Assim permaneceu até ao dia 12 de Março de 2005, dia em que foi de novo reerguido.
Se circularem na estrada nacional indo de Moncorvo em direcção a Carviçais, depois de passarem pelo Carvalhal olhem para a esquerda, para o alto do Cabeço da Mua.
A Dona Adelaide é um testemunho vivo do tipo de Pedagogia praticado pelo chamado Estado Novo.
Claro que já havia grandes pedagogos por esse mundo fora: desde Rousseau a Pestallozzi, de Fröebel a Vigotski ,Montessori ou Piaget,entre outros. Mas todos eles eram proibidos em Portugal, porque entendiam que a criança devia ser tratada com mão orientadora, sim, mas permitindo que a sua mente pudesse desenvolver-se dentro de um clima de compreensão e liberdade. Só assim poderia tornar-se um homem de pensamento crítico, um homem livre e criativo, dinâmico e produtivo.
Ora, tudo isto era o que o Estado Novo menos desejava: homens e mulheres de pensamento crítico? Nunca. O que convinha era que as pessoas fossem passivas e obedientes. De preferência analfabetas. Daí que “o pulso forte” fosse encorajado e os castigos, mesmo corporais, fossem permitidos.
Neste campo, a Dona Adelaide relata-nos vários e variados: desde a palmatória à chapada, do ficar em pé num só pé até presa por um cordel…
A necessidade que os pobres tinham do trabalho dos filhos acrescentado ao ódio que muitas crianças votavam ao professor “mau” e, por extensão, à escola, levava a que o abandono escolar fosse generalizado. Assim, o regime tinha sempre ao seu inteiro dispor mão-d’obra barata e abundante.
Como é óbvio, e felizmente, também havia professores bons e muito bons.A mim calhou-me em sorte ter uma excelente professora no Ensino Primário.
Também em Portugal tivemos óptimos pedagogos como António Sérgio, que, por razões políticas, foi perseguido e obrigado a exilar-se.
O que mais me impressionou neste vídeo foi a forma
calma, serena, como a Dona Sofia Gaspar falou. Distanciada no tempo, dirá o
leitor. Não, não só. Há uma total
resignação e aceitação dos factos vividos, como se não tivesse consciência dos
direitos que, como ser humano, lhe assistiam. E mais, como parturiente,
aceitava como natural, o facto de ter de parir os filhos sozinha, sem qualquer
tipo de assistência médica ou outra.“ …ia buscar uma tesoura e linhas e ia para
o quarto… e lá me amanhava”.
Controlo de natalidade? Mas o que era isso? Filhos?
Vinham os que Deus queria. Era a
fatalidade. Era o destino dos pobres.
Nesse tempo vivia-se em ditadura. A mulher nem
precisava de saber ler. E mesmo o homem,
quanto menos estudos tivesse, menos pensamento crítico… O que convinha a quem
governava.
Mas onde é que eu já ouvi isto bem recentemente?
Vejamos:
.Hoje, a educação é cada vez menos pública, o que
quer dizer, cada vez mais pesadamente paga (pelos pais e por todos nós).
Consequência: forte abandono escolar.
. O trabalho é cada vez mais escasso, o desemprego
sobe em flecha; daí salários cada vez mais baixos. Objectivo: trabalhadores
mais obedientes e passivos.
. Os jovens licenciados, com mestrados e
doutoramentos, cuja formação ficou caríssima ao país ( a nós todos) vão dar o
rendimento do seu trabalho a países estrangeiros.
. A informação que temos – jornais, programas
televisivos – é cada vez mais manipulada a fim de obter mentes formatadas de
acordo com os desígnios de quem nos governa.
. A saúde !
Deixei a saúde para o fim, porque é o bem que mais prezamos. Pois a saúde está
cada vez menos pública, ou seja, cada vez mais privada e, obviamente , cada vez
mais cara. Escasseiam já medicamentos para certas doenças e que os pobres
(somos cada vez mais e cada vez mais pobres) não podem pagar. Consequência :
alargar cemitérios e ter cada vez menos filhos.
Agora cabe uma pergunta: será que não estamos já a
assistir a um modo de vida em que um club restrito de muito ricos tudo possuem
e em todos mandam, mesmo nos políticos, na justiça, na informação? E nós, os
trabalhadores mal pagos, os pensionistas, os sem-emprego, que não temos o
cartão do club, ficamos de fora. Isso tornar-nos-á tão obedientes e passivos
como em ditadura? Irão as minhas netas,
um dia, viver a situação de mães a parir um filho como a Dona Sofia ? “ …Fui buscar uma tesoura e umas linhas e lá
me amanhei…”
Não ! Prefiro pensar que ninguém lhes subjugará a
mente e um dia dirão : BASTA!
Podia ser um video promocional do Nordeste transmontano. Apeteceu-me partilhar estas imagens de arquivo com edição e uma música excelente . Disfrutem uma forma diferente de ver o Nordeste transmontano — em Nordeste Transmontano .
Cave EstudiosdeVideo
Nota do editor do blogue: Vejam esta maravilha e partilhem com todos os vossos amigos.Trabalho profissional de alta qualidade, um manual da transmontanidade. ODISSEIA, RTP NORTE e outras televisões andam distraídas e a produzir normalmente vídeos de má qualidade.