando que saiu numa
pequena publicação da Tip. Progresso de Coimbra, em 15-5-1959 - 3.000 exs.   Guardo dois, juntamente com as fotografias e a memória desse dia de júbilo e
glória . 
Júlia Barros
                                                                                

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

TORRE DE MONCORVO - DIREITO DE MENTIR

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in "Direito de Mentir"de João Miguel Fernandes Jorge

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domingo, 7 de fevereiro de 2016

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016