quinta-feira, 1 de outubro de 2015

RETRATOS DA MINHA INFÂNCIA, por Arinda Andrés

Ó amendoeiras floridas,
amendoais de riqueza!
alegria das raparigas,
cheias de encanto e beleza.

Vou pintar a minha terra!
da cor das amendoeiras;
começo aqui pela serra,
desço mesmo às ladeiras.

Vou pintá-las de branco,
em flor, imaculado;
de rosa é o manto,
de amor e de cuidado.

Cuidado na ventania,
ou até na chuva grossa,
caem pétalas de alegria,
ficam os sonhos de rosa.

Há perfume pelos campos,
cheira a rosas e a jasmim,
abelhinhas, em doces bandos,
deixam-me saudades sem fim!



Vou pintar as amendoeiras,
de trabalho e de ilusão
pinto de verde as ladeiras
cachuchos do meu coração.

São verdes e saborosos
de casca tenra e macia
de cachuchos tenros, viçosos
de leite ,pinto grãos de alegria!!

Vem o sol, traz-lhes mimos,
vê-los crescer é um regalo,
de pele de leite finos,
pinto amêndoas de estalo!

Pintei assim as ladeiras
verdes cachuchos a sorrir,
do poio às ladeiras
pinto amêndoas a florir!

Já duras e bem sequinhas,
do verde manto despidas.
Em ouro se tornaram,
até há amêndoas paridas!

e pinto com esta tinta
de cantigas, as mulheres
vestem-se de blusas de chita,
vermelhas aos malmequeres.

E trazem saias rodadas,
as belas apanhadeiras!
e andam assim dobradas,
alegres e galhofeiras!

e falam da sua vida
e da minha ou da tua
os homens de vara fina
varejam amêndoa dura.

Depois em sacos de estopa,
feitos em belo tear,
seguem arrobas de amêndoa,
p´ra casa, bestas carregar.

E é uma animação,
sempre, sempre a reinar!
cozinha, quarto, sala ou salão,
na rua, em toldes, a secar!.

e em pás de fina madeira,
toca, toca a revirar
de casassós à ladeira,
meus sonhos hei-de pintar!

Pinto cestos de verga
até bacias de lata
amêndoa depois de seca,
é uma quebra bem farta

e agora vamos lá todas
de Urros, ó mocidade!
cantar ao desafio,
partir grão, à vontade!


E agora sentem-se aqui,
tomem lá o malhadouro!
o grão é p´ro cestinho
alqueire cheio é dinheiro.


Há presunto e queijo da talha,
postas de linho, é alva a toalha,
pão, bolas, salpicão e vinho,
há barulho! ide lá ver quem ralha.

Malhadouro malhadeiro
em açafates de verga,
o Petromax é luzeiro,
dá luz que bem se enxerga

Ó mocidade de Urros, que fizestes
da vossa fartura e riqueza?
ver os montes assim tristes
não vos dá dor de cabeça?!


RETRATOS DA MINHA INFÂNCIA.
tininha, de urros, outrora um vila!
( …que teve foral antes de Moncorvo.)

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10 comentários:

  1. Hoje,
    apenas sei e quero dizer, ao criador deste blogue, a todos vós, meus amigos,

    Obrigada

    Tininha

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  2. Olá Tininha.
    Os teus versos engraçados,
    escritos com devoção.
    falam da nossa terra
    com o sentir do coração.

    Os teus versos engraçados
    referem os seus perfumes,
    as pessoas com trabalhos
    curtem os seus chorumes.

    Os teus versos engraçados
    retratam a nossa Aldeia
    amor e trabalho abraçados,
    que bela a tua ideia.

    Os teus versos engraçados
    Com amor, sem zaragata
    Os vizinhos bem humurados
    são de ouro e de prata.

    Os teus versos engraçados
    são a grande riqueza,
    de Urrenses bem educados
    fica com essa certeza.

    Minha amiga Tininha,
    assim eu escrevi,
    continua a escrever,
    a escrita não tem fim.

    Gostei muito do conteudo dos teus versos.
    Um abraço
    Manuel Sengo

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  3. Desta vez em verso, de novo o amor pela sua aldeia,o conhecimento dos trabalhos do campo,o carinho pelas gentes que nele labutam.Os seus retratos de infância são uma verdadeira riqueza,Tininha.A "mocidade"d'agora tem muito a aprender consigo.E nós,os mais velhos,muito para recordar.Obrigada pelo que nos traz aqui.
    Faço meus os versos também "engraçados" do seu amigo Manuel Sengo.
    Bjs.

    Uma moncorvense

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  4. Olá Tininha!
    Os teus versos engraçados
    Tocaram-me o coração
    São memórias,são retratos
    Que leio com emoção

    Os teus versos pequeninos
    Das amendoeiras em flor
    Fazem-me lembrar miminhos
    Que abraço com amor

    São versinhos ternurentos
    Das gentes da nossa aldeia
    Que em dias de chuva e ventos
    Não me saiem da ideia...

    Vamo lá minha menina
    A pegar no malhadoiro
    Para no fim da partida
    Comprar uns brincos em oiro

    Estas quadras com desleixo
    Têm cariz popular
    Mais pareço o Aleixo
    São versinhos de encantar..

    Continua a escrever
    Essas histórias sem fim
    Talvez um dia te lembres
    De me escrever uma a mim

    Por ora vou terminar
    Tal é a minha emoção
    Envio não um beijinho
    Mas um grande xi-coração

    Gostei muito!

    Da tua amiga de sempre

    Ireninha

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  5. Eu já ando por aqui um pouco perdida...
    Obrigada a todos, pela vossa graça, pelos vossos comentárias, pela vossa amizade.
    Continuem a mimar-nos com estas delícias, bem engraçadas!
    Amanhã cá estou de novo.
    Manuel, vai ver a banda de Urros, 1940.Aguardo os vossos comentários, amigos, eloquentes e muito valiosos.
    Com tantas graças, fiquei muito agradada!A vida tem destas coisas boas!
    Com muita amizade, abraços para todos
    Tininha

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  6. Lá venho eu, novamente atrasada, mas muito feliz por saudar o regresso da Tininha, para mais em verso !
    Isto é já uma belíssima "cadeia de Amizade".

    Abraços
    Júlia

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  7. Olá Julinha!
    Fico feliz por ver que também vem assinar este "manifesto" de amizade.Mas este blogue, antes de mais, é isso mesmo;ou não é assim?
    Eu estou sempre aqui, firme, de pedra e cal.
    Abraços,
    Tininha

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  8. Olá meus amigos blogueiros!
    Olá minha gente!
    Estou em Urros! É verdade!
    E estar em Urros, nesta altura do ano, é muito agradável.
    O Sol ainda é quente, brilhante! E a sombra, ainda mede a altura dos balcões com a mesma coragem e esperança de outros tempos! As tardes são amenas, sossegadas, a lembrar-nos a paz da Páscoa, o tempo da Páscoa! Vamos lá, minha gente, meus amigos, vamos recordar esses tempos!
    Com amizade, para todos,
    Tininha

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  9. Ai este comentário!...Acabei agora e...manda-me repetir.Agora a culpa não é do meu computador, nem da Net em Urros...Bem, estava eu a dizer-vos que estou em Urros; e que, com este tempo, tudo nos faz pensar na esPáscoa, aqui na aldeia.Vamos lá recordar esses costum
    Com muita amizade, para todos,
    Tininha

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  10. Obrigada por nos terem presenteado com estes eloquentes/expressivos versos. Adorei,mais uma vez contribuiram para relembrar as fainas agricolas e sasonais que proporcionavam alegria e riqueza a todas as gentes de Urros, vamos lá plantar amendoeiras...eu já plantei algumas neste outono seco!Temos que investir sem pensar no retorno, senão os montes ficam tristes, como nós quando não vamos a Urros!lendo estes versos...até dá vontade de rimar...continuem TODOS "a rimar ao desfio" é saudável e liberta o espirito. Parabéns bjis letinha

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