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domingo, 23 de abril de 2017
MANQUINHO DA AÇOREIRA , por Rogério Rodrigues
Depois de abrir a imagem clique no endereço que se encontra no canto inferior esquerdo para a ampliar.
Os versos de autoria do Manquinho e a foto das três irmãs foram enviados por Paulo Patuleia .
Postado em 15/09/11
domingo, 13 de dezembro de 2015
Quando o Natal chegar...por Pedro Castelhano
Quando o Natal chegar
liberta o pirilampo e liberta a Luz
arruma a ternura e arruma a casa.
E areja o sótão da tua infância.
Quando o Natal chegar
dá música aos surdos
e palavra aos mudos
afaga laranjas nas mãos frias
e figos secos ao luar
e amêndoas de Agosto a quem chegar
e limões, e ácidos limões, em teu lugar.
Quando o Natal chegar
à beira do rio olha a outra margem
cheia de sombras, pedras e perdas
e abre os braços, colunas e pontes
e começa a tocar a alma qual piano
na translúcida mágoa de nada tocar.
Quando o Natal chegar
Jesus já passou sem passar
na barca do tempo, entre margens
sem rio, mas à beira de naufragar.
Quando o Natal chegar
não leves granadas para casa
nem bombas para qualquer lugar.
Caça pombas ao anoitecer, morcegos
da tristeza e olhares cegos de vazios.
Quando o Natal chegar
olha os filhos como se só
então nascessem
e os dias fossem cristais
partindo grãos de romã,
tão sensíveis ao ouvido
mas sem pena nem sentido.
Quando o Natal chegar
adormece à beira dos violinos
com a loucura dos deuses
e a tristeza do Mozart.
Que os deuses devem estar loucos
porque a lareira está-se a apagar.
Quando o Natal chegar
cuida das prendas e ofertas
aos que nunca mais vão chegar.
Entre pedras e perdas
guarda o amor de guardar
que a face da mãe ondeia
e o pai adormece a lacrimejar.
Quando o Natal chegar
a nordeste de tudo, mais vale
encher o saco de Nada
e percorrer a noite, até ao abrigo
dos campos da quimera calcinada.
Com o saco cheio de Nada
visita Iraque e o Afeganistão.
Toca às portas da Palestina
e canta dor às portas da prisão.
Quando o Natal chegar
enche o saco de Nada.
Pode ser que por tanto Nada
algo te queiram dar:
um filho, um sorriso, talvez luar.
Quando o Natal chegar
talvez amor e amar.
Dádiva por dádiva,
aceita, é de aceitar.
Pedro Castelhano
Felicidades
e
um Natal partilhado
sábado, 10 de outubro de 2015
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Dia Mundial do Livro - Poemas de Pedro Castelhano (Rogério Rodrigues)
País de sacanas e safardanas
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| Retrato do artista quando jovem.Foto Leonel Brito. |
de mistura
de usura e óleo bento
animais perfumados
de anéis e arreios
por demais
escuros e iguais
sacanas e safardanas
que nos governam
e nos enterram
de silêncios promíscuos
e também palavras
em sintaxe de mendigo
com alma sem abrigo
e consciência ao léu
que não há inferno nem céu
sacanas e safardanas
o que fazeis deste país
que também é meu?
Toada de Castro Vicente
Era uma vez em Castro Vicentede almas negras com fumo de maldição.
As mulheres sofriam em silêncio
e as crianças não nasciam em Castro Vicente.
Das ruínas do castro fugiam os corvos
crocitando negros até ao Rio
e as cobras invadiram as pedras
e sugaram o leite das crias
dormentes e amargas ao anoitecer.
Era uma vez em Castro Vicente
com padre temente que o sino caísse
no silêncio da terra amaldiçoada.
As pedras vertiam sangue e as cobras
falavam a língua rascante do Oculto.
Fugiam as aves do céu em peste.
Até em Castro Vicente o padre chorava.
Veio o Bruxo quando o Diabo já chegara.
E pela primeira vez em Castro Vicente
um Bruxo foi santo ungido de urtigas
e ossos ressequidos com danças de freira
vestida de sambenito, ave livre do Planalto.
E as crianças começaram nascer
no tempo em que se anunciava o fim do Mundo.
Era uma vez e aconteceu em Castro Vicente
no dia em que o Diabo se esqueceu do Oculto.
Nota do editor:
O dia 23 de abril foi proclamado em 1995, pela organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), como Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, e tem por base as datas de nascimento e de morte do dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare (1564-1616) e de nascimento do escritor espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616).
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Que flor é esta?- por Pedro Castelhano

Que flor é esta
que amacia o xisto
e revela a terra
mais perto do céu ?
Que flor é esta
que lava a vista
só de olhá-la?
Que flor é esta
que cheira a infância
livre, clara limpa?
Que flor é esta
crisálida da amêndoa
entre pedras e alturas
que estremece à brisa
mas anuncia a Primavera?
Que flor é esta
nascida da amêndoa
no ventre cálido
em parto de Verão?
Que flor é esta
transformada por mãos
já cansadas de partir
nas longas e frias noites?
Que flor é esta
que morreu cedo
para renascer doce
na gula humana?
Esta é a flor
qual sereia serena
que em Setembro anuncia
em tarde de convívio
o princípio da
Confraria.
Nota do editor: O poema foi declamado pelo confrade Armando Troca durante a realização em Moncorvo, no dia 5 de Outubro do corrente ano, do Primeiro Capítulo da Confraria da Amêndoa do Douro Superior.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Mário Correia ,Nuno Pacheco,Zeca Afonso ,Rogério Rodrigues e Teresa Torga
Lembram-se, certamente, de ouvir Chico Buarque cantar
que "a dor da gente não sai no jornal". A verdade é que às vezes sai,
ainda que dissimulada. E até inspira canções. Esta, de Chico, que aliás não é
dele, pode servir de exemplo. Chama-se Notícia de jornal, porque foi essa a sua
fonte: um jornal sensacionalista brasileiro publicara a história de uma mulher
que, por desgosto de amor, tentara suicidar-se (felizmente sem êxito). O mais
curioso é que os autores da canção foram dois jornalistas (também músicos),
Luís Reis (1926-1980) e Haroldo Barbosa (1915-1979). Escreveram-na assim:
""Tentou contra a existência num humilde barracão/ Joana de tal, por
causa de um tal João/ Depois de medicada, retirou-se pro seu lar"/ Aí a
notícia carece de exactidão/ O lar não mais existe, ninguém volta ao que
acabou/ Joana é mais uma mulata triste que errou/ Errou na dose, errou no amor,
Joana errou de João/ Ninguém notou, ninguém morou na dor que era o seu mal/ A
dor da gente não sai no jornal".
Sem amores nem suicídios, mas com um toque trágico, é
a história de uma outra notícia (esta portuguesa) transformada em canção:
Teresa Torga. Escreveu-a José Afonso, depois de ler uma crónica do jornalista
Rogério Rodrigues publicada a 4 de Maio de 1975 no Diário de Lisboa (DL). Uma
mulher decidira fazer strip-tease no cruzamento das avenidas Miguel Bombarda e
5 de Outubro, em Lisboa. E enquanto alguns transeuntes se dirigiam a ela no
intuito de a cobrir dos olhares mais curiosos, um fotógrafo aproveitou-se da
confusão para tentar fotografá-la. A história é agora recordada no livro As
Mulheres Cantadas por José Afonso, da autoria de Mário Correia e editado pela
Sons da Terra neste Agosto em que se completaram (no dia 2) 84 anos do
nascimento do músico e compositor.
domingo, 11 de agosto de 2013
Moncorvo em todo o seu esplendor, por Rogério Rodrigues
![]() |
| Foto:Lb |
No solar dos Vasconcelos (
será que o nome leva mais um l?) , as telhas da primeira fila são novas, para
esconder as outras em ruínas e cheias de ervas.
Será esta a imagem do telhado
de um solar a imagem de Moncorvo?
Um natural de Moncorvo quando
morreu tinha zero euros na conta bancária, mas tinha trinta e sete belos fatos
no armário.
Será esta a política
sócio-económica de Moncorvo?
Conta-se – e é do meu tempo –
que preclaros cidadãos vinham passear para a Praça (ainda não estava reposto o
chafariz felipino), após jantar, palitando os dentes incomodados com os minúsculos pedaços de um
suculento bife, mas que não passavam de restos de um caldo de couves.
Será este o comportamento
alimentar, saudável e dietético, diga-se, de Moncorvo?
Em Moncorvo, em todo o seu
esplendor, a aparência é um valor a que
tem de se dar sempre a máxima importância. É o retrato fiel deste país, honra
lhe seja feita.
RegrEça que tens cá
lugar.
Ai! Camões, Camões, que
apagada e vil tristeza!
Rogério Rodrigues
sábado, 27 de julho de 2013
Tiago Rodrigues e o seu " Mundo Perfeito" mudaram-se para São Paulo
Queridos amigos,
O Mundo Perfeito mudou-se para São Paulo, onde vamos apresentar 4 espectáculos em 3 semanas e Tiago Rodrigues dirige uma oficina com artistas locais. Além das peças “Se uma janela se abrisse” e “Três dedos abaixo do joelho”, este programa vai abordar as colaborações do Mundo Perfeito com companhias brasileiras: “Mundo Maravilha”, criado em colaboração com os cariocas Foguetes Maravilha, e a novíssima “Peça romântica para um teatro fechado”, que Tiago Rodrigues dirigiu no Teatro Ipanema com actores provenientes de quatro companhias brasileiras.
MUNDO MARAVILHA
uma criação colectiva de Mundo Perfeito (PT) e Foguetes Maravilha (BR)
de e com Alex Cassal, Cláudia Gaiolas, Felipe Rocha, Paula Diogo, Renato Linhares, Stella Rabello e Tiago Rodrigues
26, 27 e 28 de Julho – SESC Belenzinho
Sexta e sábado às 21h, Domingo às 18h
PEÇA ROMÂNTICA PARA UM TEATRO FECHADO
texto e direcção de Tiago Rodrigues
Companhia Provisória: Pequena Orquestra, Cia Teatro Independente, Cia dos Outros, Clube Paradoxo
com Alessandra Colasanti, Carolina Bianchi, Joana Lerner, Julia Marini, Keli Freitas, Michel Blois, Pedro Henrique Monteiro, Rodrigo Nogueira, Tomás Decina e Vinicius Arneiro
31 de Julho, 1 e 2 de Agosto – SESC Belenzinho
Quarta, quinta e sexta às 21h
SE UMA JANELA SE ABRISSE
de Tiago Rodrigues
com Alexandre Talhinhas, Bernardo de Almeida, Cláudia Gaiolas, Paula Diogo e Tiago Rodrigues
2, 3 e 4 de Agosto – SESC Belenzinho
Sexta e sábado às 21h, Domingo às 18h
TRÊS DEDOS ABAIXO DO JOELHO
de Tiago Rodrigues
com Isabel Abreu e Gonçalo Waddington
9, 10 e 11 de Agosto – SESC BelenzinhoSexta e sábado às 21h, Domingo às 18h
Oficina dirigida por Tiago Rodrigues
DECORAÇÃO DE INTERIORES
4 e 5 de Agosto.
Sábado, das 14h às 17h
Domingo, das 13h às 16h
Nota do editor do blogue: Tiago Rodrigues(primeiro á esquerda) é filho do jornalista e poeta moncorvense Rogério Rodrigues e da médica egitaniense Arlete Rodrigues.
domingo, 21 de julho de 2013
Toada de Castro Vicente, por Pedro Castelhano
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| Castro Vicente |
Era uma vez em Castro Vicente
de almas negras com fumo de maldição.
As mulheres sofriam em
silêncio
e as crianças não nasciam em Castro Vicente.
Das ruínas do castro fugiam
os corvos
crocitando negros até ao
Rio
e as cobras invadiram as
pedras
e sugaram o leite das crias
dormentes e amargas ao
anoitecer.
Era uma vez em Castro Vicente
com padre temente que o sino
caísse
no silêncio da terra
amaldiçoada.
As pedras vertiam sangue e as
cobras
falavam a língua rascante do
Oculto.
Fugiam as aves do céu em peste.
Até em Castro Vicente o
padre chorava.
Veio o Bruxo quando o Diabo
já chegara.
E pela primeira vez em Castro Vicente
um Bruxo foi santo ungido de
urtigas
e ossos ressequidos com
danças de freira
vestida de sambenito, ave
livre do Planalto.
E as crianças começaram nascer
no tempo em que se anunciava
o fim do Mundo.
Era uma vez e aconteceu em Castro Vicente
no dia em que o Diabo se
esqueceu do Oculto.
Pedro Castelhano
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Cão ingrato (na sequência do texto do Abílio)
Um cão de Moncorvo, resgatado
por alemães, seria uma ironia.
Um cão abandonado, sem nome,
desempregado de longa duração, mas não inscrito no Centro de Emprego, dispensar um memorando de qualquer troika (na
origem, três cães a puxar um trenó) e a não estragar as estatísticas, seria uma
profunda ironia.
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| Cão ingrato |
Para cúmulo, é um cão
ingrato, nem sequer é um bom discípulo, cumpridor dos seus deveres. Mas não! De
barriga cheia que os contribuintes da rua lhe fornecem alimentos sem juros,o
cão dorme durante o dia e ladra durante a noite. Não respeita o contribuinte,
sobrecarrega-os de insónias e pesadelos.
Sonham com o resgate alemão. Aí, pode ser que o cão sem nome aceite as regras
porque com os alemães não se brinca, a não ser que o tratamento aos cães seja
um tudo nada diferente do tratamento aos homens.
Porque se o cão fica em mãos
portuguesas, na época em que a compra dos títulos académicos substituiu a
compra dos títulos nobiliárquicos, ainda apanha com o conselho de Garrett:”Foge
cão que te fazem barão. Para onde se me fazem visconde?
Um conselho para o cão
abandonado e ingrato: não ladre muito pois o ladrar ainda não dá créditos
universitários.
E daí, nunca se sabe…
Por outro lado, se não vier o resgate alemão, tenha
esperança na burocracia. Vai morrer, ingrato e abandonado, de tanta velhice, para
desespero dos seus contribuintes, os homens sem sono da sua rua.
Apostila deslavada: saúdo o regresso dos lagostins. O seu silêncio não incomoda ninguém.
Pelo menos, a vizinhança não se queixa.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Meu Caro Rogério,
A sua intervenção em favor dos
lagostins despejados do tanque das “regateiras” pode ter trazido uma réstia de
luz a um mistério que há um ou dois anos vem ensombrando os sonhos dos
habitantes do meu bairro. Sonhos que, em cada imensa noite que passa, se
transformam em pesadelos de insónia.
Eu explico: numa placa triangular ajardinada com plásticos e ervas secas, que tem no centro um candeeiro de iluminação pública mais torto do que quem lá o implantou há já uns 30 anos, mas que estoicamente se mantém de pé por gentileza de um posto de transformação de energia eléctrica que o ampara, um cão cheio de mazelas instalou a sua residência em uma cova que ele próprio ali foi escavando a montante da base do poste que suporta o dito candeeiro, numa manobra de engenharia capaz de enciumar muitos engenheiros cá da terra. Não sei se cobram IMI ao animal, mas aquilo tem aspecto de residência principal e permanente, e não apenas de férias, já que o bicho passa ali as quatro estações do ano. Os próprios moradores do bairro já assumiram que aceder ao buraco é invasão de propriedade privada e só lá vão para lhe deixar comida, que o pobre humildemente agradece.
Todavia, saciado o apetite, o malvado esquece a gratidão que deveria continuar a sentir por quem lhe demonstra tanto carinho e, nas horas da noite em que os próprios sonhos se apagam para nos deixar dormir, aí vem ele em ruidosos protestos contra tudo e todos, ladrando, uivando, chorando até (serão saudades dos lagostins?) e interrompendo malvada e inexoravelmente o nosso direito a um merecido e reparador descanso.
Parece ter já sido atropelado
pelo menos duas vezes, com moléstia nas patas dianteiras, real ou presumida, já
que, quando está frio, manca umas vezes da direita e outras da esquerda, numa demonstração
de aparente falta de memória sobre qual das patas de facto lhe dói (ou então
está a mangar connosco).
Como as queixas que vêm sendo feitas não têm frutificado e o bicho continua a reclamar o seu direito (constitucional ou meramente autárquico?) a não deixar pregar olho a ninguém, a conclusão a tirar é a de que o pobre animal - que nem nome se lhe conhece e está sujo e claramente doente e não exibe licenças nem sinais de vacinas - tem mais sorte do que os lagostins (tão rapidamente saneados), aparentando gozar do especial privilégio de incomodar impunemente os outros, geralmente só reconhecido a criaturas geneticamente mais evoluídas, embora ciclicamente mais barulhentas.
Conclusão: nestas paragens, é preferível ser cão vadio com boa vizinhança e fiscalização condescendente, do que lagostim sem licença de desportos náuticos.
Um abraço,
Abílio Dengucho
Eu explico: numa placa triangular ajardinada com plásticos e ervas secas, que tem no centro um candeeiro de iluminação pública mais torto do que quem lá o implantou há já uns 30 anos, mas que estoicamente se mantém de pé por gentileza de um posto de transformação de energia eléctrica que o ampara, um cão cheio de mazelas instalou a sua residência em uma cova que ele próprio ali foi escavando a montante da base do poste que suporta o dito candeeiro, numa manobra de engenharia capaz de enciumar muitos engenheiros cá da terra. Não sei se cobram IMI ao animal, mas aquilo tem aspecto de residência principal e permanente, e não apenas de férias, já que o bicho passa ali as quatro estações do ano. Os próprios moradores do bairro já assumiram que aceder ao buraco é invasão de propriedade privada e só lá vão para lhe deixar comida, que o pobre humildemente agradece.
Todavia, saciado o apetite, o malvado esquece a gratidão que deveria continuar a sentir por quem lhe demonstra tanto carinho e, nas horas da noite em que os próprios sonhos se apagam para nos deixar dormir, aí vem ele em ruidosos protestos contra tudo e todos, ladrando, uivando, chorando até (serão saudades dos lagostins?) e interrompendo malvada e inexoravelmente o nosso direito a um merecido e reparador descanso.
| Residência Canina |
Como as queixas que vêm sendo feitas não têm frutificado e o bicho continua a reclamar o seu direito (constitucional ou meramente autárquico?) a não deixar pregar olho a ninguém, a conclusão a tirar é a de que o pobre animal - que nem nome se lhe conhece e está sujo e claramente doente e não exibe licenças nem sinais de vacinas - tem mais sorte do que os lagostins (tão rapidamente saneados), aparentando gozar do especial privilégio de incomodar impunemente os outros, geralmente só reconhecido a criaturas geneticamente mais evoluídas, embora ciclicamente mais barulhentas.
Conclusão: nestas paragens, é preferível ser cão vadio com boa vizinhança e fiscalização condescendente, do que lagostim sem licença de desportos náuticos.
Um abraço,
Abílio Dengucho
Moncorvo, o regresso do lagostim perigoso
domingo, 1 de julho de 2012
Em Moncorvo, o lagostim é perigoso
Na tarde quente, mais quente
que já houve, no dia em
que Portugal jogou à trave com a Espanha, um solícito
funcionário da Câmara, avisado, por certo sabiamente, por denúncia feita, da existência de
lagostins, trouxe o camaroeiro e começou a pescar para um caixote do lixo, os
crustáceos do pequeno e insignificante lago, lateral à Igreja na antiga Praça
das Regateiras.
![]() |
| ...do pequeno e insignificante lago |
São proibidos os lagostins em
Moncorvo, terra benevolente para a criação de morcegos ainda que habitem ( e
talvez por isso) nos sítios mais esconsos da Igreja. Só nos faltava esta!
Primeiro, foi uma jovem hipopótama com o nome ternurento de Margarida, depois
foram os morcegos nas suas várias espécies com as conotações políticas mais
diversas. Saem à noite, mas ainda não está provado ( senão denunciante já
avisara os serviços camarários) que os morcegos não comem lagostins, nem os
lagostins se alimentam de morcegos.
O solícito empregado da
Câmara bem desafinava: “Ordens são ordens”
Os lagostins são perigosos.
Agora que acabaram no lixo, Moncorvo pode dormir descansado. Estes lagostins
eram um perigo para o equilíbrio democrático e demográfico da Vila. São capazes
de devastar campos de arroz, cultura que o actual Governo de crista alçada quer
desenvolver na Vilariça, multiplica-se com a velocidade do vento, substituindo,
pela procriação, os que emigram.
Os dirigentes camarários e os
denunciantes correlativos que dirigiram a investigação meticulosa e profunda,
sem a necessidade de uma comissão de inquérito nem postura municipal, são
sábios. A saúde pública e os necessários instrumentos para que ela exista, são
o desígnio, o grande desígnio destes dirigentes para quem o cidadão é tudo, mesmo
quando reduzido a coisa nenhuma.
Bem hajam! Eu sei que
preferem a lagosta ao lagostim.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Trás-os-Montes
O mundo infantil é, por
vezes, cruel e competitivo. A violência sobre ele mesmo, sobre os outros e
sobre os animais faz parte do mundo rural, também violento, em que os pais
batem nos filhos e nas mulheres. As crianças vivem num espaço concentracionário
onde a sexualidade é bruta e animal e são precisos rituais, liturgia e mitos.
Em todo o mito há sempre uma componente sacrificial. Aqui o imolado é o Miúdo, jovem pastor surdo e
desajeitado que acaba exposto, durante a
noite, num jazigo do velho cemitério da
aldeia. Em Trás-os-Montes , não
encontramos o Reino Maravilhoso de Torga, mas o isolamento como um espaço entre
a violência e a resignação. Só os cães são dóceis e obedientes, enquanto têm
dono. Todos querem partir. As crianças estão confinadas a uma geografia
diminuta e a um tempo repetitivo. Por vezes, a crueldade sem sentido que
percorre as páginas do romance, a necessidade de se sustentarem em forças
ocultas, sejam objectos, sejam sonhos lembra o Deus das Moscas de William Golding.
Vem este arrazoado a
propósito do romance de Tiago Patrício que ganhou o Prémio Revelação Agustina
Bessa-Luís, cuja apresentação por José Mário Silva e a prof. Anabela Mendes,
decorreu no passado dia 26 na FNAC do Chiado, com uma presença representativa de
originários de Carviçais onde o autor viveu até aos 19 anos. Esta aldeia de
Moncorvo é pródiga em
talentos. Basta recordar Vitor Rocha (Postigo Cerrado, Na Andadura do Tempo) , escritor tão injustamente
esquecido, e António Sagué.
O livro de Tiago Patrício,
editado pela Gradiva, um cosmopolita assumido, um traga-mundos, farmacêutico
como Fialho de Almeida, com 32 anos, mas
a frequentar Literatura e Filosofia na Universidade Nova de Lisboa, é, para
mim, uma das mais agradáveis surpresas, em termos de ficção, deste inquietante
2012.
Rogério Rodrigues
Foto de Rui de Carvalho
sexta-feira, 11 de maio de 2012
MEMÓRIA PORTÁTIL - PEDRO CASTELHANO
Folhear
jornais antigos é um bom exercício para compreender como o País mudou nestes
últimos 30 anos. Maior justiça social, outros cuidados de saúde e sobretudo
liberdade. Para alguma memória, muita amnésia.
Vejamos
pois, tendo como fonte, exclusiva neste caso, o “Notícias de Trás-os-Montes”,
como a nossa região mudou, ainda que muitos dos temas e necessidades se
mantenham.
Mas a equipa
não funcionava bem. À quarta jornada levou 8-0 do Lourosa e ainda não tinha
ganho um jogo, nem sequer marcado um golo. À sexta jornada o GDM conseguiu
marcar um golo, ainda que tenha perdido com o Leça por 4-1.O golo do Moncorvo
foi marcado pelo Zé Manuel. O Lourosa liderava a classificação.
Vejamos
pois, tendo como fonte, exclusiva neste caso, o “Notícias de Trás-os-Montes”,
como a nossa região mudou, ainda que muitos dos temas e necessidades se
mantenham.
Grupo
Desportivo de Moncorvo -- O “Notícias de Trás-os-Montes” publica a um de Julho de 1972, em grande
destaque, a subida do Grupo Desportivo de Moncorvo à III Divisão. Ganhara o
último jogo da distrital contra o Macedo de Cavaleiros. A subida do GDM foi
abrilhantada no jardim de Moncorvo com um grupo musical que fazia a sua
estreia, “Teorema”. Tempos depois tomaram posse os novos corpos
gerentes. Vale a pena referi-los: Almiro Sota, presidente; Fausto Catalão,
vice-presidente; secretário, Eduardo Leite; segundo secretário, José Cavalheiro
Paiva; vogais, António Teixeira, Manuel Tristão e Arnaldo Gonçalves.
Vale a pena
lembrar a equipa inicial: Eurico; Sílvio (actual treinador do GDM), Amadeu,
Custódio e Morais; Favorino e Paçô; Miranda, Vaz, José Manuel e Mateus.
Mas a equipa
não funcionava bem. À quarta jornada levou 8-0 do Lourosa e ainda não tinha
ganho um jogo, nem sequer marcado um golo. À sexta jornada o GDM conseguiu
marcar um golo, ainda que tenha perdido com o Leça por 4-1.O golo do Moncorvo
foi marcado pelo Zé Manuel. O Lourosa liderava a classificação.
Na jornada
seguinte o GDM perdeu com o Limianos por 4-2. Os golos foram marcados pelo
Miranda e pelo Santos. Sílvio já não jogava no GDM.
Na 11ª
jornada o GDM continuava com um ponto apenas. Já não havia nada a fazer.
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