sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Moncorvo - A Tradição das Tainas













Fotografias:1ª- senhor Viriato ,Abílio Dengucho e António Sousa (Tó Sangra);
2ª- Abílio Dengucho,Adriano Fernandes,Eng José Carlos Serra (de óculos) e o último da direita, senhor Viriato.

LINHA DO SABOR - Lagoaça


Fotografia enviada por António Feijó
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Alfândega da Fé - vista do céu

Foto enviada por Artur Gomes da Natividade

TORRE DE MONCORVO - EFEMÉRIDES (09/01)

9 Jan 1827 – Batalha de Coruche entre as tropas Miguelistas e Liberais, sendo estas comandadas pelo general Claudino Pimentel e que saíram vitoriosas. Em lembrança ficou uma canção popular cuja letra dizia:

Dia 9 de Janeiro
De Claudino a divisão
Fez em Coruche triunfar
Liberal constituição.
9 Jan 1862 – Inauguração da estação de Telégrafo de Moncorvo. Refira-se que a estação telegráfica ganhava então uma importância muito grande, na medida em que as comunicações eram muito morosas, pois ainda não tínhamos comboio, nem telefone. Por isso quando havia qualquer revolução ou movimentação política, a estação telegráfica era o primeiro ponto a ser tomado. E o emprego de chefe da estação telegráfica era dos mais cobiçados.

António Júlio Andrade
Nota do editor: Biografia do general Claudino,por Carlos de Magalhães, editada na Ilustração Transmontana.LER: http://issuu.com/lelodemoncorvo/docs/general_claudino

SOUTO DA VELHA - TORRE DE MONCORVO

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Vocabulário Transmontano, por Abade Tavares


http://speedy.sh/GthKH/Tratado-de-vinifica-o-para-vinhos-gen.pdf

Livro completo em PDF aqui  
(Na nova página clique novamente no nome do ficheiro para começar o download)
VER: http://lelodemoncorvo.blogspot.pt/2012/04/as-investigacoes-de-abade-tavares.html

Prolegómenos – Crónicas de Barroso (III volume) Autor: Bento da Cruz

Sinopse: Não há uma sem duas, nem duas sem três, como dizo ditado. A edição do primeiro volume de Prolegómenos – Crónicas de Barroso saiu em 2007; o segundo em 2009; cumprindo o prescrito popular, surge agora o terceiro volume. Se a rubrica sugere uma ideia de preâmbulo ou prefácio, onde o autor fala da terra, do tempo, da paisagem e de todos os que nela vivem, decisiva é a oportunidade de exprimir e clarear a essência de um Portugal profundo, intemporal, como deve ser a literatura digna desse nome.
Bento da Cruz é um virtuoso da escrita. Criou um estilo próprio, inconfundível, que resguarda a técnica para dar lugar ao rigor, à melodia, ao ritmo, à fantasia e à sensibilidade.
Tal como o apelido de família, «da Cruz», parece resultar da casa mãe erguida na encruzilhada de quatro antigas vias romanas, ao fundo da aldeia de Peireses, também a sua escrita é um encontro singular de múltiplas e variadas influências, e contextos artísticos, que desmontam todas as tentativas de classificação académica simplista.
A língua portuguesa é, para Bento da Cruz, um atalho de liberdade, onde o despretensiosismo e a simplicidade da melodia dão lugar à sonoridade da expressão que emociona o leitor. Há, na pena do autor, uma boa quota-parte das virtudes literárias que ele próprio destaca em Camilo: «Ninguém escreveu com mais elegância, mais pureza, mais harmonia, mais propriedade, mais fluência, mais graça. Tinha como ninguém o dom de fazer rir e o dom de fazer chorar, ao sabor das emoções. […] Os livros de Camilo Castelo Branco são o tesouro da língua portuguesa. A reserva.»
Em Bento da Cruz, mais moderno, a vários títulos, descobre-se esse mesmo registo, o mesmo tesouro.

Bento Gonçalves da Cruz nasceu na aldeia de Peireses, do concelho de Montalegre, em 22 de Fevereiro de 1925. Num contacto directo com a vida do campo, viveu ali até aos 15 anos, altura em que ingressou na Escola Claustral de Singeverga, onde permaneceu durante 6 anos e se familiarizou com os grandes escritores da antiguidade, principalmente com os latinos.
Abandonou a vida claustral, mas prosseguiu os estudos, licenciando-se em Medicina pela Universidade de Coimbra. Regressou então ao município de Montalegre, onde montou consultório de clínica geral e estomatologia.
Em 1963 publicou o romance Planalto em Chamas, o primeiro de perto de duas dezenas de obras literárias enaltecidas pela crítica, algumas delas distinguidas com prémios literários nacionais de referência. Fundou em 1974 o jornal Correio do Planalto, de que ainda hoje é director.
Foi deputado à Assembleia da República.
É patrono da Escola Secundária Bento da Cruz, em Montalegre.
Está representado em várias antologias e é hoje reconhecido como um dos mais destacados escritores portugueses contemporâneos.

MIRANDA DO DOURO - vista do céu

Foto enviada por Artur Gomes da Natividade

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

TORRE DE MONCORVO - GUARDA-RIOS

Fotografia tirada em 9/05/82
São os últimos de uma profissão já extinta, a de guarda-rios. Nessa data (9/05/82) homenagearam o chefe, Frederico Mesquita, por ter atingido a meta da sua carreira profissional .

Os Serviços da Hidráulica foram oficialmente extintos depois da morte de Frederico Mesquita, mas estavam sem funcionamento, na prática, desde a sua reforma. Contava-me ele, que, muitas vezes, um ou outro guarda-rios, vindos das aldeias às feiras de Moncorvo, procuravam o ex-chefe e lhe perguntavam, apreensivos, se, não aparecendo ninguém a vigiar-lhes o serviço, mas com o vencimento depositado todos os meses na Caixa, não teriam que repor o dinheiro entretanto gasto. "Não virão um dia descobrir isto?", perguntavam desconfiados. E o chefe respondia : “Não se preocupem. Ainda há repartições em Vila Real e no Porto”.
Leonel Brito

TRÁS OS MONTES - AZEITE E PÃO











Pão de Carviçais e azeite do Larinho e Moncorvo

1ªas Jornadas para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Região Norte


- Museu do Douro, 18 de janeiro (sábado)

Programa e inscrições:
http://www.museudodouro.pt/multimedia/pdf/Jornadas_Norte_Prog_print.pdf

Paradela - Capela de S. Martinico

Capielha de San Martinico, ne l termo de Paradela
A capela de São Martinico fica situada no termo de Paradela, quase nos limites com Aldeia Nova. Por isso, a festa é/era feita pelas duas aldeias. Está implantada num pequeno prado baldio que é também uma encruzilhada de caminhos, ainda no Planalto, mas já quase no início das Arribas do Douro. É uma capelinha tão pequena que mal lá caberão duas ou três pessoas em simultâneo, e talvez daí venha o nome que lhe dão, colocando o santo no diminutivo, o que é coisa pouco usual.
Dizem-nos que esta capela será dos princípios do século XX, e lá está a data de 1918, mandada construir por uma família que tinha devoção a São Martinho, e na fachada surgem as letras M. F. P. J. // J. P. O tempo disponível não permitiu melhor informação retirar sobre essa história. Mas um dia destes haverá que o fazer, e até talvez algum dos nossos leitores nos possa ajudar, nessa importante empresa. Seja como for, fica já aqui uma ideia essencial: porquê uma família, no início do século XX, manda construir uma capelinha no meio do termo? A resposta não pode ser outra além desta: porque ali já era um local de culto antes disso. Como aqui iremos apresentando, são muitos os locais de culto espalhados pelo termo das aldeias, uns já apenas umas ruínas e outros nem isso, apenas um simples topónimo, como sucede em Sendim e Cicouro com o topónimo “A Capela”, onde já nem vestígios existem de que ali tivesse existido uma construção dessas.
Mesmo assim conseguimos saber que ainda hoje se realiza a festa de São Martinho, o dia 11 de novembro ou no domingo seguinte, envolvendo as duas aldeias. De Paradela e Aldeia Nova. Essa tradição mostra que a festa já virá de muito tempo antes desta capelinha ali ter sido construída. Sabemos que São Martinho é um dos primeiros santos do cristianismo e é muito possível que venha desses tempos também este culto aqui celebrado.
Tratando-se de um culto no campo e ainda hoje vivo, tudo indica que naquele local ou ali muito próximo teria sido praticado um culto pagão que depois foi substituído pelo de São Martinho, santo da nova religião, possivelmente antes do século VIII. O local é adequado a isso, seja como encruzilhada de caminhos, seja porque sempre foi o caminho de paradela para São João das Arribas, seja porque existe um pasto baldio largo na encruzilhada onde haveria sempre existido alguma construção, nem que fosse um simples altar.
O que acabamos de dizer sai ainda reforçado pelo espanto que tivemos, quando vimos a capelinha pela primeira vez, Óscar, Alcides e eu. É que os quatro pilaretes que encimam os quatro cantos da capela são nem mais nem menos que ‘citotes’, ‘falos’, muito bonitos e bem feitos. O meu espanto foi tão grande que fiquei quase com um aperto no coração. Olhai bem para eles e deixai-vos encantar, como a nós nos sucedeu. Quem construiu a capelinha ou os transportou de outro local ou estavam já ali parte integrante de construção mais antiga. O que parece certo e seguro é que não foram construídos para aquela capelinha, mas reaproveitados como sempre sucede a muitas pedras antigas e, possivelmente, a outras pedras da mesma capela.
O facto de se tratar de ‘citotes’ ou ‘falos’ é mais um elemento que vem reforçar a presença do culto fálico na terra de Miranda e do qual já aqui mencionámos quando falámos do citote da Especiosa. Voltaremos a falar deste assunto quando aqui tratarmos da capela de Santa Marinha em Cércio. O culto fálico está ligado ao culto da fertilidade, da gestação e reprodução da vida e existiu em todas as culturas e mitologias antigas. Também pela terra de Aliste existem vários citotes, sendo muitos deles de origem romana, que os terão espalhado pelo seu império. Príapo e outros deuses romanos como Hermes, apresentam-se com falos erectos, estando também ligado ao culto de Baco e de Ceres. O falo era adorado e utilizado mesmo como amuleto pois também era considerado um símbolo de poder mágico. Por mim, tenho muitas dúvidas que o culto fálico na nossa região não seja anterior aos romanos, mas outros sobre isso melhor poderão dizer e com mais fundamento.
Porque são os falos mais afamados da nossa região, fui com Alcides Meirinhos em busca dos falos de Rabanales e de Ufones, mesmo próximo da fronteira com a terra de Miranda, e fazendo parte da terra de Aliste. Há mesmo quem diga que Rabanales, repleta de restos romanos pelas ruas, seria a velha Curunda, capital dos Zoelas, com centro no local arqueológico conhecido por Castrico. O citote de Rabanales tem aproximadamente dois metros de altura e foi colocado na praça central da povoação, mesmo encostado à igreja, também ela repleta de lages sepulcrais nas paredes, num exemplo de reaproveitamento das pedras de que também se vêm muitos exemplos em várias aldeias de Miranda, como acontece na igreja de Malhadas. Vários outros casos de grandes citotes se podem ver em Ufones, aldeia ao lado de Rabanales, e também em Bellarino Trás la Sierra, que faz fronteira com a terra de Miranda.
Voltando aos falos da capela de São Martinico eles devem passar a fazer parte de uma rota do culto fálico na Terra de Miranda, que há-de incluir vários outros locais, em especial na Especiosa, com seu falo encontrado no sítio de São Lourenço, próximo do Naso, a capela de Santa Marinha em Cércio e, possivelmente, Constantim, com seu menir de perfil fálico próximo da Pedra Redonda e de que falaremos mais tarde. Oxalá estes elementos que aqui vamos deixando, e que são apresentado pela primeira vez, possam servir para novos e pais profundos estudos e ao mesmo tempo para poder deixar as pessoas alerta para a descoberta de novos casos similares.
12 de márcio de 2013
Amadeu Ferreira
Tradução: Alcides Meirinhos

Texto original em mirandês:
Capielha de San Martinico, ne l termo de Paradela

Luis Carvajal y de la Cueva nascido em Mogadouro

    Luis Carvajal y de la Cueva
Os colonizadores que deram vida ao nordeste mexicano, têm a sua história enraizada nos movimentos sociais que surgem em Espanha e Portugal, imediatamente após o descobrimento da América.No ano de 1493, precisamente depois da conquista de Granada e da partida do porto de Palos das naves comandadas por Colombo, os reis católicos de Espanha expulsaram todos os mouros e judeus dos seus domínios. Os mouros mudaram-se principalmente para África, de onde tinham vindo sete séculos antes. E os judeus para o norte da Europa e Portugal. Descendente destes judeus emigrantes para Portugal em terceira geração, foi Luís Carvajal y de la Cueva, que nasceu na vila de Mogadouro, Trás-os-Montes, no ano de 1539. Os seus pais foram Gaspar de Carvajal de Carvajal e Catalina de León de la Cueva.Quando jovem, o seu tio materno, Duarte de León, enviou-o para Cabo Verde, no ano de 1549, onde permaneceu treze anos, chegando a ocupar o posto de tesoureiro do rei de Portugal e ocupando-se principalmente do comércio de escravos negros.Em 1562 regressou a Lisboa e depois foi para Sevilha, onde conheceu Guiomar Nuñez de Rivera, dama endinheirada, com quem se casou em 1564, e da qual teve dois filhos: Francisca e Andrés.Viveu em Lisboa durante dois anos, após o que viajou sozinho para a Nova Espanha (México), num navio com um carregamento de vinhos, sob o comando do capitão Cristóbal de Erazo. Ficou no México, na região de Pánuco, até ao ano de 1578.

Vale da Vilariça - Quinta da Terrincha


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Roteiro inesiano,por Ernesto Rodrigues

Deu Mensageiro de Bragança, nas páginas centrais da edição de 13 de Junho [de 2013], o devido realce a uma sugestão do presidente da Câmara Municipal, A. Jorge Nunes, na sequência da apresentação do meu romance A Casa de Bragança: a criação de um roteiro inesiano.
Apoiado em documentação histórica, alguma no Arquivo Distrital, que transcrevo, mostro como, em vários momentos, D. Pedro se interessou pelos naturais de Bragança, vila onde casou em 1 de Janeiro de 1353, concluo eu. Na Crónica de D. João I, Fernão Lopes duvida da palavra do rei, que isso mesmo declarara, e fizera exarar, em Junho de 1360, em Cantanhede, perante a nobreza; e duvida, porque estranha que o monarca não soubesse a data certa de um momento tão importante na sua vida. Pergunte-se à generalidade dos casados se assim é; sobretudo, estranhe-se que Fernão Lopes ignorasse a grande indiferença ao tempo na Idade Média. Interessava-lhe, também, porque, se aceitasse esse casamento, teria de defender como rei, não o seu futuro D. João I, mas o meio-irmão D. João, mais velho, em nome do qual aquele se dizia «regente e defensor do reino». Ou seja: o mestre de Avis não usurpava um lugar que reconhecia pertencer ao segundo filho do seu também pai, D. Pedro.
Este D. João de Portugal e Castro é a principal novidade do romance. Já lá vamos. Por agora, estamos no casamento de Pedro e Inês, reconhecido por cada vez mais historiadores (ou, pelo menos, não liminarmente negado), que a tradição diz ter-se realizado na igreja de São Vicente. No tomo I das Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança, Francisco Manuel Alves cria, todavia, uma variante: «Casou, pois, o infante D. Pedro, […] com D. Inês de Castro, na cidade de Bragança, não em templo algum, mas na própria casa de habitação, pelos anos de 1353, num dos primeiros dias do mês de Janeiro, sendo celebrante do casamento D. Gil, deão da Guarda e mais tarde bispo da mesma Sé.» (2000, p. 281) A igreja e essa «casa de habitação» – que também é a minha ‘casa’ de Bragança, forçosamente, na cidadela – não seriam incompatíveis. Mas o que importa é um casamento religioso, onde começar o nosso roteiro, ou seja: além de novos estudos sobre o acontecimento, um casal de noivos esculpidos, que atraísse a atenção de turistas e levasse noivos de hoje, ou jovens apaixonados, a fotografarem-se nesse enquadramento. Quem perceber o interesse económico de uma fotografia à mesa de Fernando Pessoa, no Chiado, depressa entende a vantagem de um conjunto escultórico celebrando a união de Pedro e Inês. A par de Coimbra e Alcobaça, entre outras, Bragança entraria no circuito inesiano por excelência, pois «casamento e mortalha no Céu se talha».


Centro da Música Tradicional Sons da Terra - José Maria Fernandes, um gaiteiro de Terras de Miranda e as SOBRAS DE PORTUGAL




A propósito de José Maria Fernandes, um gaiteiro de Terras de Miranda  e, em minha opinião, um dos melhores gaiteiros do mundo, sugiro ao leitor que veja este vídeo e, sobretudo, que escute muito bem. Ficará maravilhado com a música e talvez espantado com a letra da canção.
É ainda o Sr. José Fernandes quem nos diz que ouvira a cantiga a um homem de acordeão que tocava e cantava pelas feiras. “E eu captei-a. Era miúdo e captei-a”.
Ora, escute o leitor, que depois falaremos dela e da realidade por detrás dela.
Bacalhau não há,
arroz, feijão não há,
qualquer sabão não há,
massa e pão não há.
azeite mau não há, *
só há apetite, sim,
isso sim, há.

Veio o padeiro e o pão é racionado
E o merceeiro então faz-se poupar.
A gente paga até um dinheirão
de cara alegre e dinheiro na mão.

Bacalhau não há, etc...

Já não se pode ser dona de casa,
Passa gente co’s nervos em brasa,
Falta-nos tudo então para comprar.  

Mulheres com juizo não há,
bem educadas não há,
aquilo que é preciso não há,
e bem poupadas não há,
só há mandrionas,
gulosas e borrachonas.

Assim , sem mais nada, até parece uma cantiga de brincadeira, mas o cenário em que, há uns 60–70 anos se enquadrou , era terrível. A Espanha vivia ou acabara de viver a Guerra Civil (1936-1939), de extrema violência, em que foram cometidos actos de enorme crueldade. ( Homens e mulheres de Terras de Miranda, como Sendim, recordam o horror de verem, do lado de cá atrocidades sem nome, ouvirem os gritos de mulheres sendo violadas, gritos esses que não mais esqueceram, até porque alguns tinham filhos e filhas , netos e irmãos que casaram “do outro lado” ).
Mas estávamos a falar da cantiga: a miséria, a penúria e a fome eram indescritíveis. Faltava tudo e tudo era racionado. “Tínhamos de ter etiquetas (senhas de racionamento) para conseguirmos um cachico de pão “ .
Em Portugal, e por tabela, também houve grandes carências. Contudo, apesar delas, as gentes de toda a raia seca do norte transmontano (e não só) recolheu, escondeu refugiados a quem estava destinado o fuzilamento.  Imagine o leitor qual não seria a raiva das gentes raianas, quando viam passar combóios cheios de cereal, batata, farinha, arroz, etc.  enviados por Salazar aos fascistas espanhóis, com a seguinte tabuleta em letras enormes nos vagões: “SOBRAS DE PORTUGAL” , como se Portugal nadasse em abundância e aqui não houvesse fome. E não era fome de quem espera pelo jantar, era fome entranhada em dias, semanas e meses a habituar o estômago a receber um quarto do que ele precisava.
A Guerra Civil de Espanha foi logo seguida pela 2ª Guerra Mundial (1939-1945) e a miséria continuou e agravou-se, crua e dura. Lembro-me, tinha eu uns 6 anitos, de passar horas na “bicha do Paiva” (Torre de Moncorvo) com a senha de racionamemto na mão (“Cuidado, não a percas” me recomendava a minha avó que já não andava), para receber um codorno de pão de centeio tão absolutamente integral que até tinha palhas e praganas.
As mulheres, nas “bichas,” ralhavam umas com as outras; nos Pocecos até se roubava o pedacinho de sabão que tinha de durar para toda a semana. Não se admire pois o leitor por na cantiga as mulheres não serem “bem educadas”. A verdade é que “casa onde não há pão, ....” Isto é ditado nosso. Mas as mulheres espanholas, Santo Deus, onde estavas quando a bomba nazi destruiu Guernica? As mulheres espanholas a quem mataram os homens, filhos, pais,  irmãos, que foram espancadas e violadas, essas não me admiro que fossem buscar no vinho o esquecimento.
Para quê falar mais da terrível realidade que está por detrás da cantiga que tão bem toca o nosso gaiteiro de Terras de Miranda ? Fiquem com a música, que eu farei outro tanto.

*  “Azeite mau não há”, isto é, nem do mau havia, porque do bom nem pensar. 

Leiria, 15.10.2013

Júlia Ribeiro

VER:http://lelodemoncorvo.blogspot.pt/2013/08/e-chegaram-tres-reis-magos-em-agosto.html

 Nota do editor:Depois da entrevista a  José Maria Fernandes, conduzida por Mário Correia (director do Centro da MúsicaTradicional –Sons da Terra) para Memória Futura e gravada em video por mim,perguntei ao entrevistado que recordações tinha da Guerra Civil de Espanha,da fome,das senhas de racionamento ...Com a Sony ligada  por descuido, foi possível recolher este importante depoimento que,com o contributo da Júlia, ficou mais enriquecido.

 Abraços à Júlia, ao Mário e a ao Gaiteiro,senhor José Maria Fernandes.

Leonel Brito 

Torre de Moncorvo - cantares dos reis

O Cantar os Reis é um costume antigo que acontece entre 06 e 20 de janeiro. Manda a tradição que nestes dias se entoem canções tradicionais dos reis e quadras relacionadas com a vida de Jesus. Crianças, jovens e adultos vão de porta em porta saudado os donos das casas e os seus familiares com “vivas” e votos de um ano feliz e renovado.

O grupo de Teatro Alma de Ferro de Torre de Moncorvo tem vindo a recriar este costume antigo em Torre de Moncorvo, desejando a todos um excelente ano 

Grupo Alma de Ferro (2014)

domingo, 5 de janeiro de 2014

Ligação aérea ao interior,por José F. G. Mendes

Foto retirada da net
É bem sabido que estão em curso um conjunto de reformas dos serviços da administração pública que resultarão num ainda maior isolamento do interior do país. Necessárias ou não, deveriam ser complementadas com uma maior acessibilidade das populações aos centros maiores, algo que não se vislumbra, como se percebe pelo que aconteceu às ligações aéreas entre Lisboa, Vila Real e Bragança.
Os cidadãos do interior têm sido tratados como portugueses de segunda. Veem, impotentes, todos os dias o Estado a fugir-lhe entre os dedos, como se tivesse sido posta em marcha uma “solução final para o seu problema”. Fecharam as escolas primárias, as maternidades, os centros de saúde, as juntas de freguesia, as estações de correios. As linhas férreas foram desativadas. Foi-se o pouco emprego público que existia. Apareceram as portagens nas autoestradas, mais caras no Nordeste do que em Cascais. Os transportes públicos reduziram a sua frequência, nalguns casos até à extinção. Os voos para Vila Real e Bragança foram suspensos. O helicóptero do INEM muda-se para o centro urbano maior. Vão fechar as repartições de finanças. Vão fechar os tribunais.
 Tomando como certo o direito de todos os cidadãos de aceder aos serviços da administração, sempre que se retira algum desses direitos deveriam ser anunciados os necessários investimentos na melhoria da acessibilidade. Obrigar as pessoas a deslocar-se à cidade maior mais próxima, ao Porto ou a Lisboa não é o mesmo no interior ou no Litoral.
 O que aconteceu em relação à supressão do transporte aéreo entre a capital e as duas cidades transmontanas de Vila Real e de Bragança revela a insensibilidade do governo. Esta ligação aérea foi suspensa em 27 de novembro de 2012, tendo o governo invocado a ilegalidade, à luz dos ditames da Comissão Europeia, da ajuda prestada à prestação do serviço. Trata-se de um financiamento de 2,5 milhões de euros e de um volume anual de passageiros da ordem dos 10 mil.
 Em Janeiro de 2013, em reunião entre o então presidente da Câmara de Bragança, o Secretário de Estado dos transportes e o próprio Primeiro Ministro, foi prometido que até final de Fevereiro seria divulgado o novo modelo de financiamento, para que as ligações pudessem ser retomadas. Por fim, com atraso, o Governo remeteu à Comissão Europeia uma proposta em 26 de Março, que supostamente apontava para a subsidiação das viagens dos passageiros e não do serviço propriamente dito. Significa que as pessoas teriam de pagar integralmente as suas passagens aéreas e seriam depois reembolsadas da ajuda.
 Surpreendentemente, o Governo retirou a proposta de Bruxelas, sem nada dizer aos transmontanos, a 30 de Setembro, justamente no dia seguinte ao das eleições autárquicas. Desde então, nada. Nem serviço, nem esclarecimentos. Estamos na presença de um triste episódio e de uma forma de lidar com os pagadores de impostos que é, no mínimo, indecorosa.
 Posso estar errado, mas a minha percepção é de que acontecerá algo semelhante em relação ao túnel do Marão, remetendo as populações do interior transmontano para um nível de isolamento ímpar no território nacional. Neste contexto, reter pessoas, nomeadamente jovens, e atrair empresas para aquele território não é mais do que uma miragem.

José F. G. Mendes

MIRANDA DO DOURO -1966

Foto cedida por Arnaldo Firmino

Vilar de Perdizes - Património

Foto Lb

sábado, 4 de janeiro de 2014

Rogério Rodrigues "visita" Amadeu Ferreira

Click em cima da imagem com o botão direito do rato e seleccione abrir link num novo separador para aumentar.

VINHAIS - FEIRA DO FUMEIRO


Bragança - Disponíveis 2,6 milhões para ajudar afectados do incêndio

Foto de José Rodrigues.
O director regional de Agricultura e Pescas do Norte anunciou hoje que foram apresentadas 18 candidaturas aos 2,6 milhões de euros do PRODER para intervenções de emergência determinadas pelo grande incêndio de Julho no sul do distrito de Bragança.
"As candidaturas vão ser analisadas ao longo de todo o mês de janeiro, estando disponíveis cerca de 2,6 milhões de euros destinados a ações de estabilização de emergência pós incêndio, vocacionadas entre outros para os impactos erosivos sobre os solos", disse hoje à Lusa Manuel Cardoso.
 As candidaturas foram apresentadas por seis juntas de freguesias dos concelhos de Mogadouro, Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta e pelo município de Alfândega da Fé, às quais se juntam particulares.
 Nesta primeira fase, o montante disponível poderá ser aplicado na desobstrução e correção das linhas de água, proteção e diminuição dos impactos erosivos sobre os solos, tratamento e proteção das encostas e taludes.

TORRE DE MONCORVO - ILUSTRES (PONTES, António Joaquim Ferreira)

Nasceu em Peredo dos Castelhanos, concelho de Moncorvo, em 1815 e faleceu na sua quinta de Crestelos, em 1883. Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi deputado em várias legislaturas e governador do distrito de Bragança. Combateu no batalhão dos Voluntários da Rainha e nas Linhas do Porto. Chegou a estar preso entre 1828 e 1834. Voltou a ser preso em 1836. Retomou depois as armas contra o absolutismo de Costa Cabral, acabando por ter de emigrar para Espanha. Foi, por diversas vezes Presidente da Câmara de Moncorvo.
Peredo em 1974.Foto Lb

do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Moncorvo vista do céu

Foto enviada por Artur Gomes da Natividade

Fodor's coloca Vale do Douro no top 25 a visitar em 2014

 É o maior grupo de publicações de viagens e turismo do mundo e já não é a primeira vez que foca as atenções no Norte de Portugal. Este ano, coloca o Vale do Douro na lista dos 25 destinos obrigatórios a visitar em 2014.
Por três anos consecutivos, a Fodor's destacou o restaurante portuense "Barão Fladgate" como um dos cinco melhores do mundo e já não é a primeira vez que tece elogios ao Douro. Por isso, o reconhecimento ao Norte do nosso país pela editora inglesa já não é novidade.
No entanto, este ano, foi a própria editora chefe da Fodor's Travel, Arabella Bowen, quem escolheu o Vale do Douro como um dos 25 destinos obrigatórios para visitar em 2014. Na "Go List 2014", que também inclui destinos como a Etiópia, as Ilhas Gregas, Jersey Shore ou Tóquio, a editora descreveu esta como "a mais bela região vinícola do mundo".
Na página dedicada ao Douro, fala-se ainda do "maravilhoso e selvagem litoral" de "uma das mais antigas regiões vinícolas do mundo, considerada património mundial da UNESCO", ainda que continue a ser "uma das jóias menos conhecidas da Europa".
Mas para além das paisagens e do "acessível, profundo e rico vinho tinto do Douro", ou os "efervescentes vinhos verdes", a editora garante que "nenhuma viagem a esta região ficará completa sem um passeio de barco no rio". Dada a localização do Porto, nascido à beira-mar, "um dia na praia" não fica, "certamente, fora de questão".
Já a melhor altura para viajar, segundo a especialista, é o Verão. Melhor ainda o mês de setembro, "quando está calor e as vinhas estão carregadas", sublinha. Ano após ano, a Go List da Fodor's elege os 25 destinos "a não perder" para inspirar os amantes das viagens. Em 2013, também os Açores integraram a prestigiada lista de destinos imperdíveis.
Por Liliana Pinho - jpn@c2com.up.pt
Publicado: 03.01.2014 | 13:26 (GMT)

Embaixador da Argentina visita Torre de Moncorvo

No passado dia 27 de Novembro, quarta-feira, o embaixador da República da Argentina, Jorge Arguello, visitou Torre de Moncorvo e foi recebido no Salão Nobre do edifício dos Paços do Concelho pelo Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Dr. Nuno Gonçalves.
A visita de cortesia deve-se à forte ligação que o escritor argentino Jorge Luís Borges tinha com Torre de Moncorvo, devido à sua ascendência portuguesa e moncorvense. Prova desta ligação é que o nome do escritor dá nome a uma avenida na vila de Moncorvo.
O embaixador visitou ainda a Biblioteca Municipal, o Centro Memória, Arquivo Histórico e Museu do Ferro e da Região de Moncorvo.

2700 teses sobre o Património da região Norte reunidas: teses.culturanorte.pt

Investigação sobre o Património Cultural

A Direção Regional de Cultura do Norte realizou um levantamento das teses de mestrado e doutoramento sobre a região norte, disponíveis na web ( bases de dados das respectivas escolas e RCAAP ), com os seguintes objectivos:

  1. Avaliar o impacto deste trabalhos do ponto de vista cultural, social e económico
  2. Divulgar a produção de investigação e conhecimento que potenciem a actividade cultural, social e económica
Efectuamos assim a recolha de 2700 teses efectuadas nas Universidades e outras escolas superiores do Norte do país sobre o Norte do País, entre 2000 e Outubro de 2013,nesta fase, nas seguintes áreas:
antropologia, arqueologia, arquitectura, conservação e restauro, história, história da arte, e museologia
A informação sobre este projecto está disponível em culturanorte.pt/estudos
A informação sobre estas teses está disponível em teses.culturanorte.pt
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Mário Brito
Nota do editor do blogue:BEM HAJAM!

ALFÂNDEGA DA FÉ - Vista do céu.

Foto enviada por Artur Gomes da Natividade

TORRE DE MONCORVO - A MENINA DANÇA? (ANOS 50)












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Baile de Fim de Ano em Moncorvo, famoso em toda a região.Era o grande acontecimento social ,aguardado com grande expectativa.

TORRE DE MONCORVO - EFEMÉRIDES (03/01)

3 Jan 1913 – Correspondência do administrador do Concelho, dr. Manuel Guerra, informando que foi destruída a casa que se andava construindo para o guarda do Roboredo.
António Júlio Andrade

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

TORRE DE MONCORVO - “Os Forais de Torre de Moncorvo”

 O blogue “Moncorvo - Farrapos de Memória” conta, desde hoje, segunda-feira,03/01/11, com uma nova rubrica. Trata-se do “Escaparate”, destinado a divulgar obras de moncorvenses e livros de outros autores, transmontanos ou não,que abordem a região de Moncorvo e as restantes terras transmontanas. Todas as segundas-feiras, o “Escaparate” dá-lhe a conhecer uma nova publicação.

Esta semana, o livro escolhido é “Os Forais de Torre de Moncorvo”, uma edição do Município de Torre de Moncorvo com nota introdutória, transcrição e glossário a cargo da Professora Doutora Maria Alegria F. Marques.


FICHA TÉCNICA

Título: Os Forais de Torre de Moncorvo
Nota Introdutória, Transcrição e Glossário: Maria Alegria F. Marques (Profª. Doutora)
Idealização, Projecto e Produção: Reviver-Editora
Coordenadora de Produção: Manuela Carvalho (Drª.)
Fotografia: Instituto Português de Museus - Divisão de Documentação de Fotografia - Fotógrafa: Luisa Oliveira
Reviver Editora: Rui Miranda
Torre do Tombo: José António Silva
Agradecimentos: Dr. João Manuel Neto Jacob (Director do Museu do Abade de Baçal), Drª. Maria da Assunção Vasconcelos (Directora do Arquivo Distrital de Braga)
Pré-Impressão e Impressão: Grafiasa
Tiragem: 1000 exemplares
ISBN: 972-99121-5-7
Depósito Legal: 223347/05
Reservados todos os direitos à Reviver-Editora

REEDIÇÃO

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

NATAL E TRADIÇÃO,por Júlia Guarda Ribeiro
















No dia 21 de Dezembro fui buscar a minha neta mais pequenina ao infantário e, ao entrarmos em minha casa, a miúda comentou : "Na tua casa não há Natal", pois eu não tinha posto enfeites natalícios.
No dia seguinte, resolvi desembrulhar as figurinhas de um presépio mexicano, dos índios de Chiappas e coloquei-as no rebordo da lareira.
Pelas 4 da tarde fui buscar a Joana que então comentou : "Na tua casa já há Natal. Mas o pisépio não tá bem". "Porquê?" perguntei eu. "Não tem musgo". Tinha razão a criança.
No dia 23, logo pela manhã, fui à florista comprar musgo. O musgo natural esgotara. Mas havia musgo artificial . Comprei um euro de musgo de plástico, desejando que a menina o não distinguisse do verdadeiro.
Retirei as figurinhas, espalhei o musgo chinês, voltei a pôr as figuras e às 4 da tarde trouxe a Joana para minha casa. Correu logo à sala e comentou : "O teu pisépio já tem musgo. Mas o meu cheira mais bem" .

Júlia Ribeiro

TORRE DE MONCORVO - EFEMÉRIDES (01/01

1 Jan. 1868 – Neste dia deveria entrar em vigor a lei que estabelecia a criação de um novo imposto sobre os bens de consumo. Tal não aconteceu porque os povos, de norte a sul de Portugal se revoltaram, promovendo o incêndio de repartições públicas e queima dos papéis, obrigando o Governo a demitir-se e o Rei a promulgar uma nova lei revogando o imposto do consumo. Esta revolta, verdadeiramente popular e genuína, passou à história com o nome de Janeirinha. Em Torre de Moncorvo não houve violências nem assaltos a repartições. Mas houve uma intensa mobilização cívica popular. Vejam como as coisas se passaram:
Ao fim da missa, tocaram os sinos da igreja a rebate e o povo que saiu da missa e o que andava por outras paragens, tudo se juntou no largo do Rossio, frente à matriz. Dispunha-se aquela mole de gente a dirigir-se para o largo do Castelo, a assaltar a repartição de Finanças que funcionava no edifício da câmara e a queimar os impressos de cobrança do imposto. O Administrador do concelho conseguiu, no entanto, dissuadi-los, prometendo que tal imposto não seria cobrado, na área do concelho. E assim serenaram as coisas.
Já de noite, pelas 7 horas, a vila foi invadida por “cento e tal homens” do Larinho, que acabaram por se render também às palavras do Administrador do Concelho, retirando em paz.
Ao outro dia, pelo meio dia, soube-se que uma multidão de mais de 600 homens do Felgar, Carviçais, Souto e Mós vinham a caminho da vila. Acabaram por entrar nela, armados de paus, facas, roçadoras, foices e espingardas. Também eles acabaram por acatar os discursos do Administrador José Maria Pimenta de Sousa e do juiz de Direito, Tomás Inácio de Meireles Guerra, limitando-se a mandar vir uma mesa para a Praça do Município e sobre ela foi redigida uma Proclamação por um habitante do Felgar, assinada por quantos sabiam e quiseram, dando-se, no fim, Vivas ao rei e Morras ao Governo.
À noite foi de novo a vila invadida por multidão de gente vinda de Felgueiras, Maçores, Açoreira, Peredo e Urros, mas nada aconteceu para além de vivas e morras e manifestações de desagrado.
1 Jan. 1952 – Lançamento do jornal A Torre, pelo empresário Moncorvense Manuel de Sousa Moreira que também explorava já o Cinema da terra. O primeiro director foi Armando Fonseca, natural de Urros e que, até há poucos anos, dirigiu o diário Portuense Jornal de Notícias. Ironia do destino: a “Torre” desapareceu em 1975, depois de ser reposta a liberdade de imprensa com a revolução de Abril e deixando um vazio na terra que ninguém conseguiu até hoje preencher.
1 Jan. 1961 – Inauguração da luz eléctrica na aldeia de Felgueiras, com cerimónia presidida pelo capitão Mário Lopes, presidente da câmara e pelo embaixador Virgílio Armando Martins. Creio ter sido a primeira aldeia do concelho a conquistar semelhante benefício. Digo conquistar porque… foi o povo que, antecipadamente, se lançou numa subscrição pública juntando 40 contos de réis para início da obra. Grande exemplo!!! Viva Felgueiras!!!

António Júlio Andrade

HOMEM COM 47 ANOS DETIDO EM VILA REAL POR TENTATIVA DE HOMICÍDIO




Foto de arquivo
VILA REAL – A Polícia Judiciária, através da Unidade Local de Investigação Criminal de Vila Real, procedeu à identificação e detenção de um homem pela presumível autoria de um crime de homicídio tentado.
Os factos ocorreram no dia 04 de agosto de 2013, cerca das 02H30, na localidade de Açoreira, em Torre de Moncorvo, quando o arguido, na sequência de um desentendimento por motivo fútil, muniu-se de uma pistola e efetuou um disparo em direção à vítima.
A Policia Judiciária teve a colaboração da Guarda Nacional Republicana – Destacamento Territorial de Torre de Moncorvo.
O detido, de 47 anos de idade, comerciante, vai ser presente a interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.
Lusa ,31/12/2013