quinta-feira, 16 de abril de 2015

TORRE DE MONCORVO - FLAVIANO DE SOUSA

Ficou a administração entregue a Flaviano de Sousa, um grande empreiteiro de obras públicas do tempo da monarquia, construtor do primeiro troço da linha de comboio do Pocinho para Moncorvo, proprietário do solar dos Pimentéis, junto à igreja matriz. ..


…Regressemos à crise alimentar do concelho e à situação social explosiva. Para manter a ordem e a autoridade, o administrador precisava tomar medidas urgentes e enérgicas. A primeira foi, de acordo com a câmara, destacar o fiscal Abel Augusto Roque para a estação do comboio para fiscalizar as remessas de centeio, trigo e batata que por ali transitassem, apreendendo todas as que não fossem acompanhadas de guia passada pelo administrador do concelho.
Registadas ficaram algumas das apreensões feitas por aquele fiscal, nomeadamente 2 sacos de batatas despachados para o Porto, 3 sacos de pão cozido e… em 25 de Outubro de 1916, foram….

Flaviano de Sousa era casado com Rosa Fortunata Meneses e, por isso, cunhado de Adelino Augusto Meneses. Os dois eram sócios numa empresa de construção civil, a maior da região. Separaram-se e cortaram relações em 1906, quando Adelino Meneses se considerou ultrapassado, julgando (com razão ou sem ela) que o outro se preparava para arrematar só para si a obra da linha do comboio, entre Pocinho e Torre de Moncorvo. Talvez por isso mesmo, também na política seguiram caminhos diversos depois do 5 de Outubro. Flaviano virou democrático e Adelino Meneses continuou monárquico.

Excerto do livro HISTÓRIA POLÍTICA DE TORRE DE MONCORVO 1890 – 1926 , de António Júlio Andrade

Âncora Editora ( com o apoio da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo)
Nota: à venda em Moncorvo e nas principais livrarias do país.

Reedição de posta desde o início do blogue

9 comentários:

  1. O doutor Horácio de Sousa tem um jardim com o seu nome em Moncorvo.Foi ele que o mandou fazer,mudaram-lhe o nome na euforia amnésica pós 25 de abril.Em boa hora esta câmara emendou esse erro e, hoje,voltou a ter o seu nome.Era o doutor Horácio de Sousa ,que residia no solar dos Pimenteis, filho de Flaviano de Sousa?

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  2. "apreensões feitas por aquele fiscal, nomeadamente 2 sacos de batatas"
    Isto é fome.Moncorvo durante a primeira grande guerra.E assim nos vamos conhecendo... obrigado senhor António Júlio

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  3. Um empresário de Moncorvo a construir uma linha de caminho de ferro!... Se fosse hoje? Onde haveria uma empresa de tal dimensão? Em Trás-os.Montes, certamente que não... Talvez só em Espanha!...

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  4. Rui Rendeiro Sousa: Coisa de 12,24 km, orçada em 166:322$000 reis... :)

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  5. E não tem uma rua com o seu nome.A antiga rua do Cabo, ainda tem o nome de um ministro de Salazar, que era natural do Algarve (DUARTE PACHECO!!!).Para um ministro do Salazar davam ao Aguedo de Oliveira, que era natural de Torre de Moncorvo e era dono da primeira casa da rua.E amava a sua terra...

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  6. E porque não o nome do chefe de gabinete desse ministro algarvio, que era de Moncorvo? E porque não havemos de procurar saber das razões que levaram os nossos "pais" a dar o nome do ministro algarvio à avenida? Talvez eles tyivessem razões para isso!!! Possivelmente se não fosse o ministro algarvio, o cine-teatro e a avenida e o jardim não teriam sido construídos naquele tempo. Ou teriam?... Penso que nunca é boa ideia desfazer o que outros fizeram, sem haver razões ponderosas e ponderadas. Júlio Andrade.

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  7. Duarte Pacheco (Loulé, 19 de Abril de 1899 — Setúbal, 16 de Novembro de 1943) foi um engenheiro e estadista português.O jardim e o cine-teatro não foram construidos nos inicios dos anos 50?Quem esteve nos bastidores destas obras ?qual a ligação do antigo ministro com Moncorvo?Era bom saber com rigor estes factos para acabar com bairrismos que não nos levam a lado nenhum.Creio que o senhor Júlio Andrade tem razão,mas são necessarios mais detalhes.É a história da vila que se vai reescrevendo...

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  8. Que bonito que ele era!laço,flor na lapela e bigode revirado,quem julgar que era um janota está enganado.Era o maior empreiteiro do norte.Quando voltar a olhar para um construtor, vou sempre comparar com o nosso Flaviano.

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  9. A construção da rua,do teatro e do jardim... prolongaram-se... mas tudo começou ao início da década de 30 com a criação da associação de Iniciativa e Turismo, que preomoveu a constituição da Estância Turística de Moncorvo, uma das primeiras do País, juntamente com a de Sintra e do Buçaco... E se em Moncorvo havia homens com iniciativa, também os havia na diáspora de Lisboa, Porto, etc... De concreto posso afiançar que o engº António Eugénio Carvalho e Sá (o tal que trabalhou no gabinete do ministro algarvio) e o dr. Balbino Rego terão sido dos que mais trabalharam nos bastidores de Lisboa e Porto para a elaboração dos projectos, obtenção de financiamento e execução das obras em causa. A propósito posso contar um episódio interessante sobre esse ministro que em determinada altura passou por Moncorvo, chegando ao entardecer. E querendo-lhe fazer uma recepção solene na câmara, ele respondeu: - Sr. Presidente da Câmara.Vamos antes sentar-nos aqui num destes bancos (da Praça) e eu aprovo-lhe já o projecto e assino-lhe o cheque para a construção do Tribunal. Sabe, eu tenho ainda muito que fazer em Foscôa e não posso perder tempo em festas. Esta história foi-me contada pelo dr. Urbano Adelardo Diogo e na altura o seu pai (o sr Acacinho - como em Felgueiras se dizia) era vice-presidente da câmara e o Presidente era o dr. Andrês. Júlio Andrade

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