terça-feira, 13 de outubro de 2015

Sobreiro, Árvore Nacional de Portugal


Um ramo de sobreiro e outro de oliveira no
 brasão da Câmara Municipal de Moncorvo.

A Assembleia da República aprovou, por unanimidade, a consagração do sobreiro Quercus suber como símbolo nacional, a par da bandeira e do hino “A Portuguesa”. Já anteriormente a importância do sobreiro para Portugal havia justificado a sua escolha para cunhagem da moeda comemorativa da presidência portuguesa do conselho da União Europeia, em 2007. O Quercus suber L., sobreiro, sobro, sobreira, sovereiro, sôvero ou chaparro, é uma árvore de presença opulenta, com porte médio entre 10 a 15 m de altura, de copa ampla e pouco densa.


 Tronco encorpado e ramificado em grossas pernadas, sólidas e retorcidas, protegido pelo súber espesso e gretado, de tom acinzentado, mas liso e amarelado ou avermelhado nos tronco descortiçados.Conhecida como “árvore de plena luz”, aprecia a humidade do ar e dos solos que não sejam calcários, relativamente profundos e férteis. Suporta mal as geadas, mas tolera bem os climas com períodos estivais secos e pluviosidade baixa, típicos do sul de Portugal. Não se encontra acima dos 500 m de altitude. Vive cerca de 300 anos. Espécie comum na região mediterrânea, o sobreiro é espontâneo em Portugal, nas planícies e encostas pouco elevadas. Joaquim Vieira Natividade localiza-o “no Norte, no solar do castanheiro, do roble e do carvalho-negral; junto ao litoral, do Tejo ao Minho, luta sem proveito nem glória com o pinheiro-bravo; associa-se ao carvalho-português na Estremadura, à azinheira e ao pinheiro-manso no Alentejo e vegeta a par da alfarrobeira nas quentes serras algarvias.” (in Subericultura, 1950, p. 37). O sobreiro predomina a sul do rio Tejo, não somente pelo facto de aí os solos se apresentarem arenosos e descalcificados, mas sobretudo devido à intervenção humana (política agrícola).“Que sse nom faça danos nos soueraes...”, declarou El-Rei D. Dinis, na Carta de 13 de Julho de 1310. Ainda hoje, o sobreiro goza de protecção legal em Portugal, reconhecendo-se nos “montados de sobro” alguns dos biótopos importantes em termos de conservação da natureza. Ecologicamente, os sobreiros desempenham uma importante função na conservação do solo, na regularização do ciclo hidrológico e na qualidade da água.
A técnica suberícola, esboçada nos meados do século XVIII, generaliza-se em Portugal até ao final do séc. XIX. Baseada nos desbastes selectivos e baixa densidade do arvoredo, permite o aproveitamento máximo da capacidade produtiva da árvore e do solo. Os "montados de sobro" encontram-se, deste modo, associados a usos múltiplos que incluem a exploração suberícola, cerealífera e criação de gado. Do sobreiro retira-se, para além da cortiça, da qual Portugal é o maior produtor mundial, também a bolota que alimenta o gado suíno, a lenha que aquece os lares no inverno, e o carvão para exploração comercial. Do entrecasco dos ramos com cortiça virgem do arvoredo que se abate nos desbastes, extraem-se os taninos.

Fonte:http://portal.icnb.pt/ICNPortal/vPT2007/O+ICNB/Centro+de+Documentacao/Noticias+-+Lista/Detalhe+Noticia/sobreiro.htm?res=1366x768

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4 comentários:

  1. Tantas vezes olhei para aquela fachada e nunca tinha reparado na arte que o canteiro teve na enxertia das pedras. Nota-se perfeitamente as novas pedras em relação às envolventes.
    Talvez no seu lugar existisse o brasão dos Távoras. Não sei. Quem sabe?

    F. Garcia

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  2. Olá, amigo Dr. F. Garcia. Aquela pedra foi insculpida na região do Porto e transportada de barco pelo rio Douro até Foz do Tua. Dali veio em carro de bois de um lavrador de Carrazeda de Ansiães. E a pedra foi ali metida na altura da construção da casa, não existindo antes qualquer outro brasão J. Andrade.

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    1. Pela diferente cor/grão do granito parece ser um enxerto.
      A explicação está nos diferentes granitos utilizados.
      Quem sabe, sabe!
      Obrigado
      F. Garcia

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  3. Acerca da declaração do sobreiro como árvore nacional apetece-me dizer: - Estranha medida! Estranha legislação que há em redor desta árvore! Imagine-se que esta árvore que leva décadas e décadas a crescer e é de tal interesse, não tem qualquer medida de apoio. Ao contrário para uma árvore que se faz em meia dúzia de anos e logo morre (a amendoeira, por exemplo)há subsídios de toda a ordem. Mas o pior é que ao legislar assim sobre o sobreiro, os "donos" deste País estão a matar a árvore nacional. Imaginem que eu para poder cuidar dos sobreiros que tenho (e muito estimo) preciso de os podar e limpar. Mas para cortar um simples ramo, eu preciso de me deslocar não sei a que serviço do Ministério da Agricultura e obter não sei que licença e... será que ainda tenho de pagar?! Assim sendo, é mais simples deixar de cuidar deles e condená-los a uma morte prematura...Aliás, neste como em outros aspectos, devo dizer que os nossos "legisladores agrìcolas" parece-me que foram mais longe do que os próprios regimes totalitários soviéticos. Sim, que, legalmente, eu nem posso plantar uma simples oliveira sem ordem do Ministério!...Creio bem que foram leis desta natureza que mataram a nossa agricultura e estão matando as nossas paisagens na medida em que vão deixando de ser cuidadas pelos proprietários!... J. Andrade

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