sexta-feira, 21 de outubro de 2011

MINAS DE TORRE DE MONCORVO ( Publicado em 21/10/2011)

4 comentários:

  1. O presidente da Junta de Freguesia de Felgar, Torre de Moncorvo, disse hoje à Lusa que oficialmente desconhece o interesse e os pormenores do investimento que os australianos da Rio Tinto pretendem concretizar nas minas de ferro daquela freguesia.
    Junta de Felgar (Torre de Moncorvo) desconhece pormenores do investimento dos australianos da Rio Tinto
    0 twitterNeste caso, disse o autarca António Manuel, "tenho de ver para crer", admitindo, contudo, que "todos os investimentos que venham para a freguesia são sempre bem-vindos".

    "Ainda não tenho conhecimento de nada. Ouviu-se recentemente o ministro da Economia falar que havia um investimento, mas não se sabia se era mesmo para aqui ou para onde era. Ainda não li nada sobre isso", afirmou, em declarações à Lusa.

    O autarca contou que "têm andado a fazer umas perfurações e pesquisas" na zona das minas, mas disse desconhecer qual o objetivo, assim como a empresa, que andava no terreno.

    António Manuel disse ainda à Lusa que apesar de "todas as vantagens" deste investimento para a sua freguesia há uma questão que não quer ver esquecida: "Não sei qual será o sistema de extração, é preciso ver a questão do impacto ambiental".

    As minas de ferro de Felgar estão localizadas nos lugares de Carvalhal e Cabeço da Mua, numa zona de pinhal.

    "Se aquilo for tudo `descabeçado`, essa paisagem verde que temos agora desaparece. Não sei qual será o método de exploração. Temos de saber para depois podermos analisar", acrescentou.

    Assegurada a questão ambiental, o autarca assume que "um investimento desta envergadura será sempre bem-vindo, até porque vai gerar muitos postos de trabalho. Espero que se vier traga um bom desenvolvimento para a região e que ajude a fixar aqui os jovens", frisou.

    De acordo com os últimos censos, a freguesia de Felgar, concelho de Torre de Moncorvo, tem 954 habitantes.

    As minas ali localizadas são um dos maiores depósitos de minério de ferro da Europa, com recursos medidos e indicados de 552 milhões de toneladas de minério e recursos inferidos de mil milhões de toneladas.

    O investimento está a ser negociado entre o Governo, a empresa que detém a concessão da mina até 2070, a MTI -- Minning Technology Investments, e a Rio Tinto.

    O Governo confirmou hoje o interesse da Rio Tinto em investir mil milhões nas minas de Moncorvo, em Trás-os-Montes, acrescentando que o projeto faz parte de uma reestruturação do setor em Portugal.

    O secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, afirmou que o investimento da Rio Tinto em Moncorvo é um dos projetos em andamento, inserido numa estratégia do Governo de potenciar os recursos de Portugal.

    "Temos vindo a potenciar as nossas estruturas, nomeadamente a direção-geral de Energia e Geologia e a Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM) para potenciar os nossos recursos", disse Henrique Gomes, adiantando que o projeto da Rio Tinto "é um deles" e que "haverá outros interessados", não só na zona de Trás-os-Montes "como noutras".
    Álvaro Santos Pereira já tinha anunciado a 27 de setembro, na RTP, que existia uma multinacional que pretendia fazer um grande investimento em Portugal, escusando-se na altura a avançar com detalhes.
    O investimento vai permitir, numa primeira fase, a criação de 420 novos postos de trabalho diretos e cerca de 800 indiretos, bem como a criação de um polo de investigação e desenvolvimento no Nordeste Transmontano, com parcerias com instituições locais e internacionais
    Minas por © 2011 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

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  2. Registo com satisfação que o sr. presidente da junta do Felgar evoluiu para as preocupações ambientais que nunca teve quando se tratou da construção da barragem.

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  3. Moncorvo: projeto mineiro tem acordo se município beneficiar

    O presidente da Câmara de Torre de Moncorvo afirmou hoje apenas concordar com a exploração das minas locais se houver «contrapartidas para a população» e «o ressarcimento do prejuízo» com a inviabilização do parque eólico.
    Em declarações à Lusa, o autarca Aires Ferreira afirmou que o possível investimento de mil milhões de euros na exploração de ferro nas minas de Torre de Moncorvo «levanta várias dúvidas», sendo que, a concretizar-se, também dificilmente será possível iniciar a exploração do minério no curto prazo.
    «Não concordo que possa haver um investimento destes sem contrapartidas para a população e o ressarcimento do prejuízo com a inviabilização do parque eólico» no concelho, de exploração de 50 megawatts (MW), disse Aires Ferreira.

    Diário Digital / Lusa

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  4. Quem é a Rio Tinto, a multinacional anglo-australiana que se prepara para investir mil milhões de euros num projecto de exploração mineira em Trás-os-Montes? A Rio Tinto é um dos principais actores na "luta de titãs" que é o sector mineiro mundial, com uma operação complexa e multi-facetada de exploração de minério de ferro, alumínio, cobre e até diamantes.

    A origem do nome Rio Tinto, invulgar para uma empresa anglo-saxónica, remonta ao nascimento da empresa, em 1873, quando um consórcio internacional de investidores comprou ao Governo espanhol um complexo de minas milenar em Huelva, na Andaluzia. O local é ainda hoje atravessado por um rio de fluxo avermelhado, extremamente ácido e férrico.

    Como a maioria das empresas do sector, a Rio Tinto cresceu à força de fusões e aquisições. Mas foi apanhada desprevenida pela crise financeira de 2008. A última grande aquisição, da canadiana Alcan, quase desequilibrou a empresa pela dívida assumida numa operação que custou 38 mil milhões de dólares.

    O elevado nível de endividamento deixou vulnerável a empresa atraiu os concorrentes. Rejeitou por duas vezes unir-se a outra gigante do sector, a BHP Billiton. Depois de duas iniciativas de fusão, que a Rio Tinto sacudiu por "subestimar substancialmente o valor da empresa", foi a BHP Billiton que acabou por desistir do negócio, temendo os riscos da aposta num contexto de crise financeira.

    O excesso de dívida continua a ser apontado como a principal fraqueza da Rio Tinto e, segundo os analistas, o principal responsável pela quebra das acções nos últimos três meses. A par, claro, da deterioração das perspectivas económicas em alguns dos principais mercados onde a empresa opera: América do Norte e Europa.

    O CEO, Tom Albanese, reconheceu há um mês que alguns clientes (sobretudo europeus) estão a adiar a entrega de encomendas. "É notório que alguns mercados têm vindo a enfraquecer", disse o responsável em entrevista ao "Financial Times". A "fraqueza" não atingiu o mercado chinês, salientou.

    Recentemente, o analista Robert Clifford, do Deutsche Bank, reviu em alta o preço-alvo das acções, mantendo recomendação de "compra", considerando que o mercado exagerou na reacção a esses riscos. "A Rio Tinto conseguirá dar a volta ao endividamento", afirmou o Deutsche Bank.

    Outro banco de investimento, o Oriel Securities, acredita que a recente decisão pela Rio Tinto de colocar à venda 13 unidades de produção de alumínio na Austrália e na Europa pode render 7,5 mil milhões de dólares. "Se este valor for atingido, vemos um grande potencial de valorização no valor do grupo", escreve a Oriel, que também recomenda "comprar" os títulos.

    Essa é a recomendação mais comum entre os 31 analistas consultados pela Bloomberg, sendo que 27 aconselham "comprar" os títulos e apenas um "vender". O preço-alvo médio é de 5.036 pence de libra, o que pressupõe um potencial de valorização de cerca de 59% face à cotação actual de 3.151 pence.

    Jornal de Negócios Online

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