domingo, 29 de setembro de 2013

Academia de Letras de Trás-os-Montes - Relatório 2010-2013

Ernesto Rodrigues e Jorge Nunes(presidente da Câmara de Bragança)
Foto do arquivo do blogue

Os órgãos da Academia de Letras de Trás-os-Montes (ALTM) eleitos em 5 de Outubro de 2010 terminam hoje, 14 de Setembro de 2013, o seu mandato. Propus, e a Direcção aceitou, bem como o Presidente da Assembleia Geral, A. M. Pires Cabral, que as eleições fossem antecipadas em três semanas, por duas razões: evitar o ruído ante e pós-eleitoral, mas, sobretudo, ter ainda em exercício de funções o executivo autárquico que, sem os perigos anunciados por alguns no debate pré-eleitoral de há três anos, neste mesmo espaço, soube ajudar-nos, desobrigando-nos, e nos deixou exprimir longe de uma qualquer respiração assistida. Como prometido em Junho pelo Presidente António Jorge Nunes, na terceira edição de Artes e Livros, evento em que mais flagrante se mostrava a nossa parceria, a saída de serviços contíguos à Biblioteca Municipal facilita à Academia novas áreas, que a Direcção hoje eleita há-de aproveitar capazmente. Esta é a primeira pedra branca numa relação sem mácula, oficialmente protocolada, sem custos particulares para autarquia que, no sector da Cultura, deixa cidade e concelho excelentemente servidos. 

Convidei, por isso, além do Presidente e seu chefe de gabinete, Jorge Novo, a vereadora desse pelouro, Fátima Fernandes, e, sendo certo que eles, eu e alguns mais nos despedimos de responsabilidades administrativas, era justo saudá-los nesta ocasião, com um agradecimento extensivo aos técnicos fisicamente próximos da Academia, e, em particular, Fátima Martins e José Pedro Santos. E porque antes da estrutura física estão as pessoas, com seus sonhos e projectos ‒ isso que, na linguagem dos governos, é uma ‘realização’ ‒, cumpre recordar ter sido Jorge Nunes o elemento propulsor da nave de que, agora, vamos a bordo, com responsabilidades acrescidas face à melhoria de condições e à reflexão para que este triénio inaugural já serviu. Antes de me abalançar ao mesmo, e corolário da dívida que todos sentimos ‒ pois «gratidão não chega, quando se pode ser generoso», dizia avô no meu último romance ‒, informo esta assembleia que, sob proposta minha, decidiu a Direcção da Academia eleger António Jorge Nunes como sócio honorário. Ter aceitado vir aqui, com os seus colaboradores, completa a nossa alegria.
Outros sócios honorários são, neste momento, por ordem do primeiro nome, Adriano Moreira ‒ que também o é pela idade e pelo prestígio, além de emprestar o nome ao Centro Municipal onde reunimos ‒, o editor que mais transmontano publicita, António Baptista Lopes, o barrosão Bento da Cruz, a bragançana Eduarda Chiotte,  o grão-dicionarista e querido Amigo Hirondino da Paixão Fernandes, a quem tanto devemos, a vila-realense Luísa Dacosta, o mogadourense voluntário  e holandês residente José Rentes de Carvalho, a filha adoptiva desta «terra parda» Teresa Martins Marques, que apresenta, divulga e amadrinha autores nossos na Associação Portuguesa de Escritores, e, enfim, o livreiro mirandelense Nuno Canavez, cujas bibliografias, ofertadas ao nosso Centro de Documentação, alargam perspectivas de trabalho histórico-literário de futuros investigadores. Em Junho, infelizmente, deixou-nos Roger Teixeira Lopes.
Deixara-nos, antes, João Sá, mas vem crescendo o número de membros: descontados honorários, temos 101 sócios efectivos, dos quais queria salientar dois: Pires Cabral e Amadeu Ferreira.
Aquele decidiu abrir vaga na presidência desta Assembleia. Só de pensar na tarefa hercúlea do seu dicionário, que será o mais completo repositório da nossa fala, percebe-se a razão. Julguei que poderia ser apresentado nesta manhã, mas o editor supracitado desenganou-me, tal a complexidade gráfica dessa empresa. Sondei alguns, que poderiam tomar o seu lugar; vi-me constrangido, enfim, a avançar o meu nome.
Amadeu Ferreira, entretanto, tendo presidido à instalação da Academia, desde a fundação, em 12 de Junho de 2010, atirou-me para a primeira Direcção eleita, num jantar de véspera. Era o que menos me convinha, em ano de República, em que corri o país de lés-a-lés, a publicitar o meu 5 de Outubro ‒ Uma Reconstituição. No próprio dia 5, saímos daqui já tarde (os discursos de Bragança do Pará não prezam a brevidade…), mal almocei às três da tarde, porque aguardava motorista, e, às cinco, eu era orador oficial das comemorações do dia na Guarda… Ficou logo assente, entre ambos, que, tratando-se de «uma academia de duas línguas» (como intitulei conferência minha na Academia Paraense de Letras), ele seria o presidente seguinte. Já lançou uma ideia a consubstanciar na Assembleia Geral de Março, quando a sua Direcção apresentar programa anual: organizar-se um Congresso de Escritores Transmontanos. Homem de vontade e coragem, compreendeu já, tanto Teresa e eu o seringámos, que urge reduzir o esforço ‒ que ele, todavia, não regateará à Academia.
Foi por sua intermediação, e maior trabalho do meu lado, que a Academia se apresentou ao vasto mundo lusófono, quando, em Dezembro de 2010, surgiu com a ideia, levado da Politécnico do Bragança, de uma antologia de autores. Nasceu, assim, A Terra de Duas Línguas, título que, em Março, ele me exigia por telemóvel, estava eu, com Teresa, passeando em Rabat, Marrocos. Sentámo-nos no café Veneza, na estação ferroviária, e saiu-me o título, que logo lhe telefonei.
A segunda antologia, já deste ano, foi ideia minha, e renovado cansaço: ensinou-me, todavia, que só se vive em comunidade (é o caso de uma academia) se cada um de nós for consequente, se souber que terá um exemplar com texto seu em troca do pagamento da quota. Isso ajuda um sócio-editor; e, ainda que não colabore, a quota anual é uma obrigação, e, sendo baixa, é suficiente para outra operação de marketing, a saber, estar entre os poucos patrocinadores da Obra Completa do Padre António Vieira, com trinta volumes e milhares de exemplares, espalhados pelo mundo lusofalante ad saecula saeculorum, abrindo pelo cursivo das nossas montanhas…
Resumindo: se, ao espaço físico proporcionado pela autarquia, acrescentarmos o noticiário da fundação, as jornadas de Junho (em especial, a terceira), as duas antologias de autores transmontanos e esta presença vieirina urbi et orbi, não há como negar-se ter-se apresentado bastantemente a Academia. Houve, ainda, lançamentos de obras ‒ saliento alguns volumes da Bibliografia do Distrito de Bragança, a antologia de homenagem a Pires Cabral, nos seus 70 anos, e a que ontem mesmo, na celebração dos cem anos de Raul Rêgo, lançámos em boa parceria com e no Grémio Literário Vila-Realense; houve três tertúlias, saudações a Bento da Cruz e Barroso da Fonte ‒ este, nos seus 60 anos de vida jornalístico-literária ‒, a exposição biblio-iconográfica da Embaixada da Hungria, o início de entrevistas mensais na Rádio Brigantia, o desafio de Leonel Brito para documentar em filme alguns dos nossos autores. Temos dois endereços electrónicos, site, blogue e facebook, requerendo, todavia, maior acompanhamento. Entre outras matérias, o site contém catálogo da nossa biblioteca, constituída por obras oferecidas pelos académicos, e não só. A par disso, urge um contacto sócio a sócio, para clarificar endereços e situações financeiras. No mais, as pastas da burocracia estão organizadas.
Visando partilha de esforços, equitativa, entre geografias, os novos órgãos sociais aumentam ligeiramente a presença de Vila Real. Amadeu Ferreira quer reuniões descentralizadas e um melhor conhecimento do que uns e outros fazemos. É esse o caminho.              

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