terça-feira, 8 de novembro de 2016

Poço da Lamela - O Jornal de Maçores (I),por Ilda Fernandes

Era considerado a gazeta da terra, ali se discutiam todos os assuntos, se enterravam os vivos e se desenterravam os mortos.
Poço da Lamela
Era normal as mulheres irem semanalmente ao poço da lamela ou tanque público lavar a roupa, além desta função ficavam também informadas dos acontecimentos mais marcantes ocorridos no presente e passado.
Enquanto lavavam e com nomes não reais surgiam novidades do género:
A ti Caetana anda prenhada embaraçada e vai parir pelo S. João.
A Marina tirou toda a roupa do corpo para a lavar e ficou somente em combinação. Enquanto merendava debaixo da faia veio uma abelha e picou-a num beiço da chocha. Começou a inchar e a pobre criatura cheia de dores mal podia andar.
A Ti Ana do Burro mais o seu cãozito apareceram mortos de manhã porque foram apanhar sanchas aos pinhais do Vale dos Cerejais para a ceia e com certeza veio no meio delas algum míscaro venenoso.
O Ti Antóino mais o Ti Chico andaram à porrada com uma sachola, porque um andava a regar a horta com a água do ribeiro e o outro virou-lha sem lhe dizer nada.
A Ti Constantina foi a Ligares a levar a porca ao borrão. Ela ia atrás a enxotar o animal com uma giesta e o garoto dela ia à frente com um bacia de grão a chamá-la.

Nota de editor:sobre Ilda Fernandes,

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