Quando a casa foi comprada já se encontrava em ruínas. Com a demolição do telhado e da parede interior foi surgindo a necessidade de demolir as paredes exteriores, devido à insegurança que apresentavam. O mau estado era patente nas argamassas que não passavam de pó e não davam estabilidade a uma estrutura que tinha séculos e que terá sido muito descuidada ao longo desse tempo. A demolição efectuada pelo construtor foi acompanhada pelo arqueólogo do município e a sua equipa de trabalho. Numa parede exterior foi encontrada uma "ara romana", objecto de vários estudos e muito valorizada devido à raridade dos seus motivos.
Na parede interior, outrora parede exterior, limite da casa, com 90 cm de largura e com um portado feito com enormes pedras de granito, encontrámos um armário fora do comum. Estava protegido com uma armação de madeira que suportava duas portas que davam acesso aos dois compartimentos. Após a retirada das madeiras apareceu uma construção única que se via estar fora do contexto, que não pertencia à parede nem à casa como a estávamos a encontrar: tinha a frontaria trabalhada e a esquina interior cortada, tinha na divisão inferior dois círculos do mesmo tamanho e um mais pequeno cavados no granito. As interrogações com este achado começaram muito antes da demolição, mas foi com a retirada de todas as madeiras que apareceu em toda a sua grandeza. Estava implantado 1m acima do nível da sala e a parte superior estava coberta pela divisória do sótão; só foi possível apreciá-lo na, na sua totalidade, já na fase de demolição. Formam um conjunto de 9 pedras que se suportam umas às outras; quando a parte cimeira é colocada, esta dá estabilidade às subjacentes.
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