Por: António Pimenta de Castro[1]
É uma honra
para mim poder participar activamente, nestas XIV Jornadas Culturais de
Balsamão, pela mão amiga do Dr. Carlos Abreu, investigador e amigo, organizadas
pelo Centro Cultural de Balsamão (Convento de Balsamão) e Câmara Municipal de
Macedo de Cavaleiros, com todo o mérito, oportunidade e justiça, salientando os
150 anos do nascimento de Trindade Coelho.
Estas
breves palavras são a minha homenagem ao egrégio escritor de Mogadouro, nos 150
anos do seu nascimento (Trindade Coelho nasceu em Mogadouro, no dia 18 de Junho
de 1861. Faleceu em Lisboa, no dia 9 de Agosto de 1908). Quero falar-vos de uma
faceta importante da sua luta, que tanto me toca e que foi um dos seus grandes
combates, ou seja, a sua luta, quer contra o analfabetismo, quer contra a
exploração do povo e a sua militância por uma cidadania activa e consciente.
Trindade Coelho, para além de ser o Mestre do conto rústico, como lhe chamou o
meu amigo Antero Neto, foi um Homem que se apercebeu que é preciso que a Luz da
cultura e do ensino vença as Trevas da ignorância e da superstição. O nosso
escritor compreende verdadeiramente a alma do povo. Como escreveu Trindade
Coelho: “Tudo o que é bom é simples[2]”. E, mais á frente,
reforçando esta ideia, escreveu: ”Tudo o
que vem do povo interessa. O povo é o passado. O povo há-de ser também o
futuro… Tudo o que vem do povo interessa: costumes, crenças, superstições,
poesia, música – e até a sua própria culinária…”[3]. De facto, ele penetra
bem fundo na alma popular. Trindade Coelho defende a cultura do Ser, e
não a do Ter. Em Trindade Coelho, para além do aspecto estritamente literário,
o seu empenhamento e obra abrangem muitas áreas de interesse, como por exemplo,
o jornalismo, a elaboração de livros para a educação para o povo, bem como uma
vasta obra sobre Direito. Após uma longa ponderação, escolhi para esta minha modesta
palestra, o tema TRINDADE COELHO E A LUTA PELA EMANCIPAÇÃO POPULAR, na medida
em que ele foi um incansável lutador pela Liberdade, pela emancipação popular e
pela Democracia, pagando com a sua vida a incompreensão dos “políticos” e outros
oportunistas do seu tempo.
Poderia falar-vos
da sua biografia (aliás já sobejamente divulgada e estudada); poderia falar do
ilustre jurisconsulto (formou-se e publicou vários livros de Direito); do
insigne jornalista (escreveu incontáveis artigos em inúmeros jornais e
revistas); do contista consagrado, da sua imensa correspondência epistolar (reunidas
recentemente, a sua maioria, pelo grande investigador Hirondino da Paixão
Fernandes e publicadas, em dois volumes, na revista Brigantia); do magistrado
incorrupto e coerente; do activo cidadão interessado na situação e exploração
dos analfabetos e dos simples; do eminente pedagogo, ou do lutador pela
cidadania, entre outras facetas da sua multifacetada vida literária e de
cidadão. Decidi-me por vos falar, em pouco tempo, para não vos aborrecer (pois
muito mais haveria a dizer sobre este tema), do paladino da libertação do povo
português do seu tempo, obviamente dentro do seu do seu contexto histórico.
Como escreveu o Historiador Amadeu Carvalho Homem, Professor da Universidade de
Coimbra: “O pequeno José Francisco
identifica-se muito com a terra e com as gentes transmontanas e a sua prosa
virá a expressar a candura rústica e a simplicidade campesina destas origens[4]”.
José Francisco
Coelho, era assim o seu nome, só perto do final do seu curso em Coimbra passou
a usar o apelido do pai então recentemente falecido, (o seu pai chamava-se João
da Trindade Coelho, faleceu a 5 de Agosto de 1883, quando se encontrava nas
termas de Longroiva[5]) e a assinar José
Francisco Trindade Coelho, nome pelo qual é conhecido na Literatura. Nasceu em
Mogadouro, no dia 18 de Junho de 1861, filho de um comerciante, que se
interessou pela sua formação. A sua infância teve, como não podia deixar de
ser, uma enorme influência na sua vida e no seu pensamento. Há episódios da sua
infância que evidenciam o seu carácter, assim, na sua Autobiografia, escreve Trindade Coelho esta passagem, que não
resisto a transcrever: “ De minha mãe (que
ele perdeu bem cedo quando estudava em Travanca, aldeia do concelho de
Mogadouro, foi para lá aos oito anos) eu
pouco me lembro com a memória; mas eu
quando quero muito a uma pessoa pouco me lembro dela senão com o coração – e
não sou capaz de me representar mentalmente da sua figura, ainda que a veja a
toda a hora.














