domingo, 21 de abril de 2013
sábado, 20 de abril de 2013
Arqueologia: Novos achados "únicos" no Baixo Sabor
As
investigações arqueológicas que estão a decorrer há dois anos na região do
Baixo Sabor trouxeram aos olhos dos especialistas achados "únicos" em
toda a Península Ibérica. As descobertas foram apresentadas durante o 1º
Encontro de Arqueologia, que decorreu esta sexta-feira na vila transmontana de
Mogadouro e contou com especialistas e professores universitários.
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| Medal. Foto A.F.F.M. |
"Estamos
a terminar os trabalhos de campo que abrangeram mais de uma centena de sítios
arqueológicos com uma cronologia estabelecida entre o Paleolítico Inferior e a
Idade Moderna", contou à agência Lusa a arqueóloga Rita Gaspar, do
Agrupamento de Empresas do Baixo Sabor.
De acordo
com a cientista existem três sítios "excecionais" no Vale do Sabor,
em que a intervenção será prolongada por mais uns meses, e outros onde os
trabalhos já estão praticamente concluídos e em que as equipas já estão a
desmobilizar.
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| Crestelos. Foto A.F.F.M. |
Entre os
pontos de interesse, desvendou Rita Gaspar, está um local situado na foz da
ribeira do Medal, freguesia de Meirinhos, concelho de Mogadouro, onde foram
descobertas milhares de placas de pedras com gravuras de "arte rupestre
móvel".
Os
arqueólogos afirmam que se trata de uma área que ultrapassa os 400 metros
quadrados e que tem vindo a revelar-se um importante ponto arqueológico do
Paleolítico Superior na Península Ibérica.
"Esta
é, atualmente, a maior escavação do Paleolítico Superior em Portugal, num
contexto de arte rupestre móvel, sendo a única do seu género ao ar livre na
Península Ibérica. Muito poucas na Europa têm mais de 300 mil peças para serem
estudadas", revelou a arqueóloga.
Outro dos
locais mais importantes para os investigadores é o Sítio de Crestelos, também
no concelho de Mogadouro, que atesta a existência de uma ocupação
"contínua" de mais de dois milhões de anos.
"Aqui
descobrimos estruturas da Idade do Ferro que ainda não foram encontradas em
outros pontos da região", destacou Rita Gaspar, que acrescentou que
"todo o material recolhido nos sítios arqueológicos está a ser
analisado" nos laboratórios "e compilado para, no fim, ser publicada
uma monografia", o que deverá acontecer, "ao que tudo indica, em
2014/2015".
2.300 sítios arqueológicos já sinalizados
2.300 sítios arqueológicos já sinalizados
Antes do
início das obras de construção da barragem do Baixo Sabor, os especialistas
tinham sinalizados 300 sítios arqueológicos. Depois destes trabalhos, o número
"saltou" para os 2.300, o que, segundo Rita Gaspar, se traduz
"num enorme incremento nos trabalhos arqueológicos", com uma grande
concentração de meios humanos e materiais, "que deu frutos
fabulosos".
A
especialista salientou, portanto, que, no decurso dos trabalhos arqueológicos,
todas as expetativas "foram ultrapassadas" na região do Vale do
Sabor.
De
realçar que os trabalhos estão a decorrer na área da albufeira que abrange os
quatro concelhos da região do Baixo Sabor (Mogadouro, Macedo de Cavaleiros,
Alfandega da Fé e Torre de Moncorvo), que ficará submersa aquando do enchimento
da albufeira da barragem do Baixo Sabor, programado para 2013.
Sábado, 20
de Abril de 2013
Plantação de espécies arbustivas e herbáceas assinala Semana da Primavera Biológica em Torre de Moncorvo


No âmbito da Semana da Primavera Biológica decorreu no dia 13 de Abril, Sábado, uma atividade de plantação de espécies arbustivas e herbáceas junto ao Estádio Eng.º José Aires.
Presentes estiveram mais de 80 participantes entre eles o Grupo de Escuteiros de Moncorvo, a Fundação Francisco Meireles e o público em geral.
A atividade teve início com uma breve explicação pela Vereadora dos Espaços Verdes do Município, Engª Alexandra Sá, sobre a Semana da Primavera Biológica, “Movimento Plantar Portugal”, importância da reciclagem e prevenção de resíduos e sobre a plantação que se iria ter lugar.
Os participantes, depois de divididos em três grupos, com o apoio dos jardineiros do Município iniciaram as plantações. No final todos tiveram direito a um lanche e um kit para compostagem doméstica.
Com esta iniciativa pretendeu-se a celebrar a entrada na primavera e sensibilizar a população para a necessidade de adotar estilos de vila mais saudáveis.
PAULITEIROS DE MIRANDA NO BAHREI ,por Rui Eduardo
PAULITEIROS DE MIRANDA
NA ABERTURA DO GRANDE PRÉMIO DE FORMULA 1
DO BAHREIN
L Médio Ouriente recebiu l Grande Prémio de Formula 1 ne l Circuito Anternacional de l Bahrein i acuolhiu tamien un de ls Grupos de Pauliteiros de l Praino Mirandés, custituido por bários eilemientos cun raízes ne l Praino, defensores de la magnificéncia Etnográfica Pertuesa. Na bagaige i ne ls basos custritores carregórun cultura i tradiçon Pertuesa – trajes, saias, chapéus, lhenços, tambores, gaitas-de-foles, fraitas pastoris, castanhuolas, bombos, laços de dança i la segunda lhéngua oufecial pertuesa, l Mirandés. Todo esto costurado a mano i rendilhado cula alma.
MONCORVENSES DA DIÁSPORA -A minha amiga Luci,por Júlia Ribeiro
Há quase três anos, mais
especificamente no dia 22 de Agosto de
2010, escrevi um texto sobre a nossa conterrânea Maria Lucinda Manso Antunes.
Da esquerda para a direita: a moncorvense Lucinda é a segunda .
Nascida e criada em Moncorvo, a sua vida de luta, de coragem e de muitas
vitórias, faz-nos ter orgulho nela, como pessoa e nas suas conquistas, como empresária de sucesso.
Ia modificar o texto, mas tendo-o lido novamente, decidi mantê-lo como o escrevi em 2010. Aqui está:
Uma amiga minha, a minha melhor amiga
dos tempos de meninice e adolescência é, tal como tantos de nós, uma
moncorvense da Diáspora.
Penso que terá saído de Moncorvo com os pais, pelos 15/16 anos. Licenciou-se na
Faculdade de Letras do Porto em Línguas e Literaturas Modernas (Português e
Francês, se não estou em erro).
Era ( é ) inteligente e bonita. ” Graciosa” lhe chamava o Dr. Ramiro Ralgado. Nem sempre muito aplicada...Casou muito novinha. Mas a vida, de vez em quando, encarrega-se de nos dar umas sapatadas valentes. Após dois ou três anos de felicidade, a minha amiga e o marido tiveram um acidente medonho e, em segundos, tudo mudou: o marido morrera e ela estava gravemente ferida. Era ainda tão nova! E com dois filhos pequeninos. Mãe-viúva, mãe-menina, mãe-coragem.
Era ( é ) inteligente e bonita. ” Graciosa” lhe chamava o Dr. Ramiro Ralgado. Nem sempre muito aplicada...Casou muito novinha. Mas a vida, de vez em quando, encarrega-se de nos dar umas sapatadas valentes. Após dois ou três anos de felicidade, a minha amiga e o marido tiveram um acidente medonho e, em segundos, tudo mudou: o marido morrera e ela estava gravemente ferida. Era ainda tão nova! E com dois filhos pequeninos. Mãe-viúva, mãe-menina, mãe-coragem.
O trágico golpe não a vergou.
Ergueu-se e, com um esforço de alma e coração, tomou as rédeas da vida nas mãos
e conduziu-a sem um desalento. ( Parece-me até que ainda não afrouxou ). Nem
ela sabe onde foi buscar tanta força. Sabemos que venceu e é hoje a grande empresária
de que atrás falei. O que não é fácil neste país e muito menos no caso de uma
mulher. Aqui a vemos, mais uma vez
premiada e com grande mérito.Apresento-vos a minha amiga Luci, também
cozinheira de alto gabarito, com belíssima obra publicada.Hoje, no mundo empresarial é conhecida
como Maria Lucinda Tavares da Silva, pois adoptou para sempre o nome do pai dos
seus filhos .
22 de Agosto
de 2010 / Leiria, 19 de Abril de 2013
Um grande abraço, Mulher lutadora.
Júlia
Cerebrum | Produto do Ano
A gama cerebrum®, da Natiris, foi considerada pelos consumidores a gama mais inovadora, na categoria suplementos cerebrais. O cerebrum pretende estimular as capacidades cerebrais, através de abordagens multidisciplinares e polivalentes, capazes de responder às diferentes necessidades de cada indivíduo.
A gama de suplementos naturais de alto rendimento cerebrum® apresenta assim um posicionamento diferencial, que oferece respostas completas e especializadas por função, finalidade e grupo etário.
O “produto do ano” leva a cabo anualmente um estudo onde os consumidores elegem, mediante voto direto, os produtos de consumo mais inovadores do ano. A gama cerebrum® foi eleita pelos consumidores “produto do ano”.
A gama de suplementos naturais de alto rendimento cerebrum® apresenta assim um posicionamento diferencial, que oferece respostas completas e especializadas por função, finalidade e grupo etário.
O “produto do ano” leva a cabo anualmente um estudo onde os consumidores elegem, mediante voto direto, os produtos de consumo mais inovadores do ano. A gama cerebrum® foi eleita pelos consumidores “produto do ano”.
Info: www.cerebrum.pt / www.natiris.pt
sexta-feira, 19 de abril de 2013
FREIXO DE NUMÃO - Património
CARVIÇAIS - POR ONZE CASTANHAS
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| Nota: Para abrir a página(ampliar o texto), clique no lado direito do
rato ;abrem as instruções, e depois clique em abrir hiperligação Postado em 17/05/12 |
DIA DIOCESANO DA JUVENTUDE
Programa Oficial:
9.30h - Acolhimento no Cruzamento (localização em cima)
10h - Começa a Peregrinação que acabará no Santuário de N. Sra. da Assunção de Vilas Boas, onde teremos o nosso plenário.
12h - Teremos a nossa Eucaristia, presidida pelo nosso Bispo, D. José Cordeiro e animada pelos Convivas Fraternos!
13h - Almoço (cada grupo ficará responsável pelo seu!)
14.30h - Começará a nossa tarde cultural. Teremos o espectáculo pelo Grupo ALMA e pela Banda D. Sebastião. Será certamente uma grande animação.
17.30h - Envio.
http://www.facebook.com/events/295300597269892/?notif_t=plan_user_invited
9.30h - Acolhimento no Cruzamento (localização em cima)
10h - Começa a Peregrinação que acabará no Santuário de N. Sra. da Assunção de Vilas Boas, onde teremos o nosso plenário.
12h - Teremos a nossa Eucaristia, presidida pelo nosso Bispo, D. José Cordeiro e animada pelos Convivas Fraternos!
13h - Almoço (cada grupo ficará responsável pelo seu!)
14.30h - Começará a nossa tarde cultural. Teremos o espectáculo pelo Grupo ALMA e pela Banda D. Sebastião. Será certamente uma grande animação.
17.30h - Envio.
http://www.facebook.com/events/295300597269892/?notif_t=plan_user_invited
quinta-feira, 18 de abril de 2013
25 de Abril em Torre de Moncorvo
A mão que embala o berço,por Armando Sena
Lembro-me de um filme premiado, com este título.
Foi exatamente o que me ocorreu para intitular tão hábeis mãos que conduzem uma dança inigualável produzindo delícias que já não se usam.
Não são daquelas que se compram em embalagens luxuriantes que entram olhos dentro e depois, depois de “saboreada” a embalagem, o conteúdo sabe a pouco mais do que um logro. Não, estas não enganam, saltam à vista no saber de quem as faz, o aroma entranha-se-nos logo e, não sendo a embalagem luxuriante, o conteúdo possui um sabor inesquecível.
Saem das mãos das Cobrideiras, com o ouro que brota das amendoeiras, fruto do inclemente sol transmontano.
Quem sabe se o minério de Torre de Moncorvo não está dentro destas embalagens?
Armando Sena
Bruçó - de Paraíso da Pesca ao Inferno
Não há fome que não dê em fartura, mas neste caso é o inverso não há fartura que não de em fome!
P.S: Caso alguém tenha histórias recentes de pescarias por Bruçó recentes e como bons resultados ( nem que seja um peixe) diga.
Bruçó-Mogadouro local magnifico de pesca, que durante os últimos anos nos vinha fazendo querer pescar e pescar sem parar, tal a quantidade tal a variedade de espécies e seus tamanhos.
Em apenas um ano e pouco tudo mudou, as grades acumulam-se tanto como as redes quase "encavalitadas" umas nas outras que se vêm da margem, a pesca profissional tudo levou, quando digo tudo é mesmo tudo é que nem uma simples perca ou alburno se vê, carpas e barbos são tão impossíveis como a melhora da economia nacional !
Ficam as lembranças na memória e em fotos como já postadas no blog.http://www.meumundodapesca.com/2013/04/bruco-de-paraiso-da-pesca-ao-inferno.htmlP.S: Caso alguém tenha histórias recentes de pescarias por Bruçó recentes e como bons resultados ( nem que seja um peixe) diga.
Texto e foto de Francisco Morais
quarta-feira, 17 de abril de 2013
MOGADOURO - I Encontro de Arqueologia
VIAGENS III,por Júlia Ribeiro
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| Gare de l'Est Paris |
Dia 2 de Agosto. Pelas 13 horas recomeça a viagem:
Hendaye – Paris – Heidelberg . Santo Deus, ainda falta uma tarde de calor
infernal e uma noite inteira de cansaço, de vários e variados modos de ressonar
e de diversos cheiros de suor, pois a água já faltara nas torneiras dos WC. Em
Hendaye todo o pessoal comprou dúzias de garrafas de água.
Abreviando: a meio da noite, ensonada, dei conta que
pessoas saiam e outras entravam. No exíguo espaço a que estava confinada,
tentei arranjar posição para continuar a dormir. Mas tive um pesadelo horrível:
uma pedra enorme havia-me caído sobre o peito e estava a sufocar. Consegui
acordar dando um safanão, o meu pai pergunta “o que foi? ” , “ Não consigo
respirar” , alguém acende a luz e vimos que o meu parceiro da frente tinha
posto um pé sobre o meu peito. O meu pai levantou-se furioso e foi tirar-lhe o
pezunho de cima de mim. Então não é que o fulano tinha o pé e a perna
engessados? Aquilo devia pesar uns cem quilos! Foi mesmo um senhor pesadelo!
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| Heidelberg |
Chegados à Gare de Austerlitz na manhã de dia 3, foi
uma corrida de táxi para a Gare de l’Est: o meu pai, eu, o rapaz alemão e um
emigrante nosso que trabalhava em Mannheim. Pelo meio dia estávamos em
Heidelberg. Era um Sábado. Fomos deixar as malas na casa da família alemã que
me estava destinada, e aproveitar para, finalmente, tomar banho. Portanto
Sábado e Domingo fomos turistas.
Segunda-feira, dia 5 de Agosto, fui à secretaria da
Universidade onde recebi o cheque da bolsa de estudos. Disse ao meu pai que já
estava tudo em ordem e eu ficaria bem e ele concordou que regressaria no
comboio da tarde. Mas tinha a dele fisgada.
Despedimo-nos depois do almoço e fui para a primeira
aula. Era de apresentação – éramos 22 estudantes na minha turma: 3 finlandeses
altos e loiros, 2 italianas morenas e muito barulhentas, um brasileiro, etc.
etc. – e à nossa frente o coordenador do curso, Professor Doktor Hans Vermeer.
Quando chegou ao meu nome, mirou-me bem e pareceu-me
que notei um leve sorriso irónico. No fim disse para todos: “Temos aqui uma
estudante portuguesa, Fräulein de
Barros” (fez uma pausa frisando bem o de
que corresponde em alemão a von e que nesse tempo, na
Alemanha, ainda tinha um estatuto,
apetecia-me dizer: um estatuto do caraças, pronto, está dito ), e
continuou “ a Fräulein de Barros,
cujo pai veio falar comigo para a recomendar. Portanto, temos, todos nós, de
tratar a Fräulein de Barros muito
bem”. Fim do discurso.Foi uma das maiores vergonhas da minha vida. Fiquei
encolhida, de cabeça baixa, quase em lágrimas. Queria era meter-me num buraco.
O Prof. saiu e todos os colegas vieram rodear-me, pôr o braço no meu ombro, oferecer-se
para me ajudar, para me acompanhar... Aí é que as lágrimas correram mesmo. A
vontade que eu tinha de gritar com o meu pai !
Um pai-corujo, vindo lá das Berças... Um pai moncorvense e ... está tudo dito.
O curso até correu bem. (Outra coisa não seria de
esperar, com tanta gente a proteger-me...). Durante anos, pelo Natal, o meu
pai-corujo enviou uma garrafa de vinho
do Porto ao Professor Doktor Hans Vermeer.
Leiria, 15.04.2013
Júlia Ribeiro
Freixo de Numão - Herança judaica
segunda-feira, 15 de abril de 2013
LINHA DO SABOR - Recordar
linha sabor anos 80
ALFÂNDEGA DA FÉ - Cerejais em flor
A produção de cereja em Alfândega da Fé é relativamente recente. Foi na década de 60 graças ao projeto visionário do Engenheiro Camilo de Mendonça que a cereja começou a assumir importância na economia concelhia. Este engenheiro, natural de Vilarelhos, uma freguesia do concelho de Alfândega da Fé, idealizou um projeto hidroagrícola para dinamizar a agricultura Transmontana. Tal implicou também a criação da Cooperativa Agrícola local, ainda hoje responsável pela maior mancha de pomares de cereja existente em Alfândega da Fé, cerca de 60h.
Destino, por Armando Sena
Não sei se caminho em parte incerta
Se o tempo é este em que vegetoSe o que vivo é agora ou longe ausente
Se sim, se não, se dor somente
Aquela porta que no fim já foi aberta
É agora sinónimo de ti presente
Longe vai o tempo e a lembrança
Perto da presença que te invoca
A lua que é a mesma e me provoca
Esguia escorre em demasia
Desfalece, agoniza e ressuscita
Assim se completa a aliança
Do tremor da noite se faz dia
Excerto de Colheita de Incertezas
Nordeste Transmontano - Património
domingo, 14 de abril de 2013
Viagens II, por Júlia Ribeiro
Ora,
o meu pai foi levar-me a Heidelberg.
Mas
não imagine o leitor que me levou de carro ou que fomos de avião. Não me lembro
de o meu pai algum dia ter um carro novo. Eram sempre em 2ª ou 10ª mão e pé e
avariavam pelo caminho. De avião... santo Deus, nessa altura e para as gentes
de Moncorvo, andar de avião era não só uma coisa inédita, como envolvia algo de mágico. Os
raparigos da Corredoura, quando avistavam um avião lá no céu, vinham todos a
correr em algazarra para o Largo , de dedo espetado no ar “Olha o avião. Vai
além. Adeus, adeus”, e acenavam convencidos que os passageiros os viam e lhes
acenavam também.
O
amigo Xico Cabeças no final do dia 31 de Julho de 1957 levou-nos a Celorico da
Beira, para apanharmos o Sud Express.
Belo
nome para um comboio que começou por ser de luxo e, nas décadas de 50, 60 e 70
passou a ser o combóio dos emigrantes. Era suposto que o Sud andaria a 150
km/hora, mas nem daí a cem anos circularia com essa velocidade. Parava em todas
as estações, pois em todas entravam mais emigrantes. A máquina, que até há 2 ou
3 anos antes era a vapor, isso mesmo, trabalhava a carvão, era agora já de
tração a diesel. Um enorme progresso!! Porém, como havia só uma via férrea, os
outros combóios que circulavam nela, tinham de esperar pelo Sud nas estações e
só depois dele passar é que seguiam viagem. Diziam as tabelas horárias daquele
tempo que eram 45 horas de Lisboa a Paris. Só que, no mês de Agosto, em que
emigrantes regressavam a França e outros vinham matar saudades, o Sud Express
demorava dois longos dias e duas mais longas noites. Penosas noites, sentados –
os que ainda arranjaram lugar sentado- em bancos duríssimos, joelhos contra
joelhos, chega para lá o catrunho, cuidado que está aí o garrafão ... Doiam as
costas, doia o pescoço, doia tudo.
Eu
não sabia que havia no Sud serviço de “Wagon-lit” e, mesmo que o meu pai
soubesse, isso era um luxo inacessível. Iamos comer umas sandes manhosas à
carruagem-restaurante e beber água e já era algo de extraordinário. Verdade
seja dita, que os nossos companheiros emigrantes queriam que comêssemos do seu
farnel e o meu pai nem se fazia muito rogado: comia empada, pão com chouriço,
conversava... Eu só tinha era sede. Alguém disse que estavam 38 graus e que a
temperatura ia subir. Claro que não havia ar condicionado. Mas nem tudo era
mau: ainda havia quem tocasse realejo e quem cantasse...
Tínhamos
entrado em Celorico já passava das 10 horas da noite. Com as paragens todas,
era meia noite quando chegámos a Vilar Formoso. Guarda fronteiriça, passaportes
à mão e mais uma hora de paragem. Fuentes de Oñoro: a mesma coisa, só que com a
Guardia Civil e mais hora e meia perdida.
E
lá seguimos: iriamos ter uma noite inteira até Irun/Hendaye, a fronteira
pirenaica. O meu pai explicou-me que aí não demorávamos só por causa dos
passaportes; a paragem seria mais longa, por causa da diferença de bitolas: a
bitola ibérica era diferente da bitola europeia. Portanto que aproveitasse para
dormir essas horas até Hendaye.
Ao
meu lado direito estava um estudante alemão que vinha de Coimbra, onde passara
um semestre a estudar Português. Fomos conversando e a certa altura o sono atormentava-me,
mas o calor era de abafar e o ressonar de meu pai (ao meu ouvido esquerdo) e o
roncar de outros dois homens acordava o Sud inteiro. Era-me impossível dormir.
Já
exausta, disse para o moço alemão: “Queria tanto dormir, mas não consigo” .
Resposta
imediata do rapaz: “Não comigo?”.
O
espanto dele era genuino e eu fiquei sem fala. Depois ri a bom rir, quando
percebi que ele não conhecia o verbo “conseguir”. Aproveitei para lhe dar uma
breve lição de português.
Acordei
em Hendaye com a cabeça encostada ao braço do alemão e um torcicolo dos diabos.
(Continua)
Leiria,
2013-04-14
Júlia
Ribeiro
sábado, 13 de abril de 2013
Viagens, por Júlia Ribeiro
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| Neckar-River,-Heidelberg,-Germany |
Penso que toda a gente tem episódios, mais ou menos
curiosos, mais ou menos engraçados, para
contar de alguma(s) viagen(s) que tenha feito. Eu tenho.
A primeira vez vez que fui à Alemanha (corria o ano de
1957), com uma bolsa de estudos atribuida pelo Goethe Institut pela nota obtida no exame de Alemão do
antiquíssimo 7º Ano, fui acompanhada pelo meu pai.
Eu estava já no 1º ano de Filologia Germânica em
Coimbra, quando a notícia me chegou à mão, em carta assinada pelo Chefe da
Secretaria do Liceu de Bragança, o bondoso Sr.Manuel Maurício. Acompanhava a
carta um impresso que eu tinha de assinar sobre um selo de vinte e cinco
tostões, ou seja, um selo de 2$50. (Hoje nem chegaria a dois cêntimos).
Obviamente fiquei muito feliz, telefonei ao meu pai que
ficou todo babado, e fui logo comprar o dito selo, colei-o no lugar devido,
assinei, escrevi o envelope e enviei a carta ao Sr.Maurício, que me respondeu
na volta do correio, dizendo que o Liceu já enviara todos os papéis para o
Goethe Institut e acrescentava que o
selo sobre o qual eu assinara, deveria ter sido fiscal e não um selo dos
correios, mas que ele havia resolvido o problema.
Santo Deus! Imaginem só: tinha 17 anos e não sabia que devia
utilizar um selo fiscal. Claro que já vira documentos selados, mas eram coisas de
tribunal ou de notário, como cédulas, certidões de nascimento, BI, e estava
convencida que só essas entidades oficiais é que utilizavam os tais selos.
Não há dúvida, vinha lá das berças: passara da
Corredoura, de empréstimo para a Vila, daí para Bragança, e estava há dois
meses em Coimbra (num Lar de Freiras Franciscanas) , mas continuava a pertencer
às Berças.
Ah, pois, o meu pai foi comigo até Heidelberg ...
(Continua – como os folhetins antigos...)
Leiria, 12 de Abril de 2013.
Júlia Ribeiro
ALFÂNDEGA DA FÉ - Grupo de Cantares
Primeiro Aniversário do Grupo de Cantares de Alfândega da Fé | 14 de abril | 15.30h | Casa da Cultura Mestre José Rodrigues
O Grupo de Cantares de Alfândega da Fé comemora o primeiro aniversário com uma atuação no Auditório Manuel Faria, da Casa da Cultura Mestre José Rodrigues. À iniciativa associou-se o Grupo de Cantares Espinhosense. A “Festa” tem início marcado para as 15.30h, do dia 14 de abril. A entrada é livre.
O Grupo de Cantares de Alfândega da Fé tem, atualmente, cerca de 40 elementos que com o apoio da Câmara Municipal conseguiram a teimosia necessária para fazer vingar este projeto. A formação junta várias gerações e tem vindo a revelar-se como um bom exemplo de preservação e valorização da música tradicional. Além disso, é também uma forma de contribuir para a ocupação dos tempos livres da população, potenciando as suas vocações.
O Grupo de Cantares de Alfândega da Fé tem, atualmente, cerca de 40 elementos que com o apoio da Câmara Municipal conseguiram a teimosia necessária para fazer vingar este projeto. A formação junta várias gerações e tem vindo a revelar-se como um bom exemplo de preservação e valorização da música tradicional. Além disso, é também uma forma de contribuir para a ocupação dos tempos livres da população, potenciando as suas vocações.
Almendra - Solar dos Viscondes do Banho
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| Interior do solar.Foto A.F.F.M. |
Wikipédia
A. M.PIRES CABRAL -aldeias abandonadas
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Trás-os-Montes não é divisível,por Armando Sena
Por uma série de felizes coincidências, tornei-me frequentador este blogue. Depois de conhecer o autor, num feliz evento cultural, foi ainda mais habitual a minha visita a este espaço e de frequentador assíduo, passei a participante.
Foi sendo tanta a proximidade que, Moncorvo, sendo apenas para mim uma referência geográfica e um local de passagem, pelo vale da Vilariça, passou a ser um ponto de atração. E, foi assim, que investi três dias das minhas férias para melhor conhecer o concelho e a região. Em boa altura o fiz. Comecei por subir a ladeira mais íngreme de que tenho memória de ter subido de carro, mas valeu a pena, esperavam-me paisagens deslumbrantes, usos, costumes e iguarias que marcam.
Um dia talvez volte a este tema, mais em detalhe, para já fica-me a recordação de um lugar único num dos cantos deste imenso Trás-os-Montes e a recordação de um concelho de variadíssimas riquezas, a começar pela paisagem.
E mais uma vez confirmei a minha teoria de que Trás-os-Montes não é divisível, pois ser transmontano é um estado de alma, algo que está entranhado, que nasceu connosco e, como bem sabemos, o que o berço dá, só a tumba o tira.
Armando Sena
“Histórias de Benlhevai” de José Maria Fernandes
O Centro de Memória recebeu no dia 23 de Fevereiro a inauguração da exposição de pintura “Olhares” de Fernanda Ferreira.
A exposição constituída por cerca de 30 quadros estará patente no Centro de Memória de Torre de Moncorvo até dia 22 de Março de 2013.
De seguida no auditório da Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo, o Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Eng.º Aires Ferreira, deu continuidade à sessão referindo que este ano o Município decidiu iniciar o programa das Amendoeiras em Flor com atividades culturais. Rogério Rodrigues tomou a palavra para apresentar o livro “Histórias de Benlhevai” de José Maria Fernandes. O autor explicou que este livro surgiu porque tinha necessidade de deixar guardadas memórias escritas de algumas histórias que ele conhecia e outras que ouviu.
Hélder Rodrigues, autor de “Terra Parda: Contos” fez a apresentação do seu próprio livro referindo que se divide em 22 contos que contam a história da ruralidade transmontana e que contempla temáticas atuais da vida agreste do nordeste transmontano.
https://mail.google.com/mail/u/0/?tab=wm#inbox/13d2078818b300be
Apresentação
do livro “Histórias de Benlhevai”,por Rogério Rodrigues
Benlhevai é o Reino
Maravilhoso de José Maria Fernandes. Pertencendo a um família numerosa e ele
com assento mais permanente nesta aldeia de Vila Flor, foi incumbido de ser o
cronista-mór do Reino.
E desempenhou bem as funções,
porque este livro é e será uma preciosidade para os estudiosos de antropologia,
etnografia, comportamentos sociais,linguística mesmo ou sobretudo nos regionalismos,
localismos ou corruptela das palavras, o que levou, compreensivelmente,o
autor a apendiçar um glossário à obra.
O que nos pode surpreender
neste livro é a coexistência do sagrado com o profano, o repositório de um
conhecimento empírico e ancestral na nomeação e catalogação das alfaias
agrícolas , das suas características e utilização.
É toda uma cultura popular,
mais assente na passagem de testemunho e memória de pai para filho, do que em
qualquer documento escrito.
Registe-se também, e não é
tão pouco, uma recolha da sabedoria popular, dos costumes, e dos ciclos da vida
do homem e da Natureza. E nunca, como aqui, o homem e a natureza andaram tão
ligados e foram tão dependentes um do outro.
VALES - Alfândega da Fé
Júlio Máximo de Oliveira Pimentel,Tomé Rodrigues Sobral e a cadeira de Quimica
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| Foto de Leonel Brito |
1. O primeiro lente e o primeiro preparador de Química da
Escola Politécnica de Lisboa
Quando em 1837 se criou a Escola Politécnica de Lisboa,
destinada a apetrechar superiormente os alunos candidatos a oficiais do
Exército e da Marinha, em conhecimentos fundamentais de ciências
físico-naturais e matemáticas, estabeleceu-se desde logo, pela pena do
legislador, que existiria nesta escola, dentro da categoria dos «Empregados que
não exercem o magistério», um Preparador de Química (também um de Física, e
eventualmente mais algum, se de absoluta necessidade).
O primeiro lente da 6.ª cadeira da Escola Politécnica foi
Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (1809 – 1884), que a regeu desde finais de
1837 até meados de 1859, altura em que transitou para a nova cadeira, de
Química Orgânica. Oliveira Pimentel pertencia a uma família de tendência
liberal (era sobrinho do General Claudino Pimentel) e fora “apanhado”, ainda
estudante em Coimbra, onde cursava a Faculdade de Matemática, pelos confrontos
entre liberais e absolutistas. Transformado em alferes do Exército, em 1833,
homenagem de D. Pedro IV aos mais bravos na serra do Pilar, foi “reciclado” no
fim da contenda após ter completado o seu curso de Matemática - diz-se que
devido às “mazelas” que lhe ficaram - e integrado no “corpo” de lentes da nova
escola, preparatória para os cursos da Escola do Exército, que, também ela,
nascia em Lisboa.
Ainda não dispomos, para Oliveira Pimentel, do nome do
professor que, na Faculdade de Filosofia, lhe forneceu os conhecimentos da
única cadeira de Química que existia na Universidade, e que integrava o
currículo do curso de Matemática. Sabemos, no entanto, da sua amizade com Tomé
Rodrigues Sobral (o “oráculo” da Química em Portugal, antigo catedrático em
Coimbra, entretanto jubilado na década de 20), e da sua “simpatia” pelas coisas
das ciências naturais – o que talvez explique a cedência de Pimentel face à
pressão de Mota Pegado e de Sá da Bandeira para que assumisse a regência da 6.ª
cadeira – assim como, que considerava a sua preparação nessa ciência
manifestamente insuficiente – muito provavelmente, a razão de ser das
reticências por ele colocadas, à aceitação do cargo e, desta feita sem qualquer
dúvida, o argumento de peso que permitiu “negociá-la”, condicionando-a à
realização de um período probatório, em prática laboratorial e conhecimentos
industriais, no estrangeiro.
Mas não obstante esta insuficiência “congénita” de formação,
Júlio Máximo de Oliveira Pimentel ainda ponteou o período inicial da Química na
Escola Politécnica (de 1837 até 1844, altura em que sai para Paris) com algumas
iniciativas no sentido de um maior desenvolvimento do ensino da Química,
nomeadamente o “arranjo” do primeiro Laboratório de Química da Escola
Politécnica (provavelmente adaptado da cozinha do extinto Colégio dos Nobres,
onde se instalara a Escola), a publicação do seu Curso de Química Elementar
professado na Escola Politécnica (que antecedeu o mais conhecido, Lições de
Química Geral e suas principais aplicações, de 1850-1852), e a elaboração de um
curso prático para a cadeira em questão. Em Dezembro de 1839 – e tal como
determinado pelos trâmites legais, após um período probatório de dois anos - o
Conselho Escolar assumia definitivamente Júlio Máximo de Oliveira Pimentel como
lente de Química, propondo-o para proprietário da 6.ª cadeira. A sua nomeação
oficial surgiu alguns meses depois, em Abril de 1840. A linha em crescendo dos
acontecimentos relacionados com a Química na Politécnica foi contudo
tragicamente interrompida quando, em Abril de 1843, um incêndio de grandes
proporções reduziu a escombros o edifício do Monte Olivete.
Pimentel ausentou-se no estrangeiro cerca de dois anos, mas
na Primavera de 1846 já estava em Portugal, recuperando a regência de Química
das mãos de Fradesso da Silveira. As aulas da 6.ª cadeira funcionavam desde o
incêndio no Laboratório de Química da Casa da Moeda, prontamente
disponibilizado na sequência imediata do desastre, para continuidade das aulas
de Química e de Física. A apoiar o trabalho do regente deverá ter estado
alguém, primeiro designado por Preparador do Laboratório de Química da Casa da
Moeda (1844), e depois 2.º Ensaiador (1846), da mesma instituição - quando
acordou em realizar as análises de minerais, como galenas e minérios de cobre e
de estanho, requeridas mediante inúmeros pedidos que “choviam” no laboratório,
reflexo imediato da reanimação mineira que se começava a manifestar um pouco
por todo o país, e que o pessoal da Casa da Moeda, com prática apenas em
ensaios para o ouro e prata, não conseguia dar vazão. Isto não impedia,
contudo, que o próprio se apresentasse como «Preparador de Química da Escola
Politécnica e da Casa da Moeda» (1845).
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