terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Diocese de Bragança-Miranda - Ano da vocação

“A vocação é como um êxodo, uma saída ao encontro de Cristo e dos outros”

Ano da vocação na diocese de Bragança-Miranda pretende criar a necessidade de Deus e do mistério de Cristo na vida concreta das pessoas.  
A diocese de Bragança-Miranda está a viver o Ano da Vocação. Um tempo especial para “uma maior tomada de consciência da resposta que cada um é chamado a dar à pergunta fundamental da sua vida: Senhor que queres que eu faça?”. Em entrevista à Renascença, D. José Cordeiro aborda a escassez de vocações e apela à criatividade e à ousadia da oração, para que não faltem operários à messe, mas frisa que “a questão vital é querer continuar a ser Igreja de Jesus Cristo, a viver da Eucaristia e do Evangelho”. 

Qual é o objectivo de um ano dedicado à vocação, na diocese de Bragança-Miranda? 
É rezar, rezar, chamar, testemunhar são os verbos que, em conjunto, aqui na diocese de Bragança-Miranda, procuramos conjugar todos os dias, pessoal e comunitariamente. O tema geral é a resposta que Isaías, Maria e tantos outros deram: “Eis-me aqui, envia-me”, para nos tornar discípulos missionários. E o grande objectivo é fazer desta Igreja local uma comunidade de discípulos missionários, a começar pela oração. Rezar pelas vocações e a implicação “in persona” - É certo - como diz o Papa Francisco na mensagem para este ano - Jesus pede-nos: “rogai ao Senhor da messe que envie operários para a sua messe, porque a messe é grande”, e é normal que, olhando para uma messe tão grande, a primeira preocupação seja de lavrar, de cavar, de cultivar, de semear. Mas na confiança e na fidelidade a Jesus Cristo, a primeira atitude é mesmo a união com Ele, é mesmo a oração. Porque a messe é grande porque Deus quer que ela seja grande. E sempre foi grande; e há-de sempre continuar a ser grande. Mas importa que cada discípulo missionário e nós, no seu todo, sintamos esta consciência e percebamos que Deus nos ama e aquilo que nos é pedido é uma resposta à sua vocação porque a vocação pertence a Deus; a nós toca-nos é a resposta. 

A resposta? 
Nós, por vocação, somos chamados à santidade e chamados por Deus e por mais ninguém. Por condição, somos pecadores, frágeis. Mas, são as respostas do quotidiano ou aquelas que marcam a vida - como na vida conjugal, na vida consagrada, na vida sacerdotal, na vida missionária, na vida laical - que temos que dar em conjunto. Ninguém tem vocação sozinho nem ninguém se sente chamado sozinho; somos membros de um povo e pertença a Jesus Cristo, a este corpo de Cristo que é a Igreja. E também como o Papa nos interpela, a vocação é como que um êxodo, é uma saída para ir ao encontro de Cristo, do seu evangelho e dos outros. 

Como flor e grão de amendoeira. 
A mim, tocou-me particularmente a mensagem do Papa [para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações] e a imagem que ele usa do profeta Jeremias, que é aquela que nós usamos na diocese: a flor da amendoeira e o grão da amendoeira. Esse é o sentido daquele que está atento, que está vigilante. Mesmo ainda em pleno inverno ela floresce. Nós também, mesmo nas dificuldades, nos problemas, nas circunstâncias do quotidiano, nas angústias, nas tristezas somos chamados à esperança, à alegria, ao amor, porque é Deus que nos chama e é Deus que nos ama, nos consagra e nos envia.

Tem havido iniciativas especiais no âmbito do ano vocacional para despertar as consciências? 
A grande actividade é mesmo a da oração, é o rezar constantemente e rezar de forma coral, rezarmos todos até a mesma oração. E depois, algumas iniciativas no campo da formação, da evocação, assinalando os momentos mais significativos da vida da Igreja, sempre com esta dimensão da vocação, a que todos somos chamados. É daí que vem o nome de Igreja: Ecclesia quer dizer exactamente isso - é o povo dos chamados, a assembleia dos chamados por Deus a dar um sentido à vida e a fazer com que a vida tenha sentido em Deus e que o amor seja aquela dimensão, aquela realidade que informa todo o nosso viver, todo o nosso sentir, todo o nosso existir. Depois, toda a pastoral ou todo o plano pastoral tem sido sublinhar esta dimensão da pastoral vocacional e fazer com que ela continue, que não se circunscreva a este ano pastoral que estamos a viver.
 

Fala-se muito em crise e escassez de vocações. Bragança-Miranda também sente este problema? 
A escassez de vocações é uma realidade no sentido clássico do entendimento das próprias vocações. Também há escassez de gente, há uma diminuição de pessoas nesta área geográfica da diocese. Mas a questão não se coloca tanto no número das vocações ou no aumento ou na diminuição das mesmas; a questão coloca-se se queremos ou não continuar a ser Igreja de Jesus Cristo aqui, neste território, a viver da eucaristia e do evangelho. Então, se queremos temos que ter a criatividade e sobretudo a ousadia da oração que Deus nos mande os operários para a messe de que tanto precisamos, de que tanto necessitamos. Mas a nossa maior necessidade é de Deus, conforme aquela oração de Paulo VI – ó Cristo nós temos necessidade de ti. O criar essa necessidade de Deus e do mistério de Cristo na vida concreta das pessoas é o grande objectivo deste ano da vocação, para que cada um tome consciência da resposta que é chamado a dar à pergunta fundamental da sua vida, e que cada um deve colocar: “Senhor que queres que eu faça?”, “ Senhor que queres de mim?”. 
É preciso ter a coragem de fazer a pergunta, mas também a ousadia da resposta… 
Exactamente! E a Igreja também deve continuar sempre nesta atitude de provocar ainda mais perguntas porque a sua missão não é dar respostas; e sobretudo, como o Papa tem referido tantas vezes, não há respostas dogmáticas e definitivas: há respostas da verdade e, por isso, as vocações têm que ser testemunhas da verdade e as respostas devem suscitar sempre novas perguntas. E a missão da Igreja é essa: o gerar esta constante inquietação em cada pessoa para que nunca se contente com aquilo que já é ou com aquilo que já faz, mas para aquilo a que é chamada a ser na Igreja e no mundo.
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=29&did=136925


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