Vinte anos depois, António Barreto regressou ao seu livro sobre o Douro. Neste lapso de tempo houve coisas que pioraram, mas há também um acontecimento que impulsionou um “novo Douro”: a revolução dos vinhos de mesa.
António Barreto, sociólogo, é um dos mais profundos conhecedores do Douro contemporâneo. As suas análises sobre a evolução dos seus vinhos fazem cruzar no presente a memória e os desafios com que a região se confronta no futuro próximo. Preocupado com o défice de representação do Douro (“o Douro não tem voz”, lamenta) e com a excessiva concentração do comércio em seis grupos exportadores, Barreto alerta para os perigos com que a região se confronta.
Apaixonado pelo Douro, que conhece como se fosse a sua “casa”, o sociólogo é igualmente um devoto aos seus vinhos. Nos Porto prefere por agora os Colheita, embora já tivesse passado pelos Vintage. Mas se os Porto são o emblema do Douro, os seus DOC são a revolução que aponta o futuro.
Vinte anos depois regressa ao seu livro sobre o Douro, depois de se ter dedicado a um documentário sobre a região. É uma pulsão relacionada com o regresso às origens ou uma curiosidade intelectual que não se esgota? O que o faz regressar tão recorrentemente?
A primeira resposta é isso, é voltar a casa periodicamente. Eu saí de casa há muitos anos, tinha 18 anos, ou 17, fui para Coimbra, fui para Lisboa, fui para a Suíça e repetidamente regresso a casa. Já não tenho praticamente família no Douro, não tenho casa, não tenho terra, não tenho vinha, infelizmente. Mas tenho uma região, tenho uma terra.