sábado, 17 de junho de 2017

CASTELO DE PENAS RÓIAS, por Fernando de Castro Branco

De castelo em castelo, após Algoso, dirigimo-nos a Penas Róias. Da nesga de sublime anterior, deparamos agora com uma ostensiva Torre de Menagem carcomida ao alto como se mordida por irregulares dentes vindos do céu. Em volta, uma paisagem esculpida pelo suor humano; o morro Levanta-se o quanto baste para vigiar o horizonte, cujo afloramento mais próximo é uma pequena aldeia de ruas estreitas, casas minúsculas de pedra e cal, cercadas de hortas, Latadas, prados e árvores descendo pelas encostas. Uma pequena igreja branca parece indeciso farol orientando a confusa geometria do povoado, e no sopé do monte um antiquíssimo caixão de pedra funerária diz-nos que imensa água humana ali terá de continuar a bater para furar o granito; que continua aliás intacto, salvo a ligeira erosão do tempo na superfície interior, como alisada por uma mão dócil.
FERNANDO DE CASTRO BRANCO

Fonte: "ONDE NADA SE REPETE" - crónicas à volta do património. (excerto)

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