quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Montalegre - Barragem dos Pisões comemora meio século de vida

O meio século da construção da barragem dos Pisões, erguida em 1964 no concelho de Montalegre, foi assinalado com uma festa que reuniu altos quadros da EDP e algumas figuras da região. Ocasião para lembrar a empreitada de excelência realizada na época do Estado Novo e projetar o futuro.
www.cm-montalegre.pt__srceae808f5ddd95cd70570da24df6dd389_par90743e53ae9d384ad9f1089982affc3f_dat1421752914A jornada de celebração dos 50 anos da construção da barragem do Alto Rabagão (Pisões) iniciou com a inauguração de uma exposição na sede do Ecomuseu de Barroso – aberta até 12 de fevereiro – seguindo a comitiva para as instalações da imponente albufeira instalada no concelho de Montalegre. Uma obra classificada como uma das mais notáveis da engenharia nacional. O presidente da Câmara de Montalegre lembra que estamos perante um investimento que foi «planeado e pensado por técnicos nacionais». Orlando Alves afirma: «foi durante muitos anos a maior barragem do país. Só recentemente fomos superados pela barragem do Alqueva e não temos complexo nenhum em ser a segunda porque durante muitos anos fomos a primeira».

A história relata que 15 000 pessoas trabalharam em torno da construção da barragem dos Pisões. Um número gigantesco que impressiona e que serve para avaliar o impacto que este investimento representou para Portugal. O autarca lembra que estamos perante um «potencial hidráulico e energético que a região tem e que foi sabiamente explorado pela EDP». Por via disso, acrescenta Orlando Alves, «esta celebração dos 50 anos faz sentido numa altura em que caminhamos para a independência energética que é um propósito que qualquer país pensa e deve ter». Sem se deter, o presidente do município puxa pela memória para partilhar: «lembro-me da construção da barragem dos Pisões e do impacto social que teve. Era uma pequena cidade, tinha tudo: cinema, igreja, hospital, médicos, diversão e muita animação». Foi, reforça, «um dos momentos mais ricos da vida recreativa e social em todo o território barrosão».
Orlando Alves aproveitou a efeméride para lançar alguns pedidos à EDP: «o reposicionamento da brigada de intervenção que sempre aqui existiu… não faz sentido nenhum retirá-la porque isso atrasa as intervenções, deixando as nossas populações por vezes dias e dias sem eletricidade. Um outro pedido foi refazer-se um ou dois pisões em Montalegre. Trata-se de um equipamento pré-industrial que existia, de TRABALHAR o burel, esse elemento toponímico que deu o nome à terra. Faria todo o sentido a EDP ver a sua dinâmica interventiva ligada à recuperação deste património tão identitário da nossa terra».
 «Mudança demográfica e populacional»
Atento às palavras do presidente da Câmara de Montalegre esteve António Pita de Abreu, presidente da EDP Produção e administrador da EDP Holding. O dirigente começou por contextualizar esta celebração: «nestes últimos três ou quatro anos celebra-se o aniversário de muitas obras deste género, desencadeadas a partir do fim dos anos 40. Esta em particular é muito importante porque, para além de produzir energia, tem um efeito de regularização do sistema elétrico, ajudando a evitar os problemas que resultam da variação do consumo e produção de energia». Ato contínuo, declarou: «foi preciso deslocar para cá muita gente, trabalharam cerca de 15 000 pessoas, durante mais ou menos oito anos. Houve aqui uma grande mudança demográfica e populacional. Houve uma dinamização, um ordenamento do território feito com base na construção destas barragens. O que é hoje o nordeste transmontano resulta muito destas obras. Isto tem uma grande importância económica para o país com os recursos naturais que temos e não compramos, para além da região é importante para o país». António Pita de Abreu afirmou ainda: «interessa celebrar e do ponto de vista interno mostrar aos mais novos a importância do TRABALHO que os antigos foram fazendo. Hoje a EDP tem uma presença mundial que não tinha».
Em relação aos pedidos do presidente da Câmara de Montalegre, o dirigente da EDP respondeu deste modo: «tenderemos a atender as revindicações do senhor presidente da Câmara na medida das possibilidades e ao ritmo que for preciso. Ouvi, tomei nota e interessa-nos garantir a melhor qualidade do serviço para toda a gente. Sabemos que há regiões mais difíceis do que outras e aqui o tempo não ajuda muito por isso exige cuidados especiais. Em relação à contribuição, o governo trabalhou para legislar, em colaboração com as autarquias, um pagamento que os produtores de eletricidade e a EDP fariam e que já começamos a pagar. Há um ponto de equilíbrio que não corresponde à satisfação plena das duas partes. Temos a consciência que prestamos um serviço básico e essencial para as populações e a nossa obrigação é prestá-lo com a melhor qualidade possível ao melhor preço possível».

Redação/CM Montalegre

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