quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Maquinista avinhado!!! , por Arnaldo Massa

 Em tempos que já lá vão o ti “Putória”, homem de bom apetite para as moçoilas, ( daí a alcunha que o povo freixenista lhe atribuiu), resolveu num belo e solarengo dia ir à afamada feira de Moncorvo, mas desta vez no pachorrento e fumegante comboio que vinha de Duas Igrejas ( Miranda do Douro) até ao Pocinho. Apanhou  uma boleia de casa até à estação de Freixo a qual distava 15 Km e aí tomou o comboio que o levaria até Moncorvo.
 O maquinista,  de seu nome Trindade, homem de boas pingas e petiscos,  sem pressas, pouco cumpridor de horários, em tudo que eram estações e apeadeiros lá parava a traquitana e zás…quase toda a minha gente saía e…toca!!!…vamos a copos e pataniscas, e mais meia de conversa fiada.
O Trindade era o ” mestre da banda”  e o maior vencedor nos copázios de três,  dum tinto bem graduado.
Mas a viagem  tinha que continuar:  mais estações e apeadeiros e o faduncho continuava por aí  adiante e cada vez mais o álcool lhes toldava a cachimónia especialmente à do nosso maquinista.
“ O comboio até voava,  dava saltos como daqui até ao canto da sala” -  dizia o ti “Putória” para os netos e amigos a quem contava a inédita viagem.
 A certa altura, o comboio tinha, obrigatoriamente,  que parar na estação de Carviçais.  Só que a ” bolina” era tanta,  que o maquinista Trindade nem sequer se apercebeu dos violentos movimentos da bandeira vermelha e dos estridentes apitos de perri…  perri…  perri... que o chefe da estação lhe fazia para o obrigar a parar.
De súbito, o amigo Trindade deitou a cabeça de fora da janelinha da máquina  e,  virado para o chefe,  respondeu-lhe em tom bem alto e altivo:
-Qual perri… perri…  qual  cara…ho!!!  Isto tem rodas é  prá andar…
E dizia o ti “Putória” que aquilo foi um ver se te avias …  só pararam em Moncorvo.

-O Arnaldo Massa contou, a Júlia vai ler.

NOTA -- Amigos Blogueiros:  A Júlia leu e  riu à gargalhada.  Entretanto, a Júlia  lembrou-se que alguém, em comentário, já perguntou se são apenas as mulheres a escrever.  Como vêem,  (pois sei que todos vão ler e comentar) aqui temos um homem a contar uma estória das antigas, falando de homens muito machos  e de um modo muito … vivo.  Eu já me diverti  .  Agora é a vossa vez.J.R.

9 comentários:

  1. Olá Sr.Lelo de Moncorvo!
    Com esta é que eu não contava...Valha-me "Jasus" que isto é do "catancho"...e, ainda não o viram a contar estas e ,outras bem mais "castiças" ao vivo...Com esta é que eu não contava...A Julinha tem que o conhecer!Bjs da Irene

    ResponderEliminar
  2. Olá Arnaldo.
    Parabéns pela tua estória, confesso que ri até dizer chega.
    ("A verdade o mais belo nome da realidade, é uma vagabundagem divina" Platão).
    Para dizer que gostei da tua escrita libertina.
    Um Abraço e bom Natal.
    Manuel Sengo

    ResponderEliminar
  3. Depois do Natal, vim ver OS FARRAPOS - Ora aqui está um homem que se atreveu a contar uma estória de homens e com escrita de homem . Parabéns.

    Mª do Céu Afonso

    ResponderEliminar
  4. Este texto é muito bom e muito bem escrito. Mande mais amigo Arnaldo Massa.

    Bom 2012

    Vítor Santos

    ResponderEliminar
  5. Entrada de leão neste blogue.Parabéns senhor Massa.É em plena crise que nós precisamos de nos rir e de massa.Venha mais.
    Eduardo

    ResponderEliminar
  6. De facto, tenho de conhecer toda a Família.
    Do Luis, da Ireninha e do seu marido já faço uma ideia.
    Mas que grande contador de estórias aqui temos. Amigo Arnaldo : a sua escrita é de se lhe tirar o chapéu !

    Abraços para vós todos.
    Júlia

    ResponderEliminar
  7. Olá,
    só agora li a sua história e ri à gargalhada, mas ao vivo....
    É que quem leu a história e conhece o nosso amigo diz para os botões:
    "faltam aqui aqueles piiiiis todos, das frases típicas do nosso amigo".....
    continue, rir é o melhor remédio para a crise!
    beijo
    Isabel

    ResponderEliminar
  8. ola amiga Isabel!...como esta tenho mais mas como são um pouco apimentadas... e as estórias são como as chouriças das minhas bandas,sem pimentão não sabem a nada,e a minha Irene não gosta de pimentão, porque que lhe faz mal ás tripas e ao paladar...portanto fico me por aqui porque senão não haveria fraldas para aguentar tanto chichi!...de tanta risota.Talvez um dia mais tarde quando já for mais velhote...pois que aos velhos e ás crianças tudo se tolera e perdoa Bji...nhos.
    Obrigado a todos do V/Arnaldo Massa

    ResponderEliminar
  9. Gostei, achei genuíno e puro..era assim, era gente da terra pura e sábia... Mas também é maravilhosa a sabedoria de tão ilustre "contador"..muito obrigada senhor Massa.

    ResponderEliminar