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terça-feira, 17 de maio de 2016

Os sinos da torre - Freixo de Espada à Cinta



Quando alguém está ausente da terra onde nasceu, – e muito embora lá vá com regularidade – há um som que o marca para toda a vida: o toque dos sinos. São emocionantes aquelas badaladas, tenham elas o significado que tiverem. É natural e humano que nos emocionem cada vez que as ouçamos, sejam elas tristes ou de festa e alegria. 
A data da invenção dos sinos é difícil de marcar, dada a sua evolução através dos séculos. O sino é quase tão antigo quanto a civilização, aparecendo referências na mais remota antiguidade na China e mosteiros budistas. Até no Antigo Egipto estão referenciados locais onde existiam sinos. Segundo a Biblia, Deus ordenou a Moisés que a orla inferior do manto de Aarão (primeiro Sumo Sacerdote) fosse guarnecida de campainhas de ouro destinando-se elas a recordar aos filhos de Israel que a Lei lhes havia sido dada ao som da trombeta. Na velha Roma, uma espécie de sino, que não passava de uma simples matraca metálica, anunciava a abertura das feiras e a hora da entrada para os banhos públicos. Nos tempos de Carlos Magno, que reinou de 768 a 814, os sinos eram já muito conhecidos no mundo católico. Contudo, afirma-se que o seu emprego na Europa e nas torres das Igrejas foi obra de S. Paulino, bispo de Nola na Campânia (Itália), no século V. Certamente derivam daí os nomes Nola, para o sino grande, e campana – de onde deriva campanário (?) -, para o mais pequeno. Desta forma, todos os estudos nos indicam também que os primeiros sinos eclesiásticos importantes e dos quais nos aparecem notícias foram colocados nos mosteiros que se difundiram pelo espaço europeu durante os séculos IV e V, ou seja na ante-véspera e início da Idade Média, generalizando-se nas igrejas católicas já no século VII. Mas, só a partir do auge da Idade Média, (século XIII) e com os grandes progressos adquiridos na fundição dos metais, permitiram aparecer os grandes sinos instalados nas catedrais e grandes igrejas. Na Idade Média a Igreja Católica modelou a sociedade, fez catedrais, universidades, hospitais, castelos, mosteiros, arte, vitrais, invenções, e descobertas. Papas, bispos, clero e santos pregaram Cruzadas, a harmonia das classes sociais, da razão e da religião, da teologia e da ciência, da moral, da tecnologia e da economia. Beleza, hierarquia e unção sobrenatural: a História da Idade Média é o contrário da Idade das Trevas. Se o futuro vier a ser diferente, não terá algo medieval?