segunda-feira, 31 de março de 2014

Humor com humor se paga ,por Júlia Ribeiro

Aí vai a estorinha que me foi contada pelo João Bernardo Correia ( um velho colega de Coimbra que me encontrou aqui no Blog) .
Parece anedota mas é real. Não sei a data , mas sei que se passou entre 1956 e 1961. Não começo com a célebre expressão “In illo tempore”, porque ela pertence de direito ao grande contista transmontano Trindade Coelho e contistas como ele há muito poucos.
Então vamos lá à dita estorinha : o nosso professor de Inglês na Faculdade em Coimbra era o famoso Whitcomb. “Ui, te come” para os estudantes de Germânicas, pois o número de alunos a quem ele dava nota para passar rondava os 3%. É isso mesmo, leu muito bem : três por cento. Era um medo dele, pavor mesmo, que nem queiram imaginar!
Mas parece que nas patuscadas, o Whitcomb era, além de um bom garfo, um grande ponto. Comia como um galês ( segundo ele, nasceu por acaso no País de Gales) , bebia como um irlandês (um bisavô fora irlandês) e tinha o humor de português.
Pertencia ao Orfeão de Coimbra - que era na altura só masculino - e tocava violino na orquestra de câmara.
Num jantar , numa das muitas digressões do Orfeão por esse país fora, o Whitcomb, já bem bebido (ficava muito vermelhusco com o vinho e, nas piadas, muito carroceiro português), diz para um estudante de pêra um tanto rala e talvez comprida demais : “Ih, sor João Maria, com essa barbicha, só lhe faltam os cornos pra parecer um bode”. O rapaz, não menos bebido, olhou para os minúsculos olhinhos do Whitcomb, mirou-lhe a careca rosada e reluzente e respondeu com bom humor inglês : “Ih, sor prefssor, a si só lhe falta a barbicha pra ser um bode” .

Leiria, 24 de Novº de 2011
Júlia Ribeiro

14 comentários:

  1. Olá amiga Júlia!
    Ainda senti esse mórbido prazer, o de ver pautas todas, todas, a vermelho! E dessas austeras, inquestionáveis, inacessíveis, mesquinhas e ridículas percentagens, também lhes senti o jugo na pele.Enfim...era assim antigamente! Uma vez fui a primeira a entrar na sala de orais: Que coragem!...Não! As minhas colegas continuaram, tímidas, a segurar a porta; eu, fui empurrada, por um ombro amigo.
    Continue a deliciar-nos com estas interessantes estórias!
    Um beijinho amigo,
    Tininha

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  2. Que boa resposta . Fartei-me de rir .

    A.J.

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  3. Apesar da crise e dos cortes grandes demais para a época, dei uma boa gargalhada.

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  4. Marilyn Monroe ao ser apresentada a Winston Churchill ,talvez para ser simpática, disse: imagine um filho nosso ,com a minha beleza e a sua inteligência.
    Churchill, sarcástico comentou :e se fosse ao contrário?

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  5. Oi, Julinha :

    O João Bernardo falou-me de ti e deste Blog. Vim cá e fiquei deliciada. Já não me lembrava desta do Whitcomb. Nem dele me quero lembrar. O maldito cumbou-me 3 vezes e recambiou-me para Lisboa. E cá estou. Agora ajudo a criar os netos. E tu, para além de contares estórias?
    Já sei o teu mail. A Lina deu-mo.

    Beijinhos
    Graça Queiroz

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  6. Eu queria dizer:sofri e não senti.
    Até parece que estas coisas ainda andam na nossa cabeça;mas como a alegria lava a alma, nem há como estes estorinhas da Julimha para dispor bem.
    Com amizade,
    Tininha

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  7. Bom dia, dra. Julinha: Hoje, domingo, tenho cá a família toda a almoçar um cozidinho. A minha neta mais velha e o namorado vieram abrir o computador para eu ver os "Farrapos" enquanto a minha filha põe a mesa. Rimos ambas às gargalhadas. O namorado foi-se embora macambúsio, sabe porquê? Ele tem uma barbicha assim como o estudante da sua estorinha. Nós ainda rimos mais.
    Obrigada por uns minutinhos de boa disposição.

    Maria Augusta

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  8. Olá querida Julinha!O meu neto que tem oito anos tembém já está viciado nos "Farrapos" e sabe o que me disse o miúdo?Olha avó que esta sra. dá erros...Explquei-lhe a "estória" e a história...e digo-lhe conte-nos "estórias"que de histórias tristes já nós andamos a ficar fartos...E viva o FADO e a Julinha para nos alegrarem a vida.Beijinhos da Irene

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  9. Olá Tininha:

    Muito grata pela visita. É sempre benvinda.

    bjs.
    Júlia

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  10. Oi, Gracinha :
    (Já que me chamaste Julinha, levas com Gracinha - e muito bem aplicado, porque eras ainda mais pequena do que eu).
    Gostei muito de te ver por aqui. Eu também vou cuidando dos netos, quando posso...

    Tudo de bom para ti e para toda a família.
    Manda um mail, OK?

    Um abração
    Júlia

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  11. Olá, Maria Augusta:

    Também eu dei uma boa gargalhada à custa da barbicha do seu futuro neto. Felicidades para o casalinho e tudo de bom para todos vós.

    Bj.
    Júlia

    O cozido devia estar muito bom, porque o cheirinho ... uhm, que regalo !

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  12. Oi, Júlia:

    Minha menina, chamei-te Julinha, porque vi aqui que muitos amigos e amigas te chamam Julinha.
    Continua o que estás a fazer , porque é muito interessante.

    Um abraço grande
    Graça

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  13. Olá, Irene:

    Desculpe, que nem tinha visto o seu comentário. Começo sempre por ir bisbilhotar o nome do/da comentador/a . Passei a correr e, como o seu nome e os seus beijinhos estão logo a seguir ao texto, só numa segunda leitura é que vi que coisa tão deliciosa só podia vir da Ireninha.

    Obrigada e retribuo os beijinhos

    Júlia

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  14. Ainda a propósito de Churchill, figura admirável, também se conta que, uma noite, em cordial confraternização, uma jovem ter-lhe-á feito o seguinte reparo, em tom de admoestação:o senhor está bêbado!-Ao que ele, ripostou com toda a sua vivacidade, brilhante de inteligência e oportunismo:
    -Agora, estou. Mas ontem, estive sóbrio.E você está e será, sempre, feia!
    Com amizade,
    Um beijinho,
    Tininha
    Tininha

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