quarta-feira, 27 de julho de 2016

Itinerários das vias Romanas em Portugal - Moncorvo




Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Torre de Moncorvo (Civitas BANIENSIS) - rio Douro (Durius)





Civitas BANIENSIS
Hipotética via romana que partindo de Aquae Flaviae seguia na direcção da civitas Baniensis que poderá corresponder ao Povoado do Baldoeiro junto à foz da ribeira da Vilariça no rio Sabor pois nesse antigo castro apareceu uma ara dedicada a Júpiter onde se lê «CIVITATI BANIENSIV» nas ruínas da Capela de S. Mamede que terá origem num Templo Romano. O percurso apresentado é meramente hipotético desviando da Via XVII entre Chaves e Astorga em Valpaços, seguindo na direcção do Vale da Vilariça. O percurso depende do ponto onde se fazia a travessia do rio Tua que ao contrário de hoje não seria em Mirandela, mas mais a sul, talvez na Ribeirinha ou mesmo em Abreiro junto do Castelo ou Poço dos Mouros. O Vale da Vilariça está coberto de vestígios romanos que se estendem até à Foz do Sabor no rio Douro. Muito deste património vai desaparecer em breve com a construção da barragem do rio Sabor e provavelmente nunca se irá perceber a total dimensão arqueológica desta região tão especial.



Chaves (AQUAE FLAVIAE) (segue a Via XVII até Valpaços)
Valpaços
Rio Torto (provável mutatio no Alto de S. Pedrinho)
Travessia do rio Torto (por Póvoa e Pai Torto)
Suçães?, Mirandela (casal em Sainça)
Marmelos

Onde seria a travessia do rio Tua?
A via deveria seguir para Vila Flor, mas o percurso está por desvendar.


  • Em Mirandela.
  • Entre Longra (Cabeço do Moinho) e Ribeirinha subindo a Vila Flor pela villa de Olival de Rei, Qta. da Peça e Vilas Boas.
  • Entre Vila Verde e Vilarinho das Azenhas.
  • Em Abreiro (ponte em ruínas com possível origem romana; passando em Lamas de Orelhão e Avidagos).

Vila Flor (ver a magnífica Fonte Romana; habitat na Qta. dos Castelares)
Nabo (talvez pelos vestígios da Tapada de Santa Cruz, Godeiros, Mte. Couquinho e Pala do Conde, ao longo da ribeira de Cavalos)
Horta da Vilariça (Estela funeraria de Tongeta no Museu do Ferro em Moncorvo, ver FE75 )
Travessia da ribeira da Vilariça (talvez junto à Qta. de Carrascal; mai a sul, próximo, junto da ribeira dos Cavalos, fica a importante Villa ou Vicus da Qta. de Vila Maior, em Cabanas de Baixo, onde pareceu uma ara dedicada a Júpiter pelos Vicani ILEX[---])

Povoado do Baldoeiro (civitas BANIENSIS), Adeganha, Torre de Moncorvo
(capital do povo Baniense perto da confluência da ribeira da Vilariça com o rio Sabor; a localização da civitas continua incerta, podendo corresponder aos vestígios encontrados mais a norte no sítio do Chão da Capela; habitat na Qta. da Terrincha e povoado no Cabeço de Alfarela)




Astorga (ARTURICA) - Torre de Moncorvo (Civitas BANIENSIS) - Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)




Percurso de uma antiga estrada citada num documento afonsino de 1172 como "Carril Mourisco", mas que terá origem romana atendendo a alguns vestígios ao longo do seu percurso, apesar da ausência de miliários. A via atravessa o planalto mirandês entre os rios Sabor e Douro em direcção a Torre de Moncorvo e às travessias do rio Douro no Pocinho (acedendo por Vila Nova de Foz Côa às civitates de Marialva e de Freixo de Numão) e em Barca Dalva (acedendo à Civitas Cobelcorum em Figueira de Castelo Rodrigo). É provável que esta via fosse uma derivação da via que passa em San Vitero onde se achou um miliário a Trajano. Esta via permitia ligar o planalto mirandês e as suas importantes explorações mineiras às vias principais da Hispânia, quer rumando a norte até ao nó rodoviário do conventus de Astorga (seguindo em parte pela VIA XVII) quer rumando para leste em direcção a Palência (Pallantia) cruzando em Medina de Rioseco, com a "Via de la Plata", o grande eixo viário entre Astorga e Sevilha. Esta via que está marcada na carta militar 67, servia os povoados romanos do planalto mirandês, como o de Malhadas, Duas Igrejas, Palaçoulo e Picote, sobranceiro ao rio Douro.


Astorga (ARTURICA) (seguiria a Via XVII até Figueruela de Arriba, continuando para sul)

San Vitero (miliário a Trajano)


Alcañices

Cedea, Fonfria, Zamora
Cicouro, Miranda do Douro (calçada entra em Portugal pela Cruz de Canda/Cândena, fronteira luso-espanhola, e segue por Eiras da Cruz e Malhadona)
Constantim (calçada segue a poente por Cabeço dos Brunhos, cruza Fontes e segue pouco depois à esquerda por Pito junto ao Alto da Carneira)
Póvoa (a via passa entre Especiosa e Póvoa por Veneita, segue à esquerda para Penhas do Gordo, passa junto da Capela de Sra. do Picão e desce a Chãos)
Malhadas (a via passa entre Genízio e Malhadas por Chãos, seguindo sempre à esquerda pelo Alto das Lombardas, atravessa a EN218 na Cruz das Lombardas, passa na Lagoas Grande e Pequena, Alto da Zebra, continua até à Cruz de Martins Fernandes onde toma o caminho a poente do Alto do Serro; o vicus romano seria no sítio de Trás da Torre dentro de Malhadas; ver lápides romanas na Igreja de Ns. da Expectação)
Duas Igrejas (ara funerária; do Serro continua para Chanas, onde segue à esquerda para Cula, junto da Qta. da Fontelatassa, Rodelas, Cabeço da Matança, Fonte dos Campos até Reboleira; este troço é também a fronteira concelhia com Vimioso)
Fonte de Aldeia, Duas Igrejas (a via continua pelo Alto de Sta. Catarina até ao apeadeiro e passa a acompanhar a linha férrea; um desvio deveria dar acesso ao povoado de Picote, situado na encosta do castro e necrópole do Santo Cristo dos Carrascos em Castelar) (Lemos, 1995)
Prado Gatão (continua junto à linha férrea passando em Prado)
Sendim Gare, Sendim (passa no estação e no Alto da Alubreira, confluindo na EN221; povoado em Trampas Carreiras)
Urrós Gare, Urrós (1 km após a estação CF, sai da EN221 à direita e segue para a linha férrea)
Brunhozinho (a via alinha-se outra vez com a linha férrea, passando em Penas de Areia/Monte de S. Miguel onde ruma para SO, entre as ribeiras do Campeal e de Vale Cabreiro até entroncar novamente na EN221; possível acesso ao povoado do Castelo de Oleiros em Bemposta sobranceiro ao rio Douro)

A partir daqui os vestígios sugerem uma divisão da via em dois ramos, seguindo um em direcção à Civitas BANIENSIS no povoado do Baldoeiro em Torre de Moncorvo e outro ramo seguia em direcção às travessias do rio Douro no Pocinho e em Barca de Alva, ligando a Marialva e Almofala respectivamente. Ver aqui ligação a Marialva

Ligação ao Povoado do Baldoeiro (Civitas BANIENSIS) em Adeganha (Torre de Moncorvo):
Variz, Mogadouro (segue aprox. a EN221 pela vertente sul da Serra de Variz; Villa da Fonte do Sapo em Penas Roias)
Santiago (no Carreirão segue à esquerda acompanhando a linha férrea até)
Vilar de Rei (calçada soterrada)
Vale de Porco (segue para a Capela da Sra. da Encarnação em Freixeda)
Castelo Branco (a noroeste fica o povoado da Sra. das Vilas Velhas; poderia seguir pelo cemitério, Ponte do castelo, no sopé do povoado do Castelo de Catendeixos, Qta. das Quebradas, Calhinha)


  • É provável que daqui partisse uma ligação ao rio Sabor por Meirinhos, atendendo aos vestígios encontrados na Qta. de Crestelos na margem do rio e ao topónimo St. Antão da Barca.
  • Também deveria existir uma ligação a Saldanha, onde há vestígios de povoamento romano com diversas inscrições funerárias e uma inscrição votiva a Júpiter por Domitius Peregrinus, um veterano da Legião VII Gémina.
Estevais (calçada de Nogueira; entronca no CM1195 na Capela da Sra. da Alegria, junto ao povoado mineiro da Qta. da Serzeda e depois segue até à EN220)
Carviçais (Castro da Cidadonha; Árula a Júpiter achada a 3 km de Carviçais na direcçao de Martim Tirado, entre o ribeiro da Trapa e o do Cananor)
Souto da Velha (calçada; junto das minas de ferro da Serra do Reboredo)
Felgar (povoado do Castelinho; minas no Cabeço da Mua)

  • É provável que daqui partisse uma ligação ao rio Sabor , atendendo aos vestígios de uma via na Eira de Santiago que rumaria à travessia do rio junto à Azenha do Poço da Barca, dando acesso na outra margem à Villa na Qta. de Cilhades, onde se achou uma inscrição dedicada a Denso, com possível ligação ao Povoado do Baldoeiro apesar do acidentado do terreno.
Carvalhal (provém daqui a inscrição sepulcral da Igreja de Paroquial de Felgueiras)
Torre de Moncorvo (?)
Travessia do Rio Sabor junto à foz da ribeira da Vilariça (onde entronca no itinerário proveniente de Chaves)
Povoado do Baldoeiro (civitas BANIENSIS), Adeganha (é provável que daqui partisse uma via para norte que passava junto do Castro de Ns. dos Anúncios em Vilarelhos, Alfândega da Fé)

Ligação a Freixo de Espada à Cinta, Barca Dalva e daqui a Almofala (Civitas COBELCORUM):
Vila de Ala (Casarelhos)
Vila de Sinos, Vilarinho dos Galegos (povoado na Igreja; lápide com referência viária: TALA / VIAE; povoado em Algosinho)
Bruçó
Lagoaça (Vale Travesso)
Fornos
Povoado de São Cristovão (cruzamento da Lomba do Carvalhão, EN220 com a EN221; por calçada em terra para SE)
Mazouco? (povoado do Picão de Santa Ana/Raposa sobranceiro ao Douro)
Ponte Romano?-Medieval do Carril, Freixo de Espada à Cinta sobre o ribeira de Moinhos (1 arco; a N da povoação)
Freixo de Espada à Cinta (vicus no Monte de Sta. Luzia; espólio na C. M.; importante villa na Qta. de S. Caetano; existe "notícia de um miliário enterrado junto a uma fonte", mas ainda não confirmada) 
Poiares, Freixo de Espada à Cinta (continua para poente passando junto Castro de São Paulo, onde inicia a descida ao Douro pela Calçada de Alpajaresaté à confluência da ribeira da Brita com a ribeira do Mosteiro que atravessava para a margem direita, hoje tem um pontão moderno, rumando depois para o povoado de Alva junto ao rio Douro seguindo pela margem direita deste)
Travessia do rio Douro em Barca Dalva (entre a Qta. da Barca e a Qta. da Pedriça; inscrição funerária na frontaria da Capela de St. Cristo, mas que será proveniente de Almendra, regista um Cobelcus, ou seja, um natural da Civitas Cobelcorum em Torre de Almofala; a via deveria seguir o traçado da actual EN221, passando não longe da villa de Vale Tedão e na Calçada de Gamão ao km 120)
Escalhão (segue por Castelo; possível ligação a Figueira de Castelo Rodrigo pela EN221, atravessando o rio Aguiar na Ponte Velha de Escalhão, a 100 m da ponte nova, com calçada em ambas as margens)
Mata de Lobos
Torre de Almofala (Civitas COBELCORUM)

Fonte: http://viasromanas.planetaclix.pt/#chavesmoncorvo

Reedição des posts desde o início do blogue

7 comentários:

  1. ARQUEÓLOGO PIONEIRO
    PINHEIRO, José Henriques
    nasceu em 20 02 1835, em Torre de Moncorvo. Formou se na Escola Médica do Porto. Foi administrador de uma Saboaria instalada em Moncorvo, no antigo Convento de S. Francisco. Chegou a abastecer todo o Norte do país. Posteriormente fixou se em Guimarães, leccionando no Instituto e criando uma grande fábrica de sabão que viria a causar o encerramento daquela que fundara em Moncorvo. Em 1870 foi nomeado professor do liceu de Bragança. Dedicou se àarqueologia e foi membro activo da Sociedade Martins Sarmento. Elaborou diversos artigos sobre a presença romana, nomeadamente sobre achados ao longo da via que ligava BRAGA a ASTORGA. É tido como arqueólogo pioneiro no distrito de Bragança. O seu nome ficou ligado, em Moncorvo, à estação arqueológica de Cillades no concelho de Felgar.

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  2. Grande contributo.Um grande agradecimento ao Luís Branquinho Pinto.Bem-haja,pois há um grande desconhecimento deste tema e os nossos investigadores nada publicaram sobre este tema.
    M.C.

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  3. "Onde seria a travessia do rio Tua?
    A via deveria seguir para Vila Flor, mas o percurso está por desvendar."

    Caro amigo, olhe que não.

    Ela passa cerca de 150 metros a montante da actual ponte do Abreiro em Mirandela.

    Da ponte do Abreiro/Vieiro da EN 314 são visiveis ainda visiveis os contrafortes da ponte.

    O acesso é fácil, porque acima da EN 314 do lado do Abreiro a calçada romana encontra-se em perfeitas condições, e basta subir um pouco da encosta deste a estrada nacional para chegar à calçada e daí chegar à ponte.

    Estive mesmo junto á ponte e até tirei fotos, não sei é onde andam, caso contrário enviava-lhe.

    A calçada romana segue encosta acima e encontra-se me perfeito estado de conservação, só um peuqneo trecho foi destruído aquando da construção da estrada nacional no sec XIX.

    Se tiver google earth conseguirá ver o percuros da calçada romana em direcção ao Abreiro.

    Deixo-lhe as coordenadas:

    41°20'57.49"N

    7°16'39.80"W

    Do lado de Vila Flor, não há vestigios porque a contrução da linha e da estrada nacional sobrepuseram-se á estrada romana e destruiram tudo pelo menos no trecho junto ao Tua.

    Cumprimentos.




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  4. Videira Félix :
    Magnífico. Levo.

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  5. Ana Diogo:
    Tanto para saber e a maldita barragem do rio Sabor vai fazer perder tudo!!

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  6. Realmente , quanto mais se desvenda, mais há para desvendar.

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  7. Caros amigos,

    Sendo eu um dos arqueólogos que se encontra integrado na equipa que trabalha no projeto da barragem do Sabor, gostaria de comunicar que, pese embora a futura albufeira da barragem irá cobrir alguns dos sítios arqueológicos na região, foi feito um estudo verdadeiramente exaustivo (incluíndo prospeções de campo e escavações). O património arqueológico / etnográfico foi bem estudado, os sítios em maior risco foram consolidados e protegidos, e o conhecimento da verdadeira riqueza desta região enriqueceu imenso, com mais de 2000 sítios arqueológicos registados e estudados. Além do mais, os resultados serão publicados e o vasto espólio recolhido entregue às autarquias e museus.

    Os melhores cumprimentos a todos!

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