quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Mestre, soy yo?


De Caminha a Ayamonte, 800 Km de fronteira
Numa povoação pequena, mesmo junto à fronteira com Espanha, a igreja fica cheia para a missa das 10: portugueses, espanhóis, o presidente da junta, etc.
O padre começa o sermão:
- Irmãos estamos hoje aqui reunidos para falar dos Fariseus... Aquele povo desgraçado como esses espanhóis que estão aqui...
Oh ! O maior tumulto tomou conta da igreja.Os espanhóis ofenderam o padre, houve porrada no adro.
O presidente da junta levou as mãos à cabeça e, indignado, foi falar com o padre na sacristia:
- Sr. padre, vá devagar, os espanhóis vêm para este lado, gastam nas lojas, nos restaurantes, trazem euros para Portugal. Não faça mais provocações.
Durante a semana a conversa entre todos era a mesma: o padre e o sermão do domingo.
Aquele zum-zum todo foi fazendo com que as pessoas ficassem curiosas e a querer saber mais sobre o que tinha acontecido.
Finalmente, chega o domingo.
O presidente da junta vai à sacristia e fala com o padre:
- Sr. padre, o senhor lembra-se da nossa conversa ? Por favor, não arranje nenhum problema hoje, ok?

Vem a missa e o padre começa o sermão:
- Irmãos... Estamos aqui reunidos, hoje, para falar de uma pessoa da Bíblia: Maria Madalena. Aquela mulher, prostituta que tentou Jesus, como essas espanholas que estão aqui...
Caldeirada: pancadaria na igreja, partiram velas nos corredores, chapadas, socos e alguns internamentos no hospital mais próximo que por acaso ficava em Espanha.
O presidente da junta foi novamente ter com o padre:
- Sr. padre, eu não lhe disse para ir com mais calma? Se o senhor não amansar, vou escrever uma carta ao Bispo e pedir a sua retirada imediata.
Naquela semana, as conversas sobre o sucedido abundavam mais.
Ninguém iria perder a missa do próximo domingo, nem que a vaca tossisse.
Na manhã de domingo, o presidente da junta entra na sacristia com o graduado da GNR e adverte o padre:
- Sr. padre, não provoque os espanhóis desta vez, senão acuso-o de provocação de tumulto e vai dentro!
A igreja estava abarrotada.
Quase não se conseguia respirar de tanta gente.
Começa o sermão:
- Irmãos... Estamos aqui reunidos hoje, para falar do momento mais importante da vida de Cristo: a Santa Ceia.
(O presidente da junta respirou aliviado...)
- Jesus, naquele momento, disse aos apóstolos: esta noite, um de vocês me trairá. Então João pergunta: Mestre, sou eu?  E Jesus responde: Não, João, não serás tu. Pedro pergunta: Mestre, sou eu? E Cristo responde: Não, Pedro, não serás tu.
Então Judas pergunta: Mestre, soy yo?
A PANCADARIA FOI GERAL…
Nota do editor: texto  enviado por Nacho Figueira de Carvalho de la Raya.


4 comentários:

  1. Este padre tinha uma enorme pedra no sapato contra os espanhóis e as espanholas.
    Nem a "Confraria" de Olivença se teria lembrado desta ... Está com piada, sim senhor.

    Júlia

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  2. São espanhois,são espanholitos
    são caracois,são caracolitos...Num fado da grade Amália.Nunca percebi o que ela queria dizer e se calhar ela também não.
    Desde a padeira de Aljubarrota que tentamos "humilhar" os espanhois.São sempre piadas em sentido inverso à anedota do alentejano.Gozamos com uns e tentamos ofender outros.Eles não nos levam a sério.Os galegos,que são os alentejanos dos castelhanos, dizem :Não faz mal ,ainda resta Portugal.Vi neste blog um texto que atacava o bom queijo da Cardanha porque a queijaria é propriedade de um espanhol.O Padre era da Cardanha?
    Quiçá!
    Hermanito

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  3. està boa..e completa...
    e dai..é um tema , onde se podia fazer um debate.
    nao deixa de ser uma historia engraçada , mesmo assim.
    A mim faz-me lembrar a historia Alentejana onde o compadre diz para a comadre depois de tanto se terem vingado da traição conjugal..e quando ela lhe propunha mais uma vez ,matar a sede à vigança.
    "mas porquê tanto odio? comadre?"

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  4. està boa..e completa...
    e dai..
    é um tema , onde se podia fazer um debate.
    Mas nao deixa de ser uma historia engraçada , bem que caricatural
    Não sei se somos nos , ou eles...os culpados , mas uma coisa é certa em Espanha (ou pelo resto da Europa )sempre encontrei Espanhois simpaticos e amicais.
    A mim faz-me lembrar a historia Alentejana onde o compadre diz para a comadre depois de tanto se terem vingado da traição conjugal..e quando ela lhe propunha mais uma vez ,matar a sede à vigança.
    "mas porquê tanto odio? comadre?"

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